{"id":81984,"date":"2025-01-13T19:30:17","date_gmt":"2025-01-13T22:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=81984"},"modified":"2025-01-13T19:30:17","modified_gmt":"2025-01-13T22:30:17","slug":"autobiografia-do-papa-humildade-senso-de-humor-infancia-e-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/autobiografia-do-papa-humildade-senso-de-humor-infancia-e-familia\/","title":{"rendered":"Autobiografia do Papa: humildade, senso de humor, Inf\u00e2ncia e fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Quatro jornais italianos disponibilizam v\u00e1rios trechos da autobiografia do Papa (\u201cSpera\u201d), escrita com Carlo Musso, que ser\u00e1 lan\u00e7ada na ter\u00e7a-feira em v\u00e1rios pa\u00edses. Aqui est\u00e3o os trechos publicados em: La Stampa, Avvenire, Il Messaggero e Il Giorno<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"title__separator\">\n<p>N\u00e3o teriam se formado todos juntos, no final do ano 1955, aqueles quatorze jovens que, em mar\u00e7o de seis anos antes, botaram os p\u00e9s pela primeira vez na&nbsp;<i>Escuela T\u00e9cnica Especializada en Industrias Chimicas N\u00b0 12<\/i>, cheios de esperan\u00e7a. N\u00e3o todos, infelizmente. Algu\u00e9m teria ca\u00eddo tragicamente ao longo do caminho.<\/p>\n<p>Era o filho de um policial. E provavelmente, em muitos aspectos, o mais inteligente e talentoso de todos n\u00f3s, apaixonado e profundo conhecedor de m\u00fasica cl\u00e1ssica e com uma cultura liter\u00e1ria igual \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o musical\u2026 Era um g\u00eanio aquele jovem grande e robusto, o mais corpulento entre n\u00f3s. Um g\u00eanio.<\/p>\n<p>Mas a mente humana \u00e0s vezes \u00e9 um mist\u00e9rio insond\u00e1vel. E em um dia que parecia como outro qualquer, aquele jovem pegou a arma do pai e matou um colega, um amigo do bairro.<\/p>\n<p>A not\u00edcia soou como um disparo de pistola tamb\u00e9m para n\u00f3s, nos chocou. Trancafiaram-no na ala penal do manic\u00f4mio, e eu fui visit\u00e1-lo. Foi a minha primeira, concreta experi\u00eancia de pris\u00e3o, duplamente pris\u00e3o porque era tamb\u00e9m uma penitenci\u00e1ria para doentes mentais. Pude saudar meu amigo somente por uma pequena janela gradeada, dividida em quatro por uma grade e emoldurada por uma pesada porta de ferro. E foi terr\u00edvel, fiquei profundamente perturbado com aquilo. Voltei para l\u00e1 com alguns companheiros para visit\u00e1-lo. Poucos dias depois, por\u00e9m, ouvi um zelador da escola e alguns meninos de outro curso falando dele em tom de zombaria. Fiquei furioso. Contei-lhes tudo, depois corri ao diretor para expressar minha desaprova\u00e7\u00e3o: para dizer que coisas semelhantes nunca mais deveriam acontecer, que era ainda mais grave pois estava envolvido tamb\u00e9m um funcion\u00e1rio, que aquele menino j\u00e1 estava sofrendo o suficiente, entre manic\u00f4mio e pris\u00e3o. Aquela explos\u00e3o me daria alguma reputa\u00e7\u00e3o na escola como um homem honesto, n\u00e3o sei o quanto era merecida; acontece assim com a fama. Meu amigo depois foi enviado para um reformat\u00f3rio e continuamos a nos corresponder. Ele foi salvo da pris\u00e3o perp\u00e9tua porque, na \u00e9poca dos acontecimentos, ainda era menor de idade. Ele foi libertado alguns anos mais tarde.<\/p>\n<p>Depois da formatura, quando eu j\u00e1 estava no noviciado, um ex colega me ligou: contou-me que tinha conseguido entrar em contato com a irm\u00e3 daquele jovem, e que ela, aflita, lhe havia dito que, logo ap\u00f3s ter sa\u00eddo do reformat\u00f3rio, havia cometido suic\u00eddio. Ele devia ter vinte e quatro anos.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, como diz o salmo, o cora\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 um abismo. Foi uma dor, que me trouxe \u00e0 mente e ao cora\u00e7\u00e3o uma outra.<\/p>\n<p>Eu estava no meu quarto ano quando fui abordado no \u00f4nibus por um menino do primeiro ano. Parece que me havia pedido se eu poderia procurar para ele algum livro que lhe seria \u00fatil. Eu disse que sim, que tinha em casa e levaria para ele, e foi assim que iniciou o relacionamento. Ele era filho \u00fanico e bem conhecido na escola pelos problemas disciplinares que causava. Eu j\u00e1 havia sentido dentro de mim o chamado, percebia de forma intensa a minha voca\u00e7\u00e3o, que no entanto n\u00e3o havia expressado aos outros. Vi que aquele menino ainda n\u00e3o havia feito a primeira comunh\u00e3o e, enfim, comecei a acompanh\u00e1-lo, a conversar com ele, a ajud\u00e1-lo como eu podia. Eu tamb\u00e9m fui \u00e0 casa dele para conhecer seus pais, duas pessoas boas, a fam\u00edlia Heredia, mas\u2026 Mas no final, quando eu estava na sexta s\u00e9rie, aquele menino matou a m\u00e3e dele com uma faca. Ele teria quinze anos, n\u00e3o mais.<\/p>\n<p>Lembro-me do vel\u00f3rio naquela casa, do rosto p\u00e1lido do pai, de sua dor dupla e implac\u00e1vel. Parecia a m\u00e1scara de J\u00f3: &#8220;Meus olhos se escurecem de tristeza e todo o meu corpo n\u00e3o \u00e9 mais que uma sombra.&#8221; (J\u00f3 1, 7).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aquela not\u00edcia irrompe na escola como um temporal. Eu poderia dizer que ela nos fez refletir sobre a trag\u00e9dia e a complexidade da vida. Jorge Luis Borges escreveu: \u00abTentei, n\u00e3o sei com que&nbsp;sorte, compor hist\u00f3rias lineares. N\u00e3o ouso afirmar que sejam simples; n\u00e3o h\u00e1 sobre a terra uma \u00fanica p\u00e1gina, uma \u00fanica palavra que o seja.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso humildade para representar a complexa experi\u00eancia da vida.<\/p>\n<p>Eu apreciava e estimava muito Borges, me tocavam a seriedade e a dignidade com as quais ele vivia sua exist\u00eancia. Era um homem muito s\u00e1bio e muito profundo. Quando, aos vinte e sete anos, torna-se professor de literatura e psicologia no Col\u00e9gio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Santa F\u00e9, d\u00e1 um curso de escrita criativa para os estudantes e pensei de enviar a ele, por meio de sua secret\u00e1ria, que era minha professora de piano, dois contos escritos pelos jovens. Eu parecia ainda mais jovem do que era, tanto que os estudantes, entre eles, haviam me apelidado de<i>&nbsp;Carucha<\/i>&nbsp;(cara de beb\u00ea), e Borges, ao contr\u00e1rio, j\u00e1 era um dos mais celebrados autores do s\u00e9culo XX; mesmo assim, fez com que fossem lidos para ele &#8211; j\u00e1 que ent\u00e3o ele estava praticamente cego \u2013 e&nbsp; lhe agradaram muito.&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o convidei para dar algumas li\u00e7\u00f5es sobre o tema dos ga\u00fachos na literatura e ele aceitou; ele conseguia falar sobre qualquer coisa, sem nunca dar ares de superioridade. Aos sessenta e seis anos, ele pegou um \u00f4nibus em Buenos Aires e viajou por oito horas, \u00e0 noite, para chegar a Santa F\u00e9. Em uma dessas ocasi\u00f5es nos atrasamos porque, quando cheguei para busc\u00e1-lo no hotel, ele me perguntou se eu poderia ajud\u00e1-lo a se barbear. Ele era um agn\u00f3stico que recitava o Pai Nosso todas as noites, pois havia prometido \u00e0 sua m\u00e3e que morreria com confortos da f\u00e9.<\/p>\n<p>Aquele que escreveu palavras como estas s\u00f3 poderia ser um homem de espiritualidade: &#8220;Abel e Caim se encontraram depois da morte de Abel. Caminhavam no deserto e se reconheceram de longe, porque ambos eram muito altos. Os irm\u00e3os sentaram-se no ch\u00e3o, fizeram um fogo e comeram. Eles ficaram em sil\u00eancio, como pessoas cansadas fazem quando est\u00e1 terminando o dia. No c\u00e9u havia algumas estrelas que ainda n\u00e3o tinham recebido seus nomes. \u00c0 luz das chamas, Caim notou a marca da pedra na testa de Abel e, deixando cair o p\u00e3o que estava prestes a levar \u00e0 boca, pediu que seu crime fosse perdoado. Abel respondeu: &#8220;Voc\u00ea me matou ou eu matei voc\u00ea? N\u00e3o me lembro mais; estamos aqui juntos como antes.&#8221; &#8220;Agora eu sei que voc\u00ea realmente me perdoou&#8221;, disse Caim, &#8220;pois esquecer \u00e9 perdoar. Eu tamb\u00e9m tentarei esquecer&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><b>&#8220;Saber rir, fermento que faz crescer a alegria&#8221;<\/b><\/p>\n<p>FRANCISCO<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m uma menina espirituosa, a esperan\u00e7a. Ele sabe que o humorismo, o sorriso, s\u00e3o o fermento da exist\u00eancia e um instrumento para enfrentar as dificuldades, at\u00e9 mesmo as cruzes, com resili\u00eancia. A ironia, depois, neste caso, pode se encaixar perfeitamente na sagaz defini\u00e7\u00e3o do escritor Romain Gary, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de dignidade, &nbsp;\u00aba afirma\u00e7\u00e3o da superioridade do ser humano sobre o que lhe acontece\u00bb. [\u2026] Em fam\u00edlia, quando crian\u00e7a, tamb\u00e9m essas eram mat\u00e9rias de educa\u00e7\u00e3o dos nossos pais. Para todos n\u00f3s, irm\u00e3os, uma pedagogia ao sentido da alegria, a uma saud\u00e1vel ironia, \u00e0 brincadeira, era considerada algo importante. [\u2026]. A vida da minha fam\u00edlia conheceu n\u00e3o poucas dificuldades, sofrimentos, l\u00e1grimas, mas mesmo nos momentos mais dif\u00edceis, experiment\u00e1vamos que um sorriso, uma risada, conseguia extrair com for\u00e7a a energia para retomar o caminho certo.<\/p>\n<p>Sobretudo papai nos ensinou muito. N\u00e3o se trata de afastar, de fingir que nada acontece, de diminuir os problemas \u2013 o c\u00f4mico, afinal, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o tr\u00e1gico visto de tr\u00e1s \u2013 mas sim de manter dentro de si um espa\u00e7o de alegria decisivo para enfrent\u00e1-los e super\u00e1-los. [\u2026] \u00c9 para sublinhar este v\u00ednculo indissol\u00favel, este feliz matrim\u00f4nio entre esperan\u00e7a e alegria que, nos meses que precederam a abertura da Porta Santa do novo Jubileu, quis encontrar no Vaticano um grupo de mais de cem artistas provenientes da mundo da com\u00e9dia, de diversas nacionalidades e disciplinas. Algu\u00e9m observou tratar-se de um grande salto desde quando atores e buf\u00f5es eram destinados a ser sepultados em solo n\u00e3o consagrado, mas se algu\u00e9m escolher assumir o nome de Francisco, do \u201cbuf\u00e3o de Deus\u201d, \u00e9 provavelmente o m\u00ednimo que se possa esperar. Pouco depois, um deles me disse espirituosamente que \u00e9 belo tentar fazer Deus rir&#8230; n\u00e3o fosse que, pelo fato da onisci\u00eancia, ele te antecipa todas as piadas estragando-te o final. \u00c9 precisamente esse o humorismo que faz bem ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vida inevitavelmente tem suas pr\u00f3prias amarguras, fazem parte de cada caminho de esperan\u00e7a e convers\u00e3o. Mas \u00e9 preciso evitar a todo custo deixar-se abater pela melancolia, n\u00e3o permitir que ela se alastre no cora\u00e7\u00e3o. [\u2026] S\u00e3o tenta\u00e7\u00f5es \u00e0s quais n\u00e3o est\u00e3o imunes nem mesmo as pessoas consagradas. E infelizmente, acontece de encontrar entre elas pessoas amargas, melanc\u00f3licas, mais autorit\u00e1rias do que com autoridade, mais \u201csolteir\u00f5es\u201d do que esposos da Igreja, mais funcion\u00e1rios do que pastores, ou mais superficiais do que alegres, e tamb\u00e9m isso certamente n\u00e3o est\u00e1 bem. Mas, em geral, n\u00f3s, padres, temos uma boa propens\u00e3o ao humorismo e tamb\u00e9m uma certa familiaridade com piadas e hist\u00f3rias, das quais ferquentemente somos, al\u00e9m de objetos, bons contadores.<\/p>\n<p>Mesmo os Papas. Jo\u00e3o XXIII, cuja natureza brincalhona era bem conhecida, durante um discurso disse mais ou menos: \u00abAcontece-me muitas vezes \u00e0 noite que come\u00e7o a pensar numa s\u00e9rie de graves problemas. Ent\u00e3o tomo a decis\u00e3o corajosa e resoluta de ir de manh\u00e3 falar com o Papa. Ent\u00e3o eu me acordo todo suado e recordo que o Papa sou eu\u00bb. Como o compreendo&#8230; E nem mesmo Jo\u00e3o Paulo II era uma exce\u00e7\u00e3o. Durante as sess\u00f5es preparat\u00f3rias de um conclave, quando ainda era o cardeal Wojty\u0142a, um cardeal mais idoso e um tanto r\u00edgido aproximou-se dele com a inten\u00e7\u00e3o de repreend\u00ea-lo, porque ia esquiar, escalava montanhas, andava de bicicleta, nadava&#8230; \u00abEu n\u00e3o penso que sejam atividades adequadas ao seu papel\u00bb, disse-lhe a meia voz. Ao que o futuro Papa respondeu: \u00abMas voc\u00ea sabia que na Pol\u00f4nia essas s\u00e3o atividades comuns para pelo menos 50% dos cardeais?\u00bb. Naquela \u00e9poca, na Pol\u00f4nia, havia apenas dois cardeais.<\/p>\n<p>A ironia \u00e9 rem\u00e9dio, n\u00e3o somente para elevar e iluminar os outros, mas tamb\u00e9m para si mesmo, porque a autoironia \u00e9 um instrumento poderoso para superar a tenta\u00e7\u00e3o do narcisismo. Os narcisistas se olham continuamento no espelho, se pintam, se admiram, mas o melhor conselho diante do espelho \u00e9 sempre rir de si mesmo. Isso nos far\u00e1 bem. Demonstrar\u00e1 isso a evid\u00eancia daquele antigo prov\u00e9rbio chin\u00eas, que diz que existem somente dois homens perfeitos: um morreu e o outro nunca nasceu. [\u2026] Nisto a Igreja tem, informalmente, tamb\u00e9m uma complexa s\u00e9rie de categoriza\u00e7\u00f5es de piadas e anedotas segundo as ordens, as congrega\u00e7\u00f5es, as figuras. [\u2026] As piadas sobre os jesu\u00edtas e por jesu\u00edtas, ent\u00e3o, s\u00e3o um um verdadeiro g\u00eanero, talvez compar\u00e1vel apenas \u00e0quelas sobre os Carabinieri na It\u00e1lia, ou sobre as m\u00e3es judias no humor i\u00eddiche.<\/p>\n<p>Quanto ao perigo do narcisismo, do qual prevenir-se com as doses certas de auto-ironia, vem \u00e0 mente aquela sobre um jesu\u00edta um tanto vaidoso que tem um problema card\u00edaco e precisa ser internado no hospital. Antes de entrar na sala de cirurgia, aquele jesu\u00edta pergunta a Deus: \u00abSenhor, chegou a minha hora?\u00bb. \u00abN\u00e3o, voc\u00ea viver\u00e1 pelo menos mais quarenta anos\u00bb, responde-lhe Deus. Assim que se recupera, aproveita para tamb\u00e9m fazer um transplante capilar, um lifting facial, uma lipoaspira\u00e7\u00e3o, p\u00e1lpebras, dentes\u2026 enfim, sai de l\u00e1 um homem diferente. Mas, do lado de fora do hospital, um carro o atropela e ele morre. Assim que comparece diante de Deus, ele protesta: &nbsp;\u00abSenhor, mas&#8230; tu me disseste que eu viveria mais quarenta anos!\u00bb. E Deus: \u00abOpa, desculpa&#8230; n\u00e3o te reconheci&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m me contaram uma que diz respeito diretamente a mim, aquela do Papa Francisco na Am\u00e9rica. Diz mais ou menos isso: assim que desembarca no aeroporto de Nova York para sua viagem apost\u00f3lica aos Estados Unidos, o Papa Francisco encontra uma enorme limusine esperando por ele. Ele fica um pouco desconcertado com todo aquele luxo, mas depois pensa que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o dirige, e nunca um carro como aquele, e em resumo diz para si mesmo: est\u00e1 bem, mas quando terei outra chance&#8230; Ele olha para a limusine e pergunta ao motorista: \u00abVoc\u00ea me deixaria tentar?\u00bb.<\/p>\n<p>E o motorista: \u00abOlha, eu realmente sinto muito, Santidade, mas eu realmente n\u00e3o posso fazer isso, o senhor conhece os procedimentos, o protocolo&#8230;\u00bb. Mas como dizem, o Papa quando coloca alguma coisa na cabe\u00e7a, bem, ele insiste e insiste at\u00e9 que por fim o outro cede. O Papa Francisco ent\u00e3o se senta ao volante em uma dessas estradas enormes e&#8230; pega o gosto, come\u00e7a a pisar no acelerador: 50 por hora, 80, 120&#8230; At\u00e9 que ouve uma sirene e um carro de pol\u00edcia que se aproxima que o faz parar. Um jovem policial se aproxima da janela escura, o Papa, um tanto intimidado, abaixa-a e o policial fica p\u00e1lido. \u00abPerdoe-me um momento\u00bb, diz ele, e volta para o carro para chamar a central. \u00abChefe&#8230; Acho que tenho um problema.\u00bb E o chefe: \u00abQual \u00e9 o problema?\u00bb. \u00abBem, eu parei um carro por excesso de velocidade&#8230; mas tem um cara muito importante nele\u00bb. \u00abQu\u00e3o importante? \u00c9o prefeito?\u00bb. \u00abN\u00e3o, chefe, mais que o prefeito&#8230;\u00bb. \u00abE mais que o prefeito, quem \u00e9? O governador?\u00bb.\u00abN\u00e3o, mais\u2026 \u00bb. \u00ab Mas ent\u00e3o poderia ser o presidente?\u00bb.\u00abMais, eu acho&#8230;\u00bb. \u00abE quem poderia ser mais importante que o presidente?\u00bb. \u00abOlha, chefe, eu n\u00e3o sei exatamente quem ele \u00e9, mas vou lhe dizer que o Papa \u00e9 o motorista dele!\u00bb<\/p>\n<p>O Evangelho que nos admoesta a nos tornarmos como crian\u00e7as (Mt 18,3), para a nossa pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o, recorda-nos desta forma tamb\u00e9m recuperar a sua capacidade de sorrir, que, para os psic\u00f3logos que se deram ao trabalho de a contar, revela-se mais de dez vezes superior \u00e0quela dos adultos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada que me alegre mais hoje do que encontrar as crian\u00e7as: se quando crian\u00e7a tive os meus mestres do sorriso, agora que sou velho, meus mentores muitas vezes s\u00e3o as crian\u00e7as. S\u00e3o os encontros que mais me emocionam, que me fazem sentir melhor. E depois aqueles com os idosos: os idosos que aben\u00e7oam a vida, deixando de lado todo ressentimento, que t\u00eam a alegria do vinho que se tornou bom ao longo dos anos, s\u00e3o irresist\u00edveis.<\/p>\n<p>Eles t\u00eam a gra\u00e7a do choro e do riso, como as crian\u00e7as. Quando as pego nos bra\u00e7os, durante as audi\u00eancias na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, na maioria das vezes as crian\u00e7as sorriem; Outras, por\u00e9m, ao me verem todo vestido de branco, acreditam que sou o m\u00e9dico que vem dar-lhes a inje\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o choram. S\u00e3o campe\u00f5es da espontaneidade, de humanidade, e nos lembram que quem renuncia \u00e0 pr\u00f3pria humanidade renuncia a tudo, e que quando se torna dif\u00edcil chorar seriamente ou rir apaixonadamente, \u00e9 ent\u00e3o que realmente come\u00e7ou o nosso decl\u00ednio. Tornamo-nos anestesiados, e os adultos anestesiados n\u00e3o fazem bem nem a si mesmos, nem \u00e0 sociedade, nem \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p><b>Valores e simplicidade, assim nasce um Papa<\/b><\/p>\n<p>FRANCISCO<\/p>\n<p>Gosto da pontualidade, \u00e9 uma virtude que aprendi a apreciar. E chegar no hor\u00e1rio considero-o como meu dever, um sinal de educa\u00e7\u00e3o e respeito. Mas era minha primeira vez e eu j\u00e1 estava atrasado. O tempo tinha se esgotado em uma semana e eu ainda n\u00e3o rinha me decidir. Eu tamb\u00e9m gostava de estar com minha m\u00e3e. Felizmente, a parteira, Sra. Palanconi, era uma mulher capaz e experiente que teria festejado at\u00e9 cinco mil nascimentos. Mas quando entendeu que se podia esperar mais, fez chamar o m\u00e9dico de fam\u00edlia e ele correu at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>Ele chegou quando a m\u00e3e estava no quarto, deitada na cama: o Dr. Scanavino a examinou, depois a tranquilizou, e isso sempre foi uma \u00f3tima hist\u00f3ria em nossas reuni\u00f5es familiares, ela come\u00e7ou a sentar-se de bru\u00e7os, a pressionar e a &#8220;pular&#8221;, para desencadear o trabalho de parto. E foi assim que eu vim ao mundo, no dia de S\u00e3o L\u00e1zaro de Bet\u00e2nia, o amigo que Jesus ressuscitou dos mortos. Eu &#8220;sa\u00ed&#8221; pesando quase 5 quilos, e minha m\u00e3e com cerca de 44: foi um grande esfor\u00e7o, enfim, Maria Luisa Palanconi acompanharia todos n\u00f3s, irm\u00e3os, por toda a vida, e depois at\u00e9 um dos filhos da minha irm\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho lembran\u00e7a do nascimento do segundo filho, meu irm\u00e3o Oscar Adri\u00e1n, que recebeu o nome de um tio materno, porque na \u00e9poca, em 30 de janeiro de 1938, eu tinha pouco mais de um ano. Mas me recordo do nascimento da minha irm\u00e3 Marta Regina, em 24 de agosto de 1940. E sobretudo daquele do quarto firlho: uma cena \u00edntima, familiar, que tenho diante dos olhos como se estivesse acontecendo neste momento. N\u00f3s, irm\u00e3os, estamos todos doentes, com gripe, Oscar e eu no nosso quarto e minha irm\u00e3zinha no dela. Chega o Dr. Rey Sumai e examina n\u00f3s tr\u00eas, ent\u00e3o caminha confiantemente pelo corredor em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 biblioteca com os livros do papai, onde a mam\u00e3e est\u00e1 sentada.<\/p>\n<p>A BOLSA<\/p>\n<p>Ele entra, coloca a m\u00e3o na barriga dela e exclama: \u00abAh, falta pouco!\u00bb Algumas horas depois, chega a Sra. Palanconi com sua grande bolsa. Papai e tio est\u00e3o na cozinha. A porta da biblioteca se fecha diante de n\u00f3s, m\u00e3e e parteira dentro, e n\u00f3s, crian\u00e7as, nos amontoamos atr\u00e1s da porta, com os ouvidos atentos para escutar, para captar o momento em que o novo irm\u00e3ozinho chegaria, o primeiro grito \u00e0 vida. Os adultos nos falavam da cegonha que n\u00e3o se sabe nunca por que, talvez porque daquela cidade, desde a Grande Exposi\u00e7\u00e3o Universal do final do s\u00e9culo passado, parecia chegar tudo o que havia de mais novo e moderno, sempre tinha que vir de Paris, mas Oscar e eu j\u00e1 t\u00ednhamos entendido como as eram as coisas. N\u00f3s sab\u00edamos como nasciam as crian\u00e7as. E naquela noite, 16 de julho de 1942, nasceu Alberto Horacio. O time estava quase completo. Uma fam\u00edlia comum, com dignidade. A dignidade foi um ensinamento que sempre esteve presente nas palavras e nos gestos dos nossos pais.<\/p>\n<p>A CASA<\/p>\n<p>Desde o meu segundo ano de vida at\u00e9 os meus vinte e um anos, sempre morei na Calle Membrillar, 531. Uma casa com um \u00fanico andar, com tr\u00eas quartos, o dos meus pais e os dois que n\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s, divid\u00edamos, um banheiro, uma cozinha com copa, uma sala de jantar mais formal, um terra\u00e7o. Aquela casa e aquela rua foram para mim as ra\u00edzes de Buenos Aires e da Argentina como um todo. Uma moradia simples em um bairro simples, todas as casas baixas; se respirava uma atmosfera calma e pac\u00edfica, um clima de confian\u00e7a nos outros e no futuro. Se minha m\u00e3e tivesse que chegar um pouco tarde em casa, e ela tivesse medo que n\u00f3s, crian\u00e7as, j\u00e1 tiv\u00e9ssemos chegado da escola, ela deixava as chaves com o vigilante do bairro, bem na esquina; mas a verdade \u00e9 que, como dizem, se podia dormir com a porta aberta. Um bairro de classe m\u00e9dia no cora\u00e7\u00e3o de uma cidade em constante mudan\u00e7a e de um grande pa\u00eds, um dos maiores do mundo. O censo nacional de 1869 contava uma popula\u00e7\u00e3o ainda longe dos dois milh\u00f5es de habitantes, mas quando nasci, em 1936, j\u00e1 eram doze, n\u00famero que crescia exponencialmente, e a capital era agora uma das maiores metr\u00f3poles do planeta Aqueles n\u00fameros eram destinados a mais que triplicar.&nbsp;<\/p>\n<p>Um pa\u00eds jovem, nascido em uma vasta e remota plan\u00edcie de uma das col\u00f4nias mais remotas e suburbanas do vasto imp\u00e9rio espanhol, e que condensou sua hist\u00f3ria complexa, tr\u00e1gica e maravilhosa em pouco mais de dois s\u00e9culos e um punhado de gera\u00e7\u00f5es. A minha p\u00e1tria, pela qual continuo sentindo o mesmo amor, grande e intenso. O povo pelo qual rezo todos os dias, que me formou, me preparou e depois me ofereceu aos outros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m quando nasceu Maria Elena, sempre na casa de Membrillar, em 17 de fevereiro de 1948, depois que mam\u00e3e neste meio tempo perdeu um filho no in\u00edcio da gravidez, a tribo ficou completa. Com a chegada de Churrinche, um c\u00e3ozinho de ra\u00e7a indefinida e indefin\u00edvel, que batizamos em homenagem a outro indom\u00e1vel amigo de quatro patas dos Pampas que pertenceu aos av\u00f3s maternos. Mam\u00e3e costumava dizer que n\u00f3s cinco filhos \u00e9ramos como os dedos de uma m\u00e3o, cada um diferente do outro; todos diferentes e todos igualmente seus: \u00abPorque se eu furar meu dedo sinto a mesma dor que sentiria se furasse outro\u00bb.<\/p>\n<p>IMIGRANTES<\/p>\n<p>Tanos, \u00e9 assim que nos chamam na Argentina. Entre os primeiros imigrantes italianos a chegar a La Plata, se destacavam inicialmente os genoveses, tanto que Xeneixes se tornou o ep\u00edteto para indicar quase todos. Entre os do Norte, depois, muitos tinham o sobrenome Battista, e assim Bachicha se tornou um sobrenome comum para os italianos. Quando finalmente se juntou a grande imigra\u00e7\u00e3o do sul da pen\u00ednsula, calabreses, sicilianos, ap\u00falios e camp\u00e2nios, e os que desembarcavam quando lhes perguntavam de onde vinham come\u00e7aram a responder: \u00abSoy Napulitano\u00bb, acabou se tornando Tanos o nome coletivo para indicar a parte para o todo. Todos n\u00f3s comedores de massa.<\/p>\n<p><b>\u00abVenho de uma fam\u00edlia de emigrantes. Eles evitaram o naufr\u00e1gio in extremis&#8221;<\/b><\/p>\n<p><i>O livro \u201cSpera\u201d ser\u00e1 lan\u00e7ado na ter\u00e7a-feira, 14&nbsp; de janeiro, em cem pa\u00edses, a primeira vez que um pont\u00edfice conta a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida. Publicamos um trecho sobre o desastre do navio em que seus av\u00f3s e seu pai deveriam ter embarcado em 1927.<\/i><\/p>\n<p>PAPA FRANCISCO<\/p>\n<p>Eles contaram que se ouviu um choque tremendo, como um terremoto. Toda a viagem tinha sido acompanhada de vibra\u00e7\u00f5es fortes e sinistras (&#8230;) mas isso era outra coisa: era mais como uma explos\u00e3o, como uma bomba. (&#8230;) N\u00e3o era uma bomba: era um trov\u00e3o surdo, na verdade. (&#8230;) Um homem, depois de permanecer agarrado a um peda\u00e7o de madeira no oceano por horas, teria testemunhado que viu claramente a h\u00e9lice e o eixo do motor de bombordo escorregarem. Completamente.<\/p>\n<p>A h\u00e9lice havia aberto uma ferida profunda no casco: a \u00e1gua entrava copiosamente (&#8230;). Eles disseram que os membros da orquestra receberam ordens de continuar tocando (&#8230;).<\/p>\n<p>O navio continuava a inclinar-se cada vez mais, a escurid\u00e3o avan\u00e7ava, o mar ficava cada vez mais agitado. Quando ficou claro que as garantias iniciais aos passageiros n\u00e3o eram mais suficientes, o comandante deu a ordem de parar os motores, soou a sirene de alarme e os operadores de r\u00e1dio enviaram o primeiro SOS.<\/p>\n<p>O sinal de socorro foi captado por v\u00e1rias embarca\u00e7\u00f5es (&#8230;). Eles correram para o local imediatamente, mas foram todos for\u00e7ados a parar a uma certa dist\u00e2ncia porque uma grande coluna de fuma\u00e7a branca levantou temores de uma explos\u00e3o desastrosa nas caldeiras. Da ponte (&#8230;) o comandante tentava cada vez mais desesperadamente pedir calma e coordenava as opera\u00e7\u00f5es de resgate, dando prioridade \u00e0s mulheres e crian\u00e7as. Mas quando a noite caiu (&#8230;) a situa\u00e7\u00e3o piorou completamente. Os botes salva-vidas foram baixados, mas o navio estava terrivelmente inclinado: muitos afundaram imediatamente ap\u00f3s bater no casco, outros ficaram em ru\u00ednas e inutiliz\u00e1veis, entrando \u00e1gua que os passageiros foram obrigados a remover usando seus chap\u00e9us. Outros, tomados de assalto, viraram ou afundaram devido \u00e0 sobrecarga. Muitos artes\u00e3os e agricultores dos vales e plan\u00edcies nunca tinham visto o mar antes e n\u00e3o sabiam nadar.<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00f5es e gritos se misturavam.<\/p>\n<p>Foi o p\u00e2nico. Muitos passageiros ca\u00edram ou se jogaram no mar, afogando-se. Alguns foram tomados pelo desespero. Outros ainda foram devorados vivos por tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>Naquele pandem\u00f4nio houve in\u00fameras lutas, mas tamb\u00e9m gestos de coragem e abnega\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Bem antes da meia-noite o navio estava completamente inundado, subiu verticalmente pela proa e com um \u00faltimo estrondoso gemido (&#8230;) afundou, a uma profundidade de mais de 1400 metros. (&#8230;) O comandante permaneceu a bordo at\u00e9 o final, tendo os m\u00fasicos restantes tocado a Marcha Real. Seu corpo nunca foi encontrado. Certamente, pouco antes do navio afundar, muitos tiros foram ouvidos, disparados pelos oficiais que, depois de terem feito todo o poss\u00edvel pelos passageiros, decidiram que eles n\u00e3o enfrentariam o tormento do afogamento. (&#8230;) A recupera\u00e7\u00e3o dos poucos sobreviventes que tentavam se manter \u00e0 tona (&#8230;) continuou at\u00e9 tarde da noite. Quando, antes do amanhecer, (&#8230;) outros vapores brasileiros chegaram, n\u00e3o encontraram mais sobreviventes.<\/p>\n<p>Aquele navio, com quase 150 metros de comprimento, foi o orgulho da marinha mercante no in\u00edcio do s\u00e9culo, o mais prestigioso transatl\u00e2ntico da frota italiana, transportou personalidades como Arturo Toscanini, Luigi Pirandello (&#8230;). Mas aqueles tempos passaram em um momento. No meio, houve uma guerra mundial, e o desgaste, a neglig\u00eancia e a escassa manuten\u00e7\u00e3o fizeram o resto. (&#8230;) Quando partiu para sua viagem final, para perplexidade de seu pr\u00f3prio comandante, tinha mais de 1.200 passageiros a bordo, a maioria migrantes do Piemonte, Lig\u00faria e V\u00eaneto. Mas tamb\u00e9m das Marcas, da Basilicata, da Cal\u00e1bria. Segundo dados fornecidos pelas autoridades italianas na \u00e9poca, pouco mais de 300 pessoas morreram no desastre, a maioria delas tripulantes; mas jornais sul-americanos relataram um n\u00famero muito maior, mais que o dobro, incluindo tamb\u00e9m imigrantes ilegais, v\u00e1rias dezenas de emigrantes s\u00edrios e trabalhadores agr\u00edcolas que foram do interior da It\u00e1lia para a Am\u00e9rica do Sul durante o inverno.<\/p>\n<p>Minimizado ou encoberto pelos \u00f3rg\u00e3os do regime, esse naufr\u00e1gio foi o \u201cTitanic\u201d italiano.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei dizer quantas vezes ouvi a hist\u00f3ria daquele navio que levava o nome da filha do Rei Vittorio Emanuele III (&#8230;). O Princesa Mafalda. Contaram essa hist\u00f3ria na fam\u00edlia. Contaram isso na vizinhan\u00e7a. Era cantada nas can\u00e7\u00f5es populares dos migrantes, de um lado do oceano ao outro (&#8230;). Meus av\u00f3s e seu \u00fanico filho, Mario, o jovem que se tornaria meu pai, haviam comprado a passagem para aquela longa travessia, para aquele navio que zarpou do porto de G\u00eanova em 11 de outubro de 1927, com destino a Buenos Aires. Mas n\u00e3o embarcaram. (&#8230;) Eles n\u00e3o conseguiram vender o que possu\u00edam a tempo. No final, apesar de tudo, os Bergoglios foram obrigados a trocar a passagem e adiar a partida para a Argentina. \u00c9 por isso que estou aqui agora. Voc\u00eas n\u00e3o imaginam quantas vezes me peguei agradecendo \u00e0 Divina Provid\u00eancia.<\/p>\n<p><i>\u00a9 2025 Mondadori Libri S.p.A., Mil\u00e3o \u00a9 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Papa Francisco: Esperan\u00e7a. A Autobiografia (Mondadori)<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>La vita richiede umilt\u00e0 (&#8220;<\/b>A vida requer humildade&#8221;)<\/p>\n<p>FRANCISCO<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es e foto: Vatican News<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro jornais italianos disponibilizam v\u00e1rios trechos da autobiografia do Papa (\u201cSpera\u201d), escrita com Carlo Musso, que ser\u00e1 lan\u00e7ada na ter\u00e7a-feira em v\u00e1rios pa\u00edses. Aqui est\u00e3o os trechos publicados em: La Stampa, Avvenire, Il Messaggero e Il Giorno &nbsp; N\u00e3o teriam se formado todos juntos, no final do ano 1955, aqueles quatorze jovens que, em mar\u00e7o&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/autobiografia-do-papa-humildade-senso-de-humor-infancia-e-familia\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81985,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-81984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81984"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81986,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81984\/revisions\/81986"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}