{"id":70163,"date":"2020-09-10T19:16:52","date_gmt":"2020-09-10T22:16:52","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=70163"},"modified":"2020-09-10T19:17:19","modified_gmt":"2020-09-10T22:17:19","slug":"comunicar-em-tempos-de-covid-19-a-forca-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/comunicar-em-tempos-de-covid-19-a-forca-das-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Comunicar em tempos de Covid-19: a for\u00e7a das redes sociais"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Com a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria global devido \u00e0 pandemia, as redes sociais se tornaram um dos canais de informa\u00e7\u00e3o mais utilizados pela Igreja Cat\u00f3lica, permitindo chegar \u00e0s comunidades mais isoladas.<\/div>\n<div>\n<p>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da m\u00eddia em tempos de pandemia de coronav\u00edrus? Esta \u00e9 a quest\u00e3o colocada no \u00faltimo n\u00famero do Boletim Semanal sobre pessoas vulner\u00e1veis e fr\u00e1geis em movimento na era da Covid-19, editado pela Se\u00e7\u00e3o para Migrantes e Refugiados do Departamento para o Desenvolvimento Humano Integral. E as respostas destacam, em primeiro lugar, o papel fundamental assumido pelas redes sociais. Atrav\u00e9s delas, n\u00e3o s\u00f3 os fi\u00e9is podem acompanhar as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, mas tamb\u00e9m podem derrubar, virtualmente, as barreiras impostas pelo lockdown, experimentando uma nova forma de ser comunidade. Em s\u00edntese, a comunidade tornou poss\u00edvel a recria\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p><b>Redes sociais para ajudar migrantes e refugiados<\/b><\/p>\n<p>As redes sociais tamb\u00e9m se tornaram essenciais para levar ajuda e apoio aos migrantes e refugiados, entre as pessoas mais afetadas pelas consequ\u00eancias da pandemia. Basta mencionar o aplicativo Refaid (Refugee Aid App), desenvolvido em v\u00e1rios pa\u00edses europeus e utilizado por mais de 400 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais em todo o mundo para tentar melhorar as condi\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis das popula\u00e7\u00f5es migrantes.<\/p>\n<p>Um exemplo concreto da import\u00e2ncia desta ferramenta vem de T\u00e2nger, Marrocos: aqui, a delega\u00e7\u00e3o diocesana para a migra\u00e7\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com outras organiza\u00e7\u00f5es, incluindo a C\u00e1ritas local, lan\u00e7ou o projeto #Refaidfront, uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para autorizar o uso do aplicativo em todo o Marrocos. Desta forma, as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias no territ\u00f3rio poder\u00e3o fornecer informa\u00e7\u00f5es, atualiza\u00e7\u00f5es em tempo real e facilitar o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos para os migrantes, os refugiados, as pessoas deslocadas e os requerentes de asilo.<\/p>\n<p><b>Difundir a esperan\u00e7a no \u201cmar\u201d da web<\/b><\/p>\n<p>Enquanto que o Afeganist\u00e3o apresenta um outro cen\u00e1rio: aqui, o Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados (JRS) utiliza plataformas sociais para ficar ao lado de crian\u00e7as e jovens deslocados, garantindo sua forma\u00e7\u00e3o escolar. Nas redes sociais s\u00e3o compartilhados \u00e1udios, v\u00eddeos, documentos educacionais \u00fateis para aulas on-line, tamb\u00e9m com sess\u00f5es interativas quinzenais. A situa\u00e7\u00e3o no Malau\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 diferente: a Igreja local aposta nas redes sociais como uma ferramenta para manter viva a esperan\u00e7a dos fi\u00e9is. O coordenador nacional de Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, Padre Godino Phokoso, tamb\u00e9m convida os crist\u00e3os a refletir seriamente sobre o uso correto das redes digitais como ant\u00eddoto para as chamadas &#8220;fake news&#8221;, especialmente no contexto atual da pandemia da Covid-19. A m\u00eddia social, acrescenta, &#8220;deve nos permitir difundir o Evangelho, inspirando assim entre os crentes a esperan\u00e7a de que em breve a pandemia ser\u00e1 superada&#8221;.<\/p>\n<p><b>Evangelizar o continente digital<\/b><\/p>\n<p>Em certo sentido, assemelha-se com as palavras do padre jesu\u00edta Leszek G\u0119siak, porta-voz da Confer\u00eancia Episcopal da Pol\u00f4nia. Em recente discurso, o padre destacou que as redes sociais representam uma dupla oportunidade para a Igreja: por um lado, permitem a aproxima\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is que vivem longe das comunidades, por outro, permitem que contribuam para a promo\u00e7\u00e3o dos valores crist\u00e3os na internet, evangelizando o chamado continente digital.<\/p>\n<p><b>A for\u00e7a do r\u00e1dio<\/b><\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m das redes sociais, h\u00e1 um meio de comunica\u00e7\u00e3o que, em tempo de pandemia, mostrou a sua for\u00e7a: \u00e9 o r\u00e1dio. Onde falta eletricidade ou onde o acesso \u00e0 Internet \u00e9 limitado \u00e0s \u00e1reas urbanas, como frequentemente acontece na \u00c1frica, o r\u00e1dio desempenha um papel importante na difus\u00e3o da f\u00e9, mas tamb\u00e9m na educa\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento e difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas rurais. Por exemplo, em Burkina Faso, a Confer\u00eancia Episcopal local reuniu todas as r\u00e1dios diocesanas para agir em sinergia na luta contra o coronav\u00edrus, difundindo informa\u00e7\u00f5es capilares sobre as medidas para evitar o cont\u00e1gio da Covid-19, mas tamb\u00e9m acompanhando os ouvintes com celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e momentos de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Assist\u00eancia psicol\u00f3gica para os doentes e vulner\u00e1veis<\/b><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m da \u00c1frica, h\u00e1 dois outros exemplos: o primeiro se chama &#8220;Tele e R\u00e1dio Aconselhamento&#8221; e \u00e9 o novo programa semanal de r\u00e1dio lan\u00e7ado pela Confer\u00eancia Episcopal na Z\u00e2mbia para oferecer aconselhamento psicol\u00f3gico \u00e0s pessoas infectadas ou psicologicamente afetadas pela pandemia. Atrav\u00e9s da R\u00e1dio Maria Yatsani Voice, que cobre o territ\u00f3rio de toda a capital Lusaka e seus arredores, s\u00e3o oferecidas terapias de grupo ou consultas telef\u00f4nicas individuais a todas as pessoas em dificuldade. &#8220;Queremos encorajar a troca de experi\u00eancias, escutar uns aos outros, proporcionar conforto e dar uma palavra de esperan\u00e7a&#8221;, explica Padre Jonas Phiri, coordenador do departamento b\u00edblico e lit\u00fargico da Igreja local.<\/p>\n<p><b>Programas did\u00e1ticos e catequeses<\/b><\/p>\n<p>O segundo exemplo diz respeito ao Malau\u00ed, onde as Pontif\u00edcias Sociedades Mission\u00e1rias lan\u00e7aram, via r\u00e1dio e TV, uma s\u00e9rie de programas de catequese voltados para crian\u00e7as e jovens de 5 a 35 anos de idade. Os programas s\u00e3o transmitidos pela Luntha Television todos os s\u00e1bados de manh\u00e3, tanto no idioma local como em ingl\u00eas, e tamb\u00e9m s\u00e3o transmitidos, no mesmo dia, na R\u00e1dio Alinafe da Arquidiocese de Lilongwe e na R\u00e1dio Maria Malawi. Enquanto que no domingo \u00e0 tarde \u00e9 a vez de uma esp\u00e9cie de question\u00e1rio, intitulado &#8220;Aprenda sua f\u00e9 e ven\u00e7a&#8221;, baseado nas aulas de catecismo realizadas no dia anterior. Os pr\u00eamios para os vencedores consistem em artigos religiosos como a B\u00edblia e ter\u00e7os.<\/p>\n<p><b>It\u00e1lia. Viincenzo Corrado (CEI): comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 existencial<\/b><\/p>\n<p>Por fim a It\u00e1lia. Aqui, no m\u00eas de mar\u00e7o, o mais cr\u00edtico da pandemia, a Igreja local (Confer\u00eancia Episcopal Italiana &#8211; CEI) criou o site https:\/\/chiciseparera.chiesacattolica.it, para &#8220;dar sinais de esperan\u00e7a e construir o futuro&#8221;. Trata-se de &#8220;um espa\u00e7o digital que re\u00fane e relan\u00e7a as boas pr\u00e1ticas implementadas pelas dioceses, oferece contribui\u00e7\u00f5es para reflex\u00e3o e aprofundamento, compartilha not\u00edcias e material pastoral&#8221;, tornando-se assim um verdadeiro ponto de refer\u00eancia para os fi\u00e9is. &#8220;A criticidade, perplexidade e o medo n\u00e3o podem romper a f\u00e9 &#8211; foi reiterado pela CEI &#8211; mas podem firm\u00e1-la ainda mais na esperan\u00e7a e na caridade&#8221;. Neste contexto surgiu com muita for\u00e7a uma caracter\u00edstica essencial da comunica\u00e7\u00e3o: o fato de ser &#8220;principalmente existencial&#8221;, como afirma Vicenzo Corrado, diretor do setor de Comunica\u00e7\u00e3o Social da CEI.<\/p>\n<p><b>Entrevista<\/b><\/p>\n<p><b>Vicenzo Corrado:<\/b>&nbsp;A pandemia mostrou mais uma vez a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o, a import\u00e2ncia de uma comunica\u00e7\u00e3o que esteja unida a hist\u00f3rias e com o aspecto narrativo que o Papa Francisco focalizou em sua Mensagem para o Dia Mundial da Comunica\u00e7\u00e3o deste ano. Acredito que a pandemia, com todas as feridas profundas que produziu, mostrou que agora temos uma tarefa delicada pela frente para projetar um caminho comunit\u00e1rio que incentivar\u00e1 um maior envolvimento dos pais, jovens e adultos. \u00c9 essencial que este projeto ocorra atrav\u00e9s do mundo da comunica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s vimos durante os dias do lockdown e ainda estamos vendo, que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo meramente instrumental ou acess\u00f3rio, mas pertence \u00e0 nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Creio que seja a descoberta prim\u00e1ria que percebemos neste momento dif\u00edcil: a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo a mais, n\u00e3o \u00e9 algo externo a n\u00f3s, mas \u00e9 principalmente existencial. Esta \u00e9 uma reflex\u00e3o que fiz principalmente levando em conta as redes sociais que, durante este per\u00edodo, favoreceram um certo tipo de comunica\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Durante o isolamento, as redes sociais aproximaram os jovens da Igreja?<\/i><\/p>\n<p><b>Vicenzo Corrado:&nbsp;<\/b>Favoreceu um maior envolvimento, especialmente quando todos est\u00e1vamos fechados em nossas casas e redescobrimos que somos parte de uma comunidade que vai al\u00e9m das barreiras restritivas. Neste sentido, as comunidades digitais promoveram uma esp\u00e9cie de aproxima\u00e7\u00e3o que, naquele momento em particular, n\u00e3o era poss\u00edvel. Obviamente, agora devemos refletir sobre o uso que foi feito das redes sociais, porque descobrimos que ainda persiste uma esp\u00e9cie de analfabetismo digital. Por isso, o fato de os jovens terem se sentido mais envolvidos, ou terem respondido significativamente a certas contribui\u00e7\u00f5es provenientes das redes sociais, deveria nos fazer refletir sobre um compromisso educacional e de treinamento que n\u00e3o pode mais ser desconsiderado.<\/p>\n<p><i>Em tempos de pandemia, podemos falar concretamente de &#8220;nova evangeliza\u00e7\u00e3o&#8221;, como S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II a definiu, ou seja, nova sobretudo &#8220;nos m\u00e9todos e na express\u00e3o&#8221;?<\/i><\/p>\n<p><b>Vicenzo Corrado:&nbsp;<\/b>Creio que a nova evangeliza\u00e7\u00e3o seja algo que se renova dia a dia. Naturalmente, precisamos refletir muito e tematizar, tamb\u00e9m dentro de nossas comunidades, o fato de que esta nova evangeliza\u00e7\u00e3o ocorra de maneira renovada, ou seja, considerando tamb\u00e9m c\u00f3digos lingu\u00edsticos que as redes sociais possuem. Isto serve para evitar confus\u00e3o entre uma mensagem, a evang\u00e9lica, que preserva seu frescor ao longo do tempo, e a redutividade que pode passar atrav\u00e9s da concis\u00e3o de mensagens mais rigorosas. A pergunta que sempre me fa\u00e7o \u00e9 exatamente esta: a instantaneidade comunicativa das redes sociais pode conter a mensagem evang\u00e9lica que tem precisamente em seu frescor a sua natureza e que n\u00e3o \u00e9 rebaixada pelo tempo, mas renovada no tempo? Obviamente, a resposta pode ser sim, mas o nosso compromisso deve ser rastrear esses c\u00f3digos lingu\u00edsticos, compreend\u00ea-los, saber utiliz\u00e1-los da melhor forma poss\u00edvel, precisamente para n\u00e3o criar esse efeito de mera transposi\u00e7\u00e3o de conte\u00fado de f\u00e9 dentro de uma comunica\u00e7\u00e3o que tenha modelos e c\u00f3digos espec\u00edficos. E aqui entra em jogo nossa capacidade de saber ler, informar e treinar sobre as novidades da comunica\u00e7\u00e3o a fim de poder fazer a mensagem do Evangelho aderir da melhor maneira poss\u00edvel dentro dos novos contextos.<\/p>\n<p><i>Todos os n\u00fameros do Boletim da Se\u00e7\u00e3o Migrantes e Refugiados do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral podem ser consultados nos seguintes links:&nbsp;<\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1rzGLyS-VO21fuh0D2aXfcKX4bTTiHfWh\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\">https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1rzGLyS-VO21fuh0D2aXfcKX4bTTiHfWh<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/migrants-refugees.va\/pt\/blog\/2020\/09\/08\/covid-19-ninguem-deve-ficar-esquecido-18\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">https:\/\/migrants-refugees.va\/pt\/blog\/2020\/09\/08\/covid-19-ninguem-deve-ficar-esquecido-18\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"title__separator\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"article__text\"><b>Por: Isabella Piro\/Vatican News<\/b><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria global devido \u00e0 pandemia, as redes sociais se tornaram um dos canais de informa\u00e7\u00e3o mais utilizados pela Igreja Cat\u00f3lica, permitindo chegar \u00e0s comunidades mais isoladas. 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