{"id":77172,"date":"2022-12-31T13:37:45","date_gmt":"2022-12-31T16:37:45","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=77172"},"modified":"2022-12-31T13:37:45","modified_gmt":"2022-12-31T16:37:45","slug":"o-humilde-trabalhador-e-seu-legado-de-esperanca-a-igreja-catolica-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/o-humilde-trabalhador-e-seu-legado-de-esperanca-a-igreja-catolica-bento-xvi\/","title":{"rendered":"O \u2018humilde trabalhador\u2019 e seu legado de esperan\u00e7a \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica (Bento XVI)"},"content":{"rendered":"<p>O papa em\u00e9rito&nbsp;Bento XVI&nbsp;morreu em hoje (31), com a idade de 95 anos, encerrando uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.acidigital.com\/vida\/index.html\">vida<\/a>&nbsp;cheia de eventos de um cl\u00e9rigo que proclamou a \u2018eterna alegria\u2019 de Jesus Cristo e chamou a si mesmo de \u2018humilde trabalhador\u2019 na vinha do Senhor.<\/p>\n<p>Sua morte foi anunciada em Roma hoje (31).<\/p>\n<p>O cardeal Joseph Aloisius Ratzinger foi eleito papa em 19 de abril de 2005 e adotou o nome de Bento XVI. Oito anos depois, em 11 de fevereiro de 2013, aos 85 anos, ele chocou o mundo com o an\u00fancio, feito em latim, de que renunciava ao papado. Foi a primeira ren\u00fancia de um papa em quase 600 anos. Bento XVI alegou a idade avan\u00e7ada e a falta de vigor como impr\u00f3prios para o exerc\u00edcio do cargo.<\/p>\n<p>O enorme legado de suas contribui\u00e7\u00f5es teologicamente profundas \u00e0&nbsp;Igreja&nbsp;e ao mundo continuar\u00e3o sendo uma fonte de reflex\u00e3o e estudo.<\/p>\n<p>Antes mesmo de sua elei\u00e7\u00e3o como papa, Ratzinger exerceu influ\u00eancia duradoura na Igreja moderna, primeiro como jovem te\u00f3logo no conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) e, depois, como prefeito da ent\u00e3o Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9.<\/p>\n<p>Defensor articulado da doutrina cat\u00f3lica, ele cunhou o termo \u201cditadura do relativismo\u201d para descrever a crescente intoler\u00e2ncia religiosa do secularismo no s\u00e9culo XXI. &nbsp;<\/p>\n<p>O pontificado de Bento XVI foi moldado por sua profunda compreens\u00e3o desse desafio \u00e0 Igreja e ao catolicismo diante da crescente agress\u00e3o ideol\u00f3gica, de uma mentalidade ocidental cada vez mais secular, tanto dentro quanto fora da Igreja.<\/p>\n<p>Bento XVI foi tamb\u00e9m um dos principais arquitetos da luta contra o abuso sexual na Igreja no in\u00edcio dos anos 2000. Ele supervisionou as extensas mudan\u00e7as feitas no direito can\u00f4nico e demitiu do estado clerical centenas de abusadores. Ele tamb\u00e9m iniciou uma investiga\u00e7\u00e3o can\u00f4nica dos Legion\u00e1rios de Cristo, depois de crescentes lega\u00e7\u00f5es sobre graves abusos sexuais perpetrados por seu fundador, o padre mexicano Marcial Maciel Degollado. A investiga\u00e7\u00e3o can\u00f4nica levou a um longo processo de reforma sob a autoridade do cardeal Velasio de Paolis.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de pessoas no mundo todo leram os livros de Bento XVI, entre os quais o inovador&nbsp;<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Cristianismo<\/em>, de 1968, e os tr\u00eas volumes de&nbsp;<em>Jesus de Nazar\u00e9<\/em>, publicados entre 2007 e 2012.<\/p>\n<p>Ao se tornar o primeiro papa a renunciar ao cargo em quase 600 anos, Bento XVI viajou da cidade do Vaticano a Castel Gandolfo de helic\u00f3ptero, em 28 de fevereiro de 2013, e, no m\u00eas de maio seguinte, assumiu uma vida de recolhimento no mosteiro&nbsp;<em>Mater Ecclesiae<\/em>, nos jardins do Vaticano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-helicoptero-getty.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>Um helic\u00f3ptero transporta o papa em\u00e9rito Bento XVI quando ele se aposenta oficialmente na Cidade do Vaticano em 28 de fevereiro de 2013. Getty Images News\/Getty Images.<\/em><\/h5>\n<p>\u201cSou simplesmente um peregrino que est\u00e1 iniciando o \u00faltimo est\u00e1gio de sua peregrina\u00e7\u00e3o na terra\u201d, disse em suas \u00faltimas palavras como papa. \u201cVamos em frente juntos com o Senhor pelo bem da Igreja e do mundo.\u201d<\/p>\n<p>O papa em\u00e9rito era conhecido por seu amor \u00e0 m\u00fasica \u2014 ele tocava Mozart e Beethoven ao piano. Tamb\u00e9m gostava de gatos, biscoitos de&nbsp;Natal&nbsp;e cerveja alem\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Um chamado superior em tempos de guerra<\/strong><\/p>\n<p>Joseph Ratzinger&nbsp;nasceu em 16 de abril de 1927, um S\u00e1bado Santo, em Marktl am Inn, na Bav\u00e1ria, Alemanha, de pais cat\u00f3licos. Seu pai, Joseph, membro de uma fam\u00edlia tradicional de fazendeiros b\u00e1varos, foi policial. Joseph pai, no entanto, era opositor dos nazistas e a fam\u00edlia teve que se mudar para Traunstein, uma cidade pequena na fronteira com a \u00c1ustria.<\/p>\n<p>Joseph e seus irm\u00e3os mais velhos, Georg e Maria, cresceram, pois, no per\u00edodo nazista da Alemanha, que ele iria chamar mais tarde de \u201cregime sinistro\u201d que \u201cbaniu Deus e assim tornou-se imperme\u00e1vel a qualquer coisa verdadeira e boa\u201d. Ele foi convocado para o servi\u00e7o militar auxiliar antia\u00e9reo nos meses finais da Segunda Guerra Mundial, desertou e passou um breve per\u00edodo em um campo de prisioneiros de guerra americano.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Depois da guerra, Ratzinger retomou os estudos para o sacerd\u00f3cio e foi ordenado em 29 de junho de 1951, junto com seu irm\u00e3o, monsenhor Georg Ratzinger. Os dois se mantiveram pr\u00f3ximos ao longo de toda a vida. Pouco antes de Georg morrer em 2021, Bento viajou \u00e0 Bav\u00e1ria para visit\u00e1-lo. Depois da morte, o papa em\u00e9rito prestou tributo ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-padres-hermanos-vatican-media.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>Da esquerda para a direita: Joseph Ratzinger, filho; Mary e Joseph Ratzinger (pais); Maria (irm\u00e3 de Bento XVI); e George Ratzinger. Vatican Media.<\/em><\/h5>\n<p>Enquanto Georg se tornou um maestro de coral not\u00e1vel, Joseph fez doutorado em teologia e por fim se tornou professor universit\u00e1rio, de\u00e3o e vice-reitor da prestigiosa Universidade de Regensburg, na Bav\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ratzinger atuou no Conc\u00edlio Vaticano II como perito para o arcebispo de Col\u00f4nia, cardeal Joseph Frings. Em 1972, ele se juntou a te\u00f3logos importantes como os jesu\u00edtas Hans Urs von Balthasar, su\u00ed\u00e7o, e Henri de Lubac, franc\u00eas, na funda\u00e7\u00e3o da revista&nbsp;<em>Communio<\/em>&nbsp;para refletir fielmente sobre teologia no turbulento per\u00edodo posterior ao conc\u00edlio e refutar as v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es incorretas dos documentos conciliares que estavam sendo dadas.<\/p>\n<p>O papa s\u00e3o Paulo VI o nomeou arcebispo de Munique e Freising no in\u00edcio de 1977 e o nomeou cardeal em junho do mesmo ano.<\/p>\n<p>Em 1981, s\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nomeou Ratzinger prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, presidente da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o B\u00edblica, e presidente da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional.<\/p>\n<p>Ele teve um papel determinante na prepara\u00e7\u00e3o do&nbsp;Catecismo&nbsp;da Igreja Cat\u00f3lica, publicado em 1992, e no esclarecimento e defesa da doutrina cat\u00f3lica. Por seus esfor\u00e7os, ele foi hostilizado pela m\u00eddia secular e grupos progressistas cat\u00f3licos, especialmente quando cumpriu o papel de investigar trabalhos de alguns te\u00f3logos que propunham ensinamentos errados e at\u00e9 her\u00e9ticos. No Brasil, foi especialmente vilipendiado depois da publica\u00e7\u00e3o, em 1984, da \u201cInstru\u00e7\u00e3o sobre alguns Aspectos da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o\u201d, em que condenava a abordagem marxista da teologia, ent\u00e3o muito em voga em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Em 1997, aos 70 anos, o ent\u00e3o cardeal pediu a Jo\u00e3o Paulo II que o deixasse renunciar a seu cargo na c\u00faria para que pudesse trabalhar na biblioteca do Vaticano. Jo\u00e3o Paulo II pediu-lhe para continuar no posto e ele continuou sendo uma das principais figuras do pontificado at\u00e9 a morte do papa em abril de 2005.<\/p>\n<p>Depois da morte de Jo\u00e3o Paulo II, Ratzinger foi eleito para o papado em um dos conclaves mais curtos da hist\u00f3ria moderna.<\/p>\n<p><strong>Um chamado \u00e0 renova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O cardeal Ratzinger escolheu o nome Bento XVI porque, como explicou em uma&nbsp;audi\u00eancia geral&nbsp;poucos dias depois da elei\u00e7\u00e3o, Bento XV, papa de 1914 a 1922, tamb\u00e9m foi o timoneiro da Igreja em um per\u00edodo de tormentas durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). \u201cNas suas pegadas desejo colocar o meu minist\u00e9rio ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o e da harmonia entre os homens e os povos, profundamente convencido de que o grande bem da paz \u00e9 antes de tudo dom de Deus\u201d, disse ele em 27 de abril de 2005.<\/p>\n<p>\u201cO nome Bento recorda tamb\u00e9m a extraordin\u00e1ria figura do grande \u2018Patriarca do monaquismo ocidental\u2019\u201d, disse ele. O co-padroeiro da Europa foi \u201cum ponto de refer\u00eancia fundamental para a unidade da Europa e uma forte chamada \u00e0s irrenunci\u00e1veis ra\u00edzes crist\u00e3s da sua cultura e da sua civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-eleccion-2005.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>Bento XVI na sacadade b\u00ean\u00e7\u00e3os da bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro ap\u00f3s o an\u00fancio de sua elei\u00e7\u00e3o como papa, 19 de abril de 2005. Vatican Media.<\/em><\/h5>\n<p>O pontificado de Bento XVI foi marcado por esfor\u00e7os de renova\u00e7\u00e3o eclesial, intelectual e espiritual, o que incluiu fazer frente ao relativismo e ao secularismo, combater o flagelo do abuso sexual do clero, impulsionar uma reforma lit\u00fargica e promover o avan\u00e7o de uma interpreta\u00e7\u00e3o aut\u00eantica do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p>Na&nbsp;homilia&nbsp;que fez antes do conclave de 2005 que o elegeu, o futuro papa admoestou contra uma \u201cditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como \u00faltima medida apenas o pr\u00f3prio eu e as suas vontades\u201d.<\/p>\n<p>Ele sublinhou que Jesus Cristo \u00e9 \u201ca medida do verdadeiro humanismo\u201d e uma f\u00e9 madura e amizade com Deus servem de \u201ccrit\u00e9rio para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade\u201d.<\/p>\n<p>Em seu&nbsp;discurso&nbsp;no sal\u00e3o de Westminster aos l\u00edderes da Sociedade Brit\u00e2nica durante sua visita ao Reino Unido em 2010, ele falou sobre os imensos perigos para a sociedade contempor\u00e2nea quando a religi\u00e3o \u00e9 tirada da esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cExistem pessoas segundo as quais a voz da religi\u00e3o deveria ser silenciada\u201d, disse ele, \u201cou, na melhor das hip\u00f3teses, relegada \u00e0 esfera puramente particular. Outros ainda afirmam que a celebra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de festividades como o Natal deveria ser desencorajada, segundo a question\u00e1vel convic\u00e7\u00e3o de que ela poderia de alguma maneira ofender aqueles que pertencem a outras ou a nenhuma religi\u00e3o. E h\u00e1 outros ainda que \u2014 paradoxalmente com a finalidade de eliminar as discrimina\u00e7\u00f5es \u2014 chegam a considerar que os crist\u00e3os que desempenham fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deveriam, em determinados casos, agir contra a pr\u00f3pria consci\u00eancia. Trata-se de sinais preocupantes da incapacidade de ter na justa considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas os direitos dos crentes \u00e0 liberdade de consci\u00eancia e de religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m o papel leg\u00edtimo da religi\u00e3o na esfera p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Envolver o Isl\u00e3, encorajar a evangeliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Muito mais controvertido foi seu&nbsp;discurso na Universidade de Regensburg&nbsp;em 2006 a representantes do mundo da ci\u00eancia. Ele criticou formas de pensamento secular que promovem \u201cuma raz\u00e3o, que diante do divino \u00e9 surda e repele a religi\u00e3o para o \u00e2mbito das subculturas\u201d, condenando essa atitude como \u201cincapaz de inserir-se no di\u00e1logo das culturas\u201d. Ele tamb\u00e9m criticou escolas de pensamento crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas que exaltam erroneamente a \u201ctranscend\u00eancia e a diversidade de Deus\u201d a tal ponto que a raz\u00e3o humana e o entendimento do bem \u201cdeixam de ser um verdadeiro espelho de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Parte da imprensa e v\u00e1rios pol\u00edticos tiraram propositalmente o discurso de seu contexto, chamando aten\u00e7\u00e3o para uma \u00fanica cita\u00e7\u00e3o de um imperador bizantino. Essa distor\u00e7\u00e3o foi seguida de um surto de viol\u00eancia em parte do mundo mu\u00e7ulmano. Apesar dessas rea\u00e7\u00f5es, a real contribui\u00e7\u00e3o de Bento XVI levou a esfor\u00e7os mais significativos de um di\u00e1logo crist\u00e3o-mu\u00e7ulmano sincero. Um di\u00e1logo que n\u00e3o esconda as diferen\u00e7as e convoque a reciprocidade no respeito aos direitos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-rey-abdullah-pool-afp-getty.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>O&nbsp;papa Bento XVI&nbsp;troca presentes com o rei Abdullah da Ar\u00e1bia Saudita (\u00e0 esquerda) no Vaticano em 6 de novembro de 2007. POOL\/AFP via Getty Images.<\/em><\/h5>\n<p>Tendo reconhecido a profunda crise existencial e espiritual que o mundo enfrenta, particularmente no Ocidente, Bento XVI recordou aos cat\u00f3licos de toda parte do chamado a evangelizar. Ele foi um importante apoiador da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o convocada pelo papa s\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, especialmente pregar e viver o Evangelho no que ele chamou de \u201ccontinente digital\u201d, o mundo das comunica\u00e7\u00f5es online e das redes sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;\u201cN\u00e3o existe prioridade maior do que esta: reabrir ao homem atual o acesso a Deus, a Deus que fala e nos comunica o seu amor para que tenhamos vida em abund\u00e2ncia\u201d, disse ele em sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal sobre a palavra de Deus de 2010,&nbsp;<em>Verbum Domini<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Vis\u00f5es conflitantes sobre o Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p>Bento XVI tamb\u00e9m viu a necessidade de a Igreja adotar um entendimento aut\u00eantico do Concilio Vaticano II, observando em um&nbsp;discurso fundamental&nbsp;feito 2005 dois modelos interpretativos (duas hermen\u00eauticas) em competi\u00e7\u00e3o que emergiram depois do conc\u00edlio.<\/p>\n<p>A primeira, uma hermen\u00eautica de descontinuidade e ruptura, prop\u00f5e que h\u00e1 uma quebra entre o conc\u00edlio e o passado e que n\u00e3o os textos, mas um vago \u201cesp\u00edrito do conc\u00edlio\u201d deveria guiar sua interpreta\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o. \u201cEm s\u00edntese: seria necess\u00e1rio seguir n\u00e3o os textos do Conc\u00edlio, mas o seu esp\u00edrito. Deste modo, obviamente, permanece uma vasta margem para a pergunta sobre o modo como, ent\u00e3o, se define este esp\u00edrito e, por conseguinte, se concede espa\u00e7o a toda a inconst\u00e2ncia\u201d, escreveu Bento.<\/p>\n<p>Contra a hermen\u00eautica da ruptura, Bento prop\u00f4s a hermen\u00eautica da continuidade que ele chamava de &#8220;hermen\u00eautica da reforma&#8221;, da \u201crenova\u00e7\u00e3o na continuidade do \u00fanico sujeito-Igreja, que o Senhor nos concedeu; \u00e9 um sujeito que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo, por\u00e9m, sempre o mesmo, \u00fanico sujeito do Povo de Deus a caminho\u201d.<\/p>\n<p>Seus esfor\u00e7os para estabelecer uma interpreta\u00e7\u00e3o correta do Conc\u00edlio Vaticano II duraram at\u00e9 o fim de seu pontificado. Em 14 de fevereiro de 2013, apenas duas semanas antes de sua ren\u00fancia entrar em vigor, ele&nbsp;disse&nbsp;que o conc\u00edlio tinha sido inicialmente interpretado \u201cpelos olhos da imprensa\u201d, que o retratou como uma \u201cdisputa pol\u00edtica\u201d entre diferentes correntes dentro da Igreja.<\/p>\n<p>Esse \u201cconc\u00edlio da m\u00eddia\u201d criou \u201cmuitas calamidades\u201d e \u201cassim, muito sofrimento\u201d, com o resultado que semin\u00e1rios e conventos fecharam e a liturgia foi \u201cbanalizada\u201d. Bento XVI disse que a verdadeira interpreta\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II est\u00e1 \u201cemergindo com toda sua for\u00e7a espiritual\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-aula-sinodo-franco-origlia-getty-images.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>O papa Bento XVI assiste ao S\u00ednodo dos&nbsp;Bispos&nbsp;sobre a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o para a Transmiss\u00e3o da F\u00e9 Crist\u00e3 na sala do S\u00ednodo, 19 de outubro de 2012, na Cidade do Vaticano. O S\u00ednodo dos Bispos foi institu\u00eddo pelo papa Paulo VI em 1965, ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II. Franco Origlia\/Getty Images.<\/em><\/h5>\n<p>O chamado \u00e0 continuidade e \u00e0 reforma encontrou rica express\u00e3o na aten\u00e7\u00e3o do papa \u00e0 liturgia, particularmente por meio de seu grande livro&nbsp;<em>O Esp\u00edrito da Liturgia<\/em>&nbsp;e seus esfor\u00e7os para encorajar o retorno \u00e0 rever\u00eancia e beleza na liturgia. \u201cSim, a liturgia se torna pessoal, verdadeira e nova\u201d, escreveu ele, \u201cn\u00e3o atrav\u00e9s de palha\u00e7ada e experi\u00eancias banais com as palavras, mas atrav\u00e9s de uma corajosa entrada na grande realidade que atrav\u00e9s do rito est\u00e1 sempre \u00e0 frente de n\u00f3s e nunca pode ser exatamente ultrapassada\u201d (p. 169). Acima de tudo, sua vis\u00e3o para a liturgia p\u00f4s Deus novamente no centro: \u201cA \u2018a\u00e7\u00e3o\u2019 real na liturgia em que se sup\u00f5e que todos n\u00f3s participemos \u00e9 a a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus. Isso \u00e9 o que \u00e9 novo e distintivo acerca da liturgia crist\u00e3: o pr\u00f3prio Deus age e faz o que \u00e9 essencial\u201d (p. 173).<\/p>\n<p>Pondo em pr\u00e1tica sua preocupa\u00e7\u00e3o, ele publicou a carta apost\u00f3lica&nbsp;<em>Summorum pontificum<\/em>, de 2007, que estendeu significativamente a autoriza\u00e7\u00e3o aos padres de celebrar&nbsp;missa&nbsp;segundo o missal anterior \u00e0s reformas de 1970. Ele escreveu na carta que acompanha&nbsp;<em>Summorum pontificum<\/em>: \u201cNa hist\u00f3ria da Liturgia, h\u00e1 crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gera\u00e7\u00f5es anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande tamb\u00e9m para n\u00f3s, e n\u00e3o pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na f\u00e9 e na ora\u00e7\u00e3o da Igreja, dando-lhes o justo lugar\u201d.<\/p>\n<p>E, em resposta \u00e0 pergunta se essa reautoriza\u00e7\u00e3o da missa tridentina era mais uma concess\u00e3o \u00e0 cism\u00e1tica Sociedade S\u00e3o Pio X, Bento XVI disse a Peter Seewald em&nbsp;<em>Testamento Final<\/em>&nbsp;(2016): \u201cIsso \u00e9 completamente falso! Era importante para mim que a Igreja \u00e9 uma consigo mesma internamente, com seu pr\u00f3prio passado; o que era santo antes para ela n\u00e3o pode de algum modo ser errado agora\u201d.<\/p>\n<p>Seu esfor\u00e7o de reformar a C\u00faria Romana ficou incompleto com sua ren\u00fancia. A aten\u00e7\u00e3o da imprensa se concentrou especialmente no chamado esc\u00e2ndalo Vati-leaks: o vazamento de documentos privados do papa e a pris\u00e3o e julgamento do mordomo papal. Mesmo assim, ele deu passos importantes no rumo de uma genu\u00edna transpar\u00eancia financeira que foram continuados pelo papa Francisco.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, em seus anos como prefeito e depois papa, ele deitou um fundamento vital na resposta da Igreja \u00e0 crise e ajudou a pavimentar o caminho para as reformas seguintes sob o papa Francisco.<\/p>\n<p><strong>Tomando posi\u00e7\u00e3o firme sobre os casos de abuso<\/strong><\/p>\n<p>Muito antes de sua elei\u00e7\u00e3o como papa, o ent\u00e3o cardeal Ratzinger tinha impulsionado esfor\u00e7os s\u00e9rios no confronto do flagelo do abuso sexual por parte do clero. Em 2001, ele teve papel fundamental em p\u00f4r os casos de abuso sob a jurisdi\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9 e ajudou os bispos dos EUA a receber a aprova\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 para a Carta de Dallas e as Normas Essenciais que formaram ent\u00e3o a base do imenso progresso em como lidar com o abuso do clero nos EUA.<\/p>\n<p>Dias antes da morte de Jo\u00e3o Paulo II, em mar\u00e7o de 2005, Ratzinger escreveu as medita\u00e7\u00f5es da&nbsp;<em>Via Crucis<\/em>&nbsp;na Sexta-Feira Santa em Roma. Em sua&nbsp;reflex\u00e3o&nbsp;na Nona Esta\u00e7\u00e3o, ele fez a r\u00edspida condena\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cQuanta sujeira h\u00e1 na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerd\u00f3cio, deveriam pertencer completamente a Ele!\u201d. O coment\u00e1rio prefigurava seu compromisso de lutar contra o abuso a partir do momento de sua elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.aciprensa.com\/images\/benedicto-xvi-vigilia-pascual-2005-franco-origlia-getty-images.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<h5><em>Cardeal Joseph Ratzinger&nbsp;na Vig\u00edlia Pascal na bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, 26 de mar\u00e7o de 2005, na Cidade do Vaticano. Franco Origlia\/Getty Images.<\/em><\/h5>\n<p>Centenas de padres que tinham cometido abuso sexual foram demovidos do estado clerical sob Bento XVI. Foi uma continua\u00e7\u00e3o de seu trabalho na Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, mas passou a ser acompanhado de pedidos formais de desculpa \u00e0s v\u00edtimas como aconteceu com a presen\u00e7a pessoal do papa nos EUA, na Austr\u00e1lia, no Canad\u00e1 e na Irlanda. Em 2008, durante sua viagem aos EUA, ele se encontrou pessoalmente com v\u00edtimas, e em 2010 ele escreveu uma&nbsp;carta pastoral&nbsp;aos cat\u00f3licos da Irlanda pedindo perd\u00e3o pelo enorme sofrimento causado pelo abuso. \u201cSofrestes tremendamente\u201d, escreveu ele, \u201ce por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi tra\u00edda a vossa confian\u00e7a e violada a vossa dignidade. Muitos de v\u00f3s experimentastes que, quando \u00e9reis suficientemente corajosos para falar de quanto tinha acontecido, ningu\u00e9m vos ouvia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um professor e te\u00f3logo de destaque<\/strong><\/p>\n<p>A despeito de sua idade avan\u00e7ada no momento de sua elei\u00e7\u00e3o, Bento XVI continuou o h\u00e1bito de s\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II de viajar ao redor do mundo. Suas 25 viagens apost\u00f3licas fora da It\u00e1lia inclu\u00edram tr\u00eas idas a sua Alemanha natal e tr\u00eas Jornadas Mundiais da Juventude.<\/p>\n<p>Sua visita \u00e0 Turquia em 2006 se concentrou nas rela\u00e7\u00f5es com o Isl\u00e3 e a cristandade ortodoxa, com sua presen\u00e7a na divina liturgia celebrada pelo patriarca de Constantinopla. Durante sua viagem aos EUA em 2008, ele visitou o local das torres destru\u00eddas do World Trade Center, uma sinagoga em Nova York e a Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cCristo \u00e9 o caminho que conduz ao Pai, a verdade que d\u00e1 significado \u00e0 exist\u00eancia humana, e a fonte daquela vida que \u00e9 alegria eterna com todos os Santos no Reino dos c\u00e9us\u201d, disse ele a 60 mil pessoas reunidas para a&nbsp;missa no Est\u00e1dio dos Yankees&nbsp;em Nova York em abril de 2008.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/www.catholicnewsagency.com\/storage\/image\/1180419042008.jpg?w=600\" alt=\"Pope Benedict XVI's visit to the United States, April 15\u201320, 2008. Vatican Media\"><\/p>\n<h5><em>Papa Bento XVI visita os Estados Unidos, de 15 a 20 de abril de 2008. Vatican Media<\/em><\/h5>\n<p>Embora n\u00e3o tenha batido o recorde de canoniza\u00e7\u00f5es e beatifica\u00e7\u00f5es, Bento XVI canonizou 45 novos santos, entre os quais Damien de Veuster, o padre leproso de Molokai (2008), o canadense Andr\u00e9 Bessette (2010) e Kateri Tekakwitha (2012), a primeira santa americana nativa. Ele teve a distin\u00e7\u00e3o \u00fanica de autorizar o in\u00edcio da causa de canoniza\u00e7\u00e3o de seu predecessor Jo\u00e3o Paulo II, e teve o grande prazer de presidir sua beatifica\u00e7\u00e3o em 2011. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II seria canonizado em 2014 pelo papa Francisco.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m nomeou dois doutores da Igreja em 2012, a abadessa e m\u00edstica medieval alem\u00e3 Hildegarda de Bingen, e o padre espanhol s\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila.<\/p>\n<p>Suas tr\u00eas enc\u00edclicas,&nbsp;<em>Caritas in veritate<\/em>,&nbsp;<em>Spe salvi<\/em>, e&nbsp;<em>Deus caritas est<\/em>, sublinharam as virtudes do amor e da esperan\u00e7a. O papa Francisco incorporou a enc\u00edclica inacabada de Bento sobre a f\u00e9 em sua pr\u00f3pria enc\u00edclica&nbsp;<em>Lumen fidei<\/em>, de 2013.<\/p>\n<p>Cada uma das enc\u00edclicas trouxe reflex\u00f5es profundas de Bento XVI, um dos grandes te\u00f3logos da Igreja. A mesma import\u00e2ncia se pode atribuir a suas exorta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-sinodais, frutos dos s\u00ednodos dos bispos realizados sob sua dire\u00e7\u00e3o. A exorta\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Sacramentum caritatis<\/em>, de 2007, sobre a&nbsp;Eucaristia&nbsp;como \u201cfonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja\u201d antecipou \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o a uma revivesc\u00eancia eucar\u00edstica nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cSacramento da Caridade\u201d, escreveu Bento, \u201ca sant\u00edssima Eucaristia \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem&#8230; Que maravilha deve suscitar, tamb\u00e9m no nosso cora\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio eucar\u00edstico!\u201d.<\/p>\n<p>A fama de Bento como te\u00f3logo e escritor estava bem estabelecida internacionalmente antes de sua elei\u00e7\u00e3o para o papado. Entre seus livros est\u00e1&nbsp;<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Cristianismo<\/em>, compila\u00e7\u00e3o de suas palestras universit\u00e1rias sobre a f\u00e9 no mundo moderno. Os livros de suas entrevistas, como&nbsp;<em>Relat\u00f3rio sobre a F\u00e9<\/em>, de 1985 com Vittorio Messori, e&nbsp;<em>Sal da Terra<\/em>, de 1996,&nbsp;<em>Deus e o Mundo<\/em>, de 2000, e&nbsp;<em>Luz do Mundo<\/em>, de 2010, com o jornalista e escritor alem\u00e3o Peter Seewald foram grandes best-sellers. Um dos livros populares escritos por ele foi a trilogia&nbsp;<em>Jesus de Nazar\u00e9<\/em>, um esfor\u00e7o de explicar Jesus Cristo para o mundo moderno.<\/p>\n<p><strong>Um papa em\u00e9rito<\/strong><\/p>\n<p>Bento levou uma vida de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o depois da elei\u00e7\u00e3o do papa Francisco, encontrando-se e conversando ocasionalmente com seu sucessor. No fim, seu per\u00edodo aposentado e em retiro foi mais longo do que o seu pontificado.<\/p>\n<p>Ele esteve presente na canoniza\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II e do papa Jo\u00e3o XXIII em S\u00e3o Pedro em 27 de abril de 2014. Ele tamb\u00e9m participou do lan\u00e7amento do ano Santo da Miseric\u00f3rdia em 8 de dezembro de 2015.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ocasionais deflagraram rea\u00e7\u00f5es e debate intensos. Em 2019, ele deu sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o sobre a crise de abuso sexual com um&nbsp;ensaio&nbsp;que ia ao cerne da quest\u00e3o: a ditadura do relativismo sobre a qual ele havia avisado em 2005. \u201cHoje, a acusa\u00e7\u00e3o contra Deus \u00e9, acima de tudo, desprezo de Sua Igreja como algo maligno em sua totalidade e, portanto, nos desencoraja dela. A ideia de uma Igreja melhor, feita por n\u00f3s mesmos, \u00e9 na verdade uma proposta do diabo, com a qual ele quer nos afastar do Deus vivo usando uma l\u00f3gica enganosa em que podemos facilmente cair. N\u00e3o, ainda hoje a Igreja n\u00e3o \u00e9 feita apenas de peixes ruins e ervas daninhas. A Igreja de Deus tamb\u00e9m existe hoje e hoje \u00e9 o mesmo instrumento pelo qual Deus nos salva\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/www.catholicnewsagency.com\/storage\/image\/benedictxvi-and-popefrancis-2022.jpg?w=600\" alt=\"Pope Francis visits Benedict XVI on Aug. 27th, 2022. Vatican Media\"><\/p>\n<h5><em>Papa Francisco visita Bento XVI em 27 de agosto de 2022. Vatican Media<\/em><\/h5>\n<p>Em julho de 2021, o papa em\u00e9rito, ent\u00e3o com 94 anos alertou sobre uma Igreja e uma doutrina sem f\u00e9: \u201cS\u00f3 a f\u00e9 liberta o homem de suas amarras e da estreiteza de seu tempo\u201d.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2022, o papa em\u00e9rito publicou uma&nbsp;carta&nbsp;em rea\u00e7\u00e3o a um relat\u00f3rio sobre abuso na arquidiocese de Munique-Freising que o acusava pelo modo como lidou com casos de abuso durante seu per\u00edodo como arcebispo no final dos anos 1970. Na carta ele, mais uma vez, expressou a todas as v\u00edtimas de abuso sexual sua profunda vergonha, seu profundo sofrimento e seu sincero pedido de desculpas.<\/p>\n<p>A carta tamb\u00e9m serviu, de muitas formas, como uma medita\u00e7\u00e3o final sobre sua vida retirada, mas tamb\u00e9m sobre a f\u00e9 constante que caracterizou seus esfor\u00e7os em nome de Cristo e Sua Igreja.<\/p>\n<p>\u201cMuito em breve\u201d, escreveu ele, \u201cdevo me encontrar diante do juiz final de minha vida. Ainda que, conforme olho para minha longa vida passada, posso ter grande motivo para temor e tremor, estou com bom \u00e2nimo, pois confio firmemente que o Senhor \u00e9 n\u00e3o somente o justo juiz, mas tamb\u00e9m o amigo e irm\u00e3o que j\u00e1 sofreu ele pr\u00f3prio pelas minhas falhas, e \u00e9, assim, tamb\u00e9m meu advogado, meu \u2018Par\u00e1clito\u2019. Na luz da hora do julgamento, a gra\u00e7a de ser um crist\u00e3o se torna mais clara para mim. Ele me concede conhecimento e, de fato, amizade, com o juiz da minha vida, e assim me permite passar confiante pela hora escura da morte\u201d.<\/p>\n<p>O papa Francisco deve celebrar a missa funeral de Bento XVI.<\/p>\n<p>Por:Luke Coppen, AC Wimmer, Matthew Bunson(ACI)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papa em\u00e9rito&nbsp;Bento XVI&nbsp;morreu em hoje (31), com a idade de 95 anos, encerrando uma&nbsp;vida&nbsp;cheia de eventos de um cl\u00e9rigo que proclamou a \u2018eterna alegria\u2019 de Jesus Cristo e chamou a si mesmo de \u2018humilde trabalhador\u2019 na vinha do Senhor. Sua morte foi anunciada em Roma hoje (31). 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