Com a proximidade das eleições, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio do Regional Nordeste 1, que reúne os bispos do Ceará, publicou um documento com orientações dirigidas aos padres, diáconos e demais membros do clero sobre a postura a ser adotada durante o período eleitoral.
O texto reafirma que os ministros ordenados devem manter-se afastados da militância político-partidária, preservando a missão evangelizadora da Igreja e a unidade entre os fiéis. As orientações estão fundamentadas no Código de Direito Canônico e em ensinamentos do Concílio Vaticano II e do Papa Francisco.
Entre as determinações, o documento destaca que é proibida a filiação partidária de presbíteros e diáconos. Também é vedada a participação ativa em campanhas eleitorais, incluindo o apoio público a candidatos ou partidos, a presença em comícios e eventos de campanha, a gravação de vídeos, áudios ou mensagens de apoio político e o uso de vestes clericais em atos de natureza partidária.
As orientações também proíbem a utilização de igrejas, capelas, salões paroquiais e outros espaços e meios eclesiais para propaganda eleitoral. Da mesma forma, não são permitidos discursos políticos durante celebrações, reuniões pastorais ou eventos da Igreja, nem a utilização de folhetos, redes sociais institucionais ou meios de comunicação paroquiais para promover candidatos, partidos ou ideologias.
No âmbito das redes sociais pessoais, o documento recomenda que os membros do clero se abstenham de publicar, compartilhar ou comentar conteúdos partidários, indicar candidatos ou transformar seus perfis em instrumentos de militância política.
Outro ponto destacado é a vedação à candidatura de clérigos a cargos públicos eletivos. Conforme o documento, qualquer intenção nesse sentido deve ser comunicada ao bispo diocesano, que adotará as medidas canônicas cabíveis.
A CNBB Regional Nordeste 1 ressalta que o descumprimento dessas determinações poderá resultar em advertência formal, suspensão de ofícios e encargos e outras sanções previstas pelo Código de Direito Canônico.
O documento reforça que a missão da Igreja é anunciar o Evangelho e promover o Reino de Deus, especialmente em tempos de polarização e tensões ideológicas. Citando o Concílio Vaticano II, afirma que os presbíteros devem evitar tudo aquilo que possa dividir a comunidade dos fiéis. Também recorda uma homilia do Papa Francisco, na qual o pontífice afirma que o sacerdote deve ser “pastor do povo, não líder de partido”, reforçando que o clero deve permanecer livre de vínculos partidários para anunciar o Evangelho com liberdade, acolher a todos sem distinção e ser instrumento de unidade e reconciliação.
O texto é assinado por Dom Magnus Henrique Lopes, O.F.M., presidente do Regional Nordeste 1 e bispo do Crato; Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, vice-presidente do Regional Nordeste 1 e bispo de Sobral; e Dom Geraldo Freire Soares, C.Ss.R., secretário do Regional Nordeste 1 e bispo de Iguatu.
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