{"id":79982,"date":"2024-02-20T18:00:43","date_gmt":"2024-02-20T21:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=79982"},"modified":"2024-02-20T18:45:04","modified_gmt":"2024-02-20T21:45:04","slug":"ucrania-o-arcebispo-de-lviv-lutamos-nao-com-armas-mas-com-o-rosario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/ucrania-o-arcebispo-de-lviv-lutamos-nao-com-armas-mas-com-o-rosario\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia, o arcebispo de Lviv: lutamos, n\u00e3o com armas, mas com o Ros\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, dom Mokrzycki relata o horror que o pa\u00eds continua a sofrer: &#8220;M\u00edsseis e drones precipitam-se sobre pessoas e cidades. Pessoas inocentes s\u00e3o mortas e muitas pessoas, at\u00e9 mesmo crian\u00e7as e padres, entram em desespero e adoecem mentalmente&#8221;. No entanto, diz o arcebispo, &#8220;as pessoas ainda t\u00eam for\u00e7a e esperan\u00e7a. Elas veem que a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Deus e que somente um milagre pode salvar a Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\">&#8220;O que me d\u00e1 for\u00e7a, esperan\u00e7a e f\u00e9 \u00e9 ver que a Divina Provid\u00eancia n\u00e3o nos abandona e que h\u00e1 muita f\u00e9 tamb\u00e9m nas pessoas&#8221;. Dois anos ap\u00f3s a eclos\u00e3o do conflito, o arcebispo Mieczys\u0142aw Mokrzycki, metropolita de Lviv, compartilha seus sentimentos em uma entrevista \u00e0 R\u00e1dio Vaticano &#8211; Vatican News, ao enfatizar que, neste per\u00edodo sombrio, toda a Ucr\u00e2nia est\u00e1 envolvida em uma corrente de ora\u00e7\u00e3o. &#8220;Somos os combatentes de Deus, n\u00e3o com armas, mas com o ros\u00e1rio. N\u00e3o no campo de batalha, mas de joelhos diante do Sant\u00edssimo Sacramento&#8221;.<\/div>\n<div>\n<h4>Mesmo em Lviv, as sirenes continuam a soar e a cidade est\u00e1 sendo bombardeada. Que reflex\u00e3o surge em seu cora\u00e7\u00e3o em vista do segundo anivers\u00e1rio da guerra em larga escala na Ucr\u00e2nia?<\/h4>\n<p>Entre as muitas palavras nas p\u00e1ginas dos Evangelhos, uma afirma\u00e7\u00e3o de Jesus me chama a aten\u00e7\u00e3o: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvore boa que d\u00ea frutos ruins, nem \u00e1rvore ruim que d\u00ea frutos bons. Porque cada \u00e1rvore se conhece pelo seu fruto&#8221;. Essas palavras s\u00e3o a voz da verdade para julgarmos a conduta das pessoas que, ao seguirem o mal, tornam-se frutos amargos para os outros. E embora digam que querem defender e libertar, vemos que n\u00e3o \u00e9 esse o caso. Em vez de paz, elas geram guerra. Em vez de amor, geram \u00f3dio. Em vez de tranquilidade, geram medo. Esse \u00e9 seu fruto, amargo e azedo. D\u00f3i-nos o fato de que, algumas d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial, tenhamos novamente de defender nossa liberdade e refletir sobre como os seres humanos s\u00e3o incapazes de lembrar os horrores que a guerra deixou para tr\u00e1s. N\u00f3s, no entanto, nos lembramos muito bem: a maioria apenas atrav\u00e9s dos registros hist\u00f3ricos, mas h\u00e1 pessoas que se lembram desse per\u00edodo como uma experi\u00eancia pessoal.<\/p>\n<h4>Infelizmente, a guerra se tornou a experi\u00eancia pessoal de todos. Como \u00e9 a vida cotidiana na Ucr\u00e2nia hoje em dia?<\/h4>\n<p>Infelizmente, as atividades militares continuam. M\u00edsseis e drones atingem pessoas e cidades. Soldados e civis inocentes s\u00e3o mortos. Muitas pessoas s\u00e3o feridas, privadas de suas casas, de seus meios de subsist\u00eancia e da falta de trabalho. Tudo isso gera medo, ansiedade e incerteza. Muitas crian\u00e7as, adultos e at\u00e9 padres caem em desespero, depress\u00e3o e outras doen\u00e7as psicol\u00f3gicas. Nessa situa\u00e7\u00e3o, a Igreja tem o compromisso de ajudar a todos. Ajudamos os soldados que est\u00e3o lutando por meio do servi\u00e7o de capelania, organizamos a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, medicamentos, equipamentos e at\u00e9 mesmo a compra de drones. Continuamos a receber deslocados internos, organizamos ajuda humanit\u00e1ria e os enviamos para zonas de guerra. Tamb\u00e9m fornecemos essa ajuda a fam\u00edlias pobres em nossas par\u00f3quias. Organizamos uma ampla atividade pastoral para fortalecer a f\u00e9 e a esperan\u00e7a dessas pessoas.<\/p>\n<h4>Como ajudar as pessoas a ter esperan\u00e7a e f\u00e9 neste momento?<\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, convidamos os fi\u00e9is a rezar, encorajados pelas palavras da Carta de S\u00e3o Tiago: &#8220;Que aqueles entre voc\u00eas que est\u00e3o sofrendo rezem&#8221;. Sem d\u00favida, j\u00e1 experimentamos a dor da guerra. \u00c9 por isso que o pedido do Ap\u00f3stolo \u00e9 um chamado e uma tarefa para n\u00f3s. \u00c9 isso que podemos oferecer hoje a nossos entes queridos e a toda a Ucr\u00e2nia. Nossa ora\u00e7\u00e3o deve ser como o incenso que sempre tem apenas uma dire\u00e7\u00e3o, da terra para o c\u00e9u. Ela deve ser o grito de um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e de um s\u00f3 esp\u00edrito. O Papa Francisco tamb\u00e9m nos pediu: &#8220;Que as ora\u00e7\u00f5es e s\u00faplicas que hoje se elevam ao c\u00e9u toquem as mentes e os cora\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes mundiais, para que coloquem o di\u00e1logo e o bem de todos acima dos interesses particulares. Por favor, guerra nunca mais!&#8221;. Essa \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o de nossas ora\u00e7\u00f5es, que se juntam \u00e0 voz do Santo Padre, que defende a liberdade e a paz. Portanto, na experi\u00eancia do sofrimento, nossa arma na luta pela paz \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Somos os combatentes de Deus, n\u00e3o com uma arma, mas com o Ros\u00e1rio. N\u00e3o no campo de batalha, mas de joelhos diante do Sant\u00edssimo Sacramento. Dessa forma, abra\u00e7amos o pa\u00eds inteiro com uma corrente de ora\u00e7\u00f5es, especialmente por aqueles que, na linha de frente dessa guerra insana, em nosso nome e por nossa causa, lutam pela liberdade da p\u00e1tria. Dessa forma, trazemos um senso de seguran\u00e7a e solidariedade para nossa vida. Al\u00e9m da ora\u00e7\u00e3o, outra dimens\u00e3o que constr\u00f3i a esperan\u00e7a e a for\u00e7a \u00e9 a boa palavra. Hoje, chegam not\u00edcias de todos os lados que n\u00e3o trazem otimismo, mas muitas vezes horror. Dessa forma, a esperan\u00e7a e o consolo, uma boa palavra e o apoio do esp\u00edrito partem de n\u00f3s. As palavras do Senhor Jesus, &#8220;Levai o fardo uns dos outros&#8221;, tornam-se a tarefa que devemos assumir, com a qual devemos nos aproximar do pr\u00f3ximo. E aqui est\u00e1 o teste para uma atitude de amor baseada em obras. Precisamos nos encontrar nessa realidade. O Papa Francisco nos disse: &#8220;O misericordioso \u00e9 aquele que tamb\u00e9m sabe sentir empatia pelos problemas dos outros&#8221;. E ainda: &#8220;Que as obras de caridade n\u00e3o sejam uma forma de se sentir melhor, mas de participar do sofrimento dos outros, mesmo ao custo de se expor e se incomodar&#8221;. Nestes tempos dif\u00edceis, essa \u00e9 a atitude que incentivamos e tentamos ter, para que as pessoas vejam nossas boas a\u00e7\u00f5es e louvem nosso Pai Celestial.<\/p>\n<h4>O ato de confiar a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia \u00e0 M\u00e3e de Deus deu frutos? Se sim, quais?<\/h4>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s o ato de consagra\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia pelo Papa Francisco no Vaticano, bem como em nossas par\u00f3quias e dioceses, vimos que no s\u00e1bado seguinte o ex\u00e9rcito russo se retirou de Kiev. Nossa Senhora de F\u00e1tima incentivou a ora\u00e7\u00e3o, a penit\u00eancia e a convers\u00e3o. Tamb\u00e9m vemos isso em muitos dos fi\u00e9is de nossa Igreja e de outros ritos e denomina\u00e7\u00f5es. As pessoas percebem que a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Deus e que somente um milagre pode salvar a Ucr\u00e2nia. E esses s\u00e3o os frutos da confian\u00e7a na M\u00e3e de Deus. Apesar dessa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, as pessoas n\u00e3o perdem a esperan\u00e7a. Elas ainda t\u00eam muita for\u00e7a e otimismo. Elas sabem como demonstrar grande solidariedade e apoiar umas \u00e0s outras. Em tudo isso, elas veem a necessidade da ora\u00e7\u00e3o e da a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus. Os soldados frequentemente falam do poder da ora\u00e7\u00e3o que experimentam e s\u00e3o gratos a todos que rezam por eles.<\/p>\n<h4>Mas como encontrar esperan\u00e7a neste per\u00edodo sombrio?<\/h4>\n<p>O que me d\u00e1 for\u00e7a, esperan\u00e7a e f\u00e9 \u00e9 ver que a Provid\u00eancia Divina n\u00e3o nos abandona e que h\u00e1 muita f\u00e9 por parte das pessoas. Um soldado contou o que aconteceu com ele na frente de batalha. Disse que durante a luta eles ficaram sem muni\u00e7\u00e3o e sabiam que estava tudo acabado. N\u00e3o podiam sair das trincheiras porque seria morte instant\u00e2nea. Ent\u00e3o, depois de um tempo, come\u00e7aram a bater contin\u00eancia uns para os outros e viram soldados russos se aproximando. Um dos soldados ucranianos, que sabia que naqueles dias haveria um funeral para seu tio, que tamb\u00e9m morreu na guerra, rezou: &#8220;Senhor Deus, fa\u00e7a alguma coisa, porque minha fam\u00edlia n\u00e3o sobreviver\u00e1 a dois funerais&#8221;. O soldado disse que, depois de um tempo, os russos pararam, deram meia-volta e retornaram. Para ele e para n\u00f3s, isso \u00e9 um milagre tang\u00edvel, um sinal da interven\u00e7\u00e3o de Deus. Outro exemplo: o irm\u00e3o de um sacerdote trabalha como m\u00e9dico na frente de batalha e certa vez confidenciou ao irm\u00e3o: &#8220;Voc\u00ea sabe que n\u00e3o sou religioso, mas sei que s\u00f3 estou vivo gra\u00e7as \u00e0s suas ora\u00e7\u00f5es e \u00e0s de seus colegas&#8221;.<\/p>\n<h4>A ora\u00e7\u00e3o se torna uma for\u00e7a?<\/h4>\n<p>No momento particularmente dif\u00edcil em que a Ucr\u00e2nia se encontra, permanecemos vigilantes diante da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, como a guerra se tornou uma realidade, temos uma necessidade ainda maior de abra\u00e7ar a cruz e permanecer ligados a esse sinal de amor e salva\u00e7\u00e3o, o sinal da vit\u00f3ria da vida sobre a morte, do amor sobre o \u00f3dio, da verdade sobre a mentira, da humildade sobre o ego\u00edsmo. Neste momento dif\u00edcil, a Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m precisa de solidariedade e pessoas de bom cora\u00e7\u00e3o para perseverar.<\/p>\n<h4>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de continuarmos a nos solidarizar com a sofrida Ucr\u00e2nia?<\/h4>\n<p>Permitam-me, neste momento, expressar minha gratid\u00e3o a todos os sacerdotes, pessoas consagradas e fi\u00e9is da Igreja na Ucr\u00e2nia e no exterior, especialmente na Pol\u00f4nia, por sua bela atitude de amor. Essa atitude \u00e9 o Evangelho vivo das boas a\u00e7\u00f5es. Foi a Pol\u00f4nia que mostrou ao mundo a face divina do amor. A atitude dos poloneses surpreendeu os ucranianos e eles est\u00e3o cientes do grande cora\u00e7\u00e3o que demonstraram, mostrando sua verdadeira humanidade e cristianismo. Por fim, tamb\u00e9m gostaria de pedir que n\u00e3o percamos essa face divina do amor. Precisaremos dela ainda por muito tempo, mesmo quando a t\u00e3o sonhada paz chegar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Beata Zaj\u0105czkowska &#8211; Cidade do Vaticano\/Vatican News<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, dom Mokrzycki relata o horror que o pa\u00eds continua a sofrer: &#8220;M\u00edsseis e drones precipitam-se sobre pessoas e cidades. Pessoas inocentes s\u00e3o mortas e muitas pessoas, at\u00e9 mesmo crian\u00e7as e padres, entram em desespero e adoecem mentalmente&#8221;. 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