{"id":81804,"date":"2024-12-20T20:45:55","date_gmt":"2024-12-20T23:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=81804"},"modified":"2024-12-20T20:45:55","modified_gmt":"2024-12-20T23:45:55","slug":"pe-pasolini-a-grandeza-de-deus-e-a-pequenez-um-gesto-humilde-que-abre-ao-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/pe-pasolini-a-grandeza-de-deus-e-a-pequenez-um-gesto-humilde-que-abre-ao-encontro\/","title":{"rendered":"Pe. Pasolini: a grandeza de Deus \u00e9 a pequenez, um gesto humilde que abre ao encontro"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Na manh\u00e3 desta sexta-feira, 20 de dezembro, na Sala Paulo VI, teve lugar a terceira e \u00faltima medita\u00e7\u00e3o rumo ao Natal do pregador da Casa Pontif\u00edcia sobre o tema da pequenez que n\u00e3o \u00e9 um limite, mas humildade que abre espa\u00e7os de encontro. A par\u00e1bola do Ju\u00edzo universal: no final seremos julgados n\u00e3o s\u00f3 pelo bem feito, mas sobretudo pela capacidade de nos fazermos pequenos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"title__separator\">\n<p>O Natal do Filho de Deus, Aquele que no princ\u00edpio era o Verbo e que se faz pequeno e fr\u00e1gil como uma crian\u00e7a que ainda n\u00e3o fala: aqui est\u00e1 inteiramente contida a for\u00e7a e a grandeza da pequenez.<\/p>\n<p>Isso foi salientado pelo padre Roberto Pasolini, franciscano capuchinho, pregador da Casa Pontif\u00edcia, na sua terceira e \u00faltima medita\u00e7\u00e3o do Advento proposta \u00e0 C\u00faria Romana na manh\u00e3 desta sexta-feira, 20 de dezembro, na Sala Paulo VI. &#8220;As portas da esperan\u00e7a. Rumo \u00e0 abertura do Ano Santo por meio da profecia do Natal\u201d foi o tema escolhido para as tr\u00eas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A medida escondida da verdadeira grandeza de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Depois de ter se concentrado &#8211; nas duas primeiras prega\u00e7\u00f5es, em 6 e 13 de dezembro &#8211; nas portas do estupor e da confian\u00e7a, agora o pregador exorta a ultrapassar o limiar &#8220;da pequenez&#8221;: a chave de acesso ao Reino de Deus, afirma, esta n\u00e3o \u00e9 um limite ou uma falta, mas \u00e9 for\u00e7a \u201chumilde e silenciosa\u201d como aquela da semente que, no escuro da terra, germina e cresce.<\/p>\n<p>Medida escondida da verdadeira grandeza de Deus, Aquele que com confian\u00e7a desce ao n\u00edvel do outro para acompanh\u00e1-lo no crescimento, a pequenez \u00e9 \u201cpar\u00e2metro\u201d do Senhor, \u00e9 \u201co lugar onde as Suas escolhas e promessas podem ser realizadas&#8221;, bem como &#8220;uma escolha consciente, guiada pelo &#8220;desejo de criar rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas, onde se reconhece ao outro o direito de existir, respirar e expressar-se livremente&#8221;. Neste sentido, ser pequenos significa abrir \u201cespa\u00e7os de encontro, permitindo a cada um ser ele mesmo, sem se sobrepor ao outro ou anular a sua unicidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Antes de fazer o bem, \u00e9 preciso fazer-se pequeno<\/strong><\/p>\n<p>Para aprofundar este tra\u00e7o t\u00e3o delicado e decisivo de Deus, padre Pasolini faz uma releitura atenta e nova da par\u00e1bola do ju\u00edzo universal, narrada pelo evangelista Mateus (25, 31-46): na acep\u00e7\u00e3o mais consolidada, o texto afirma que, no fim dos tempos, o Senhor julgar\u00e1 a humanidade segundo o par\u00e2metro do amor fraterno. Mas no seu significado mais profundo &#8211; explica o pregador -, a par\u00e1bola diz que um dia todos os povos, mesmo aqueles n\u00e3o evangelizados, poder\u00e3o entrar no Reino de Deus \u201cpela caridade exercida para com os irm\u00e3os menores do Senhor\u201d.<\/p>\n<p>Disto deriva &#8220;uma grande e s\u00e9ria responsabilidade para os crist\u00e3os&#8221;: a necessidade n\u00e3o s\u00f3 de &#8220;fazer o bem aos outros&#8221;, mas tamb\u00e9m de &#8220;permitir que os outros o fa\u00e7am, exprimindo assim o melhor da sua humanidade&#8221; e fazendo da pequenez &#8220;o crit\u00e9rio de conformidade e de fidelidade&#8221; a Deus.<\/p>\n<p>O primeiro sentido da par\u00e1bola do ju\u00edzo universal, reitera o padre Pasolini, \u00e9 portanto precisamente este: &#8220;Antes de fazer o bem, \u00e9 belo e necess\u00e1rio recordar-se de fazer-se (mais) pequenos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A pequenez \u00e9 um ato de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com efeito, Deus \u2013 acrescenta o franciscano capuchinho \u2013 n\u00e3o deseja somente que os seus filhos saibam amar, mas tamb\u00e9m que saibam deixar-se amar pelos outros, oferecendo-lhes \u201ca ocasi\u00e3o de serem bons e generosos\u201d. Trata-se de uma forma de amar \u201cmais profunda\u201d, continua padre Pasolini, pois deixa o lugar ao outro para consentir \u00e0 sua humanidade \u201cde manifestar-se de modo melhor\u201d.<\/p>\n<p>No fundo, amamos o pr\u00f3ximo sobretudo quando nos aproximamos dele \u201ccom uma delicadeza desarmante\u201d e lhe permitimos \u201cencontrar e acolher a nossa fragilidade\u201d, colocando em pr\u00e1tica \u201ca arte mais dif\u00edcil que n\u00e3o \u00e9 amar, mas deixar-se amar\u201d.<\/p>\n<p>Entendida, portanto, como um \u201cestilo de vida\u201d e de humanidade extremamente generativo, a pequenez torna-se um \u201cato de verdadeira evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, porque coloca o outro na condi\u00e7\u00e3o de encarnar os gestos de amor fraterno.<\/p>\n<p><strong>O exemplo de S\u00e3o Francisco de Assis<\/strong><\/p>\n<p>Como exemplo de tudo isto, padre Pasolini cita S\u00e3o Francisco de Assis que fez da pequenez \u201co crit\u00e9rio de seguimento\u201d do Senhor e \u201cparte da nossa identidade mais profunda\u201d. Isto acontece, em particular, no encontro entre o Pobrezinho e o sult\u00e3o Malik-al-Kamil: depois daquele di\u00e1logo, o sult\u00e3o n\u00e3o se converteu, mas mesmo assim acolheu Francisco e cuidou dele, aproveitando a ocasi\u00e3o que lhe foi oferecida pelo santo, para expressar o melhor de si. \u201cOs crist\u00e3os \u2013 continua o pregador \u2013 n\u00e3o t\u00eam o &#8216;monop\u00f3lio&#8217; do bem\u201d, mas devem permitir que tamb\u00e9m os outros o pratiquem.<\/p>\n<p>Padre Pasolini se concentra ent\u00e3o em outro aspecto fundamental da par\u00e1bola do ju\u00edzo universal: ela, explica o sacerdote capuchinho, convida a suspender antecipadamente todos os julgamentos humanos que tendemos a fazer, isto \u00e9, antes do ju\u00edzo final do Senhor.<\/p>\n<p>Por isso, afirma o pregador, mais que da par\u00e1bola do \u201cju\u00edzo universal\u201d, se deveria falar da par\u00e1bola \u201cdo fim de todo julgamento\u201d, porque se pararmos de julgar o pr\u00f3ximo &#8211; o que n\u00e3o diz respeito a n\u00f3s &#8211; ent\u00e3o poderemos concentrar-nos no que realmente importa: ser sempre \u201cmais gratuitos, saindo da l\u00f3gica \u2018econ\u00f4mica\u2019 pela qual fazemos as coisas en vista de um retorno\u201d.<\/p>\n<p><strong>A gratid\u00e3o n\u00e3o se compra, mas \u00e9 gratuita<\/strong><\/p>\n<p>Permanecendo distante de expectativas e din\u00e2micas oportunistas, de fato, a humanidade conseguir\u00e1 percorrer o \u00fanico, verdadeiro caminho: o de uma \u201ctotal gratuidade\u201d, deixando de realizar aqueles gestos com os quais tende a comprar a gratid\u00e3o dos outros e infringindo a regra da compara\u00e7\u00e3o com a qual mede a pr\u00f3pria estatura. Somente assim, destaca padre Pasolini, ser\u00e1 poss\u00edvel abrir-se a \u201cuma felicidade profunda e concreta\u201d, superando o medo de n\u00e3o valer nada e come\u00e7ando a doar a si mesmos, \u201cpermitindo aos outros de fazer o mesmo conosco&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O valor do bem inconsciente<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o \u201cbem inconsciente\u201d, portanto, a verdadeira chave para entrar no Reino de Deus, aquele bem que teremos feito sem nos darmos conta, mas que outros saber\u00e3o reconhecer. Assim, no final dos tempos \u2013 explica o pregador \u2013 a \u201cgrande surpresa\u201d ser\u00e1 descobrir que Deus \u201cn\u00e3o tinha nenhuma expectativa em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s, mas sim o grande desejo de nos ver tornar semelhantes a Ele no amor\u201d. Naquele dia, n\u00e3o contabilizar\u00e1 \u201ca quantidade de boas ou m\u00e1s a\u00e7\u00f5es realizadas, mas se, por meio delas, conseguimos aceitar e tornar-nos plenamente n\u00f3s mesmos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Encarnar a pequenez para compartilhar a esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Na proximidade do Natal e do Jubileu, por fim, padre Pasolini convida a \u201cescolher encarnar a pequenez para partilhar a esperan\u00e7a do Evangelho\u201d em um mundo que parece \u201chostil ou indiferente\u201d, mas que na realidade espera somente encontrar \u201co rosto misericordioso do Pai na carne fr\u00e1gil, mas sempre am\u00e1vel, dos seus filhos&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cAtravessar a Porta Santa do Jubileu com grande sinceridade \u2013 reitera \u2013, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de ter que exibir um perfil diferente daquele que a Igreja soube amadurecer ao longo dos s\u00e9culos, poderia ser verdadeiramente uma grande esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A medita\u00e7\u00e3o \u00e9 conclu\u00edda com a ora\u00e7\u00e3o pelo Ano Santo, para que a gra\u00e7a do Senhor transforme os homens em \u201ccultivadores das sementes evang\u00e9licas\u201d, na \u201cexpectativa confiante dos novos c\u00e9us e da nova terra\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Isabella Piro \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 desta sexta-feira, 20 de dezembro, na Sala Paulo VI, teve lugar a terceira e \u00faltima medita\u00e7\u00e3o rumo ao Natal do pregador da Casa Pontif\u00edcia sobre o tema da pequenez que n\u00e3o \u00e9 um limite, mas humildade que abre espa\u00e7os de encontro. 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