{"id":85373,"date":"2026-01-31T20:21:49","date_gmt":"2026-01-31T23:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=85373"},"modified":"2026-02-01T20:22:24","modified_gmt":"2026-02-01T23:22:24","slug":"entraves-culturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/entraves-culturais\/","title":{"rendered":"Entraves culturais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo de Belo Horizonte (MG)&nbsp; &nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">&nbsp;<\/span><span data-contrast=\"auto\">As din\u00e2micas culturais podem ser vetor de impulso,&nbsp;ou&nbsp;de retrocessos,&nbsp;na busca pelo desenvolvimento integral da sociedade,&nbsp;compromisso com a vida de todos. O risco maior \u00e9 quando subculturas assumem o comando de processos decisivos&nbsp;\u00e0 promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral.&nbsp;Subculturas&nbsp;s\u00e3o aquelas constitu\u00eddas por processos que buscam o atendimento de interesses particulares,&nbsp;em preju\u00edzo aos anseios da sociedade.&nbsp;Elas promovem a&nbsp;relativiza\u00e7\u00e3o do bem comum, fazendo com que os pobres e vulner\u00e1veis paguem pre\u00e7o&nbsp;ainda mais&nbsp;alto. Subculturas t\u00eam&nbsp;for\u00e7a para impedir conquistas importantes para&nbsp;a&nbsp;vida&nbsp;de todos.&nbsp;Um mal que se torna evidente quando os debates pol\u00edticos, ao inv\u00e9s de buscar&nbsp;discernir a&nbsp;melhor&nbsp;escolha para o bem de todos,&nbsp;se reduzem&nbsp;a disputas ideol\u00f3gicas, fecundadas por&nbsp;embates que formatam a polariza\u00e7\u00e3o,&nbsp;promovendo&nbsp;retrocessos e estagna\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O mundo da pol\u00edtica, distanciado da nobreza do di\u00e1logo e&nbsp;da prioriza\u00e7\u00e3o do bem comum, se torna lugar&nbsp;de hostilidades, orientado aos interesses hegem\u00f4nicos do lucro, longe de buscar contemplar o bem-estar de todos.&nbsp;Aqueles que est\u00e3o no exerc\u00edcio do poder envolvem-se, facilmente, em um&nbsp;bate-boca est\u00e9ril, colocando&nbsp;em evid\u00eancia&nbsp;quem, de modo mais figadal, faz ataques.&nbsp;Esse cen\u00e1rio contribui para constituir um v\u00edcio terr\u00edvel: a mobiliza\u00e7\u00e3o da linguagem&nbsp;para construir uma autoimagem a partir da atitude iconoclasta&nbsp;de&nbsp;destruir a imagem do semelhante. A linguagem deixa, assim, de ser mobilizada para ajudar na constru\u00e7\u00e3o de&nbsp;discernimentos&nbsp;essenciais&nbsp;ao desenvolvimento. Torna-se instrumento no contexto de&nbsp;disputas que consomem muita energia.&nbsp;Essa&nbsp;subcultura&nbsp;alicer\u00e7ada na busca pela destrui\u00e7\u00e3o de quem pensa diferente \u00e9 alimentada pelo desejo de ser sempre maior que o semelhante. Um desejo que cega o ser humano para as reais necessidades de seu contexto social.&nbsp;&nbsp;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Quando se importa somente com o que \u00e9 do pr\u00f3prio interesse, vira-se as costas para o bem comum de todos. E as sociedades mais desenvolvidas mundo afora partilham uma caracter\u00edstica:&nbsp;&nbsp;seus cidad\u00e3os n\u00e3o se interessam&nbsp;apenas pelo pr\u00f3prio bem, mas incluem&nbsp;no&nbsp;pr\u00f3prio&nbsp;horizonte o bem-estar de cada um.&nbsp;N\u00e3o basta&nbsp;que uma pessoa ou pequeno grupo tenha moradias dignas, com muito luxo, enquanto tantos outros sofrem em lugares inadequados, insalubres.&nbsp;N\u00e3o&nbsp;s\u00e3o suficientes medidas que melhoram a mobilidade urbana de alguns privilegiados, insensivelmente tratando os anseios dos mais pobres. Igualmente grave \u00e9 deixar-se aprisionar no&nbsp;prop\u00f3sito da autopromo\u00e7\u00e3o, buscando trunfos em&nbsp;disputas eleitorais, ou mesmo reconhecimento social.&nbsp;A cegueira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia do semelhante gera um distanciamento da compreens\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de&nbsp;se&nbsp;saber&nbsp;administrar&nbsp;as&nbsp;diferen\u00e7as, reconhecendo&nbsp;que todas&nbsp;as pessoas&nbsp;partilham a mesma dignidade. Essa compreens\u00e3o&nbsp;promove equil\u00edbrio social.&nbsp;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Sociedades&nbsp;mais desenvolvidas,&nbsp;obviamente, tamb\u00e9m s\u00e3o cen\u00e1rio de&nbsp;embate&nbsp;entre&nbsp;suas diferen\u00e7as,&nbsp;mas seguem&nbsp;par\u00e2metros nos quais o bem comum \u00e9 prioridade.&nbsp;Sem esses&nbsp;par\u00e2metros, os esfor\u00e7os se concentram nos embates,&nbsp;distanciando as&nbsp;a\u00e7\u00f5es governamentais do&nbsp;bem&nbsp;de todos.&nbsp;S\u00e3o desperdi\u00e7ados recursos a partir das&nbsp;din\u00e2micas&nbsp;da corrup\u00e7\u00e3o&nbsp;e tantas outras que amea\u00e7am o bem comum.&nbsp;O desarvorado desejo de possuir&nbsp;sempre mais, acumulando bens ilimitadamente,&nbsp;precipita pessoas, segmentos da sociedade e institui\u00e7\u00f5es no abismo da&nbsp;imoralidade e da falta de \u00e9tica.&nbsp;As consequ\u00eancias s\u00e3o sentidas no dia a dia, com inadequa\u00e7\u00f5es no tratamento da&nbsp;infraestrutura urbana, vi\u00e1ria e&nbsp;de&nbsp;outras&nbsp;prioridades quando se busca o&nbsp;equil\u00edbrio social. A vida simples,&nbsp;vivida com qualidade,&nbsp;\u00e9 substitu\u00edda pelo esbanjamento, fecundado por vaidades. A sede de possuir sempre mais alimenta a crescente viol\u00eancia e acentua diferentes tipos de adoecimento.&nbsp;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Importante lembrar que o mundo contempor\u00e2neo enfrenta uma epidemia de&nbsp;depress\u00e3o, enfermidade que amea\u00e7a a vida de muitas pessoas.&nbsp;Padece tamb\u00e9m com a depress\u00e3o social,&nbsp;consequ\u00eancia do crescente abismo que divide ricos e pobres.&nbsp;&nbsp;Para vencer esses males, deve-se&nbsp;tamb\u00e9m&nbsp;buscar construir uma&nbsp;cultura da paz, a partir de rela\u00e7\u00f5es sociais mais igualit\u00e1rias e do enfrentamento de subculturas que minam a unidade e a comunh\u00e3o na viv\u00eancia da f\u00e9, que subtraem da pol\u00edtica o seu sentido nobre, que produzem&nbsp;miopias. Subculturas que estagnam&nbsp;governantes, reduzem&nbsp;o patriotismo ao mundo esportivo,&nbsp;impedem&nbsp;investimentos em patrim\u00f4nios culturais duradouros&nbsp;que ancoram&nbsp;identidades, mem\u00f3rias e valores.&nbsp;A lista de subculturas \u00e9 enorme. Urge-se, permanentemente, um deliberado e vigoroso processo de tomada de consci\u00eancia, ado\u00e7\u00e3o de novas din\u00e2micas, corre\u00e7\u00e3o de procedimentos para n\u00e3o enjaular uma sociedade no atraso, desperdi\u00e7ando seus&nbsp;muitos recursos.&nbsp;O&nbsp;combate aos entraves das subculturas&nbsp;tem, mundo afora, refer\u00eancias inspiradoras,&nbsp;que podem ajudar a&nbsp;promover o desenvolvimento integral. Sejam superados esses entraves,&nbsp;por uma sociedade ancorada na justi\u00e7a e na solidariedade.&nbsp;<\/span><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG)&nbsp; &nbsp; &nbsp;As din\u00e2micas culturais podem ser vetor de impulso,&nbsp;ou&nbsp;de retrocessos,&nbsp;na busca pelo desenvolvimento integral da sociedade,&nbsp;compromisso com a vida de todos. 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