{"id":66761,"date":"2019-10-09T19:35:20","date_gmt":"2019-10-09T22:35:20","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=66761"},"modified":"2019-10-09T19:35:20","modified_gmt":"2019-10-09T22:35:20","slug":"para-frei-gino-a-pobreza-nunca-e-abstrata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/para-frei-gino-a-pobreza-nunca-e-abstrata\/","title":{"rendered":"Para frei Gino, a pobreza nunca \u00e9 abstrata"},"content":{"rendered":"<p>Todos o conhecem. O Frei Gino usa uma barba branca, rala, que lhe cobre o pesco\u00e7o como um colar. Tem uma voz branda com um indisfar\u00e7\u00e1vel sotaque italiano. Gino Alberati \u00e9 padre mas ali, nas margens do rio I\u00e7\u00e1, na par\u00f3quia de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, \u00e9 mais do que isso. \u00c9 algu\u00e9m que doou a sua vida por inteiro \u00e0s terras da Amaz\u00f3nia. \u00c9 um amigo. Um amigo para todas as ocasi\u00f5es. Um verdadeiro pronto-socorro.<\/p>\n<h4>Capuchinho pronto-socorro<\/h4>\n<p>Desde os anos setenta do s\u00e9culo passado que Frei Gino Alberati dedica todo o seu tempo \u00e0s pessoas que vivem na Amaz\u00f3nia. Ele \u00e9 padre e conselheiro. \u00c9 assistente social, professor e amigo. E at\u00e9 faz de enfermeiro e m\u00e9dico se houver alguma urg\u00eancia. Para este frade capuchinho, de quase 80 anos, n\u00e3o h\u00e1 tempo nem dist\u00e2ncia quando se trata de salvar a vida de algu\u00e9m. Por ali, numa regi\u00e3o escondida da civiliza\u00e7\u00e3o, onde os rios fazem as vezes das estradas, as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o longe de tudo, transformando tantas vezes o que pode ser uma insignific\u00e2ncia em casos de vida ou de morte.<\/p>\n<p>A disponibilidade de servir a comunidade transformou o Frei Gino num exemplo. A sua base de trabalho est\u00e1 na par\u00f3quia de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, situada na cidade de Ic\u00e1. Ao todo s\u00e3o tr\u00eas mission\u00e1rios capuchinhos a que se juntaram dois novi\u00e7os. T\u00eam imensas pessoas para acudir. S\u00e3o mais de trinta comunidades que se estendem ao longo dos rios. A maior parte dos que vivem nessas aldeias s\u00e3o ind\u00edgenas. Pertencem \u00e0 tribo dos Tikuna. Para o Frei Gino, todos s\u00e3o seus paroquianos. Todos precisam de cuidados m\u00e9dicos, de ajuda na educa\u00e7\u00e3o e na pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia no dia-a-dia.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia dos povoados \u00e9 um dos problemas mais complexos que se colocam \u00e0 Igreja local. A jornada de ida e volta pelo rio Ic\u00e1 demora pelo menos vinte dias. Duas vezes por ano, Frei Gino faz quest\u00e3o de se meter no barco para se encontrar com estas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas. \u00c9 sempre uma viagem emotiva, feita de abra\u00e7os, risos e l\u00e1grimas. De reencontros e despedidas. Ao longo do ano, Frei Gino faz ainda dezenas de visitas mais curtas a essas comunidades que est\u00e3o t\u00e3o longe dos olhares e das preocupa\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira.<\/p>\n<h4>Salvar vidas pelo rio<\/h4>\n<p>O barco, que a Funda\u00e7\u00e3o AIS ofereceu \u00e0 par\u00f3quia de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, tem ajudado, e muito, a encurtar os tempos das viagens, permitindo transportar mais pessoas. A mudan\u00e7a de um pequeno bote quase rudimentar para um barco moderno fez toda a diferen\u00e7a. \u201cAntes, a minha embarca\u00e7\u00e3o era bem prec\u00e1ria. Eu sabia quando partia, mas nunca sabia quando voltaria ou sequer se voltaria. Com este barco, al\u00e9m de todo o trabalho pastoral, tamb\u00e9m salvamos vidas.\u201d<\/p>\n<p>A pobreza nunca \u00e9 abstrata. Ali, na enorme Amaz\u00f3nia, o Frei Gino conhece os rostos dos seus paroquianos. Conhece os seus nomes e as suas dificuldades. Sabe por que riem e quando choram.<\/p>\n<p>Quando parte em miss\u00e3o, o frade capuchinho celebra a Missa, casamentos, baptiza crian\u00e7as e adultos e ouve os fi\u00e9is em confiss\u00e3o. \u00c9 um padre de mochila \u00e0s costas com quase oitenta anos de idade. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 barreiras. Nem a l\u00edngua \u00e9 um obst\u00e1culo. Os \u00edndios Tikuna est\u00e3o no centro das suas preocupa\u00e7\u00f5es. Desde 2006 que os capuchinhos t\u00eam trabalhado com esta comunidade ind\u00edgena e s\u00e3o cada vez mais os que se sentem acolhidos na Igreja Cat\u00f3lica. A tal ponto que surgiu a necessidade de se produzir informa\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica espec\u00edfica para estas crian\u00e7as. E foi assim que, com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o AIS, se procedeu \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de cerca de 10 mil exemplares da \u2018B\u00edblia das Crian\u00e7as\u2019 na l\u00edngua local. Agora, por ali, falar tikuna n\u00e3o \u00e9 mais uma barreira para as crian\u00e7as aprenderem a rezar.<\/p>\n<p>\u00c9, isso sim, mais uma pequena vit\u00f3ria do Frei Gino, algu\u00e9m que doou a sua vida por inteiro \u00e0s terras da Amaz\u00f3nia.<\/p>\n<p>Fonte: Capuchinhos.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos o conhecem. O Frei Gino usa uma barba branca, rala, que lhe cobre o pesco\u00e7o como um colar. Tem uma voz branda com um indisfar\u00e7\u00e1vel sotaque italiano. 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