{"id":81498,"date":"2024-11-01T20:05:06","date_gmt":"2024-11-01T23:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=81498"},"modified":"2024-11-01T20:05:06","modified_gmt":"2024-11-01T23:05:06","slug":"a-importancia-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/a-importancia-do-coracao\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Papa Francisco, com a sua mais recente Carta Enc\u00edclica sobre o amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, presenteou o mundo cat\u00f3lico, as pessoas que integram diferentes confiss\u00f5es religiosas, os cidad\u00e3os do planeta que buscam construir uma civiliza\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ada no amor. Um presente muito oportuno para a humanidade, que precisa viver fundamentada no princ\u00edpio que sustenta o amor crist\u00e3o: Cristo nos amou primeiro, como escreve o ap\u00f3stolo e evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o na sua primeira carta. Um princ\u00edpio que emoldura a conduta crist\u00e3, incompat\u00edvel com atitudes contr\u00e1rias ao amor fraterno e ao compromisso com a amizade social. Na riqueza da Carta do Papa Francisco \u2013 que ilumina o horizonte sombrio da contemporaneidade, ferida com tantas guerras, crescente viol\u00eancia, exclus\u00f5es sociais vergonhosas e com o desrespeito ao meio ambiente -, o primeiro cap\u00edtulo dedica-se \u00e0 import\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o que melhor expressa o amor de Jesus Cristo. O mundo, por\u00e9m, encontra cada vez mais dificuldade para compreender o significado do cora\u00e7\u00e3o, pois aprisiona-se, facilmente, \u00e0s racionaliza\u00e7\u00f5es que levam a uma rigidez demon\u00edaca. Essa rigidez cria cegueira para o sentido verdadeiro, belo e encantador da exist\u00eancia humana. Impede o aprendizado de li\u00e7\u00f5es capazes de configurar nova realidade, mais fraterna e solid\u00e1ria. A refer\u00eancia ao cora\u00e7\u00e3o remete ao centro espiritual do ser humano, onde habitam emo\u00e7\u00f5es e pensamentos \u2013 inst\u00e2ncia onde se configuram decis\u00f5es importantes na vida e na rede de relacionamentos. Por isso, a literatura cl\u00e1ssica e a filosofia, tamb\u00e9m a arte e a m\u00fasica se referem ao cora\u00e7\u00e3o como centro decisivo na formata\u00e7\u00e3o de condutas, defini\u00e7\u00e3o de escolhas, ilumina\u00e7\u00e3o de rumos e fonte de sentimentos capazes de humanizar todos e tudo.<\/p>\n<p>Bem lembrada na Carta Enc\u00edclica \u00e9 a refer\u00eancia aos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, narrativa do Evangelista Lucas, cap\u00edtulo 24, quando caminhavam acompanhados por Jesus Ressuscitado. Sem ainda perceber a presen\u00e7a do Mestre, seus cora\u00e7\u00f5es ardiam quando Ele lhes falava pelo caminho. O cora\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 sempre compreendido como centro e segredo da for\u00e7a que \u00e9 a maior, em compara\u00e7\u00e3o com outros poderes, sendo capaz de sustentar o amor verdadeiro, construtivo. Quando esse centro da vida humana \u00e9 envolvido com superficialidades ou futilidades, compromete-se o que \u00e9 mais sagrado e sublime de cada pessoa. E tudo que se constr\u00f3i sem o cora\u00e7\u00e3o carece de bases s\u00f3lidas, podendo desfigurar situa\u00e7\u00f5es que se contaminam por mentiras, apar\u00eancias sedutoras e modos de agir que expressam falta de clarivid\u00eancia espiritual.<\/p>\n<p>O retorno espiritual e afetivo ao pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, reconhecendo-o como fonte de for\u00e7a, capacita o ser humano para alcan\u00e7ar respostas fundamentais: \u201co que sou\u201d, \u201co que procuro\u201d, \u201cqual a raz\u00e3o e o sentido de eu estar no mundo\u201d, \u201co que significo diante do semelhante e de Deus\u201d. O alcance dessas respostas qualifica a pr\u00f3pria exist\u00eancia, superando vaidades, disputas pelo poder, a ambi\u00e7\u00e3o de se sobrepor ao semelhante. Papa Francisco aponta, ent\u00e3o, a import\u00e2ncia de regressar ao cora\u00e7\u00e3o \u2013 a fonte e a raiz de convic\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es e escolhas. N\u00e3o pode faltar o que vem do cora\u00e7\u00e3o, sob pena de se balizar, perigosamente, o comportamento humano apenas na dimens\u00e3o racional-tecnol\u00f3gica ou instintiva. Assim, perder ricas oportunidades de avan\u00e7os humanit\u00e1rios pela car\u00eancia de sentimentos modelados a partir de relevante qualidade human\u00edstica e espiritual.<\/p>\n<p>Ao faltar o que nasce do cora\u00e7\u00e3o corre-se o risco de se deixar envolver pelos radicalismos perversos, balizados por ideologias e escolhas que eliminam o semelhante, em raz\u00e3o de diverg\u00eancias. O exerc\u00edcio de voltar-se para o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o possibilita alcan\u00e7ar o ant\u00eddoto para combater todo tipo de individualismo doentio, perigoso e amea\u00e7ador, que pavimenta o extremismo e a viol\u00eancia. Reconhe\u00e7a-se a necessidade de se aprender a agir com o cora\u00e7\u00e3o, o que jamais pode ser considerado sinal de fraqueza. E para agir com o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso permanentemente cultivar amadurecimento, buscando curar feridas que marcam a hist\u00f3ria de cada um. Ora, existem respostas que, obviamente, a intelig\u00eancia, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 capaz de dar, sublinha o Papa Francisco, acentuando que a verdadeira aventura pessoal \u00e9 aquela que se vive com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale dedicar-se \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do problema grave da sociedade contempor\u00e2nea que \u00e9 o de desvalorizar o cora\u00e7\u00e3o, centro vital. Uma tend\u00eancia encontrada j\u00e1 no racionalismo grego e pr\u00e9-crist\u00e3o, no idealismo p\u00f3s-crist\u00e3o ou nas diversas formas de materialismo. O cora\u00e7\u00e3o ainda encontra pouco espa\u00e7o na antropologia. \u00c9 uma no\u00e7\u00e3o estranha ao pensamento filos\u00f3fico, afirma-se. Deu-se preponder\u00e2ncia ao tratamento de outros conceitos como raz\u00e3o, vontade e liberdade. Perde-se muito pela car\u00eancia de adequado tratamento ao centro vital do ser humano, unificado pelo amor. Desvalorizado o cora\u00e7\u00e3o \u2013 se n\u00e3o \u00e9 suficientemente considerado diante da hegem\u00f4nica \u00eanfase na intelig\u00eancia e na vontade \u2013 deixa-se de agir com o cora\u00e7\u00e3o, ou de buscar a sua cura, sublinha o Papa Francisco. Afirma ainda, com for\u00e7a de advert\u00eancia: quando n\u00e3o se consideram as especificidades do cora\u00e7\u00e3o, ficam perdidas respostas a muitas quest\u00f5es. Perde-se a possibilidade da poesia e do encontro com o semelhante.<\/p>\n<p>Importante sempre afirmar e saber que se tem um cora\u00e7\u00e3o coexistindo com outros cora\u00e7\u00f5es \u2013 caminho de supera\u00e7\u00e3o do mal, da frieza e da indiferen\u00e7a que mata. Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 lugar de acolhida. \u00c9 preciso, com uma express\u00e3o forte e abrangente, afirma o Papa Francisco, colocar todas as a\u00e7\u00f5es sob o controle pol\u00edtico do cora\u00e7\u00e3o, um entendimento que merece ser aprofundado, para alimentar a for\u00e7a capaz de desencadear especiais mudan\u00e7as no horizonte da solidariedade. Neste tempo t\u00e3o impactado pelas tecnologias, quando algoritmos modelam o agir humano, vale buscar reaprender a deixar-se guiar pelo cora\u00e7\u00e3o, acolhendo as ilustrativas abordagens partilhadas na Carta Enc\u00edclica do Papa Francisco.<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Francisco, com a sua mais recente Carta Enc\u00edclica sobre o amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, presenteou o mundo cat\u00f3lico, as pessoas que integram diferentes confiss\u00f5es religiosas, os cidad\u00e3os do planeta que buscam construir uma civiliza\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ada no amor. 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