Neste domingo, 26 de julho, a Igreja Católica celebra a memória litúrgica de Sant’Ana e São Joaquim, reconhecidos pela tradição cristã como pais da Santíssima Virgem Maria e avós de Jesus Cristo. A data também destaca a importância dos avós na transmissão da fé e dos valores cristãos entre as gerações.
Sant’Ana e São Joaquim são apresentados pela tradição da Igreja como pessoas de profunda fé e confiança em Deus. A eles foi confiada a missão de educar Maria, preparando-a, no ambiente familiar e religioso, para a missão que desempenharia na história da salvação como Mãe de Jesus.
Em 2009, por ocasião da celebração de Sant’Ana e São Joaquim, o Papa Bento XVI destacou a importância da missão educativa dos avós no ambiente familiar, recordando que eles são depositários e, muitas vezes, testemunhas dos valores fundamentais da vida.
Na Diocese de Itabuna, no sul da Bahia, duas paróquias são dedicadas a Sant’Ana, localizadas nos municípios de Floresta Azul e Buerarema. Neste domingo, as comunidades celebraram de maneira especial a padroeira, encerrando os festejos realizados ao longo dos últimos dias.
Em Buerarema, a Paróquia Senhora Sant’Ana realizou, entre os dias 16 e 26 de julho, o Novenário e Festa em louvor à padroeira. A programação reuniu fiéis da cidade e da região em momentos de oração, celebração, formação e convivência fraterna.
Neste ano, os festejos tiveram como tema “Senhora Sant’Ana, mestra na espera do Messias e na missão de educar Maria” e como lema “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38), inspirado na resposta de fé e disponibilidade da Virgem Maria ao projeto de Deus.
A programação deste domingo começou às 8h, com a Missa dos Devotos. Ao meio-dia, a comunidade participou de uma feijoada. Às 17h, foi celebrada a Missa Solene, presidida pelo bispo diocesano, Dom Jailton de Oliveira Lino, e concelebrada pelo pároco, padre Wesley do Carmo, com a participação dos diáconos Mateus Pereira e Sandoval. Após a celebração, os fiéis participaram da tradicional procissão com a imagem de Sant’Ana pelas ruas e avenidas da cidade.
Durante a celebração, a reflexão destacou Sant’Ana como exemplo de confiança no tempo de Deus e como educadora da Virgem Maria. A homilia ressaltou que a espera cristã não deve ser compreendida como passividade, mas como um período em que a ação divina acontece mesmo diante das incertezas humanas.
“Sant’Ana é uma verdadeira mestra da espera. Nós vivemos em um tempo que tem uma cultura marcada pela impaciência. Tudo deve ser imediato. A tecnologia reduziu muito as distâncias, é verdade, mas nem sempre educou o coração para esperar.”
Ao refletir sobre a relação entre os desejos humanos e a vontade divina, o religioso destacou que a Sagrada Escritura ensina a confiar na providência de Deus, mesmo quando os acontecimentos não seguem o tempo esperado pelas pessoas.
“A Escritura, porém, nos ensina que Deus nunca chega atrasado. E o seu tempo, muitas vezes, não corresponde aos nossos desejos. A providência de Deus tem o seu ritmo, um ritmo que não coincide com a nossa ansiedade, que não coincide com os nossos desejos. Por isso, a espera cristã nunca é estéril.”
A reflexão apresentou a espera como um tempo fecundo de preparação e confiança. “Essa espera é um tempo fecundo, porque Deus trabalha silenciosamente no coração daqueles que n’Ele confiam. Deus trabalha no meu coração, no seu coração, de maneira silenciosa. E Ele age a seu tempo e a seu modo, não segundo os nossos critérios e os nossos desejos.”
A missão de Sant’Ana também foi relacionada diretamente à educação de Maria. Segundo a reflexão, antes do “sim” pronunciado pela Virgem na Anunciação, houve todo um caminho de formação vivido no ambiente familiar.
“Sant’Ana testemunha precisamente essa espiritualidade. Sua vida proclama que esperar em Deus é já participar da obra salvífica de Deus. Contudo, a missão de Sant’Ana não se encerra na espera. Deus lhe confiou uma responsabilidade absolutamente singular: educar aquela que seria a Mãe do Redentor, Maria.”
O religioso lembrou ainda que a formação de Maria passou pela oração, pela escuta das Escrituras e pela experiência da fé no seio da família. “Antes da Anunciação, houve Nazaré. Antes daquele ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’, houve uma infância marcada pela escuta das Escrituras, pela oração dos salmos, pelo amor ao Deus de Israel e pela aprendizagem da obediência da fé.”
Nesse contexto, Sant’Ana foi apresentada como mestra e educadora daquela que se tornaria a Mãe de Jesus e discípula do Senhor. “É legítimo, portanto, contemplarmos Sant’Ana como a primeira educadora daquela que se tornaria a discípula perfeita do Senhor. Por isso, a tradição a chama também de Sant’Ana Mestra, porque ela foi a mestra da Mãe do Senhor.”
A homilia também chamou a atenção para a importância da família na transmissão da fé. “Deus realiza sua obra extraordinária através da fidelidade ordinária das famílias. É na família que Deus vai realizando a sua obra admirável. Por isso, nós temos que cultivar os valores da fé dentro das nossas famílias.”
Ao falar sobre Maria, o religioso ressaltou que, apesar de ter sido preservada do pecado original por singular graça e privilégio de Deus, ela viveu inserida em uma realidade familiar concreta.
“Maria foi preservada do pecado por singular privilégio divino, mas cresceu numa família concreta, recebeu uma educação concreta e aprendeu numa comunidade concreta. Pois a pedagogia divina passa, ou quer passar, pela mediação humana.”
A reflexão também abordou os desafios enfrentados pelas famílias na atualidade, especialmente diante da intolerância, da fragilidade dos vínculos e das dificuldades de convivência. Como exemplo, o religioso relatou a experiência de um casal que se prepara para celebrar 50 anos de matrimônio e que atribuiu a longevidade da união ao respeito, ao amor e à vivência da fé.
A partir desse testemunho, a homilia reforçou a responsabilidade dos pais e familiares na formação cristã das novas gerações, destacando que a educação não se resume à transmissão de conhecimentos ou à oferta de condições materiais.
“Não basta transmitir conhecimento aos filhos. É necessária a formação da consciência dos filhos. Por isso, é necessário participarmos da comunidade, irmos à Missa, acompanharmos as crianças na catequese e ajudarmos as crianças a servirem ao altar, a servirem à Igreja. Tudo isso vai introduzindo nelas os valores de Deus e os valores da fé.”
O religioso concluiu esse trecho da reflexão reforçando que “não basta oferecer recursos aos filhos, é preciso comunicar sentido”, ressaltando a responsabilidade das famílias na construção de uma vida fundamentada na fé, no amor e na comunhão.
A celebração de Sant’Ana e São Joaquim, neste 26 de julho, recorda, assim, a missão daqueles que ajudam a transmitir a fé de geração em geração. Na Diocese de Itabuna, os festejos renovam a devoção aos avós de Jesus e convidam as famílias a reconhecerem no testemunho de Sant’Ana e São Joaquim um exemplo de confiança em Deus, perseverança, educação na fé e fidelidade à missão cristã.
Fotos cedidas Por: Mauricio Katita

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