{"id":79099,"date":"2023-10-15T00:27:20","date_gmt":"2023-10-15T03:27:20","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=79099"},"modified":"2023-10-14T20:28:45","modified_gmt":"2023-10-14T23:28:45","slug":"a-utilidade-de-nossa-existencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/a-utilidade-de-nossa-existencia\/","title":{"rendered":"A utilidade de nossa exist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Na jornada da vida que se vive a cada dia, somos mais do que meros observadores de fatos. Somos int\u00e9rpretes ativos, decifradores de realidades ocultas.<\/p>\n<p>O que se ouve nunca \u00e9, de fato, o que o fato \u00e9. Estava eu do outro lado da rua: por que era de se estar l\u00e1? Eu vi um homem alto, sorridente e comunicativo. Ele me viu e prontamente obtemperou: \u201cme d\u00ea uma cesta b\u00e1sica!\u201c Eu vi um homem, ele viu sua necessidade. Valemos o que serve para as pessoas. Contemplei um homem na rua, um esp\u00edrito resplandecente, uma centelha de humanidade. Vi sua s\u00faplica e sua humanidade transcendendo os limites f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Utilidade, esta \u00e9 a palavra. Se somos \u00fateis aos outros, temos muito valor. Caso contr\u00e1rio, nosso valor seja t\u00e3o somente o nosso valor. Eu vejo o meu valor em mim mesmo e no relacionamento com as pessoas. Poderia eu ter ouvido outra coisa: um bom dia, boa tarde ou boa noite. Qualquer sauda\u00e7\u00e3o poss\u00edvel eu poderia ouvir, contudo eu escutei a necessidade do outro que, naquele momento, comunicava. A ess\u00eancia, todavia, de nossa exist\u00eancia \u00e9 a utilidade que oferecemos aos outros. Em cada a\u00e7\u00e3o, em cada palavra, reside o potencial de servir, de fazer a diferen\u00e7a. A medida de nosso valor \u00e9 a magnitude do bem que podemos proporcionar. Nosso significado se expande quando nossa utilidade alcan\u00e7a cora\u00e7\u00f5es sedentos por conex\u00e3o.<\/p>\n<p>A fome comunicada com qualquer pessoa, cultura ou ra\u00e7a. E fome tem sua linguagem pr\u00f3pria que consegue circula\u00e7\u00e3o entre as diferentes culturas e com bastante vigor ela se manifesta para quem busca saciar sua fome. Livre de ver t\u00e3o somente o fato de que necessita, antes a car\u00eancia faz do homem um ser que consegue utilizar do outro em benef\u00edcio \u00e0 sua sobreviv\u00eancia. Na linguagem universal da necessidade, todos somos fluentes. A fome n\u00e3o \u00e9 restrita a uma cultura ou ra\u00e7a, \u00e9 a \u00e2nsia visceral por saciar uma car\u00eancia que une a humanidade. Vemos, n\u00e3o apenas com os olhos, mas com a empatia que reside em nosso ser. Ao estender a m\u00e3o, ao oferecer alimento, tornamo-nos parte da teia que nos conecta.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 uma dan\u00e7a incessante, um movimento perp\u00e9tuo. Nossa sobreviv\u00eancia depende da sinfonia que criamos, da harmonia entre dar e receber. Cada dia \u00e9 um ato na pe\u00e7a da exist\u00eancia, e a comida, a \u00e1gua, s\u00e3o os ritmos que nos impulsionam. Cada mordida \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da vida, cada gole \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Se a palavra de ordem era utilidade, mais propriamente, ela ganha significado escuso na medida que entra em foco a vida, a qual exige dinamismo para se manter viva. O movimento que recai sobre a vida \u00e9 aquele que dita o sabor de se viver mais um dia: comer, se alimentar com \u00e1gua e esperar que o pr\u00f3ximo dia seja vivido com abund\u00e2ncia \u00e9 que faz cada homem se mover.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o somos apenas criaturas movidas pela utilidade. Ser\u00e1 que n\u00e3o? Vou seguir crendo que n\u00e3o! Somos dotados da capacidade de ver al\u00e9m da superf\u00edcie, de reconhecer a doa\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 feita. A verdadeira riqueza reside em nossa habilidade de perceber e agradecer, mesmo quando n\u00e3o somos vistos em retorno.<\/p>\n<p>Eu vi um homem que ao receber sua cesta b\u00e1sica saiu caminhando, sem enxergar \u00e0quele que lhe doara. Mas, primeiramente ele n\u00e3o havia lhe enxergado porque apenas viu no outro a possibilidade de se saciar? Sua necessidade fora, de bom grado, sanada, contudo ainda assim n\u00e3o foi capaz de enxergar nem a a\u00e7\u00e3o de ganhar uns alimentos e nem mesmo de ver quem o presenteava, aquele que mesmo sem ser visto, consegue enxergar.<\/p>\n<p>Neste vasto palco da exist\u00eancia, onde a vida parece ser um teatro de atores que ensinam a sobreviv\u00eancia, cada um de n\u00f3s tem um papel a desempenhar. Nossa atua\u00e7\u00e3o seja repleta de benevol\u00eancia, de ensinamentos e de uma consci\u00eancia que transcende o utilit\u00e1rio. Pois somente ao abra\u00e7ar a ess\u00eancia de nossa humanidade, seremos capazes de criar uma sinfonia eterna de compaix\u00e3o e entendimento m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Assim a vis\u00e3o deste fato se torna muito clara e objetiva a respeito da conclus\u00e3o que se possa ter: a) o fato \u00e9 irrelevante quando n\u00e3o se tem objetividade no que se busca; b) a utilidade para sempre ser\u00e1 \u00fatil para quem busca; c) \u00e0 fome ser\u00e1 constantemente a busca pela saciedade; d) o movimento da vida ser\u00e1 sempre defend\u00ea-la da morte e, por \u00faltima, e) a pessoa enxerga sua necessidade. Eu vi, contudo, a necessidade de acrescentar mais um ponto, o ponto \u201cd\u201d: aquela pessoa n\u00e3o foi capaz de v\u00ea o outro n\u00e3o por causa destes aforismos elencados, mas porque, n\u00e3o \u00e9 educada. Ent\u00e3o, se uma pessoa n\u00e3o \u00e9 educada n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de cobrar dela educa\u00e7\u00e3o, pois s\u00f3 podemos dar \u00e0s pessoas o que temos. Dei a cesta b\u00e1sica, pois dela eu tinha posse. Nesse intricado tecido da vida, o verdadeiro desafio \u00e9 cultivar a virtude da educa\u00e7\u00e3o. Aquele que n\u00e3o enxergou n\u00e3o foi cego, mas carente de aprendizado, assim eu penso. \u00c9 nossa miss\u00e3o, n\u00e3o apenas fornecer cestas b\u00e1sicas, mas nutrir mentes e cora\u00e7\u00f5es com compreens\u00e3o e respeito. A verdadeira d\u00e1diva \u00e9 n\u00e3o apenas a oferta material, mas o conhecimento compartilhado. Partilho com voc\u00ea esta hist\u00f3ria, a qual pode ser compartilhada com tantas outras pessoas, sem que, por fim, ela n\u00e3o seja apenas uma hist\u00f3ria, mas o reflexo da sociedade em que vivemos.<\/p>\n<p>Texto e foto: Padre Joacir d&#8217;Abadia, Fil\u00f3sofo e autor de 17 obras<br \/>\nSegue a\u00ed: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\/\">https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na jornada da vida que se vive a cada dia, somos mais do que meros observadores de fatos. Somos int\u00e9rpretes ativos, decifradores de realidades ocultas. O que se ouve nunca \u00e9, de fato, o que o fato \u00e9. Estava eu do outro lado da rua: por que era de se estar l\u00e1? 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