{"id":77706,"date":"2023-03-31T21:25:00","date_gmt":"2023-04-01T00:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=77706"},"modified":"2023-03-31T21:25:00","modified_gmt":"2023-04-01T00:25:00","slug":"dores-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/dores-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Dores da humanidade"},"content":{"rendered":"<p>A \u00faltima semana da Quaresma \u00e9 a Semana das Dores, refer\u00eancia forte cultivada pela religiosidade popular \u00e0s sete dores da disc\u00edpula exemplar, Maria &#8211; M\u00e3e de Jesus, o crucificado-ressuscitado. As sete dores de Maria est\u00e3o narradas na Palavra de Deus e, pode-se afirmar, s\u00e3o tamb\u00e9m sofrimentos da humanidade. As dores de Maria apontam, assim, para as chagas da civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Ao mesmo tempo, oferecem caminho para super\u00e1-las. Constituem uma espiritualidade com for\u00e7a de recomposi\u00e7\u00e3o e cura. Itiner\u00e1rio espiritual para se buscar a for\u00e7a necess\u00e1ria \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das tristes cenas do cotidiano, especialmente aquelas que apontam para a crescente desconsidera\u00e7\u00e3o da vida humana. Essa desconsidera\u00e7\u00e3o exige atitude: buscar a supera\u00e7\u00e3o de todo tipo de m\u00e1goa, mal com for\u00e7a de domina\u00e7\u00e3o que pode levar o ser humano a sucumbir-se.<\/p>\n<p>A exemplaridade de Maria est\u00e1 expressa no seu olhar de M\u00e3e e Disc\u00edpula, como bem retrata a arte iconogr\u00e1fica e escult\u00f3rica: a dor do sofrimento e o mist\u00e9rio da f\u00e9, fazendo brotar uma luz de esperan\u00e7a, nascida da certeza inigual\u00e1vel do que \u00e9 revelado pelo amor de Deus. \u00c9 imposs\u00edvel curar as dores humanas sem a refer\u00eancia maior deste amor de Deus. Procurar o amor divino \u00e9 uma necessidade essencial e encontr\u00e1-lo \u00e9 a fonte inesgot\u00e1vel da for\u00e7a maior que sustenta o ser humano.&nbsp; A primeira espada de dor que aflige Maria, referida pela profecia de Sime\u00e3o &#8211; o homem justo, revela a humanidade ferida pelo pecado, causa de sofrimentos e de desdobramentos que impedem a conquista da fraternidade solid\u00e1ria. A consequ\u00eancia \u00e9 um mundo de disputas que presidem o viver humano, fazendo prevalecer l\u00f3gicas ego\u00edstas, interesseiras e povoadas de indiferentismos. &nbsp;<\/p>\n<p>A desola\u00e7\u00e3o crescente da exclus\u00e3o social, com diferentes tipos de discrimina\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m evidenciada a partir das v\u00edtimas de arbitrariedade dos poderosos, que s\u00e3o obrigadas a deixar suas terras. Uma situa\u00e7\u00e3o retratada na segunda dor de Maria &#8211; a fuga da Sagrada Fam\u00edlia para o Egito. Essa dor explicita o descaso daqueles que buscam favorecer poucos, sacrificando muitos que s\u00e3o obrigados a renunciar, for\u00e7osamente, \u00e0s pr\u00f3prias ra\u00edzes, abandonar seus la\u00e7os culturais, para defender a pr\u00f3pria vida. A segunda dor de Maria aponta para o sofrimento dos migrantes, mas tamb\u00e9m ensina o que significa ser peregrino &#8211; aprender a viver sem apegos a bens. Um rem\u00e9dio para superar o ego\u00edsmo que multiplica os pobres da terra.<\/p>\n<p>A perda do menino Jesus no templo, a terceira dor de Maria, possibilita encontrar um sentido maior para a pr\u00f3pria vida &#8211; a voca\u00e7\u00e3o de cada um no horizonte do amor de Deus. O Filho Salvador e Redentor da humanidade revela o horizonte largo e sempre desafiador da vontade do Pai. Deus se expressa na obedi\u00eancia de seu Filho Jesus, que caminha para a morte. Esse caminhar de Jesus rumo ao calv\u00e1rio alcan\u00e7a o cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e, sua quarta dor, revelando a coragem da Disc\u00edpula exemplar, que se fundamenta na f\u00e9, mesmo quando o supl\u00edcio ultrapassa limites humanos. Maria suporta essa dor a partir de sua confian\u00e7a incondicional em Deus, Pai de amor. O cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e dolorosa alcan\u00e7a a compreens\u00e3o l\u00facida do sentido da morte de seu Filho, sua quinta dor, nas sombras da tristeza. Essa compreens\u00e3o l\u00facida descortina o tempo novo do amor vitorioso sobre todo \u00f3dio. O mart\u00edrio de Cristo, \u00e0 luz da f\u00e9 vivida por Maria, n\u00e3o se trata de fracasso, mas de comprovada vit\u00f3ria da vida sobre a morte. A M\u00e3e que teve diante dos seus olhos a morte de seu filho, exemplarmente testemunha a justi\u00e7a divina, cooperando com a salva\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>A dolorosa acolhida do Filho morto nos seus bra\u00e7os de M\u00e3e, golpeado pela maldade, sexta dor de Maria, testemunha a verdade da oferta no altar da cruz. O sil\u00eancio profundo do momento derradeiro de todo esse sofrimento se configura no sepultamento de Jesus, fecundado pela certeza da vida que supera a morte, s\u00e9tima dor de Nossa Senhora. As sete dores de Maria s\u00e3o verdadeira escola, na exemplaridade de seus gestos que expressam a confian\u00e7a incondicional no amor maior. Revelam dores da humanidade que, no seu reverso, guardam o caminho para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade redimida, marcada pela for\u00e7a inigual\u00e1vel do Evangelho, que abre as portas do Reino de Deus. As dores de Maria s\u00e3o tamb\u00e9m os sofrimentos da humanidade. As li\u00e7\u00f5es da Disc\u00edpula exemplar s\u00e3o escola do amor e da confian\u00e7a em Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte(MG)<\/p>\n<p>Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima semana da Quaresma \u00e9 a Semana das Dores, refer\u00eancia forte cultivada pela religiosidade popular \u00e0s sete dores da disc\u00edpula exemplar, Maria &#8211; M\u00e3e de Jesus, o crucificado-ressuscitado. As sete dores de Maria est\u00e3o narradas na Palavra de Deus e, pode-se afirmar, s\u00e3o tamb\u00e9m sofrimentos da humanidade. 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