{"id":74852,"date":"2022-02-09T20:56:05","date_gmt":"2022-02-09T23:56:05","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=74852"},"modified":"2022-02-09T20:56:05","modified_gmt":"2022-02-09T23:56:05","slug":"bento-xvi-reitera-em-carta-que-nao-tinha-conhecimento-dos-abusos-cometidos-por-padres-em-munique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/bento-xvi-reitera-em-carta-que-nao-tinha-conhecimento-dos-abusos-cometidos-por-padres-em-munique\/","title":{"rendered":"Bento XVI reitera em carta que n\u00e3o tinha conhecimento dos abusos cometidos por padres em Munique"},"content":{"rendered":"<p><em>Em uma carta aos fi\u00e9is em Munique, na Alemanha, o Papa em\u00e9rito fala sobre a pedofilia clerical, recorrendo \u00e0s palavras &#8220;mea maxima culpa&#8221; repetidas na missa: &#8220;N\u00f3s mesmos somos arrastados para esta grande culpa quando n\u00e3o a enfrentamos com a decis\u00e3o e responsabilidade necess\u00e1rias&#8221;<\/em><\/p>\n<p>O Papa em\u00e9rito Bento XVI interv\u00e9m direta e pessoalmente por ter uma palavra a dizer acerca do relat\u00f3rio sobre abusos na Arquidiocese de Munique e Freising, sul da Alemanha, onde foi arcebispo por menos de cinco anos. Ele o faz em um texto com sabor penitencial, contendo sua &#8220;confiss\u00e3o&#8221; pessoal e um olhar de f\u00e9 sobre a &#8220;grand\u00edssima culpa&#8221; dos abusos e dos acobertamentos.<\/p>\n<p>Na primeira parte da carta, Ratzinger agradece \u00e0queles que colaboraram com ele na visualiza\u00e7\u00e3o do material documental e na prepara\u00e7\u00e3o das respostas enviadas \u00e0 comiss\u00e3o. Como j\u00e1 havia feito dias atr\u00e1s, ele pede desculpas novamente pelo erro, absolutamente n\u00e3o intencional, de sua presen\u00e7a na reuni\u00e3o de 15 de janeiro de 1980, durante a qual foi decidido acolher na arquidiocese um padre que precisava de tratamento. Ele tamb\u00e9m diz estar &#8220;particularmente grato pela confian\u00e7a, apoio e ora\u00e7\u00f5es que o Papa Francisco expressou para mim pessoalmente&#8221;.<\/p>\n<p>Na segunda parte da missiva, o em\u00e9rito se diz impressionado com o fato de que todos os dias a Igreja coloca no centro de cada celebra\u00e7\u00e3o da Missa, &#8220;a confiss\u00e3o de nossa culpa e o pedido de perd\u00e3o. Rezamos publicamente ao Deus vivo para perdoar nossa culpa, nossa grande e grand\u00edssima culpa&#8221;. \u00c9 claro, continua Bento XVI, que &#8220;a palavra &#8216;grand\u00edssima&#8217; n\u00e3o se refere da mesma maneira a cada dia, a cada dia singularmente considerado&#8221;. Mas a cada dia me pergunta se tamb\u00e9m hoje n\u00e3o devo falar grand\u00edssima culpa. E me diz de forma consoladora que por maior que seja minha culpa hoje, o Senhor me perdoa, se com sinceridade me deixo ser escrutado por Ele e estou verdadeiramente disposto a mudar a mim mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Joseph Ratzinger recorda, em seguida, suas conversas cara-a-cara com as v\u00edtimas de abusos cometidos por cl\u00e9rigos. &#8220;Em todos os meus encontros, sobretudo durante minhas muitas viagens apost\u00f3licas, com v\u00edtimas de abuso sexual por parte de padres, olhei nos olhos as consequ\u00eancias de uma grand\u00edssima culpa e aprendi a entender que n\u00f3s mesmos somos arrastados para esta grande culpa quando a negligenciamos ou quando n\u00e3o a enfrentamos com a decis\u00e3o e responsabilidade necess\u00e1rias, como muitas vezes tem acontecido e acontece.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como naqueles encontros &#8211; afirma o Papa em\u00e9rito -, mais uma vez s\u00f3 posso expressar a todas as v\u00edtimas de abuso sexual minha profunda vergonha, minha grande dor e meu sincero pedido de perd\u00e3o. Tive grandes responsabilidades na Igreja cat\u00f3lica. Tanto maior \u00e9 minha dor pelos abusos e erros que ocorreram durante o tempo de meu mandato nos respectivos lugares. Cada caso de abuso sexual \u00e9 terr\u00edvel e irrepar\u00e1vel. Para as v\u00edtimas de abusos sexuais vai minha mais profunda compaix\u00e3o e lamento cada caso.&#8221;<\/p>\n<p>Em seguida, Bento XVI diz que compreende cada vez mais &#8220;a avers\u00e3o e o medo que Cristo experimentou no Monte das Oliveiras quando viu todas as coisas terr\u00edveis que teria que superar interiormente. O fato de que naquele momento os disc\u00edpulos estavam dormindo infelizmente representa a situa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m hoje ocorre novamente e pela qual tamb\u00e9m me sinto interpelado. E por isso s\u00f3 posso rezar ao Senhor e a todos os anjos e santos, e a v\u00f3s, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que rogueis por mim a Deus nosso Senhor&#8221;.<\/p>\n<p>Ratzinger conclui sua carta com estas palavras: &#8220;Muito em breve me encontrarei perante o juiz supremo de minha vida. Embora eu possa ter muitos motivos de temor e medo quando olho para tr\u00e1s em minha longa vida, sinto-me, em todo caso, com \u00e2nimo alegre porque confio firmemente que o Senhor n\u00e3o \u00e9 apenas o juiz justo, mas ao mesmo tempo o amigo e irm\u00e3o que j\u00e1 sofreu Ele mesmo minhas insufici\u00eancias e \u00e9, portanto, como juiz, ao mesmo tempo meu defensor (Paracleto). Em vista da hora do julgamento, a gra\u00e7a de ser crist\u00e3o torna-se clara para mim. Ser crist\u00e3o me d\u00e1 o conhecimento, mais que isso, a amizade com o juiz da minha vida e me permite atravessar a porta escura da morte com confian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Junto com a carta de Bento XVI, tamb\u00e9m foi publicado um pequeno anexo de tr\u00eas p\u00e1ginas, redigido pelos quatro especialistas em direito &#8211; Stefan M\u00fcckl, Helmuth Pree, Stefan Korta e Carsten Brennecke &#8211; que j\u00e1 tinham sido envolvidos na elabora\u00e7\u00e3o das 82 p\u00e1ginas de resposta \u00e0s perguntas da comiss\u00e3o. Essas respostas, que foram anexadas ao relat\u00f3rio sobre abusos em Munique, suscitaram pol\u00eamicas e continham um erro de transcri\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que o arcebispo Ratzinger estava ausente da reuni\u00e3o na qual foi decidido aceitar um padre envolvido em abusos.<\/p>\n<p>Em suas novas respostas, os especialistas em direito reiteram que o cardeal Ratzinger, ao receber o padre que deveria ser tratado em Munique, n\u00e3o estava ciente de que o mesmo fosse um autor de abusos. E na reuni\u00e3o de janeiro de 1980, n\u00e3o foi mencionado por que ele deveria ser tratado, nem foi decidido empreg\u00e1-lo no trabalho pastoral. Os documentos confirmam o que Ratzinger tinha firmado.<\/p>\n<p>O motivo do erro relativo \u00e0 presen\u00e7a inicialmente negada de Ratzinger \u00e9 em seguida explicado em detalhes: Somente o professor M\u00fcckl foi autorizado a ver a vers\u00e3o eletr\u00f4nica das atas, sem ser concedida a possibilidade de salvar, imprimir ou fotocopiar documentos. Na fase subsequente do processamento, o doutor Korta cometeu inadvertidamente um erro de transcri\u00e7\u00e3o considerando que Ratzinger estava ausente em 15 de janeiro de 1980. Este erro de transcri\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode, portanto, ser imputado a Bento XVI como uma falsa deposi\u00e7\u00e3o consciente ou &#8220;mentira&#8221;. A prop\u00f3sito, j\u00e1 em 2010 v\u00e1rios artigos de imprensa, nunca negados, falavam da presen\u00e7a de Ratzinger naquela reuni\u00e3o e o pr\u00f3prio Papa em\u00e9rito, na biografia escrita por Peter Seewald e publicada em 2020, afirma ter estado presente.<\/p>\n<p>Os especialistas afirmam que em nenhum dos casos analisados pelo relat\u00f3rio Joseph Ratzinger teve conhecimento de qualquer abuso sexual cometido ou suspeito de ter sido cometido por padres. A documenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o fornece nenhuma prova em contr\u00e1rio e, de fato, em resposta a perguntas espec\u00edficas sobre este ponto durante a coletiva de imprensa, os mesmos advogados que redigiram o relat\u00f3rio declararam que presumiam com probabilidade que Ratzinger sabia, mas sem que esta alega\u00e7\u00e3o fosse corroborada por testemunhos ou documentos.<\/p>\n<p>Por fim, os especialistas negam que as respostas que elaboraram em nome do Papa em\u00e9rito tenham minimizado a gravidade do comportamento exibicionista de um padre. &#8220;Na mem\u00f3ria, Bento XVI n\u00e3o minimizou o comportamento exibicionista, mas o condenou expressamente. A frase usada como suposta evid\u00eancia da minimiza\u00e7\u00e3o do exibicionismo \u00e9 retirada do contexto.&#8221; Em sua resposta, Bento XVI disse que os abusos, incluindo o exibicionismo, s\u00e3o &#8220;terr\u00edveis&#8221;, &#8220;pecaminosos&#8221;, &#8220;moralmente repreens\u00edveis&#8221; e &#8220;irrepar\u00e1veis&#8221;. Na avalia\u00e7\u00e3o do direito can\u00f4nico, &#8220;se quis unicamente afirmar que, de acordo com o direito ent\u00e3o em vigor, no ju\u00edzo dos conselheiros do direito can\u00f4nico, o exibicionismo n\u00e3o era um delito de direito can\u00f4nico, porque a norma penal pertinente n\u00e3o inclu\u00eda comportamentos desse tipo no caso em quest\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O anexo assinado pelos quatro consultores especialistas em direito, por cujo trabalho o Papa em\u00e9rito assumiu a responsabilidade, contribui assim para esclarecer o que saiu da mente e do cora\u00e7\u00e3o de Ratzinger, e o que \u00e9 o resultado da pesquisa de seus consultores. Bento XVI reitera que n\u00e3o tinha conhecimento dos abusos cometidos pelos padres durante seu breve episcopado. Mas com palavras humildes e profundamente crist\u00e3s, ele pede perd\u00e3o pela &#8220;grand\u00edssima culpa&#8221; dos abusos e pelos erros e subestima\u00e7\u00f5es que ocorreram durante seu mandato.<\/p>\n<p>Com Vatican News<\/p>\n<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Vatican News<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma carta aos fi\u00e9is em Munique, na Alemanha, o Papa em\u00e9rito fala sobre a pedofilia clerical, recorrendo \u00e0s palavras &#8220;mea maxima culpa&#8221; repetidas na missa: &#8220;N\u00f3s mesmos somos arrastados para esta grande culpa quando n\u00e3o a enfrentamos com a decis\u00e3o e responsabilidade necess\u00e1rias&#8221; O Papa em\u00e9rito Bento XVI interv\u00e9m direta e pessoalmente por ter&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/bento-xvi-reitera-em-carta-que-nao-tinha-conhecimento-dos-abusos-cometidos-por-padres-em-munique\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":74853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-74852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74852"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74854,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74852\/revisions\/74854"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}