{"id":76821,"date":"2022-11-01T11:45:29","date_gmt":"2022-11-01T14:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=76821"},"modified":"2022-11-01T11:46:32","modified_gmt":"2022-11-01T14:46:32","slug":"a-jornada-intermitente-do-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/a-jornada-intermitente-do-pensamento\/","title":{"rendered":"A jornada intermitente do pensamento"},"content":{"rendered":"<p>Qual seria o significado deste perder tempo consigo mesmo e com seus ideais? Com seus ideais! Vivendo, assim, quase que o tempo passa despercebido. Isto feito, eu posso recordar que a companhia de uma pessoa pode ser dada de diversos modos: t\u00e3o somente ela seja companhia de si mesma. Constatar que apenas o contr\u00e1rio do que se diz \u00e9 aquilo que poderia ser dito, torna a pessoa t\u00e3o insens\u00edvel quanto ela pr\u00f3pria diante de uma m\u00fasica, sem que a mesma pessoa chore, sorria ou grite. Outro sim de uma pessoa \u00e9 a companhia de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Enquanto se est\u00e1 em companhia de si pr\u00f3prio, os ideais e tudo aquilo que vem \u00e0 mente n\u00e3o passam de realidades bub\u00f4nicas. Voc\u00ea pode tocar uma parede lisa, mas de igual modo, pode tocar nos seus pr\u00f3prios ideais atrav\u00e9s dos seus pensamentos. Ou, at\u00e9 mesmo caminhando de um lado para o outro, pode ser companhia para si mesmo.<\/p>\n<p>Ora os passos s\u00e3o trai\u00e7oeiros, ora por outra um passo amedrontado, cambaleia tocando um outro. Mas o que diria quando se est\u00e1 em um local cheio de possibilidades de coisas que se possa fazer atrav\u00e9s de diversos tipos de atividades? Diante dessa companhia, v\u00ea-se frustrada, malcriada sobre os obst\u00e1culos impostos pela pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria, de longe, o amparo de se buscar ref\u00fagio atrav\u00e9s dos saberes, porque a companhia certa, cabal, terminantemente pr\u00f3xima de si, quando se est\u00e1 em um relacionamento de intimidade com o seu conhecimento, este relacionamento \u00e9 justamente o imperativo que busca, de qualquer forma clara e l\u00f3gica, a companhia de um livro. Companhia certa \u00e9 a de um livro. Sem sombra de d\u00favidas, o livro \u00e9 uma companhia perfeita.<\/p>\n<p>Dos livros se det\u00e9m a sabedoria; mas da mente, o que se extrai \u00e9 t\u00e3o somente o desejo de que a vida, na incerteza que ela \u00e9, possa renascer com o amanhecer de um novo dia. Vem a for\u00e7a, esta salutar espera que em nuvens se faz rodopiar o conhecimento que outrora malograva no interior de um ser. Daqui se pode entender que os fil\u00f3sofos tinham como companhia seus pensamentos f\u00e9rteis, os quais voavam sobre qualquer tema e em disparada, se alcan\u00e7avam os mais belos discursos.<\/p>\n<p>O discurso de um fil\u00f3sofo pode ser entendido como uma nova logo porque o discurso dele se d\u00e1 at\u00e9 mesmo entre quatro paredes, de frente para um papel em branco com as m\u00e3os postas em um l\u00e1pis ou at\u00e9 mesmo no tique-taque do teclado de um computador. O tique-taque do rel\u00f3gio, da batida do cora\u00e7\u00e3o, do cicio da cigarra. Tudo disposto em suas m\u00e3os pode facilitar o intento e o evento de um saudoso discurso.<\/p>\n<p>As borboletas que voam sem ter onde pousar s\u00e3o como os pensamentos que saem da mente de um pensador e v\u00e3o ganhar norte, tomando forma at\u00e9 repousarem em um cora\u00e7\u00e3o displicente e sem muita perspectiva, mas usado ao extremo para se permitir ao menos a interpreta\u00e7\u00e3o do disposto. Agora mais ainda, frente ao que fora dito, a companhia do fil\u00f3sofo antes fosse apenas seu externo, \u00e9 justamente o contr\u00e1rio, pois onde menos se espera, ali se encontra um fil\u00f3sofo com seus amigos, a companhia do dia dia: seus pensamentos.<\/p>\n<p>Onde o fil\u00f3sofo se encontra? Folheando p\u00e1gina por p\u00e1gina, livro e mais livros. Os passos at\u00e9 seriam os mesmos se n\u00e3o fosse o cambalear das ideias que v\u00eam e v\u00e3o como uma crian\u00e7a no balan\u00e7o preso numa corda. Assim \u00e9 o pensamento de um fil\u00f3sofo: ora pensar e refletir temas elevad\u00edssimos, noutras vezes, no entanto, e na maior parte do tempo, ele est\u00e1 iniciando o seu balancear. \u00c9 justamente nessa calmaria do relance que se inicia a jornada intermitente do pensamento do fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>Uma busca, portanto, que tenta chegar at\u00e9 ao extremo, o cume dos seus obst\u00e1culos, sem objetividade e at\u00e9, em \u00faltimo sentido, repousando nas descobertas que o pensar prop\u00f5e. N\u00edtida essa companhia que o fil\u00f3sofo contenta ter: o seu relacionamento com o saber. N\u00e3o h\u00e1 v\u00edcio que se possa igualar ao desejo de se ter sabedoria. \u00c9 uma busca incessante, a qual emerge, flui e vem de dentro, do interior do homem que se prop\u00f5e pensar. Por isso que esta companhia do pensador n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel a todos os homens, n\u00e3o que ela fa\u00e7a exclus\u00e3o de algu\u00e9m, mas porque alguns homens a exclui.<\/p>\n<p>Padre Joacir d\u2019Abadia, fil\u00f3sofo, autor de 15 livros, Especialista em Doc\u00eancia do Ensino Superior, Bacharel em Filosofia e Teologia, Licenciando em Filosofia, Professor de Filosofia Pr\u00e1tica. Acad\u00eamico: ALANEG, ALBPLGO, AlLAP, FEBACLA e da &#8220;Casa do Poeta Brasileiro &#8211; Se\u00e7\u00e3o Formosa-GO&#8221;_Contato: (61) 9 9931-5433 | Segue l\u00e1 no Instagram:&nbsp; <strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\">https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia&nbsp;<\/a><\/strong>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual seria o significado deste perder tempo consigo mesmo e com seus ideais? Com seus ideais! Vivendo, assim, quase que o tempo passa despercebido. 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