{"id":81802,"date":"2024-12-21T00:36:33","date_gmt":"2024-12-21T03:36:33","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=81802"},"modified":"2024-12-20T20:36:54","modified_gmt":"2024-12-20T23:36:54","slug":"correios-onde-e-que-foi-parar-o-meu-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/correios-onde-e-que-foi-parar-o-meu-presente\/","title":{"rendered":"\u201cCorreios!\u201d Onde \u00e9 que foi parar o meu presente?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cCorreios!\u201d Um grito reverberou em minha alma como uma verdade inesperada. Onde estava meu presente? Debaixo da cama, apenas o vazio. Do lado de fora, nenhum rastro ou vest\u00edgio que indicasse o paradeiro daquilo que esperei com ansiedade. Na aus\u00eancia, instalou-se a d\u00favida e, com ela, o drama: ter\u00e1 sido meu presente extraviado ou, pior, entregue a outra pessoa?<\/p>\n<p>Esse pequeno epis\u00f3dio, aparentemente trivial, revelou-se como um espelho da exist\u00eancia. O ato de esperar \u2014 e o consequente desengano \u2014 n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Natal, mas atravessa os s\u00e9culos como uma condi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 humanidade. Esperamos reconhecimento, amor, sucesso, e, por vezes, o que recebemos \u00e9 o sil\u00eancio de uma correspond\u00eancia perdida.<\/p>\n<p>Ao buscar as primeiras pistas, fui levado de volta aos dias da inf\u00e2ncia, quando os sonhos eram mat\u00e9ria-prima de conversas inocentes. \u00c0quele amigo, confidenciei: \u201cQuero ser grande.\u201d N\u00e3o sabia ainda que crescer exigia mais do que estatura f\u00edsica \u2014 era preciso nutrir a alma, encontrar alegria at\u00e9 nos desencantos e, sobretudo, fazer do ordin\u00e1rio algo extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Outro ouvinte, menos indulgente, advertiu-me: \u201cPara ser grande amanh\u00e3, \u00e9 necess\u00e1rio ser pequeno hoje.\u201d Palavras que, embora repletas de sabedoria, soavam como um eco das limita\u00e7\u00f5es que me impunham. Em vez de me encorajar, tornavam-se muros que tentavam conter meu \u00edmpeto de transcender a mediocridade.<\/p>\n<p>E, quando, enfim, afirmei com toda a for\u00e7a: \u201cQuero ser eu mesmo,\u201d o mundo reagiu com ceticismo. Valores familiares, hist\u00f3rias de virtudes e exemplos morais eram apresentados como alternativas, mas faltava-lhes a centelha que ilumina o caminho da autenticidade. N\u00e3o me restava outra escolha sen\u00e3o seguir adiante, carregando comigo o desejo inabal\u00e1vel de viver conforme meu pr\u00f3prio roteiro.<\/p>\n<p>O presente extraviado tornou-se met\u00e1fora de algo maior: a perda de identidade em meio \u00e0 pressa e \u00e0 confus\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo. Trocas de endere\u00e7o, reais ou simb\u00f3licas, revelam como facilmente nos distanciamos de quem somos, enquanto tentamos corresponder \u00e0s expectativas alheias.<\/p>\n<p>Se meu presente foi desviado para outras m\u00e3os, fa\u00e7o votos de que encontre utilidade onde quer que esteja. No entanto, pergunto-me: ser\u00e1 que n\u00e3o deixamos de ser n\u00f3s mesmos ao longo da jornada por causa de endere\u00e7os equivocados? Ser grande, ensinar a grandeza e viver a autenticidade s\u00e3o dons que, quando mal direcionados, tornam-se aus\u00eancias profundas.<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 me resignava \u00e0 falta, fui surpreendido. O grito de \u201cCorreios!\u201d devolveu-me algo al\u00e9m do esperado. N\u00e3o era apenas o presente f\u00edsico, mas uma carta contendo uma reflex\u00e3o cortante sobre a natureza da verdade e da falsidade:<\/p>\n<p>\u201cPermitir que a verdade seja tudo o que \u00e9 \u2014 e nada do que n\u00e3o pode ser \u2014 \u00e9 honrar a ess\u00eancia do real. Toda mentira, por mais habilmente constru\u00edda, viola primeiro a consci\u00eancia de quem a diz e, depois, o tecido da realidade. \u00c9 sangrento o ato de mentir: um rio de disc\u00f3rdias que desemboca num oceano de incertezas.\u201d<\/p>\n<p>Essa mensagem ressoou como uma convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 autenticidade. Se a falsidade gera caos, a verdade, ainda que dura, nos conduz \u00e0 plenitude. E, talvez, este seja o maior presente: compreender que n\u00e3o se trata de receber algo material, mas de alinhar nossa exist\u00eancia ao que \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>O Natal n\u00e3o \u00e9 apenas tempo de troca de presentes, mas de reencontros \u2014 consigo mesmo, com os outros e com o sentido da vida. O drama de um presente perdido e, posteriormente, encontrado, \u00e9 apenas um s\u00edmbolo de algo maior: o anseio humano por pertencimento, realiza\u00e7\u00e3o e verdade.<\/p>\n<p>Que este Natal nos inspire a buscar menos o que nos falta e mais o que j\u00e1 somos. Que possamos trocar a ansiedade pela gratid\u00e3o, as ilus\u00f5es pela autenticidade e, principalmente, os endere\u00e7os equivocados pelo retorno ao lar de nossa pr\u00f3pria alma.<\/p>\n<p>Artigo publicado (originalmente) em xapuri.info\/correios-presente em 11 de janeiro de 2018 e acessado em 02 de dezembro de 2024.<\/p>\n<p>Padre Joacir d\u2019Abadia<br \/>\nFil\u00f3sofo, Escritor e P\u00e1roco da Par\u00f3quia S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio \u2013 Formosa-GO<br \/>\nWhatsApp: +55 61 99931-5433<br \/>\nE-mail: joacirsoares@hotmail.com<br \/>\nSegue l\u00e1 no Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia<\/strong><\/a>\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCorreios!\u201d Um grito reverberou em minha alma como uma verdade inesperada. Onde estava meu presente? Debaixo da cama, apenas o vazio. 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