{"id":67078,"date":"2019-10-27T16:10:28","date_gmt":"2019-10-27T19:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=67078"},"modified":"2019-10-27T16:10:28","modified_gmt":"2019-10-27T19:10:28","slug":"padres-sinodais-aprovam-todos-os-120-pontos-do-documento-final-da-assembleia-especial-para-a-regiao-pan-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/padres-sinodais-aprovam-todos-os-120-pontos-do-documento-final-da-assembleia-especial-para-a-regiao-pan-amazonica\/","title":{"rendered":"Padres sinodais aprovam todos os 120 pontos do Documento Final da Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>Defesa dos povos ind\u00edgenas, rito amaz\u00f4nico, novos minist\u00e9rios, diaconato das mulheres, incultura\u00e7\u00e3o e ecologia integral s\u00e3o alguns dos temas que passaram hoje, dia 26 de outubro, pela aprova\u00e7\u00e3o da assembleia do S\u00ednodo para Amaz\u00f4nia, depois de tr\u00eas semanas de discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos os 120 pontos do Documento foram aprovados. O qu\u00f3rum m\u00ednimo de aprova\u00e7\u00e3o era de 120 votos a favor, dois ter\u00e7os do total de 181 padres sinodais votantes. Os pontos que receberam menos votos foram o do sacerd\u00f3cio de homens casados, com 128 votos, e o do diaconato para mulheres, com 137.<\/p>\n<p>O texto final do Documento aprovado ainda ser\u00e1 publicado na pr\u00f3xima semana, o texto em circula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma vers\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p>Veja, abaixo, os principais assuntos aprovados:<\/p>\n<p><strong>Sacerd\u00f3cio<\/strong><\/p>\n<p>O Documento final prop\u00f5e \u201cestabelecer crit\u00e9rios e regras por parte da autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens id\u00f4neos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma forma\u00e7\u00e3o adequada para o presbiterado, permitindo ter uma fam\u00edlia legitimamente constitu\u00edda e est\u00e1vel, para promover a vida da comunidade crist\u00e3 atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos nas \u00e1reas mais remotas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica\u201d. Deve-se especificar que \u201ca prop\u00f3sito, alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal ao argumento\u201d.<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o da mulher \/ diaconato<\/strong><\/p>\n<p>A assembleia optou por continuar as reflex\u00f5es e acompanhar a \u201cComiss\u00e3o de estudo sobre o diaconato das mulheres\u201d, criada em 2016 pelo Papa Francisco, e \u201caguardar seus resultados\u201d. O S\u00ednodo evidencia que em in\u00fameras consultas na Amaz\u00f4nia foi solicitado \u201co diaconato permanente para as mulheres\u201d, tema muito presente durante os trabalhos no Vaticano.<\/p>\n<p>O Documento dedica amplo espa\u00e7o \u00e0 presen\u00e7a das mulheres. Como sugere a sabedoria dos povos ancestrais, a m\u00e3e terra tem um rosto feminino e no mundo ind\u00edgena as mulheres s\u00e3o \u201cuma presen\u00e7a viva e respons\u00e1vel na promo\u00e7\u00e3o humana\u201d. O S\u00ednodo pede que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam consultadas, participem de modo mais incisivo na tomada de decis\u00f5es, contribuam para a sinodalidade eclesial, assumam com maior for\u00e7a sua lideran\u00e7a dentro da Igreja, nos conselhos pastorais ou \u201ctamb\u00e9m nas inst\u00e2ncias de governo\u201d. Protagonistas e cust\u00f3dias da cria\u00e7\u00e3o e da casa comum, as mulheres s\u00e3o com frequ\u00eancia \u201cv\u00edtimas de viol\u00eancia f\u00edsica, moral e religiosa, inclusive de feminic\u00eddio\u201d. O texto reitera o empenho da Igreja em defesa dos seus direitos, de modo especial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres migrantes. Enquanto isso, se reconhece a \u201cministerialidade\u201d confiada por Jesus \u00e0 mulher e se deseja uma \u201crevis\u00e3o do Motu Proprio&nbsp;Ministeria qu\u00e6dam&nbsp;de S\u00e3o Paulo VI, para que tamb\u00e9m as mulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os minist\u00e9rios do leitorado e do acolitato, entre outros que podem ser desempenhados\u201d. No espec\u00edfico, nesses contextos em que as comunidades cat\u00f3licas s\u00e3o guiadas por mulheres, se pede a cria\u00e7\u00e3o do \u201cminist\u00e9rio institu\u00eddo de mulher dirigente de comunidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Diaconato permanente<\/strong><\/p>\n<p>Foram definidos como urgentes a promo\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e o apoio aos di\u00e1conos permanentes. O di\u00e1cono, sob a autoridade do bispo, est\u00e1 a servi\u00e7o da comunidade e deve hoje promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano, a pastoral social e o servi\u00e7o a quem se encontra em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade e pobreza, configurando-o a Cristo. Portanto, \u00e9 importante insistir numa forma\u00e7\u00e3o permanente, marcada pelo estudo acad\u00eamico e pr\u00e1tica pastoral, na qual sejam envolvidos tamb\u00e9m esposas e filhos do candidato. O curr\u00edculo formativo, explica o S\u00ednodo, dever\u00e1 incluir temas que favore\u00e7am o di\u00e1logo ecum\u00eanico, inter-religioso, intercultural, a hist\u00f3ria da Igreja na Amaz\u00f4nia, a afetividade e a sexualidade, a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena e&nbsp;a ecologia integral. A equipe dos formadores ser\u00e1 composta por ministros ordenados e leigos. Deve ser encorajada a forma\u00e7\u00e3o de futuros di\u00e1conos permanentes nas comunidades que habitam \u00e0s margens dos rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes<\/strong><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes deve ser inculturada: a exig\u00eancia \u00e9 preparar pastores que vivam o Evangelho, conhe\u00e7am as leis can\u00f4nicas, sejam compassivos como Jesus: pr\u00f3ximos \u00e0s pessoas, capazes de escuta, de curar e consolar, sem buscar se impor, manifestando a ternura do Pai. Tamb\u00e9m no \u00e2mbito da forma\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio, se deseja a inclus\u00e3o de disciplinas como a ecologia integral, a ecoteologia, a teologia da cria\u00e7\u00e3o, as teologias ind\u00edgenas, a espiritualidade ecol\u00f3gica, a hist\u00f3ria da Igreja na Amaz\u00f4nia, a antropologia cultural amaz\u00f4nica. O S\u00ednodo recomenda que os centros de forma\u00e7\u00e3o sejam preferencialmente inseridos na realidade amaz\u00f4nica e que seja oferecida a jovens n\u00e3o amaz\u00f4nicos a oportunidade de participar de sua forma\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>As dores da Amaz\u00f4nia: o grito da terra e o grito dos pobres<\/strong><\/p>\n<p>O texto n\u00e3o reprime as muitas dores e viol\u00eancias que hoje ferem e deformam a Amaz\u00f4nia, amea\u00e7ando sua vida: a privatiza\u00e7\u00e3o de bens naturais; modelos de produ\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias; desmatamento que atinge 17% de toda a regi\u00e3o; a polui\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias extrativistas; mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; narcotr\u00e1fico; alcoolismo; tr\u00e1fico de seres humanos; a criminaliza\u00e7\u00e3o de l\u00edderes e defensores do territ\u00f3rio; grupos armados ilegais. \u00c9 extensa a p\u00e1gina amarga sobre migra\u00e7\u00e3o, que na Amaz\u00f4nia articula-se em tr\u00eas n\u00edveis: mobilidade de grupos ind\u00edgenas em territ\u00f3rios de circula\u00e7\u00e3o tradicional; deslocamento for\u00e7ado de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas; migra\u00e7\u00e3o internacional e refugiados. Para todos esses grupos, \u00e9 necess\u00e1rio um cuidado pastoral transfronteiri\u00e7o capaz de incluir o direito \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o. O problema da migra\u00e7\u00e3o, l\u00ea-se, deve ser enfrentado de maneira coordenada pelas Igrejas de fronteira. Al\u00e9m disso, um trabalho pastoral permanente deve ser pensado para os migrantes v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas. O Documento sinodal convida a prestar aten\u00e7\u00e3o ao deslocamento for\u00e7ado de fam\u00edlias ind\u00edgenas nos centros urbanos, sublinhando como esse fen\u00f4meno requer uma \u201cpastoral conjunta nas periferias\u201d. Da\u00ed a exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de equipes mission\u00e1rias que, em coordena\u00e7\u00e3o com as par\u00f3quias, cuidem desse aspecto, oferecendo liturgias inculturadas e favorecendo a integra\u00e7\u00e3o dessas comunidades nas cidades.<\/p>\n<p><strong>Convers\u00e3o pastoral<\/strong><\/p>\n<p>A refer\u00eancia \u00e0 natureza mission\u00e1ria da Igreja tamb\u00e9m \u00e9 central: a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo opcional, lembra o texto, porque a Igreja \u00e9 miss\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 o paradigma de toda obra da Igreja. Na Amaz\u00f4nia, ela deve&nbsp; ser \u201csamaritana\u201d, ou seja, ir ao encontro de todos; \u201cMadalena\u201d, ou seja, amada e reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; \u201cMariana\u201d, ou seja, geradora de filhos para a f\u00e9 e \u201cinculturada\u201d entre os povos a que serve. \u00c9 importante passar de uma pastoral \u201cde visita\u201d a uma pastoral \u201cde presen\u00e7a permanente\u201d e, para isso, o Documento sinodal sugere que as Congrega\u00e7\u00f5es religiosas do mundo estabele\u00e7am pelo menos um posto mission\u00e1rio em um dos pa\u00edses da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>O sacrif\u00edcio dos mission\u00e1rios m\u00e1rtires<\/strong><\/p>\n<p>O S\u00ednodo n\u00e3o esquece os muitos mission\u00e1rios que deram a vida para transmitir o Evangelho na Amaz\u00f4nia, cujas p\u00e1ginas mais gloriosas foram escritas pelos m\u00e1rtires. Ao mesmo tempo, o Documento lembra que o an\u00fancio de Cristo na regi\u00e3o realizou-se muitas vezes em coniv\u00eancia com os poderes opressores das popula\u00e7\u00f5es. Por esse motivo, hoje a Igreja tem \u201ca oportunidade hist\u00f3rica\u201d de se distanciar das novas pot\u00eancias colonizadoras, ouvindo os povos amaz\u00f4nicos e exercendo sua atividade prof\u00e9tica \u201cde forma transparente\u201d.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, foi dada grande import\u00e2ncia ao di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso: \u201cCaminho indispens\u00e1vel da evangeliza\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia\u201d, afirma o texto sinodal, ele deve partir, no primeiro caso, da centralidade da Palavra de Deus para iniciar verdadeiros caminhos de comunh\u00e3o. No \u00e2mbito inter-religioso, o Documento incentiva um maior conhecimento das religi\u00f5es ind\u00edgenas e dos cultos afrodescendentes, a fim de que crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os possam agir juntos em defesa da Casa comum. Por esse motivo, s\u00e3o propostos momentos de encontro, estudo e di\u00e1logo entre as Igrejas na Amaz\u00f4nia e os seguidores das religi\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Urg\u00eancia de uma pastoral ind\u00edgena e de um minist\u00e9rio juvenil<\/strong><\/p>\n<p>O Documento tamb\u00e9m recorda a urg\u00eancia de uma pastoral ind\u00edgena que tenha um lugar espec\u00edfico na Igreja: \u00e9 necess\u00e1rio criar ou manter, de fato, \u201cuma op\u00e7\u00e3o preferencial pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas\u201d, dando tamb\u00e9m maior impulso mission\u00e1rio \u00e0s voca\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones, porque a Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m deve ser evangelizada pelos amaz\u00f4nicos. Depois, dar espa\u00e7o aos jovens amaz\u00f4nicos, com suas luzes e sombras. Divididos entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, imersos numa intenda crise de valores, v\u00edtimas de realidades tristes como a pobreza, viol\u00eancia, desemprego, novas formas de escravid\u00e3o e dificuldade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, muitas vezes acabam na pris\u00e3o ou em mortos por suic\u00eddio. E, no entanto, os jovens amaz\u00f4nicos t\u00eam os mesmos sonhos e as mesmas esperan\u00e7as que os outros jovens do mundo e da Igreja. Chamada a ser uma presen\u00e7a prof\u00e9tica, deve acompanh\u00e1-los em seu caminho, para impedir que sua identidade e sua autoestima sejam prejudicadas ou destru\u00eddas. Em particular, o Documento sugere \u201cum renovado e ousado minist\u00e9rio juvenil\u201d, com uma pastoral sempre ativa e centrada em Jesus. De fato, os jovens, lugar teol\u00f3gico e profetas da esperan\u00e7a, querem ser protagonistas e a Igreja na Amaz\u00f4nica quer reconhecer o seu espa\u00e7o. Por isso, o convite a promover novas formas de evangeliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atrav\u00e9s das m\u00eddias sociais e ajudar os jovens ind\u00edgenas a alcan\u00e7ar uma interculturalidade saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Pastoral urbana e as fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>O texto conclusivo do S\u00ednodo se det\u00e9m no tema da pastoral urbana, com um foco particular nas fam\u00edlias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza, desemprego, falta de moradia, al\u00e9m de v\u00e1rios problemas de sa\u00fade. Torna-se, portanto, necess\u00e1rio defender o direito de todos \u00e0 cidade como desfrute justo dos princ\u00edpios de sustentabilidade, democracia e justi\u00e7a social. \u00c9 preciso lutar, l\u00ea-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais b\u00e1sicos sejam garantidos nas \u201cfavelas\u201d e nas \u201cvillas mis\u00e9rias\u201d. Central deve ser tamb\u00e9m o estabelecimento de um \u201cminist\u00e9rio de acolhimento\u201d para uma solidariedade fraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano. Nesse \u00e2mbito, uma ajuda v\u00e1lida vem das Comunidades Eclesiais de Base, \u201cum presente de Deus para as Igrejas locais da Amaz\u00f4nia\u201d. Ao mesmo tempo, as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o convidadas a melhorar a qualidade de vida nas \u00e1reas rurais, a fim de evitar a transfer\u00eancia descontrolada de pessoas para a cidade.<\/p>\n<p><strong>Convers\u00e3o cultural<\/strong><\/p>\n<p>A incultura\u00e7\u00e3o e a interculturalidade s\u00e3o instrumentos importantes, prossegue o Documento, para alcan\u00e7ar uma convers\u00e3o cultural que leva o crist\u00e3o a ir ao encontro do outro para aprender com ele. Os povos amaz\u00f4nicos, de fato, com seus \u201cperfumes antigos\u201d que contrastam o desespero que reina no continente e com seus valores de reciprocidade, solidariedade e senso de comunidade, oferecem ensinamentos de vida e uma vis\u00e3o integrada da realidade, capaz de entender que toda a cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 interligada e, portanto, garantir uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel. A Igreja compromete-se a ser aliada das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, reitera o texto sinodal, sobretudo para denunciar os ataques perpetrados contra suas vidas, os projetos de desenvolvimento predat\u00f3rios etnocidas e ecocidas e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais.<\/p>\n<p><strong>Defender a terra \u00e9 defender a vida<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA defesa da terra\u201d, l\u00ea-se no documento, \u201cn\u00e3o tem outro objetivo a n\u00e3o ser a defesa da vida\u201d e se baseia no princ\u00edpio evang\u00e9lico da defesa da dignidade humana. Portanto, devemos respeitar os direitos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00e0 delimita\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e \u00e0 consulta pr\u00e9via, livre e informada dos povos ind\u00edgenas. Um ponto espec\u00edfico \u00e9 dedicado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio (Piav) ou em Isolamento e contato inicial (Piaci) que hoje, na Amaz\u00f4nia, somam cerca de 130 unidades e s\u00e3o muitas vezes v\u00edtimas de limpeza \u00e9tnica: a Igreja deve empreender dois tipos de a\u00e7\u00e3o, pastoral e outra \u201cde press\u00e3o\u201d, para que os Estados protejam os direitos e a inviolabilidade dos territ\u00f3rios dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Teologia ind\u00edgena e piedade popular<\/strong><\/p>\n<p>Na perspectiva da incultura\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da encarna\u00e7\u00e3o do Evangelho nas culturas ind\u00edgenas, \u00e9 dado espa\u00e7o \u00e0 teologia ind\u00edgena e \u00e0 piedade popular, cujas express\u00f5es devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e \u00e0s vezes \u201cpurificadas\u201d, pois s\u00e3o momentos privilegiados de evangeliza\u00e7\u00e3o que devem conduzir ao encontro com Cristo. O an\u00fancio do Evangelho, de fato, n\u00e3o \u00e9 um processo de destrui\u00e7\u00e3o, mas de crescimento e consolida\u00e7\u00e3o daquela semeadura Verbos presente nas culturas. Da\u00ed a clara rejei\u00e7\u00e3o de uma \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o colonial\u201d e do \u201cproselitismo\u201d, em favor de um an\u00fancio inculturado que promova uma Igreja de rosto amaz\u00f4nico, em pleno respeito e igualdade com a hist\u00f3ria, a cultura e o estilo de vida das popula\u00e7\u00f5es locais. A este respeito, o Documento sinodal prop\u00f5e que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as tradi\u00e7\u00f5es, as l\u00ednguas, as cren\u00e7as e as aspira\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas, encorajando o trabalho educativo a partir da sua pr\u00f3pria identidade e cultura.<\/p>\n<p><strong>Criar uma Rede de Comunica\u00e7\u00e3o Eclesial Panamaz\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na \u00e1rea da sa\u00fade \u2013 continua o Documento \u2013 este projeto educativo dever\u00e1 promover o conhecimento ancestral da medicina tradicional de cada cultura. Ao mesmo tempo, a Igreja se compromete a oferecer assist\u00eancia de sa\u00fade l\u00e1 onde o Estado n\u00e3o chega. H\u00e1 tamb\u00e9m um forte apelo a uma educa\u00e7\u00e3o \u00e0 solidariedade, baseada na consci\u00eancia de uma origem comum e de um futuro partilhado por todos, assim como a uma cultura da comunica\u00e7\u00e3o que promova o di\u00e1logo, o encontro e o cuidado da \u201ccasa comum\u201d. Concretamente, o texto sinodal sugere a cria\u00e7\u00e3o de uma Rede de comunica\u00e7\u00e3o eclesial pan-amaz\u00f4nica, de uma rede escolar de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e de novas formas de educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Convers\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Diante de \u201cuma crise social e ambiental sem precedentes\u201d, o S\u00ednodo apela a uma Igreja amaz\u00f4nica capaz de promover uma ecologia integral e uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica segundo a qual \u201ctudo est\u00e1 intimamente conectado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ecologia integral, \u00fanico caminho poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 que, reconhecendo \u201cas feridas causadas pelo ser humano\u201d ao territ\u00f3rio, sejam procurados \u201cmodelos de desenvolvimento justo e solid\u00e1rio\u201d. Isto traduz-se numa atitude que colega o cuidado pastoral da natureza \u00e0 justi\u00e7a para com as pessoas mais pobres e desfavorecidas da terra. A ecologia integral n\u00e3o deve ser entendida como um caminho extra que a Igreja pode escolher para o futuro, mas como a \u00fanica forma poss\u00edvel para salvar a regi\u00e3o do extrativismo predat\u00f3rio, do derramamento de sangue inocente e da criminaliza\u00e7\u00e3o dos defensores da Amaz\u00f4nia. A Igreja, como \u201cparte de uma solidariedade internacional\u201d, deve promover o papel central do bioma amaz\u00f4nico para o equil\u00edbrio do planeta e encorajar a comunidade internacional a fornecer novos recursos econ\u00f4micos para sua prote\u00e7\u00e3o, fortalecendo os instrumentos da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Defesa dos direitos humanos \u00e9 uma necessidade de f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Defender e promover os direitos humanos, al\u00e9m de ser um dever pol\u00edtico e uma tarefa social, \u00e9 uma exig\u00eancia de f\u00e9. Diante deste dever crist\u00e3o, o Documento denuncia a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e a destrui\u00e7\u00e3o extrativista; assume e apoia, tamb\u00e9m em alian\u00e7a com outras Igrejas, as campanhas de desinvestimento das empresas extrativistas que causam danos sociais e ecol\u00f3gicos \u00e0 Amaz\u00f4nia; prop\u00f5e uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica radical e a busca de alternativas; prop\u00f5e tamb\u00e9m o desenvolvimento de programas de forma\u00e7\u00e3o para o cuidado da \u201ccasa comum\u201d. Pede-se aos Estados que deixem de considerar a regi\u00e3o como uma dispensa inesgot\u00e1vel, ao mesmo tempo que apelam a um \u201cnovo paradigma de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d socialmente inclusivo que combine conhecimentos cient\u00edficos e tradicionais. Os crit\u00e9rios comerciais, \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devem estar acima dos crit\u00e9rios ambientais e dos direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>Igreja aliada das comunidades amaz\u00f4nicas<\/strong><\/p>\n<p>O apelo \u00e9 \u00e0 responsabilidade: todos somos chamados \u00e0 cust\u00f3dia da obra de Deus. Os protagonistas do cuidado, prote\u00e7\u00e3o e defesa dos povos s\u00e3o as pr\u00f3prias comunidades amaz\u00f4nicas. A Igreja \u00e9 sua aliada, caminha com eles, sem impor um modo particular de agir, reconhecendo a sabedoria dos povos sobre a biodiversidade contra todas as formas de biopirataria. Pede-se que os agentes pastorais e os ministros ordenados sejam formados a esta sensibilidade socioambiental, seguindo o exemplo dos m\u00e1rtires da Amaz\u00f4nia. A ideia \u00e9 criar minist\u00e9rios para o cuidado da casa comum.<\/p>\n<p><strong>Defesa da vida<\/strong><\/p>\n<p>O Documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida \u201cdesde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o seu fim\u201d e em promover o di\u00e1logo intercultural e ecum\u00eanico para conter as estruturas de morte, pecado, viol\u00eancia e injusti\u00e7a. Convers\u00e3o ecol\u00f3gica e defesa da vida na Amaz\u00f4nia se traduzem para a Igreja em um chamado a \u201cdesaprender, aprender e reaprender para superar qualquer tend\u00eancia a assumir modelos coloniais que tenham causado danos no passado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pecado ecol\u00f3gico e direito \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Proposta a defini\u00e7\u00e3o de \u201cpecado ecol\u00f3gico\u201d como \u201ca\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o contra Deus, contra o pr\u00f3ximo, a comunidade, o meio ambiente\u201d, as futuras gera\u00e7\u00f5es e a virtude da justi\u00e7a. Para reparar a d\u00edvida ecol\u00f3gica que os pa\u00edses t\u00eam com a Amaz\u00f4nia, sugere-se a cria\u00e7\u00e3o de um fundo mundial para as comunidades amaz\u00f4nicas, a fim de proteg\u00ea-las do desejo predat\u00f3rio das empresas nacionais e multinacionais. O S\u00ednodo recorda \u201ca necessidade urgente de desenvolver pol\u00edticas energ\u00e9ticas que reduzam drasticamente as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2) e de outros gases ligados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, promove as energias limpas e chama a aten\u00e7\u00e3o para o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, ao direito humano b\u00e1sico e condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio de outros direitos humanos. Proteger a terra significa incentivar a reutiliza\u00e7\u00e3o e a reciclagem, reduzir o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e pl\u00e1sticos, mudar h\u00e1bitos alimentares como o consumo excessivo de carne e peixe, adotar estilos de vida s\u00f3brios, plantar \u00e1rvores. Neste contexto, est\u00e1 inclu\u00edda a proposta de um Observat\u00f3rio Social Pastoral Amaz\u00f4nico que trabalhe em sinergia com CELAM, CLAR, CARITAS, REPAM, episcopados, igrejas locais, universidades cat\u00f3licas e atores n\u00e3o eclesiais. Tamb\u00e9m foi proposta a cria\u00e7\u00e3o de um escrit\u00f3rio amaz\u00f4nico dentro do Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral.<\/p>\n<p><strong>Novos caminhos de convers\u00e3o sinodal<\/strong><\/p>\n<p>Superar o clericalismo e as imposi\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, refor\u00e7ar uma cultura do di\u00e1logo, da escuta e do discernimento espiritual, responder aos desafios pastorais. S\u00e3o essas as caracter\u00edsticas sobre as quais se deve fundar uma convers\u00e3o sinodal \u00e0 qual a Igreja \u00e9 chamada para avan\u00e7ar em harmonia, sob o impulso do Esp\u00edrito vivificante e com aud\u00e1cia evang\u00e9lica.<\/p>\n<p><strong>Sinodalidade, ministerialidade, papel ativo dos leigos e vida consagrada<\/strong><\/p>\n<p>O desafio \u00e9 interpretar \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo os sinais dos tempos e identificar o caminho a seguir a servi\u00e7o do desenho de Deus. As formas de exerc\u00edcio da sinodalidade s\u00e3o v\u00e1rias e dever\u00e3o ser descentralizadas, atentas aos processos locais, sem enfraquecer o elo com as Igrejas irm\u00e3s e com a Igreja universal. Sinodalidade se traduz, em continuidade com o Conc\u00edlio Vaticano II, em corresponsabilidade e ministerialidade de todos, participa\u00e7\u00e3o dos leigos, homens e mulheres, considerados \u201catores privilegiados\u201d. A participa\u00e7\u00e3o do laicato, seja na consulta, seja na tomada de decis\u00f5es na vida e miss\u00e3o da Igreja \u2013 explica o Documento Final \u2013 deve ser refor\u00e7ada e ampliada a partir da promo\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o de \u201cminist\u00e9rios a homens e mulheres de modo \u00e9quo\u201d. Evitando personalismos, talvez com encargos em rod\u00edzios, \u201co bispo pode confiar, com um mandato com prazo determinado, na aus\u00eancia de sacerdotes, o exerc\u00edcio do cuidado pastoral das comunidades a uma pessoa n\u00e3o imbu\u00edda do car\u00e1ter sacerdotal, que seja membro da pr\u00f3pria comunidade\u201d. A responsabilidade desta \u00faltima, especifica-se, permanecer\u00e1 a cargo do sacerdote. O S\u00ednodo aposta ainda numa vida consagrada com rosto amaz\u00f4nico, a partir de um refor\u00e7o das voca\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones: entre as propostas, se destaca o caminhar junto aos pobres e exclu\u00eddos. Pede-se ainda que a forma\u00e7\u00e3o seja centralizada na interculturalidade, incultura\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre as espiritualidades e as cosmovis\u00f5es amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p><strong>Organismo eclesial regional p\u00f3s-sinodal e Universidade Amaz\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p>O S\u00ednodo prop\u00f5e projetar novamente a organiza\u00e7\u00e3o das Igrejas locais de um ponto de vista pan-amaz\u00f4nico, redimensionando as vastas \u00e1reas geogr\u00e1ficas da diocese, reagrupando Igrejas particulares presentes na mesma regi\u00e3o e criando um Fundo amaz\u00f4nico para a promo\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o a fim de enfrentar o \u201ccusto da Amaz\u00f4nia\u201d. Nesta \u00f3tica, se insere a ideia de criar um Organismo eclesial regional p\u00f3s-sinodal, articulado com a Repam e o Celam, a fim de assumir muitas das propostas que emergiram no S\u00ednodo. Em \u00e2mbito formativo, se invoca a institui\u00e7\u00e3o de uma Universidade Cat\u00f3lica Amaz\u00f4nica baseada na pesquisa interdisciplinar, na incultura\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo intercultural e fundada principalmente na Sagrada Escritura, no respeito dos costumes e das tradi\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Rito amaz\u00f4nico<\/strong><\/p>\n<p>Para responder de modo autenticamente cat\u00f3lico ao pedido das comunidades amaz\u00f4nicas de adaptar a liturgia valorizando a vis\u00e3o do mundo, as tradi\u00e7\u00f5es, os s\u00edmbolos e os ritos origin\u00e1rios, se pede a este Organismo da Igreja na Amaz\u00f4nia de constituir uma comiss\u00e3o competente para estudar a elabora\u00e7\u00e3o de um rito amaz\u00f4nico que \u201cexpresse o patrim\u00f4nio lit\u00fargico, teol\u00f3gico, disciplinar e espiritual da Amaz\u00f4nia\u201d. Este se acrescentaria aos 23 ritos j\u00e1 presentes na Igreja Cat\u00f3lica, enriquecendo a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o, a capacidade de expressar a f\u00e9 numa cultura pr\u00f3pria, o sentido de descentraliza\u00e7\u00e3o e de colegialidade que a Igreja Cat\u00f3lica pode expressar. &nbsp;Tamb\u00e9m se faz a hip\u00f3tese de acompanhar os ritos eclesiais com o modo com os quais os povos cuidam do territ\u00f3rio e se relacionam com as suas \u00e1guas. Por fim, com a finalidade de favorecer o processo de incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, o S\u00ednodo expressa a urg\u00eancia de formar comit\u00eas para a tradu\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o de textos b\u00edblicos e lit\u00fargicos nas l\u00ednguas dos diferentes locais, \u201cpreservando a mat\u00e9ria dos sacramentos e adaptando-os \u00e0 forma, sem perder de vista o essencial\u201d. Tamb\u00e9m deve ser encorajado em n\u00edvel lit\u00fargico a m\u00fasica e o canto. No final do Documento, se invoca a prote\u00e7\u00e3o da Virgem da Amaz\u00f4nia, M\u00e3e da Amaz\u00f4nia, venerada com v\u00e1rios t\u00edtulos em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Manuela Castro \u2013 Cidade do Vaticano<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es do Vatican News e CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Defesa dos povos ind\u00edgenas, rito amaz\u00f4nico, novos minist\u00e9rios, diaconato das mulheres, incultura\u00e7\u00e3o e ecologia integral s\u00e3o alguns dos temas que passaram hoje, dia 26 de outubro, pela aprova\u00e7\u00e3o da assembleia do S\u00ednodo para Amaz\u00f4nia, depois de tr\u00eas semanas de discuss\u00f5es. Todos os 120 pontos do Documento foram aprovados. 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