Papa: que o acordo entre EUA e Irã leve ao fim da guerra; é preciso eliminar as armas nucleares

Leão XIV responde às perguntas dos jornalistas em Castel Gandolfo e comenta a recente viagem à Espanha, dizendo-se “extremamente feliz” com a resposta das pessoas. Sobre a questão da remigração, exorta a tratar “cada pessoa com respeito”: “Dizer ‘vamos mandá-los embora’ e, assim, lavar as mãos do problema, não me parece uma resposta cristã”. O Pontífice também anuncia que será feito um novo apelo aos lefebvrianos: “A divisão na Igreja é sempre uma dor”.
 

Um balanço da recente viagem à Espanha, que o deixou “extremamente feliz”, acompanhado de um apelo em favor dos migrantes e sobre a remigração (“Dizer ‘vamos mandá-los embora’ e, assim, lavar as mãos do problema, não me parece uma resposta cristã”, afirma), em linha com as palavras fortes já pronunciadas nas Ilhas Canárias. Depois, um olhar sobre a atualidade: a da Igreja, com a questão dos lefebvrianos, diante das próximas ordenações episcopais anunciadas para julho, que poderiam provocar um cisma; e a atualidade do mundo, com o recente acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Uma reflexão acompanhada do desejo de que esse entendimento seja realmente “uma solução para a guerra, que a guerra de fato tenha acabado e que possamos seguir em frente para o bem de todos”.

O vento sopra forte e o céu ameaça chuva em Castel Gandolfo. Algumas gotas chegam a cair poucos minutos antes de sua saída. Mas o Papa Leão — do lado de fora da Villa Barberini, onde passou o habitual dia de descanso e trabalho — detém-se com os jornalistas que o aguardavam há horas atrás das grades de proteção, junto com um grupo de fiéis, sobretudo poloneses, que entoaram durante horas cantos dedicados à Virgem Maria. Ao atravessar o portão de ferro, o Papa dirige-se aos repórteres e correspondentes e responde às suas perguntas, começando pelas dos meios de comunicação espanhóis, preparadas para a coletiva de imprensa prevista no voo de retorno de Tenerife e que ficaram sem resposta devido ao problema técnico que obrigou Leão XIV a regressar a bordo do Falcon colocado à disposição pelo rei da Espanha.

A viagem “maravilhosa” à Espanha

O Papa recorda, então, os dias vividos em terras espanholas, de Madri a Barcelona e às Ilhas Canárias, destacando, em particular, “a resposta entusiasmada de tantas pessoas em todos os lugares”. “Alguém poderia pensar que aqui sim, aqui talvez menos, aqui sim ou não, mas a verdade é que foi algo maravilhoso”. “Cada momento — diz o Papa Leão, em espanhol — foi muito bem preparado. Também é preciso dizer que os bispos, juntamente com tantos leigos e tantos voluntários, em todos os lugares, trabalharam para preparar tudo, e isso foi maravilhoso.” Pelo que pôde observar, Leão XIV afirma que as pessoas estavam “muito felizes”.

E também os políticos estavam, com os oito minutos de aplausos recebidos nas Cortes. A política espanhola não vive um momento fácil, observa uma jornalista. “Não quero entrar na política espanhola, nem na de outros países, mas o convite é ao diálogo, o convite é a nos escutarmos mutuamente, e não a criticar e insultar constantemente a oposição sem chegar a acordos em favor do bem comum”, responde o Pontífice. Ele também reafirma o apelo já expresso no Congresso pelo respeito à “dignidade humana” e “de cada pessoa”: “Espero que não se demore muito”.

O apelo pelos migrantes: “Tratar todos com respeito”

Na mesma linha, o Papa volta a abordar a questão dos migrantes, tema tratado em diversas ocasiões durante a viagem e, em especial, em Gran Canaria e Tenerife, após a entrada em vigor do Pacto da União Europeia sobre Migração e Asilo. Também aqui Leão XIV volta a invocar o “respeito pela pessoa”: “Muitas vezes, nós não reconhecemos as razões pelas quais essas pessoas foram obrigadas a deixar os seus países. Há muitas razões: violência, guerra, conflitos. E, portanto, simplesmente dizer: ‘vamos mandá-los embora e, assim, lavamos as mãos do problema’, não me parece a resposta mais cristã. É preciso realmente respeitar as pessoas — insiste o Pontífice — analisar cada caso e, sobretudo, tratar as pessoas com respeito, como pessoas.”

Esperanças de paz

Leão XIV também não se esquiva de uma pergunta sobre os trabalhos do G7, que reúne chefes de Estado e de governo em Evian, na França, nem sobre o acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o chamado “Memorando de Islamabad”, fruto da mediação do Paquistão. “Negociações, graças a Deus, há pelo menos este Memorando, que será oficialmente assinado na sexta-feira, segundo estão dizendo”, comenta o Papa. “Ainda haverá diversos pontos a serem definidos, mas é sempre melhor fazer isso por meio do diálogo, da negociação, e não voltar à guerra.” O desejo é que “seja realmente uma solução para a guerra, que a guerra de fato tenha acabado e que possamos seguir em frente para o bem de todos. Eliminar as armas nucleares, isso sim; buscar o bem de todos os povos; procurar resolver também os problemas em nível econômico e social que foram criados neste período”.

A dor pelas divisões na Igreja

O Papa também respondeu a uma pergunta sobre o caso da Fraternidade São Pio X, que, em 1º de julho, em Ecône, realizará quatro consagrações episcopais sem mandato pontifício, apesar da advertência da Santa Sé sobre o risco de um cisma. A esse respeito, o Pontífice recordou os contatos do Dicastério para a Doutrina da Fé com a Fraternidade: “Estamos considerando fazer ainda um novo apelo, dizendo: ‘não façam isso; procuremos viver a comunhão na Igreja’. Mas a escolha é deles. É preciso ter consciência do que isso significa para eles e para a Igreja. Certamente, a divisão entre os cristãos é sempre um ponto doloroso, mas eles se recusam a aceitar alguns elementos fundamentais da Igreja, começando por diversos pontos do Concílio Vaticano II. Se fizerem essa escolha, lamento, mas nós devemos seguir em frente”, conclui Leão.

Férias e futuras viagens

Por fim, uma pergunta conclusiva e mais pessoal: quando começará suas férias de verão e como pretende passá-las. “Um pouco de descanso, muita leitura, reflexão e preparação para o que virá depois. Sempre há trabalho também…” Mas conseguirá descansar? “Esperamos!” E “esperamos” foi também a resposta sobre a possibilidade de viagens ao México e ao Peru, país onde foi missionário por mais de vinte anos. O Papa Leão encerra o assunto com um sorriso: “Veremos.”

Por: Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano e Vatican News

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