{"id":69782,"date":"2020-07-21T18:59:01","date_gmt":"2020-07-21T21:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=69782"},"modified":"2020-07-21T18:59:01","modified_gmt":"2020-07-21T21:59:01","slug":"21-de-julhohoje-e-celebrado-sao-lourenco-de-brindisi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/21-de-julhohoje-e-celebrado-sao-lourenco-de-brindisi\/","title":{"rendered":"21 de Julho:Hoje \u00e9 celebrado S\u00e3o Louren\u00e7o de Brindisi"},"content":{"rendered":"<p>21 de julho: Celebramos hoje a mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00c3O LOUREN\u00c7O de BR\u00cdNDISI, religioso da \u201cOrdem dos Frades Menores Capuchinhos\u201d, presb\u00edtero, diplomata e escritor, te\u00f3logo e \u201cDoutor da Igreja\u201d, aclamado pelo papa S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII como \u201cDoutor Apost\u00f3lico\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Do extenso cat\u00e1logo de Santos e Beatos que adorna a fam\u00edlia franciscana capuchinha, Louren\u00e7o ocupa um lugar de not\u00e1vel destaque, pois, de todos, \u00e9 o \u00fanico \u201cDoutor da Igreja\u201d, pelo ao menos at\u00e9 o momento, tendo em vista que, como dissemos no \u00faltimo dia 10, esperamos que em breve seja declarada Doutora Ver\u00f4nica Giuliani de Citt\u00e0 di Castelo (+1727)&#8230; Quando o papa Jo\u00e3o XXIII, por meio da Carta-Apost\u00f3lica \u201cCelsitudo ex humiltate\u201d, declarou Louren\u00e7o como Doutor, se referiu \u00e0 sua ci\u00eancia teol\u00f3gica como \u201capost\u00f3lica\u201d, quer dizer, como fundante e como esclarecedora da f\u00e9&#8230; De fato, seus muitos escritos que chegaram at\u00e9 n\u00f3s, soam como sempre atuais \u2013 como s\u00e3o as Sagradas Escrituras \u2013 e parecem uma resposta conveniente mesmo a estes nossos tempos, pois al\u00e9m de tratar de temas exeg\u00e9ticos e mariol\u00f3gicos, ele postulou com maestria em favor da liberdade religiosa e em favor da paz, n\u00e3o se tratando de um mission\u00e1rio que imp\u00f4s a sagrada religi\u00e3o com a for\u00e7a das armas ou o autoristarismo dos reis e imperadores, mas com a verdade, com a intelig\u00eancia e com a pr\u00f3pria vida&#8230;<\/p>\n<p>Nosso santo nasceu no dia 22 de julho do ano de 1559, em Br\u00edndisi, na regi\u00e3o da Ap\u00falia, na It\u00e1lia, quando a cidade era abrangida pelo ent\u00e3o chamado \u201cReino de N\u00e1poles\u201d. Ele pertencia \u00e0 nobre fam\u00edlia \u201cRusso\u201d e no batismo recebeu o imponente nome de J\u00falio C\u00e9sar. Seu pai era um comerciante veneziano muito conhecido, chamado Guilherme Russo, e sua m\u00e3e foi Elisabetta Masella&#8230; N\u00e3o dispomos de muitas informa\u00e7\u00f5es a respeito da inf\u00e2ncia do pequeno J\u00falio C\u00e9sar. Sabemos que ele era ainda bastante crian\u00e7a \u2013 tinha apenas oito anos de idade na \u00e9poca \u2013, quando ficou \u00f3rf\u00e3o de pai, que foi assassinado numa das muitas incurs\u00f5es dos sarracenos isl\u00e2micos a Br\u00edndisi, que, conv\u00e9m explicar, \u00e9 uma cidade portu\u00e1ria no sul do Mar Adri\u00e1tico, de f\u00e1cil acesso pelo Mar Mediterr\u00e2neo. Sua jovem m\u00e3e, agora vi\u00fava, recomendou o \u00fanico filho aos cuidados dos frades menores conventuais \u2013 franciscanos \u2013, onde ele foi acolhido no grupo dos chamados \u201cmeninos oblatos\u201d&#8230; Dotado de grande piedade e sabedoria, o padre do lugar experimentou seu dom de prega\u00e7\u00e3o, e f\u00ea-lo pregador ainda crian\u00e7a, algo impens\u00e1vel naquele tempo. Ele chegou a pregar inclusive na catedral da cidade, atraindo todos os olhares e aten\u00e7\u00f5es para si&#8230; No entanto, n\u00e3o demorou muito, sua m\u00e3e Elisabetta tamb\u00e9m faleceu. Sozinho no mundo, J\u00falio decidiu ir viver com um tio, que era padre e diretor de um col\u00e9gio, na cidade de Veneza, na regi\u00e3o do V\u00eaneto. Ali ele teve a oportunidade de conhecer a vida austera e muito comprometida dos frades capuchinhos do convento de \u201cSanta Maria dos Anjos\u201d, e se encantou por ela. Logo, portanto, ao inv\u00e9s de pretender um bom casamento e os altos cargos que seu nome lhe garantia, J\u00falio quis se consagrar a Deus vestindo o h\u00e1bito daqueles religiosos&#8230;<\/p>\n<p>Nosso pequeno santo, j\u00e1 muito admirado desde a inf\u00e2ncia, tinha apenas 14 anos de idade quando manifestou expressamente o desejo de tornar-se capuchinho. Admitido entre os frades, ele vestiu o h\u00e1bito de S\u00e3o Francisco j\u00e1 no dia 19 de fevereiro de 1575, quando, em honra do di\u00e1cono e m\u00e1rtir dos primeiros anos da Santa Igreja, passou a chamar-se Louren\u00e7o, como tamb\u00e9m o chamaremos daqui em diante. Apesar de sua sa\u00fade fr\u00e1gil, ele venceu o rigoroso per\u00edodo do noviciado, e professou os primeiros votos no ano seguinte \u2013 em mar\u00e7o de 1576 \u2013, sendo imeditamanete enviado para a \u201cUniversidade de P\u00e1dua\u201d, a fim de dar in\u00edcio aos seus estudos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos&#8230; Naquela antiga cidade em que faleceu Santo Ant\u00f4nio (+1231), debru\u00e7ando-se sobre pilhas de livros e empregando todo o seu tempo aos estudos, \u00e0s ora\u00e7\u00f5es e ao cultivo das virtudes, o jovem Louren\u00e7o se destacou dos demais estudantes tanto no conhecimento das Sagradas Escrituras quanto no aprendizado de novos idiomas. Este seu dom, ademais, conv\u00e9m dizer, era t\u00e3o insigne que, quando foi ordenado presb\u00edtero pelo patriarca de Veneza, no dia 18 de dezembro de 1582, aos 23 anos de idade, ele j\u00e1 dominava o latim \u2013 a l\u00edngua oficial da Igreja \u2013, o espanhol, o alem\u00e3o, o franc\u00eas, o sir\u00edaco e o caldeu, assim como as l\u00ednguas b\u00edblicas: o grego, o hebraico e o aramaico&#8230;<\/p>\n<p>Sem perda de tempo, os superiores capuchinhos designaram o jovem padre \u00e0 prega\u00e7\u00e3o, ele, que sabia de cor e salteado diversos livros das Escrituras. De sua parte, frei Louren\u00e7o dizia que a prega\u00e7\u00e3o era uma \u201cgrande miss\u00e3o, mais que humana, ang\u00e9lica, e ainda mais, divina\u201d&#8230; Assim, pois, al\u00e9m de dedicar muito de seu tempo \u00e0s ora\u00e7\u00f5es, \u00e0s mortifica\u00e7\u00f5es, aos jejuns e \u00e0s penit\u00eancias, ele passava pelo ao menos tr\u00eas horas preparando cada uma de suas homilias, a fim de que, ao abrir a boca, n\u00e3o fosse ele a dizer, mas o pr\u00f3prio Deus por meio dele&#8230; Falando dos artigos da f\u00e9, contra as heresias protestantes, contra os isl\u00e2micos e sobre a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Louren\u00e7o levava todos os que o ouviam \u00e0s l\u00e1grimas, e ele mesmo muitas vezes chorava enquanto pregava. As igrejas por onde passava eram sempre insuficientemente grandes para conter as multid\u00f5es que queriam ouvi-lo, toc\u00e1-lo e recomendar-se \u00e0s suas preces&#8230;<\/p>\n<p>Desde sua ordena\u00e7\u00e3o, Louren\u00e7o ocupou todo tipo de cargo de import\u00e2ncia na fam\u00edlia capuchinha: de 1583 a 1586 foi designado como \u201cleitor\u201d da Ordem; depois foi guardi\u00e3o e mestre de novi\u00e7os, de 1586 a 1589, ano em que foi designado para pregar a Santa Quaresma na cidade de Cosenza, na regi\u00e3o da Cal\u00e1bria, no sul da It\u00e1lia. Obviamente, pregou em muitas outras cidades, atraindo inclusive a aten\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o papa, Clemente VIII, que o chamou a Roma em 1592. Ali ele atuou por dois anos, especialmente dedicado \u00e0 convers\u00e3o dos judeus, aos quais demonstrou com argumentos b\u00edblicos, talm\u00fadicos e rab\u00ednicos que Jesus de Nazar\u00e9 era de fato o Messias h\u00e1 tantos s\u00e9culos profetizado. Naturalmente, nem todos os judeus se dispuseram a ouvi-lo; muitos dos que o escutaram, por\u00e9m, se convenceram de seus argumentos e se fizeram batizar na f\u00e9 crist\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>Frei Louren\u00e7o percorreu longas dist\u00e2ncias anunciando o Santo Evangelho, de 1594 a 1597, na condi\u00e7\u00e3o de provincial de Veneza, e depois, a partir de 1598, como provincial da Su\u00ed\u00e7a. Ele se tornou rapidamente um mission\u00e1rio muito aclamado por seu vasto conhecimento, por sua vida de santidade e por sua intrepidez, n\u00e3o havendo perigo ou amea\u00e7a que lhe fizesse frear a l\u00edngua. Ele n\u00e3o se conteve nem mesmo quando esteve na \u00c1ustria, onde, a partir do dia 28 de agosto de 1599, fundou conventos e ofereceu um perigo t\u00e3o forte \u00e0 expans\u00e3o do protestantismo, que os agressivos filhos de Lutero recorreram ao imperador Rodolfo II da Germ\u00e2nia, para que ele expulsasse o religioso do pa\u00eds. Mas o pr\u00f3prio imperador considerava que Louren\u00e7o, \u201csozinho, valia o mesmo que um ex\u00e9rcito\u201d, sendo por isto mesmo o mais importante escudo contra o avan\u00e7o dos turcos inimigos de seu imp\u00e9rio, isto sem empunhar uma espada sequer, mas somente o Evangelho e uma pequena cruz de madeira que trazia sempre consigo&#8230; Louren\u00e7o costumava dizer: \u201cA Palavra de Deus \u00e9 luz para a intelig\u00eancia, fogo para a vontade, para que o homem possa conhecer e amar a Deus; \u00e9 martelo contra a dura obstina\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, nos v\u00edcios contra a carne, o mundo e o dem\u00f4nio; \u00e9 espada que mata todo o pecado\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Quase tendo sido martirizado na \u00c1ustria, onde os protestantes o receberam com insultos e pedradas, aos poucos Louren\u00e7o conseguiu realizar ali sua miss\u00e3o: fundou tr\u00eas conventos, um inclusive muito pr\u00f3ximo do pal\u00e1cio imperial, e conseguiu trazer de volta \u00e0 f\u00e9 um bom n\u00famero dos que se haviam perdido no protestantismo&#8230;<\/p>\n<p>Julgando incompetentes os generais de seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito, Rodolfo II designou Louren\u00e7o como pregador na batalha de outubro de 1601, na Hungria, contra os isl\u00e2micos turcos. O santo religioso foi recebido com esc\u00e1rnio por muitos soldados, alguns ateus, outros protestantes. Mas Louren\u00e7o pregou de modo t\u00e3o inflamado sobre a vit\u00f3ria de Cristo sobre seus inimigos, que quando a luta come\u00e7ou, os crist\u00e3os, apesar de serem em n\u00famero muito inferior ao dos soldados turcos \u2013 18 mil contra 60 mil \u2013, conseguiram vencer&#8230; Louren\u00e7o esteve muitas vezes na linha de frente da guerra, empunhando sua cruz de madeira, aben\u00e7oando os soldados imperiais e clamando os nomes de Jesus e de Maria. Milagrosamente, nenhuma flecha o atingiu, e nem mesmo quando alguns soldados turcos conseguiram cair sobre ele com suas espadas, ele foi ferido. Quando a batalha terminou e os inimigos do imp\u00e9rio e da religi\u00e3o foram obrigados a recuar, muitos dos que haviam ca\u00e7oado de Louren\u00e7o abra\u00e7aram novamente a f\u00e9 cat\u00f3lica, inclusive alguns dos mais experientes oficiais do imperador&#8230;<\/p>\n<p>Quando Louren\u00e7o p\u00f4de regressar \u00e0 It\u00e1lia, o cap\u00edtulo dos capuchinhos, de maio de 1602, o elegeu como geral da Ordem, fun\u00e7\u00e3o que ele desempenharia por tr\u00eas anos. Nesta condi\u00e7\u00e3o, com o prop\u00f3sito de visitar cada uma das trinta prov\u00edncias capuchinhas da \u00e9poca, seu apostolado ignorou as mais long\u00ednquas fronteiras: ele percorreu a p\u00e9 todo o norte da It\u00e1lia, e sob o sol, sob a neve e sob a chuva, alcan\u00e7ou a Su\u00ed\u00e7a, voltou \u00e0 \u00c1ustria, foi da Alemanha \u00e0 Holanda, partiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Espanha e atravessou a Fran\u00e7a; passou por Paris, Lyon, Marselha e Toulouse; de Roussillon \u2013 na Fran\u00e7a \u2013 alcan\u00e7ou a Catalunha e a regi\u00e3o de Val\u00eancia, na Espanha; esteve tamb\u00e9m no Reino de Arag\u00e3o, em Portugal, sempre demonstrando incr\u00edvel capacidade para a administra\u00e7\u00e3o e para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas internos e externos, agindo sempre com caridade e sensibilidade, mas tamb\u00e9m com franqueza e ardor, como um aut\u00eantico franciscano deve agir&#8230; Por fim, Louren\u00e7o regressou \u00e0 It\u00e1lia, onde, na regi\u00e3o de N\u00e1poles, dedicou-se particularmente \u00e0 prega\u00e7\u00e3o sobre as virtudes da Virgem Maria. \u201cA beatitude\u201d, ele registrou em um de seus serm\u00f5es, \u201cconsiste na posse e no gozo de todo bem e, em boa medida, tamb\u00e9m no comunicar aos outros o mesmo bem. Por isso S\u00e3o Paulo afirma: \u2018\u00c9 melhor dar do que receber\u2019 (cf. At 20,35). Assim, o c\u00e9u d\u00e1 \u00e0 terra, n\u00e3o vice-versa; o sol aos planetas; o pai aos filhos; o rei, as dignidades terrenas aos seus s\u00faditos e aos seus ministros; o sumo pont\u00edfice aos eclesi\u00e1sticos; e Deus a todas as criaturas&#8230; Maior louvor como ato perfeito merece o dar que o receber: a \u00e1rvore s\u00f3 d\u00e1 frutos depois que alcan\u00e7a seu completo crescimento. Mas, se \u00e9 assim maior a bem-aventuran\u00e7a de quem d\u00e1 do que daquele que recebe um benef\u00edcio, ent\u00e3o, \u00e0 Virgem, dado que est\u00e1 repleta de toda beatitude, n\u00e3o poder\u00e1 certamente faltar-lhe uma de suas prerrogativas principais. Como imaginar uma estrela do firmamento ou um sol que esteja privado de comunicar sua luz? A beatitude da Virgem Sant\u00edssima \u00e9 semelhante \u00e0 de Deus, que \u00e9 essencialmente comunicativa. De fato, o bem tende por sua pr\u00f3pria natureza a se expandir, propriamente como acontece com a luz\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Incans\u00e1vel, poucos meses depois de renunciar \u00e0 dignidade de geral da Ordem Capuchinha \u2013 em maio de 1605 \u2013, Louren\u00e7o foi novamente enviado \u00e0 \u00c1ustria, onde, na qualidade de embaixador do papa Paulo V, se encontraria com as maiores autoridades pol\u00edticas da Europa do s\u00e9culo XVII, naqueles tempos em que os protestantes, movidos pelo prop\u00f3sito de destruir a Santa Igreja, se embrenhavam em todos os campos diplom\u00e1ticos, tentando persuadir os reis e os pr\u00edncipes a lhes apoiarem em sua causa contra o papa e contra a sagrada doutrina, fazendo cercear os direitos dos cat\u00f3licos&#8230; Louren\u00e7o teve um papel fundamental na promo\u00e7\u00e3o da igualdade de direitos, assim como na defesa da f\u00e9. Num dos encontros diplom\u00e1ticos em que participou, por exemplo, ele foi publicamente desafiado por um pregador protestante, especialmente convidado para falar sobre a salva\u00e7\u00e3o sem a necessidade das obras. Muito aplaudido por todos, Policarpo Laiser, o ent\u00e3o hussita (como eram chamados os protestantes bo\u00eamios), pensou ter humilhado Louren\u00e7o. Ele, por\u00e9m, assim que p\u00f4de falar, pegou as Sagradas Escrituras, uma vers\u00e3o trilingue, nos idiomas originais \u2013 grego, hebraico e aramaico \u2013, e disse: \u201cQuero que todos saibam que tipo de grande homem \u00e9 este charlat\u00e3o que teve a ousadia de pregar contra nossa f\u00e9 cat\u00f3lica\u201d. E, lan\u00e7ando os livros ao ch\u00e3o com toda veem\u00eancia, completou: \u201cPegue estes livros! Voc\u00eas ver\u00e3o que ele sequer saber\u00e1 l\u00ea-los\u201d&#8230; Acuado, Laiser n\u00e3o ousou tomar as Sagradas Escrituras, mas um secret\u00e1rio apanhou os livros e levou at\u00e9 ele. \u201cMais burro do que um peixe\u201d, conforme testemunhou um dos presentes, o \u201cpastor\u201d recuou&#8230;<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca Louren\u00e7o passou a escrever aquela que veio a se tornar uma de suas mais importantes obras, que ele chamou simplesmente \u201cApologeticum\u201d, uma resposta adequada a todas as heresias protestantes, incluindo aquelas do \u201creformador\u201d bo\u00eamio Jan Huss (+1415), precursor do heresiarca Lutero (+1546). Como por\u00e9m, Laiser acabou falecendo antes que pudesse publicar seu livro, Louren\u00e7o julgou por bem guard\u00e1-lo para uma ocasi\u00e3o futura, pois n\u00e3o quis dar a impress\u00e3o de estar combatendo com um morto&#8230;<\/p>\n<p>Como dissemos no dia 15 de fevereiro, quando celebramos a mem\u00f3ria lit\u00fargica do Beato Frederico Bachstein e de seus 13 companheiros m\u00e1rtires de Praga, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa na Europa Central estava bastante complicada: os hussitas se uniram aos calvinistas e aos luteranos na guerra contra a f\u00e9 cat\u00f3lica, e Rodolfo, imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico acabou sendo destronado por seu irm\u00e3o Matias de Habsburgo. Naqueles tempos confusos e muito perigosos, Louren\u00e7o conseguiu estabelecer a paz entre a Baviera e a Bo\u00eamia, quer dizer, entre os interesses do duque Maximiliano de Wittelsbach e as autoridades imperiais, demonstrando grande capacidade diplom\u00e1tica&#8230; Ele fundou a \u00acLiga Cat\u00f3lica, idealizada pelo duque na luta contra o crescimento do protestantismo, que era apoiado na \u00e9poca por Henrique IV, rei da Fran\u00e7a. Depois, entre os anos de 1610 e 1613, Louren\u00e7o residiu em M\u00f4naco, como representante da Santa S\u00e9, impedindo rebeli\u00f5es e guerras na disputa pelos tronos europeus, sendo um aut\u00eantico arauto da paz evang\u00e9lica&#8230;<\/p>\n<p>Em nome da paz, ademais, Louren\u00e7o viajou para Munique, na Alemanha, esteve em Madri, na Espanha, onde inclusive fundou um convento capuchinho, voltou \u00e0 It\u00e1lia e se encontrou com o papa em Roma. Mesmo doente, ele voltou novamente ao pa\u00eds dos germanos e foi a ponte de reconcilia\u00e7\u00e3o entre Munique e Praga, hoje capital da Rep\u00fablica Tcheca&#8230; Doente, ali\u00e1s, ele viajou muitas vezes, e esteve \u00e0 beira da morte um bom n\u00famero de ocasi\u00f5es. Nada o conteve nem o fez diminuir seus sacrif\u00edcios pessoais: continuava, como sempre, a cumprir seus longos jejuns, nas quaremas alimentava-se apenas de ervas e rabanete, peixe somente em raras ocasi\u00f5es; ele dormia sobre uma t\u00e1bua, em sinal de desapego aos bens materiais e como forma de penit\u00eancia; era muito austero e, numa das suas in\u00fameras viagens, tendo sido acolhido por alguns frades que viviam comodamente ao lado de uma capela em ru\u00ednas, o santo repreendeu-lhes com estas palavras: \u201cDeus antes, v\u00f3s depois! N\u00e3o tendes vergonha de estar todos em um convento aquecido e de mesa bem guarnecida ao lado de uma capela amea\u00e7ada de ru\u00edna, com a chuva inundando o santu\u00e1rio?\u201d<\/p>\n<p>Considerado \u201cmilagreiro\u201d pelas in\u00fameras curas que obteve de Deus para os mais necessitados, especialmente para os cegos, os mudos e os paral\u00edticos, as Missas que frei Louren\u00e7o celebrava eram um verdadeiro \u201ccanal de gra\u00e7as\u201d, como todas s\u00e3o, naturalmente; suas palavras cheias de ardor, no entanto, muito diferentemente dos discursos vazios de alguns padres de nossos tempos, impregnavam os cora\u00e7\u00f5es dos seus fi\u00e9is. Suas Missas, ali\u00e1s, \u00e0s quais chamava de seu \u201cc\u00e9u na terra\u201d, eram t\u00e3o intensas que \u00e0s vezes demorava por v\u00e1rias horas, duas, tr\u00eas, ou at\u00e9 mesmo incr\u00edveis 12 horas, sem que os fi\u00e9is demonstrassem cansa\u00e7o em escut\u00e1-lo pregar e sem nenhum interesse de que a celebra\u00e7\u00e3o terminasse mais cedo; obviamente, eles compreenderam que Deus lhes havia concedido a gra\u00e7a de estar diante de um grande \u201csanto\u201d, que in\u00fameras vezes entrou em \u00eaxtase diante da multid\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Louren\u00e7o de Br\u00edndisi, al\u00e9m de mais de 800 serm\u00f5es, produziu obras de incalcul\u00e1vel valor teol\u00f3gico e exeg\u00e9tico, como a \u201cLutheranismi hypotyposis\u201d, contra os protestantes, e a \u201cExplanatio in Genesim\u201d, obra que mescla seus profundos conhecimentos de filosofia aos da teologia. Al\u00e9m destas, ele tamb\u00e9m simplificou, traduzindo em palavras mais simples, as complexas obras de S\u00e3o Roberto Belarmino (+1621), ainda vivo naquele tempo, e de S\u00e3o Pedro Can\u00edsio (+1597)&#8230; Certamente que ainda existem homilias escritas pelo santo perdidas nas estantes das bibliotecas dos diversos conventos pelas quais passou&#8230; Que o futuro nos permita conhec\u00ea-las!<\/p>\n<p>Louren\u00e7o encontrava-se em miss\u00e3o diplom\u00e1tico-religiosa em Lisboa, onde se encontraria com Filipe III, rei da Espanha e de Portugal, quando, no dia 22 de julho de 1619, no exato dia em que completava seus 60 anos de idade, faleceu subitamente. Chorado por todos, seu corpo foi levado para o convento de Villafranca del Bierzo, na Espanha, onde foi sepultado com as devidas honras, sendo venerado naquele lugar at\u00e9 o ano de 1808, quando suas rel\u00edquias foram profanadas na \u201cGuerra da Independ\u00eancia Espanhola\u201d (1807-1814)&#8230;<\/p>\n<p>A causa de beatifica\u00e7\u00e3o de frei Louren\u00e7o foi iniciada quatro anos depois de seu falecimento, culminando na beatifica\u00e7\u00e3o, ocorrida em 1783, sob o papa Pio VI, e na sua canoniza\u00e7\u00e3o, ocorrida no dia 08 de dezembro de 1881, solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, sob o Vener\u00e1vel papa Le\u00e3o XIII&#8230; Como dissemos em nossa introdu\u00e7\u00e3o, em 1959 ele foi declarado Doutor da Igreja pelo papa S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII, que o definiu como \u201cDoutor Apost\u00f3lico\u201d&#8230; Por ocasi\u00e3o da \u201cAudi\u00eancia Geral\u201d do dia 23 de mar\u00e7o de 2011, o papa Bento XVI enalteceu o papel de Louren\u00e7o na pacifica\u00e7\u00e3o dos \u00e2nimos da Europa do final do s\u00e9culo XVI e princ\u00edpio do s\u00e9culo XVII: \u201cTanto os sumos pont\u00edfices, como os pr\u00edncipes cat\u00f3licos lhe confiaram reiteradamente importantes miss\u00f5es diplom\u00e1ticas para resolver controv\u00e9rsias e favorecer a conc\u00f3rdia entre os Estados europeus, naquela \u00e9poca amea\u00e7ados pelo Imp\u00e9rio Otomano. A autoridade moral, de que gozava, fazia dele um conselheiro procurado e ouvido. Hoje, assim como na \u00e9poca de S\u00e3o Louren\u00e7o, o mundo tem muita necessidade de paz, precisa de homens e mulheres pac\u00edficos e pacificadores. Todos aqueles que acreditam em Deus devem ser sempre nascentes e construtores de paz\u201d&#8230; Sobre os escritos do santo, disse ainda o pont\u00edfice: \u201cNeles Louren\u00e7o oferece uma apresenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, centrada no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, a maior manifesta\u00e7\u00e3o do amor divino pelos homens. Al\u00e9m disso, dado que era um mari\u00f3logo de grande valor, autor de uma colet\u00e2nea de serm\u00f5es sobre Nossa Senhora, intitulada \u2018Mariale\u2019, p\u00f4s em evid\u00eancia o papel singular da Virgem Maria, da qual afirma com clarivid\u00eancia a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o para a obra da reden\u00e7\u00e3o, realizada por Cristo. Com uma requintada sensibilidade teol\u00f3gica, Louren\u00e7o salientou inclusive a obra do Esp\u00edrito Santo na exist\u00eancia do fiel. Ele recorda-nos que, com os seus dons, a terceira Pessoa da Sant\u00edssima Trindade ilumina e contribui para o nosso compromisso a viver jubilosamente a mensagem do Evangelho\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Neste dia em que celebramos sua santa mem\u00f3ria, rogamos a S\u00e3o Louren\u00e7o de Br\u00edndisi que nos inflame com o seu mesmo ardor, com sua mesma paix\u00e3o por Cristo e pela Santa Igreja, Corpo M\u00edstico do Senhor, do qual Ele \u00e9 a cabe\u00e7a (cf. Ef 1,22-23; Cl 1,18)&#8230; A seu exemplo, sejamos intr\u00e9pidos na defesa dos direitos humanos e da f\u00e9!<\/p>\n<p>OREMOS (do Missal Romano): \u201c\u00d3 Deus, que para a vossa gl\u00f3ria e a salva\u00e7\u00e3o dos homens, destes a S\u00e3o Louren\u00e7o de Br\u00edndisi o esp\u00edrito de conselho e fortaleza, concedei-nos, pelo mesmo esp\u00edrito, conhecer o que devemos praticar e, por suas preces, realiz\u00e1-lo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Esp\u00edrito Santo. Am\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>In Corde Iesu et Mariae, semper!<br \/>\nPor:Fernando Martins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21 de julho: Celebramos hoje a mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00c3O LOUREN\u00c7O de BR\u00cdNDISI, religioso da \u201cOrdem dos Frades Menores Capuchinhos\u201d, presb\u00edtero, diplomata e escritor, te\u00f3logo e \u201cDoutor da Igreja\u201d, aclamado pelo papa S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII como \u201cDoutor Apost\u00f3lico\u201d&#8230; Do extenso cat\u00e1logo de Santos e Beatos que adorna a fam\u00edlia franciscana capuchinha, Louren\u00e7o ocupa um lugar&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/21-de-julhohoje-e-celebrado-sao-lourenco-de-brindisi\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":69783,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[69],"tags":[],"class_list":["post-69782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69782"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69784,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69782\/revisions\/69784"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}