{"id":67240,"date":"2019-11-07T15:09:15","date_gmt":"2019-11-07T18:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=67240"},"modified":"2019-11-07T19:09:34","modified_gmt":"2019-11-07T22:09:34","slug":"imagens-e-sons-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/imagens-e-sons-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"Imagens e sons de cada dia"},"content":{"rendered":"<p>Imagens e sons configuram a mem\u00f3ria &#8211; alicerce de experi\u00eancias, armaz\u00e9m de valores e princ\u00edpios que sustentam a vida; articulam as conex\u00f5es que configuram o tecido \u00e9tico-moral indispens\u00e1vel no exerc\u00edcio da cidadania.&nbsp;&nbsp; Com imagens e sons o mundo se faz e se refaz, recomp\u00f5e-se e, tamb\u00e9m, lamentavelmente, se deteriora. Particularmente, a contemporaneidade se estreita entre os bin\u00e1rios das imagens e dos sons de cada dia. As ci\u00eancias especializadas e seus pesquisadores alertam sobre as perdas e os riscos provocados pela forma de se relacionar com as imagens e os sons do dia a dia \u2013 que sustentam ou abalam experi\u00eancias. Uma singularidade interessante no complexo \u00e2mbito das imagens \u00e9 o af\u00e3 na produ\u00e7\u00e3o de fotos. Observa-se que a facilidade tecnol\u00f3gica faz de todo mundo um fot\u00f3grafo. Muitos se posicionam atr\u00e1s da c\u00e2mera para registrar determinados momentos. E ao se dedicarem \u00e0 capta\u00e7\u00e3o da foto, perdem a ess\u00eancia do importante registro a ser feito pela mem\u00f3ria, fundamental para subsidiar experi\u00eancias determinantes.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso analisar e calcular as perdas quando n\u00e3o se vive experi\u00eancias e, consequentemente, deixa-se de apreender imagens nas sinapses cerebrais, por priorizar a tarefa de fotografar. Com foco na c\u00e2mera, o olhar pode n\u00e3o fazer o giro experiencial que provoca novos entendimentos, com incid\u00eancias nas emo\u00e7\u00f5es, capazes de qualificar as rela\u00e7\u00f5es humanas. Quando busca somente fotografar, o ser humano faz registros, mas arrisca-se a perder a oportunidade de viver importantes experi\u00eancias. E os preju\u00edzos, naturalmente, s\u00e3o muitos, pois a priva\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia contemplativa, indispens\u00e1vel a todo processo de constitui\u00e7\u00e3o da interioridade, leva \u00e0 perda da qualidade de vida.<\/p>\n<p>A rica e complexa teia das imagens de cada dia requer contempla\u00e7\u00e3o. Do contr\u00e1rio, a vida passa a ser vivida \u201cdo lado de fora\u201d, sem alicerces interiores, o que constitui o risco suicida da desconex\u00e3o com a realidade &#8211; certamente, uma das raz\u00f5es do crescimento de \u00edndices sobre as desist\u00eancias de se viver. Outra consequ\u00eancia \u00e9 a primazia de certa superficialidade, quando se faz ainda mais necess\u00e1ria uma s\u00f3lida aptid\u00e3o humana para lidar com os muitos desafios contempor\u00e2neos. A contempla\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, indispens\u00e1vel para se alcan\u00e7ar as riquezas conduzidas pelas imagens de cada dia.<\/p>\n<p>Faz-se necess\u00e1rio aprender a contemplar para que as incalcul\u00e1veis imagens de cada dia, nos muitos cen\u00e1rios que comp\u00f5em a jornada da humanidade, se desdobrem em sabedoria de vida, na compet\u00eancia para discernimentos e na produ\u00e7\u00e3o do sentido que alimenta o viver. No educativo e amplo horizonte da ecologia integral, com indica\u00e7\u00f5es para o civilizado tratamento da Casa Comum, est\u00e1 inclu\u00edda a orienta\u00e7\u00e3o de reconhecer a Cria\u00e7\u00e3o na beleza singular da natureza &#8211; o desenvolvimento de um olhar contemplativo. Trata-se de oportunidade para se qualificar na arte que produz sentido para amar e viver. Inscreve-se tamb\u00e9m na din\u00e2mica dessa contempla\u00e7\u00e3o a aprendizagem para lidar com sons \u2013 ouvi-los e produzi-los. Preocupante \u00e9 a patol\u00f3gica produ\u00e7\u00e3o de barulhos que, certamente, escondem, ou ao menos disfar\u00e7am, ansiedades e ang\u00fastias. Geram certas ilus\u00f5es, a partir de sensa\u00e7\u00f5es, mas s\u00e3o incapazes de superar o vazio existencial.<\/p>\n<p>&nbsp;O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 palco de muitos sons que, na verdade, s\u00e3o barulhos, causam perturba\u00e7\u00e3o e s\u00e3o sinais de pouca civilidade. Esses ru\u00eddos muitas vezes atrapalham o encontro de verdades que s\u00f3 se revelam no indispens\u00e1vel sil\u00eancio para o exerc\u00edcio da escuta. A humildade na avalia\u00e7\u00e3o pessoal e familiar, tamb\u00e9m na vida em sociedade, permite calcular os comprometimentos resultantes dos equ\u00edvocos nas formas de lidar com imagens e sons. Ver muito e enxergar pouco, conviver com polui\u00e7\u00e3o sonora e ser incapaz de escutar s\u00e3o consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Essa inadequada rela\u00e7\u00e3o com sons e imagens contribui para consolidar indiferen\u00e7as diante de graves situa\u00e7\u00f5es, a exemplo de cen\u00e1rios em que pessoas esbanjam os bens, t\u00eam demais, e at\u00e9 por isso adoecem, enquanto tantas outras, feridas em sua dignidade, vivem de migalhas. A incapacidade para lidar com imagens e sons ajuda a perpetuar, desse modo, injusti\u00e7as sociais e desigualdades. Por tudo isso, vale investir na aprendizagem da contempla\u00e7\u00e3o, importante caminho na qualifica\u00e7\u00e3o humana, espiritual e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)<\/p>\n<p>Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens e sons configuram a mem\u00f3ria &#8211; alicerce de experi\u00eancias, armaz\u00e9m de valores e princ\u00edpios que sustentam a vida; articulam as conex\u00f5es que configuram o tecido \u00e9tico-moral indispens\u00e1vel no exerc\u00edcio da cidadania.&nbsp;&nbsp; Com imagens e sons o mundo se faz e se refaz, recomp\u00f5e-se e, tamb\u00e9m, lamentavelmente, se deteriora. 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