{"id":77646,"date":"2023-03-19T19:42:04","date_gmt":"2023-03-19T22:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=77646"},"modified":"2023-03-19T19:42:04","modified_gmt":"2023-03-19T22:42:04","slug":"iii-pregacao-da-quaresma-2023-deus-e-amor-texto-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/iii-pregacao-da-quaresma-2023-deus-e-amor-texto-integral\/","title":{"rendered":"III Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023 \u201cDeus \u00e9 amor!\u201d &#8211; texto integral"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-77648\" src=\"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563-1-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"827\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563-1.jpeg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 827px) 100vw, 827px\" \/>O pregador da Casa Pontif\u00edcia, cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, prop\u00f4s \u00e0 C\u00faria Romana, nesta sexta-feira, 17 de mar\u00e7o, a terceira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma intitulada &#8220;Deus \u00e9 amor&#8221;. O Papa Francisco participou deste momento.<\/div>\n<div class=\"title__separator\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap<\/p>\n<p>\u201cDEUS \u00c9 AMOR!\u201d<\/p>\n<p>Terceira Prega\u00e7\u00e3o, Quaresma de 2023<\/p>\n<p><b>H\u00e1 necessidade da teologia!<\/b><\/p>\n<p>Para a minha e a sua consola\u00e7\u00e3o, Santo Padre, Vener\u00e1veis Padres, irm\u00e3os e irm\u00e3s, esta medita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 centrada toda e apenas sobre Deus. A teologia, isto \u00e9, o discurso sobre Deus, n\u00e3o pode permanecer estranha \u00e0 realidade do S\u00ednodo, como n\u00e3o pode permanecer estranha a qualquer outro momento da vida da Igreja. Sem a teologia, a f\u00e9 se tornaria facilmente morta repeti\u00e7\u00e3o; careceria do instrumento principal para a sua incultura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para desempenhar esta tarefa, a teologia necessita, ela pr\u00f3pria, de uma renova\u00e7\u00e3o profunda. O que o povo de Deus necessita \u00e9 uma teologia que n\u00e3o fale de Deus sempre e apenas \u201cem terceira pessoa\u201d, com categorias frequentemente tomadas do sistema filos\u00f3fico do momento, incompreens\u00edveis fora do c\u00edrculo restrito dos \u201ciniciados\u201d. Est\u00e1 escrito que \u201co Verbo se fez carne\u201d, mas, na teologia, frequentemente o Verbo se fez somente ideia! Karl Barth desejava o advento de uma teologia \u201ccapaz de ser pregada\u201d, mas este desejo me parece ainda estar longe de ser realizado. S\u00e3o Paulo escreveu:<\/p>\n<p><i>O Esp\u00edrito sonda tudo, at\u00e9 mesmo as profundezas de Deus&#8230;&nbsp;Ningu\u00e9m conhece o que \u00e9 de Deus, a n\u00e3o ser o Esp\u00edrito de Deus. N\u00f3s n\u00e3o recebemos o esp\u00edrito do mundo, mas recebemos o Esp\u00edrito que vem de Deus, para conhecermos os dons que Deus nos concedeu<\/i>&nbsp;(1Cor 2,10-12).<\/p>\n<p><strong>Terceira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma<\/strong><\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, onde encontrar uma teologia que se apoie no Esp\u00edrito Santo, mais do que em categorias de sabedoria humana, para conhecer \u201cas profundezas de Deus\u201d? \u00c9 preciso, para isso, recorrer a mat\u00e9rias chamadas \u201copcionais\u201d: \u00e0 \u201cTeologia espiritual\u201d, ou ent\u00e3o \u00e0 \u201cTeologia pastoral\u201d. Henri de Lubac escreveu: \u201cO minist\u00e9rio da prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a vulgariza\u00e7\u00e3o de um ensinamento doutrinal em forma mais abstrata, que lhe fosse anterior e superior. \u00c9, ao contr\u00e1rio, o pr\u00f3prio ensinamento doutrinal, em sua forma mais alta. Isto era verdadeiro para a primeira prega\u00e7\u00e3o crist\u00e3, aquela dos ap\u00f3stolos, e igualmente verdadeiro para a prega\u00e7\u00e3o daqueles que lhes sucederam na Igreja: os Padres, os Doutores e os nossos Pastores na presente hora\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Estou convicto de que n\u00e3o h\u00e1 qualquer conte\u00fado da f\u00e9, por mais elevado, que n\u00e3o possa ser tornado compreens\u00edvel a toda intelig\u00eancia aberta \u00e0 verdade. Se h\u00e1 uma coisa que podemos aprender dos Padres da Igreja \u00e9 que podemos ser profundos sem ser obscuros. S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno afirma que a Sagrada Escritura \u00e9 \u201csimples e profunda, come um rio em que, por assim dizer, um cordeiro pode caminhar e um elefante pode nadar\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A teologia deveria se inspirar neste modelo. Cada um deveria poder a\u00ed encontrar p\u00e3o para seus dentes: o simples, a sua alimenta\u00e7\u00e3o, e o douto, alimento refinado para seu paladar. Sem contar que, frequentemente, \u00e9 revelado aos \u201cpequeninos\u201d o que permanece oculto \u201caos s\u00e1bios e entendidos\u201d.<\/p>\n<p>Mas pe\u00e7o desculpas se estiver traindo minha promessa inicial. N\u00e3o \u00e9 um discurso sobre a renova\u00e7\u00e3o da teologia que pretendo fazer nesta sede. Eu n\u00e3o teria nenhum t\u00edtulo para faz\u00ea-lo. Gostaria mais de mostrar como a teologia, entendida no sentido acenado, pode contribuir para apresentar de modo significativo a mensagem evang\u00e9lica ao homem de hoje e a dar nova seiva \u00e0 nossa f\u00e9 e \u00e0 nossa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mais bela not\u00edcia que a Igreja tem o dever de fazer ressoar no mundo, aquela que todo cora\u00e7\u00e3o humano espera ouvir, \u00e9: \u201cDeus te ama!\u201d. Esta certeza deve tirar do lugar e substituir aquela que trazemos dentro de n\u00f3s desde sempre: \u201cDeus te julga!\u201d. A solene afirma\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o: \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8) deve acompanhar, como uma nota de fundo, todo an\u00fancio crist\u00e3o, mesmo quando dever\u00e1 recordar, como faz o Evangelho, as exig\u00eancias pr\u00e1ticas desse amor.<\/p>\n<p>Quando invocamos o Esp\u00edrito Santo \u2013 tamb\u00e9m na presente ocasi\u00e3o do S\u00ednodo \u2013, pensamos primeiramente no Esp\u00edrito Santo como&nbsp;<i>luz<\/i>&nbsp;que nos ilumina sobre as situa\u00e7\u00f5es e nos sugere as solu\u00e7\u00f5es justas. Pensamos menos no Esp\u00edrito Santo como&nbsp;<i>amor<\/i>; ao contr\u00e1rio, \u00e9 esta a primeira e mais essencial opera\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de que a Igreja necessita. Somente a caridade edifica; o conhecimento \u2013 tamb\u00e9m teol\u00f3gico, jur\u00eddico e eclesi\u00e1stico \u2013 frequentemente n\u00e3o faz outra coisa sen\u00e3o inchar e dividir. Se nos perguntarmos por que estamos t\u00e3o ansiosos em conhecer (e hoje, t\u00e3o animados com a perspectiva da intelig\u00eancia artificial!) e t\u00e3o pouco, ao contr\u00e1rio, preocupados em amar, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 que o conhecimento se traduz em poder, o amor, ao inv\u00e9s, em servi\u00e7o!<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Henri de Lubac escreveu: \u201c\u00c9 preciso que o mundo saiba: a revela\u00e7\u00e3o do Deus Amor inverte tudo o que ele concebera sobre a divindade\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. At\u00e9 hoje n\u00e3o terminamos (nem terminaremos jamais) de tirar todas as consequ\u00eancias da revolu\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica sobre Deus como amor. Nesta medita\u00e7\u00e3o, gostaria de mostrar como, partindo da revela\u00e7\u00e3o de Deus como amor, iluminam-se de nova luz os principais mist\u00e9rios da nossa f\u00e9: a Trindade, a Encarna\u00e7\u00e3o e a Paix\u00e3o de Cristo, e torna-se menos dif\u00edcil faz\u00ea-los compreender pelas pessoas.<\/p>\n<p><b>Por que a Trindade?<\/b><\/p>\n<p>Iniciemos do mist\u00e9rio da Trindade: por que n\u00f3s, crist\u00e3os, cremos que Deus \u00e9 uno e trino? Tenho me encontrado, mais de uma vez, a pregar a palavra de Deus a crist\u00e3os que vivem em pa\u00edses de maioria isl\u00e2mica, nos quais, contudo, h\u00e1 uma relativa toler\u00e2ncia e possibilidade de di\u00e1logo, como ocorre nos Emirados \u00c1rabes. S\u00e3o pessoas, na maioria imigrantes, empregadas como m\u00e3o de obra. \u00c0s vezes, perguntaram-me sobre o que responder \u00e0 quest\u00e3o que lhes \u00e9 dirigida nos lugares de trabalho: \u201cPor que voc\u00eas, crist\u00e3os, dizem que s\u00e3o monote\u00edstas, se n\u00e3o creem em um Deus uno e \u00fanico?\u201d.<\/p>\n<p>Digo o que tenho aconselhado a lhes responder, pois \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o que dever\u00edamos dar a n\u00f3s mesmos e a quem nos interroga sobre o mesmo problema. N\u00f3s cremos em um Deus uno e trino porque cremos que Deus \u00e9 amor. Todo amor \u00e9 amor a algu\u00e9m, ou a algo; n\u00e3o se d\u00e1 um amor ao acaso, sem objeto, como n\u00e3o h\u00e1 conhecimento que n\u00e3o seja conhecimento de algu\u00e9m ou de algo.<\/p>\n<p>Portanto, quem ama a Deus, para ser definido amor? O universo? A humanidade? Mas ent\u00e3o \u00e9 amor apenas h\u00e1 algumas d\u00e9cadas de milhares de anos, isto \u00e9, desde quando existe o universo f\u00edsico e a humanidade. Antes de ent\u00e3o, quem amava a Deus para que fosse amor, a partir do momento em que Deus n\u00e3o pode mudar e come\u00e7ar a ser o que, precedentemente, n\u00e3o era? Os pensadores gregos, concebendo Deus sobretudo como \u201cpensamento\u201d, podiam responder, como faz Arist\u00f3teles em sua Metaf\u00edsica: Deus pensava a si mesmo; era \u201cpuro pensamento\u201d, \u201cpensamento de pensamento\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Mas isto n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel, do momento em que se diz que Deus \u00e9 amor, pois o \u201cpuro amor de si mesmo\u201d seria apenas ego\u00edsmo ou narcisismo.<\/p>\n<p>E eis a resposta da revela\u00e7\u00e3o, definida no Conc\u00edlio de Niceia de 325. Deus \u00e9 amor desde sempre,&nbsp;<i>ab aeterno<\/i>, porque antes ainda que existisse um objeto fora de si para amar, tinha em si pr\u00f3prio o Verbo, \u201co Filho unig\u00eanito\u201d, que amava com um amor infinito, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. Se \u201cno princ\u00edpio era o Verbo\u201d (Jo 1,1), quer dizer que no princ\u00edpio era o amor!<\/p>\n<p>Tudo isso n\u00e3o explica&nbsp;<i>como a unidade&nbsp;<\/i>possa ser contemporaneamente trindade, mist\u00e9rio incognosc\u00edvel por n\u00f3s porque ocorre somente em Deus. Ajuda-nos, por\u00e9m, a intuir&nbsp;<i>por que<\/i>&nbsp;em Deus a unidade deve ser tamb\u00e9m comunh\u00e3o e pluralidade. Deus \u00e9 amor: por isso \u00e9 Trindade! Um Deus que fosse puro conhecimento ou pura lei, ou poder absoluto, n\u00e3o teria certamente necessidade de ser trino. Isto, ao inv\u00e9s, complicaria as coisas. Nenhum triunvirato e nenhuma diarquia jamais duraram longamente na hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os crist\u00e3os creem, portanto, na unidade de Deus e s\u00e3o, por isso, monote\u00edstas; uma unidade, por\u00e9m, n\u00e3o matem\u00e1tica e num\u00e9rica, mas de amor e comunh\u00e3o. Se h\u00e1 algo que a experi\u00eancia do an\u00fancio demonstra ser ainda capaz de ajudar os homens de hoje, se n\u00e3o para explicar, ao menos para se fazer uma ideia da Trindade, isso, repito, \u00e9 justamente o que gira em torno do amor. Deus \u00e9 \u201cato puro\u201d, e este ato \u00e9 um ato de amor, do qual emergem, simultaneamente e&nbsp;<i>ab aeterno<\/i>, um amante, um amado e o amor que os une.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio dos mist\u00e9rios n\u00e3o \u00e9, pensando bem, a Trindade, mas entender o que \u00e9, na realidade, o amor! Sendo ele a ess\u00eancia de Deus, n\u00e3o nos ser\u00e1 dado entender plenamente o que \u00e9 o amor nem mesmo na vida eterna. Ser-nos-\u00e1 dado, contudo, algo de melhor do que conhec\u00ea-lo, isto \u00e9, possu\u00ed-lo e nos saciar dele eternamente. N\u00e3o se pode abra\u00e7ar o oceano, mas nele se pode adentrar!<\/p>\n<p><b>Por que a encarna\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Passemos ao outro grande mist\u00e9rio para crer e anunciar ao mundo: a Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo. \u00c0 luz da revela\u00e7\u00e3o de Deus como amor, tamb\u00e9m isso, veremos, adquire uma nova dimens\u00e3o. Pe\u00e7o perd\u00e3o se, nesta parte, talvez eu pe\u00e7a um esfor\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o superior ao que \u00e9 l\u00edcito pedir aos ouvintes em uma prega\u00e7\u00e3o, mas creio que o esfor\u00e7o valha a pena ser feito uma vez na vida.<\/p>\n<p>Retomemos a partir da famosa pergunta de Santo Anselmo (1033-1109): \u201cPor que Deus se fez homem?\u201d.&nbsp;<i>Cur Deus homo<\/i>? \u00c9 conhecida a sua resposta. \u00c9 porque somente algu\u00e9m que fosse ao mesmo tempo homem e Deus podia nos resgatar do pecado. Como homem, de fato, ele podia representar toda a humanidade e, como Deus, o que fazia tinha um valor infinito, proporcional \u00e0 d\u00edvida que o homem contra\u00edra com Deus ao pecar.<\/p>\n<p>A resposta de Santo Anselmo \u00e9 perenemente v\u00e1lida, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica poss\u00edvel, e nem mesmo totalmente satisfat\u00f3ria. No credo, professamos que o Filho de Deus se fez carne \u201cpor n\u00f3s, homens, e para nossa salva\u00e7\u00e3o\u201d, mas a nossa salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita apenas \u00e0 remiss\u00e3o dos pecados, muito menos de um pecado particular, o original. Sobra espa\u00e7o, portanto, para o aprofundamento da f\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 o que buscar fazer o Bem-aventurado Jo\u00e3o Duns Scotus (1265 &#8211; 1308). Deus \u2013 afirma ele \u2013 se fez homem porque este era o projeto divino origin\u00e1rio, anterior \u00e0 pr\u00f3pria queda: isto \u00e9, que o mundo \u2013 criado \u201cper meio de Cristo e em vista dele\u201d (Cl 1,16) \u2013 encontrasse nele, \u201cna plenitude dos tempos\u201d, a sua coroa\u00e7\u00e3o e a sua recapitula\u00e7\u00e3o (Ef 1,10).<\/p>\n<p>Deus, escreve Scotus, \u201cantes de tudo ama a si mesmo; depois, quer ser amado por algu\u00e9m que o ame em sumo grau fora de si mesmo\u201d; por isso, \u201cprev\u00ea a uni\u00e3o com a natureza, que devia am\u00e1-lo em sumo grau\u201d. Este amante perfeito n\u00e3o podia ser nenhuma criatura, sendo finita, mas somente o Verbo eterno. Este, por isso, teria se encarnado \u201cmesmo que ningu\u00e9m tivesse pecado\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. O pecado de Ad\u00e3o n\u00e3o determinou o pr\u00f3prio fato da encarna\u00e7\u00e3o, mas somente a sua modalidade de expia\u00e7\u00e3o mediante a paix\u00e3o e a morte.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de tudo, ainda h\u00e1, infelizmente, como se v\u00ea em Scotus, um Deus para amar mais do que um Deus que ama. \u00c9 um res\u00edduo da vis\u00e3o filos\u00f3fica do Deus \u201cmotor im\u00f3vel\u201d, que pode ser amado, mas n\u00e3o pode amar. \u201cDeus \u2013 escrevera Arist\u00f3teles \u2013 move o mundo \u00e0 medida que \u00e9 amado\u201d, isto \u00e9, enquanto objeto de amor, n\u00e3o quando ama<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn6\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Em linha com a vis\u00e3o ocidental da Trindade, Scotus p\u00f5e a&nbsp;<i>natureza<\/i>&nbsp;divina, n\u00e3o a&nbsp;<i>pessoa<\/i>&nbsp;do Pai, no in\u00edcio do discurso sobre Deus. E a natureza n\u00e3o \u00e9 um sujeito que ama! Isso, os nossos irm\u00e3os ortodoxos, herdeiros dos Padres gregos, viram mais justamente do que n\u00f3s, latinos.<\/p>\n<p>Sobre este ponto, a Escritura nos chama a todos, creio, a dar hoje um passo \u00e0 frente, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a Scotus, sempre conscientes, contudo, de que as nossas afirma\u00e7\u00f5es sobre Deus n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o inst\u00e1veis sinais tra\u00e7ados com o dedo na superf\u00edcie do oceano. Deus Pai decide a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo n\u00e3o porque quer, fora de si,&nbsp;<i>algu\u00e9m que o ame&nbsp;<\/i>de modo digno de si, mas porque quer ter fora de si&nbsp;<i>algu\u00e9m para amar<\/i>&nbsp;de modo digno de si! N\u00e3o para receber amor, mas para derram\u00e1-lo. Ao apresentar Jesus ao mundo, no Batismo e na Transfigura\u00e7\u00e3o, o Pai celeste diz: \u201cEste \u00e9 o meu Filho, o&nbsp;<i>amado<\/i>\u201d (Mc 1,11; 9,7); n\u00e3o diz: \u201co&nbsp;<i>amante<\/i>\u201d.<i><\/i><\/p>\n<p>Somente o Pai, na Trindade (e em todo o universo!), n\u00e3o necessita ser amado para existir; necessita apenas amar. Isto \u00e9 o que garante o papel do Pai como fonte e origem \u00fanica da Trindade, mantendo, ao mesmo tempo, a perfeita igualdade de natureza entre as tr\u00eas divinas Pessoas. H\u00e1, na origem de tudo, a fulgurante intui\u00e7\u00e3o de Agostinho e da escola nascida a partir dele. Ela define o Pai como o&nbsp;<i>amante<\/i>, o Filho como o&nbsp;<i>amado&nbsp;<\/i>e o Esp\u00edrito Santo como o&nbsp;<i>amor&nbsp;<\/i>que os une<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn7\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Nisso, tamb\u00e9m n\u00f3s, latinos, temos algo de precioso e essencial a oferecer para uma s\u00edntese ecum\u00eanica. Gra\u00e7as a Deus, uma plena reconcilia\u00e7\u00e3o entre duas teologias n\u00e3o parece t\u00e3o dif\u00edcil e distante. Este seria um passo decisivo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade da Igreja.<\/p>\n<p><strong>Por que a paix\u00e3o?<\/strong>Vamos agora ao terceiro grande mist\u00e9rio: a paix\u00e3o de Cristo, que estamos prestes a celebrar na P\u00e1scoa. Vejamos como, partindo da revela\u00e7\u00e3o de Deus como amor, tamb\u00e9m isso se ilumina de nova luz. \u201c<i>Por seus ferimentos fomos curados<\/i>\u201d: com estas palavras, ditas sobre o Servo de Jav\u00e9 (Is 53,5-6), a f\u00e9 da Igreja expressou o significado salv\u00edfico da morte de Cristo (1Pd 2,24). Mas ser\u00e1 que chagas, cruz e dor \u2013 fatos negativos e, como tais, somente priva\u00e7\u00e3o de bem \u2013 podem produzir uma realidade positiva, como \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o de todo o g\u00eanero humano? A verdade \u00e9 que n\u00e3o fomos salvos pela dor de Cristo, mas pelo seu amor! Mais precisamente, do amor que se expressa no sacrif\u00edcio de si mesmo. Pelo amor crucificado!<\/p>\n<p>A Abelardo, que, j\u00e1 a seu tempo, achava repugnante a ideia de um Deus que se \u201cagrada\u201d com a morte do Filho, S\u00e3o Bernardo respondia: \u201cN\u00e3o foi a sua morte que lhe agradou, mas a sua vontade de morrer espontaneamente por n\u00f3s\u201d:&nbsp;<i>\u201cNon mors, sed voluntas placuit sponte morientis\u201d<\/i><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn8\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>A dor de Cristo conserva todo o seu valor, e a Igreja jamais deixar\u00e1 de meditar sobre ela: n\u00e3o, por\u00e9m, como causa, por si mesma, de salva\u00e7\u00e3o, mas como sinal e demonstra\u00e7\u00e3o do amor:&nbsp;<i>\u201cDeus, contudo, prova o seu amor para conosco, pelo fato de que Cristo morreu por n\u00f3s, quando ainda \u00e9ramos pecadores\u201d&nbsp;<\/i>(Rm 5,8). A morte \u00e9 o sinal; o amor, o significado. O evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o p\u00f5e como uma chave de leitura no in\u00edcio da sua narra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o: \u201cTendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 o fim\u201d (Jo 13,1).<\/p>\n<p>Isso tira da paix\u00e3o de Cristo uma conota\u00e7\u00e3o que sempre suscitou perplexos e insatisfeitos: a ideia, isto \u00e9, de um pre\u00e7o e um resgate a ser pago a Deus (ou, pior, ao dem\u00f4nio!), de um sacrif\u00edcio com o qual aplacar a ira divina. Na realidade, foi mais Deus quem fez o grande sacrif\u00edcio de nos dar o seu Filho, de n\u00e3o \u201cpoup\u00e1-lo\u201d, como Abra\u00e3o fez sacrif\u00edcio de n\u00e3o poupar o seu filho Isaac (Gn 22,16; Rm 8,32). Deus \u00e9 mais o&nbsp;<i>sujeito<\/i>&nbsp;do que o&nbsp;<i>destinat\u00e1rio<\/i>&nbsp;do sacrif\u00edcio da cruz!<\/p>\n<p><b>Um amor digno de Deus<\/b><\/p>\n<p>Agora devemos ver o que muda em nossa vida a verdade que contemplamos nos mist\u00e9rios de Trindade, Encarna\u00e7\u00e3o e Paix\u00e3o de Cristo. E, aqui, aguarda-nos a surpresa que jamais falta quando se busca aprofundar os tesouros da f\u00e9 crist\u00e3. A surpresa \u00e9 descobrir que, gra\u00e7as \u00e0 nossa incorpora\u00e7\u00e3o a Cristo, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos amar a Deus com um amor infinito, digno d\u2019Ele!<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo escreve que: \u201cO amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es\u201d (Rm 5,5). O amor que foi derramado em n\u00f3s \u00e9 aquele mesmo com que o Pai, desde sempre, ama o Filho, n\u00e3o um amor diferente!&nbsp;<i>\u201cEu neles e tu em mim \u2013 diz Jesus ao Pai \u2013, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles\u201d<\/i>&nbsp;(Jo 17, 23.26). Note-se: \u201co amor com que me amaste\u201d, n\u00e3o um diferente. \u00c9 um transbordar do amor divino da Trindade sobre n\u00f3s. Deus comunica \u00e0 alma \u2013 escreve S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u2013 \u201co mesmo amor que comunica ao Filho, ainda que isto n\u00e3o aconte\u00e7a por natureza, como no caso do Filho, mas por uni\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn9\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia \u00e9 que n\u00f3s podemos amar o Pai com o amor com que o ama o Filho e podemos amar Jesus com o amor com que o ama o Pai. Tudo gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 esse mesmo amor. O que damos, ent\u00e3o, a Deus de nosso, quando lhe dizemos: \u201cEu te amo!\u201d? Nada mais do que o amor que recebemos d\u2019Ele! Nada, portanto, absolutamente, da nossa parte? Seria, talvez, o nosso amor a Deus nada mais do que \u201creverberar\u201d o seu pr\u00f3prio amor para Ele, como o eco retorna o som \u00e0 sua origem?<\/p>\n<p>N\u00e3o neste caso! O eco do seu amor retorna a Deus da cavidade do nosso cora\u00e7\u00e3o, mas com uma novidade que, para Deus, \u00e9 tudo: o perfume da nossa liberdade e da nossa gratid\u00e3o de filhos! Tudo isso se realiza, de modo exemplar, na Eucaristia. O que fazemos nela, sen\u00e3o oferecer ao Pai, como \u201cnosso sacrif\u00edcio\u201d, aquilo que, na realidade, o pr\u00f3prio Pai nos deu, isto \u00e9, o seu Filho Jesus?<\/p>\n<p>Podemos dizer a Deus Pai: \u201cPai, eu te amo com o amor com que te ama o teu Filho Jesus!\u201d E dizer a Jesus: \u201cJesus, eu te amo com o amor com que te ama o teu Pai celeste\u201d. E saber, com certeza, que n\u00e3o \u00e9 uma piedosa ilus\u00e3o! Toda vez que, rezando, procuro faz\u00ea-lo eu mesmo, volta-me \u00e0 mente o epis\u00f3dio de Jac\u00f3 que se apresenta ao pai Isaac par receber a b\u00ean\u00e7\u00e3o, passando-se pelo irm\u00e3o mais velho (Gn 27,1-23). E tento imaginar o que Deus Pai poderia dizer a si mesmo naquele momento: \u201cRealmente, a voz n\u00e3o \u00e9 mesmo aquela do meu Filho primog\u00eanito; mas as m\u00e3os, os p\u00e9s e todo o corpo s\u00e3o os mesmos que meu Filho tomou na terra e trouxe aqui em cima, no c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p>E estou certo de que Ele me aben\u00e7oa, como Isaac aben\u00e7oou Jac\u00f3! E os aben\u00e7oa todos, Vener\u00e1veis Padres, irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00c9 o esplendor da nossa f\u00e9 de crist\u00e3os. Espero ter sido capaz de transmitir algum fragmento aos homens e mulheres do nosso tempo, que est\u00e3o sedentos de amor, mas desconhecem a sua fonte.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Fr. Ricardo Farias, ofmcap<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;Cf. H. de Lubac,&nbsp;<i>Ex\u00e9g\u00e8se m\u00e9di\u00e8vale<\/i>, I, 2, Parigi 1959, p. 670.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;Cf. Greg\u00f3rio Magno,&nbsp;<i>Moralia in Job<\/i>, Epist. Missoria, 4 (PL 75, 515).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn3\"><\/a>&nbsp;[3] Cf. Henri de Lubac,&nbsp;<i>Histoire et Esprit<\/i>, Aubier, Paris 1950.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;Cf. Arist\u00f3teles,&nbsp;<i>Metaf\u00edsica<\/i>, XII,7, 1072b.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>&nbsp;Cf. Duns Scotus,&nbsp;<i>Opus Parisiense,&nbsp;<\/i>III, d. 7, q. 4 (<i>Opera omnia,&nbsp;<\/i>XXIII, Paris 1894, p. 303).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref6\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp;Cf. Arist\u00f3teles,&nbsp;<i>Metaf\u00edsica<\/i>, XII,7, 1072b.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref7\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>&nbsp;Cf. Agostinho,&nbsp;<i>De Trinitate<\/i>,VIII, 9,14; IX, 2,2; XV,17,31; Ricardo de S\u00e3o V\u00edtor,&nbsp;<i>De Trin<\/i>. III,2.18; Boaventura,&nbsp;<i>I Sent<\/i>. d. 13, q.1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref8\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>&nbsp;Cf. Bernardo de Claraval,&nbsp;<i>Contro gli errori di Abelardo,<\/i>&nbsp;VIII, 21-22: \u201c<i>Non mors, sed voluntas placuit sponte morientis\u201d<\/i>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/iii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref9\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>&nbsp;Cf. Jo\u00e3o da Cruz,&nbsp;<i>C\u00e2ntico espiritual<\/i>&nbsp;A, estrofe 38,4.<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es e fotos: Vatican News<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pregador da Casa Pontif\u00edcia, cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, prop\u00f4s \u00e0 C\u00faria Romana, nesta sexta-feira, 17 de mar\u00e7o, a terceira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma intitulada &#8220;Deus \u00e9 amor&#8221;. O Papa Francisco participou deste momento. &nbsp; Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap \u201cDEUS \u00c9 AMOR!\u201d Terceira Prega\u00e7\u00e3o, Quaresma de 2023 H\u00e1 necessidade da teologia! 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