{"id":76296,"date":"2022-08-27T20:51:43","date_gmt":"2022-08-27T23:51:43","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=76296"},"modified":"2022-08-27T20:51:43","modified_gmt":"2022-08-27T23:51:43","slug":"papa-um-cardeal-ama-a-igreja-sempre-com-o-mesmo-fogo-espiritual-nas-questoes-grandes-e-pequenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-um-cardeal-ama-a-igreja-sempre-com-o-mesmo-fogo-espiritual-nas-questoes-grandes-e-pequenas\/","title":{"rendered":"Papa: um cardeal ama a Igreja sempre com o mesmo fogo espiritual, nas quest\u00f5es grandes e pequenas"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Na homilia, o Papa fala do esp\u00edrito que deve animar a miss\u00e3o dos cardeais: abertura a todos os povos da terra e aten\u00e7\u00e3o aos pequenos aqueles que s\u00e3o grandes diante de Deus. Os nomes dos novos cardeais foram anunciados pelo Papa da janela do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico durante o Angelus de 29 de maio, e obedeceu os crit\u00e9rios da internacionalidade e a predile\u00e7\u00e3o pelas &#8220;periferias&#8221;. Pela primeira vez, 4 pa\u00edses est\u00e3o representados: Mong\u00f3lia, Paraguai, Cingapura e Timor Leste.<\/div>\n<div>\n<p>Na tarde deste s\u00e1bado, 27 de agosto, o Papa Francisco presidiu o oitavo Consist\u00f3rio de seu pontificado, criando 20 novos cardeais, dos quais 16 t\u00eam menos de oitenta anos, portanto, eleitores em um futuro Conclave, e quatro n\u00e3o eleitores, por terem ultrapassado o limite de idade. Entre os novos cardeais, o arcebispo de Timor Leste, Dom Virg\u00edlio do Carmo da Silva; o arcebispo de Bras\u00edlia, Dom Paulo Cezar Costa e o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi votada a causa de canoniza\u00e7\u00e3o de dois beatos: Jo\u00e3o Batista Scalabrini, bispo de Piacenza, fundador da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos e da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de S\u00e3o Carlos Borromeo, mais conhecidos como Scalabrinianos, e Art\u00eamides Zatti, leigo professo dos Salesianos.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com o canto&nbsp;<i>Tu es Petrus&nbsp;<\/i>e o agradecimento do primeiro cardeal da lista, Dom Arthur Rocha, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino.&nbsp;Em seguida, o Papa pronunciou a f\u00f3rmula para a cria\u00e7\u00e3o dos novos purpurados, que juraram fidelidade e obedi\u00eancia ao Pont\u00edfice e seus sucessores &#8220;at\u00e9 o derramamento de sangue&#8221;. Um a um eles se aproximaram da sede do Papa para receber os s\u00edmbolos do cardinalato de joelhos: solid\u00e9u vermelho, barrete, anel, a bula com a atribui\u00e7\u00e3o do T\u00edtulo\/Diaconia. Todos receberam o abra\u00e7o da paz de Francisco, um gesto repetido logo depois pelo cardeal decano, o primeiro dos cardeais presb\u00edteros e o primeiro dos di\u00e1conos, representando todo o Col\u00e9gio dos Cardeais.<\/p>\n<p><strong>Eis o pronunciamento do Papa Francisco:<\/strong>&#8220;Esta frase de Jesus, bem no centro do Evangelho de Lucas, atinge-nos como uma flecha: &#8220;Vim lan\u00e7ar fogo sobre a terra, e como gostaria que j\u00e1 estivesse aceso!&#8221; (<i>Lc&nbsp;<\/i>12, 49).<\/p>\n<p>No caminho com os disc\u00edpulos para Jerusal\u00e9m, o Senhor faz um an\u00fancio em estilo prof\u00e9tico t\u00edpico, usando duas imagens: o fogo e o batismo (cf.&nbsp;<i>Lc&nbsp;<\/i>12, 49-50). O fogo deve traz\u00ea-lo ao mundo; o batismo ter\u00e1 que receb\u00ea-lo Ele mesmo. Tomo apenas a imagem do fogo, que aqui \u00e9 a chama poderosa do Esp\u00edrito de Deus, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus como &#8220;fogo devorador&#8221; (<i>Dt<\/i>&nbsp;4, 24;&nbsp;<i>Hb<\/i>&nbsp;12, 29), Amor apaixonado que purifica, regenera e transfigura tudo. Este fogo &#8211; como ali\u00e1s tamb\u00e9m o &#8220;batismo&#8221; &#8211; revela-se plenamente no mist\u00e9rio pascal de Cristo, quando Ele, como coluna ardente, abre o caminho da vida atrav\u00e9s do mar escuro do pecado e da morte.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 tamb\u00e9m outro fogo, o das brasas. Encontramo-lo em Jo\u00e3o, no relato da terceira e \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado aos disc\u00edpulos, no lago da Galileia (cf.&nbsp;<i>Jo<\/i>&nbsp;21, 9-14). Este pequeno fogo foi aceso pelo pr\u00f3prio Jesus, perto da praia, enquanto os disc\u00edpulos estavam nos barcos e puxavam a rede cheia de peixes. E Sim\u00e3o Pedro chegou primeiro, nadando, cheio de alegria (cf.&nbsp;<i>Jo<\/i>&nbsp;21, 7). O fogo do carv\u00e3o \u00e9 suave, escondido, mas dura muito tempo e \u00e9 usado para cozinhar. E ali, na margem do lago, ele cria um ambiente familiar onde os disc\u00edpulos desfrutam, maravilhados e emocionados, a intimidade com seu Senhor.<\/p>\n<p>Nos far\u00e1 bem, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, neste dia, meditarmos juntos a partir da imagem do fogo, em sua dupla forma; e \u00e0 sua luz rezar pelos Cardeais, de modo particular por v\u00f3s, que nesta mesma celebra\u00e7\u00e3o recebeis esta dignidade e tarefa.<\/p>\n<p>Com as palavras registradas no Evangelho de Lucas, o Senhor chama-nos novamente a colocarmo-nos atr\u00e1s dele, a segui-lo no caminho de sua miss\u00e3o. Uma miss\u00e3o de fogo &#8211; como a de Elias -, tanto pelo que veio fazer como pela forma como o fez. E para n\u00f3s, que na Igreja fomos tirados do meio do povo para um especial minist\u00e9rio de servi\u00e7o, \u00e9 como se Jesus entregasse a tocha acesa, dizendo: Tomai, &#8220;como o Pai me enviou, eu tamb\u00e9m vos envio &#8221; (<i>Jo<\/i>&nbsp;20, 21). Assim, o Senhor quer comunicar-nos a sua&nbsp;<i>coragem apost\u00f3lica<\/i>, o seu&nbsp;<i>zelo pela salva\u00e7\u00e3o<\/i>&nbsp;de cada ser humano, sem excluir ningu\u00e9m. Ele quer comunicar-nos a sua&nbsp;<i>magnanimidade<\/i>, o seu amor sem limites, sem reservas, sem condi\u00e7\u00f5es, porque a miseric\u00f3rdia do Pai arde no seu cora\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u00c9 o que arde no cora\u00e7\u00e3o de Jesus: a miseric\u00f3rdia do Pai. E dentro deste fogo h\u00e1 tamb\u00e9m a misteriosa tens\u00e3o, pr\u00f3pria da miss\u00e3o de Cristo, entre a fidelidade ao seu povo, \u00e0 terra das promessas, \u00e0queles que o Pai lhe deu e, ao mesmo tempo, a abertura a todos os povos &#8211; aquela tens\u00e3o universal &#8211; ao horizonte do mundo, \u00e0s periferias ainda desconhecidas.<\/p>\n<p>Este fogo poderoso \u00e9 o que anima o ap\u00f3stolo Paulo no seu servi\u00e7o incans\u00e1vel ao Evangelho, na sua &#8220;corrida mission\u00e1ria&#8221; guiada, sempre impulsionada pelo Esp\u00edrito e pela Palavra. \u00c9 tamb\u00e9m o fogo de tantos mission\u00e1rios que experimentaram a cansativa e doce alegria de evangelizar, e cuja pr\u00f3pria vida se tornou evangelho, porque acima de tudo foram testemunhas.<\/p>\n<p>Este, irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 o fogo que Jesus veio &#8220;lan\u00e7ar sobre a terra&#8221;, e que o Esp\u00edrito Santo acende tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o, nas m\u00e3os e nos p\u00e9s daqueles que o seguem. O fogo de jesus, o fogo que traz Jesus.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 o outro fogo, o das brasas. O Senhor tamb\u00e9m quer comunicar isso a n\u00f3s, para que, como Ele, com&nbsp;<i>mansid\u00e3o<\/i>,&nbsp;<i>fidelidade<\/i>,&nbsp;<i>proximidade<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>ternura &#8211;&nbsp;<\/i>este \u00e9 o estilo de Deus: proximidade, compaix\u00e3o, ternura<i>&nbsp;&#8211;<\/i>&nbsp;possamos fazer com que muitos gozem da presen\u00e7a de Jesus vivo no meio de n\u00f3s. Uma presen\u00e7a t\u00e3o evidente, mesmo no mist\u00e9rio, que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de perguntar: &#8220;Quem \u00e9s?&#8221;, porque o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o diz que \u00e9 Ele, \u00e9 o Senhor. Este fogo arde de modo particular na ora\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o, quando estamos em sil\u00eancio perto da Eucaristia e saboreamos a presen\u00e7a humilde, discreta, oculta do Senhor, como um fogo de brasas, de tal modo que esta pr\u00f3pria presen\u00e7a se torna alimento para a nossa vida quotidiana.<\/p>\n<p>O fogo das brasas faz-nos pensar, por exemplo, em S\u00e3o Carlos de Foucauld, na sua longa perman\u00eancia num ambiente n\u00e3o crist\u00e3o, na solid\u00e3o do deserto, centrando tudo na presen\u00e7a: a presen\u00e7a de Jesus vivo, na Palavra e na Eucaristia, e a sua pr\u00f3pria presen\u00e7a fraterna, amiga e caridosa. Mas tamb\u00e9m nos faz pensar naqueles irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem a consagra\u00e7\u00e3o secular no mundo, alimentando o fogo baixo e duradouro no local de trabalho, nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, nas reuni\u00f5es das pequenas fraternidades; ou, como sacerdotes, num minist\u00e9rio perseverante e generoso, sem colocar-se em evid\u00eancia, entre o povo da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>Um p\u00e1roco de tr\u00eas par\u00f3quias, aqui na It\u00e1lia, me diiza que tinha muito trabalho. \u201cMas tu \u00e9s capaz de visitar todas as pessoas?\u201d, eu disse. &#8220;Sim, eu conhe\u00e7o todas!&#8221; &#8211; &#8220;Mas tu sabes o nome de todos?&#8221; &#8211; \u201cSim, at\u00e9 os nomes dos c\u00e3es das fam\u00edlias\u201d. Este \u00e9 o fogo brando que traz o apostolado \u00e0 luz de Jesus<\/p>\n<p>E mais, acaso n\u00e3o \u00e9 o fogo das brasas que todos os dias aquece a vida de tantos esposos crist\u00e3os? A santidade conjugal! Reavivado com uma ora\u00e7\u00e3o simples, &#8220;caseira&#8221;, com gestos e olhares de ternura, e com o amor que acompanha pacientemente as crian\u00e7as no seu caminho de crescimento. E n\u00e3o esque\u00e7amos o fogo das brasas que \u00e9 mantido pelos idosos &#8211; s\u00e3o um tesouro, tesouro da Igreja &#8211; o lar da mem\u00f3ria, tanto na fam\u00edlia como na esfera social e civil. Como \u00e9 importante este braseiro dos mais velhos! Fam\u00edlias se re\u00fanem em torno dele; permite que possamos ler o presente \u00e0 luz das experi\u00eancias passadas e fa\u00e7amos escolhas s\u00e1bias.<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os Cardeais, na luz e no poder deste fogo caminha o Povo santo e fiel, do qual fomos tirados n\u00f3s, daquele povo de Deus, e ao qual fomos enviados como ministros de Cristo Senhor. O que esse fogo duplo de Jesus,&nbsp;, o fogo ardente e o fogo brando, diz em particular a v\u00f3s e a mim? Penso que nos recorde que um homem de zelo apost\u00f3lico \u00e9 animado pelo fogo do Esp\u00edrito para cuidar corajosamente das coisas grandes e pequenas, pois \u201c<i>non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo, divinum est<\/i>\u201d.&nbsp;N\u00e3o se esque\u00e7am: isso traz S\u00e3o Tom\u00e1s na&nbsp;<i>Prima Primae<\/i>.&nbsp;<b><i>Non coerceri a maximo<\/i><\/b>: ter grandes horizontes e grande desejo de coisas grandes;&nbsp;<i>contineri tamen a minimo<\/i>, \u00e9 divino,&nbsp;<i>divinum est.<\/i><\/p>\n<p>Um Cardeal ama a Igreja, sempre com o mesmo fogo espiritual, tanto nas grandes quest\u00f5es como nas pequenas; tanto no encontro com os grandes deste mundo, como com os pequenos, que s\u00e3o grandes diante de Deus. Estou a pensar, por exemplo, no Cardeal Casaroli, justamente famoso pelo seu olhar aberto para apoiar, com di\u00e1logo s\u00e1bio, os novos horizontes da Europa depois da \u201cGuerra Fria\u201d &#8211; e Deus n\u00e3o permita que a miopia humana volte a fechar aqueles horizontes que ele abriu! Mas, aos olhos de Deus, s\u00e3o igualmente valiosas as visitas que ele fazia regularmente aos jovens detidos em uma pris\u00e3o juvenil em Roma, onde era chamado de &#8220;Dom Agostino&#8221;. Fazia a grande diplomacia &#8211; o mart\u00edrio da paci\u00eancia, assim era a sua vida &#8211; junto \u00e0 sua visita semanal a Casal del marmo, com os jovens. E quantos exemplos desse tipo poderiam ser dados! Lembro-me do Cardeal Van Thu\u00e2n, chamado a pastorear o Povo de Deus em outro cen\u00e1rio crucial do s\u00e9culo XX, e ao mesmo tempo animado pelo fogo do amor de Cristo para cuidar da alma do carcereiro que vigiava a porta da sua cela. Essas pessoas n\u00e3o tinham medo do &#8220;grande&#8221;, do &#8220;m\u00e1ximo&#8221;; mas tamb\u00e9m tomavam o &#8220;pequeno&#8221; de cada dia. Depois de um encontro em que o Cardeal Casaroli havia informado S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II de sua \u00faltima miss\u00e3o &#8211; n\u00e3o sei se na Eslov\u00e1quia ou na Rep\u00fablica Tcheca, um desses pa\u00edses, falava-se de alta pol\u00edtica -, e quando o Papa estava saindo o chamou e disse: &#8220;Ah, Emin\u00eancia, uma coisa: voc\u00ea continua indo&nbsp; naqueles jovens prisioneiros?&#8221; &#8211; \u201cSim\u201d &#8211; \u201cNunca os abandone!\u201d A grande diplomacia e a pequena coisa pastoral. Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de um padre, o cora\u00e7\u00e3o de um Cardeal.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, voltemos com o olhar para Jesus: s\u00f3 Ele conhece o segredo desta humilde magnanimidade, desta for\u00e7a branda, desta universalidade atenta ao detalhe. O segredo do fogo de Deus, que desce do c\u00e9u, iluminando-o de um extremo ao outro e que cozinha lentamente a comida das fam\u00edlias pobres, dos migrantes ou dos sem-abrigo. Jesus quer lan\u00e7ar este fogo sobre a terra tamb\u00e9m hoje; ele quer acend\u00ea-lo novamente nas margens das nossas hist\u00f3rias di\u00e1rias. Ele chama-nos pelo nome, cada um de n\u00f3s, nos chama pelo nome: n\u00e3o somos um n\u00famero; olha-nos nos olhos e pergunta a cada um: tu, novo cardeal &#8211; e todos voc\u00eas, novos cardeais &#8211; posso contar contigo?&#8221; Aquela pergunta do Senhor.<\/p>\n<p>E n\u00e3o quero acabar sem uma recorda\u00e7\u00e3o do cardeal Richard Kuuia Baawobr, bispo de Wa, que ontem, ao chegar a Roma, passou mal e foi hospitalizado por um problema card\u00edaco e, creio, fizeram uma opera\u00e7\u00e3o, algo do g\u00eanero. Rezemos por este irm\u00e3o que deveria estar aqui e est\u00e1 hospitalizado. Obrigado.(<b>Vatican News)<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na homilia, o Papa fala do esp\u00edrito que deve animar a miss\u00e3o dos cardeais: abertura a todos os povos da terra e aten\u00e7\u00e3o aos pequenos aqueles que s\u00e3o grandes diante de Deus. 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