{"id":66327,"date":"2019-09-12T20:34:41","date_gmt":"2019-09-12T23:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=66327"},"modified":"2019-09-12T20:34:41","modified_gmt":"2019-09-12T23:34:41","slug":"por-que-a-amazonia-merece-um-sinodo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/por-que-a-amazonia-merece-um-sinodo\/","title":{"rendered":"Por que a Amaz\u00f4nia merece um S\u00ednodo?"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Os secret\u00e1rios especiais do pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, padre Michael Czerny, jesu\u00edta, futuro cardeal e frei David Mart\u00ednez de Aguirre Guinea, dominicano, escreveram um longo e aprofundado artigo intitulado \u201cPor que a Amaz\u00f4nia merece um S\u00ednodo?\u201d. O artigo foi publicado por La Civilt\u00e0 Cattolica a revista dos jesu\u00edtas<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><b>Michael Czerny &#8211; David Mart\u00ednez de Aguirre Guinea\/Vatican News<\/b><\/div>\n<div class=\"title__separator\">\n<div class=\"article__text\">\n<p>O pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, este sobre a Amaz\u00f4nia, ter\u00e1 lugar em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019, tendo como tema \u201cNovos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral\u201d. Examinar\u00e1 quest\u00f5es importantes para \u201ccada pessoa que habita neste planeta\u201d, como escreveu o Papa Francisco na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Carta Enc\u00edclica Laudato si\u2019 (LS).<\/p>\n<p>Por que \u00e9 a Amaz\u00f4nia t\u00e3o importante a ponto de lhe ser dedicado um S\u00ednodo? O que \u00e9 a \u201cecologia integral\u201d e quais poderiam ser esses \u201cnovos caminhos\u201d para a Igreja? Por fim, em que consiste de facto um S\u00ednodo?[1]<\/p>\n<p><b>A Amaz\u00f4nia<\/b><\/p>\n<p>Algumas informa\u00e7\u00f5es essenciais acerca da regi\u00e3o amaz\u00f4nica:<\/p>\n<p>Tem uma extens\u00e3o de 7,8 milh\u00f5es de km2, aproximadamente a mesma dimens\u00e3o da Austr\u00e1lia.<br \/>\nInclui \u00e1reas do Brasil, Bol\u00edvia, Per\u00fa, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.<br \/>\nConta com cerca de 33 milh\u00f5es de habitantes, 3 milh\u00f5es dos quais s\u00e3o ind\u00edgenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.<br \/>\nO seu impacto no ecossistema planet\u00e1rio: a bacia do Rio Amazonas e as florestas tropicais circundantes nutrem o solo e regulam, atrav\u00e9s da reciclagem da humidade, os ciclos da \u00e1gua, da energia e do carbono a n\u00edvel planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>As comunidades que habitam a regi\u00e3o amaz\u00f4nica identificaram os seguintes problemas como quest\u00f5es de import\u00e2ncia crucial para o S\u00ednodo, por meio de um amplo processo de consultas[2]:<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o e o assassinato de l\u00edderes e ativistas que defendem o territ\u00f3rio.<br \/>\nA apropria\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o de bens naturais, incluindo a \u00e1gua.<br \/>\nAs concess\u00f5es de abate legal de \u00e1rvores e o abate ilegal.<br \/>\nAs pr\u00e1ticas predat\u00f3rias de ca\u00e7a e pesca, sobretudo nos rios.<br \/>\nOs megaprojetos infraestruturais: concess\u00f5es hidroel\u00e9tricas e florestais, abate de \u00e1rvores para a produ\u00e7\u00e3o de monoculturas, estradas e ferrovias, projetos mineiros e petrol\u00edferos.<br \/>\nA polui\u00e7\u00e3o provocada por toda a ind\u00fastria extrativa, que causa problemas e doen\u00e7as, em particular \u00e0s crian\u00e7as e jovens.<br \/>\nO narcotr\u00e1fico.<br \/>\nOs problemas sociais que acompanham com frequ\u00eancia tais situa\u00e7\u00f5es, como o alcoolismo, a viol\u00eancia contra as mulheres, a explora\u00e7\u00e3o sexual, o tr\u00e1fico de seres humanos, a perda da cultura e identidade origin\u00e1rias (l\u00edngua, pr\u00e1ticas espirituais e costumes) e a condi\u00e7\u00e3o de pobreza no seu todo, \u00e0 qual est\u00e3o condenados os povos da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Instrumentum Laboris (IL) do S\u00ednodo sublinhou outros elementos cruciais:<\/p>\n<p>A falta de demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e a falta de reconhecimento do seu direito \u00e0 terra. Para a popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, \u201cterrit\u00f3rio\u201d indica a terra como espa\u00e7o natural e lugar para a realidade humana em toda a sua diversidade, rela\u00e7\u00f5es e interc\u00e2mbios, tanto materiais, como simb\u00f3licos ou espirituais. As pessoas e o ecossistema s\u00e3o interdependentes de um modo din\u00e2mico. Para muitas pessoas da Amaz\u00f4nia, o territ\u00f3rio \u00e9 tamb\u00e9m o lugar onde se encontram as suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, onde habitam os esp\u00edritos dos seus antepassados, e onde podem experimentar todas as dimens\u00f5es do buen vivir. Estas conota\u00e7\u00f5es do \u201cterrit\u00f3rio\u201d est\u00e3o em sintonia com a escolha do Papa Francisco do termo \u201ccasa\u201d (em \u201ca nossa casa comum\u201d) para descrever a totalidade da rela\u00e7\u00e3o e da responsabilidade dos seres humanos para com o planeta.<br \/>\nA r\u00e1pida perda da biodiversidade (extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies da flora e da fauna).<br \/>\nEm alguns casos, s\u00e3o as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas a abusar dos bens naturais (IL 31).<br \/>\nAs consequ\u00eancias para o planeta, uma vez que a floresta amaz\u00f4nica representa o \u201cpulm\u00e3o\u201d vital para a atmosfera global.<br \/>\nA cosmovis\u00e3o amaz\u00f4nica e a vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo est\u00e3o ambas em crise, em virtude da imposi\u00e7\u00e3o do mercantilismo, da seculariza\u00e7\u00e3o, da cultura do descarte e da idolatria do dinheiro (cf. Evangelii gaudium [EG], nn. 54-55). Esta crise afeta em especial os jovens e os contextos urbanos, que perdem a liga\u00e7\u00e3o com as ra\u00edzes da tradi\u00e7\u00e3o. Por outro lado, as migra\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos intensificaram as transforma\u00e7\u00f5es religiosas e culturais da regi\u00e3o. A nova vida das cidades nem sempre favorece sonhos e aspira\u00e7\u00f5es, mas muitas vezes desorienta e abre espa\u00e7os a messianismos de curta dura\u00e7\u00e3o, desconexos, alienantes e desprovidos de significado (IL 27; 32).<\/p>\n<p>A crise da regi\u00e3o amaz\u00f4nica est\u00e1 a chegar ao ponto de n\u00e3o retorno e a Amaz\u00f4nia \u00e9 agora um dram\u00e1tico novo assunto na ordem do dia. Os problemas gerais respeitantes \u00e0 vida humana e ao ambiente natural desta regi\u00e3o s\u00e3o indiscut\u00edveis. Ambos \u2013 vida humana e ambiente \u2013 est\u00e3o a sofrer uma s\u00e9ria e talvez irrevers\u00edvel destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos in\u00edcios de 2018, o Papa Francisco dirigiu-se aos povos da Amaz\u00f4nia em Puerto Maldonado, no Peru, com estas palavras: \u201cProvavelmente, nunca os povos origin\u00e1rios amaz\u00f4nicos estiveram t\u00e3o amea\u00e7ados nos seus territ\u00f3rios como o est\u00e3o agora. A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma terra disputada em v\u00e1rias frentes: por um lado, a nova ideologia extrativa e a forte press\u00e3o de grandes interesses econ\u00f3micos cuja avidez se centra no petr\u00f3leo, g\u00e1s, madeira, ouro e monoculturas agroindustriais; por outro, a amea\u00e7a contra os vossos territ\u00f3rios vem da pervers\u00e3o de certas pol\u00edticas que promovem a \u00abconserva\u00e7\u00e3o\u00bb da natureza sem ter em conta o ser humano, nomeadamente v\u00f3s irm\u00e3os amaz\u00f4nicos que a habitais. Temos conhecimento de movimentos que, em nome da conserva\u00e7\u00e3o da floresta, se apropriam de grandes extens\u00f5es da mesma e negoceiam com elas gerando situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o sobre os povos nativos, para quem, assim, o territ\u00f3rio e os recursos naturais que h\u00e1 nele se tornam inacess\u00edveis. Este problema sufoca os vossos povos, e causa a migra\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es devido \u00e0 falta de alternativas locais. Devemos romper com o paradigma hist\u00f3rico que considera a Amaz\u00f4nia como uma despensa inesgot\u00e1vel dos Estados, sem ter em conta os seus habitantes\u201d[3].<\/p>\n<p>Este \u00e9, por conseguinte, o momento certo para escutar a voz da Amaz\u00f4nia \u201c\u00e0 luz da f\u00e9\u201d (IL 147) e \u201cde responder como Igreja prof\u00e9tica e samaritana\u201d (IL 43).<\/p>\n<p><strong>Novos caminhos para uma ecologia integral<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de \u201cecologia integral\u201d \u00e9 consent\u00e2neo com os problemas e as oportunidades da Amaz\u00f4nia. Ele serve tanto de guia como de objetivo do S\u00ednodo.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia ao \u201ccuidado da casa comum\u201d no t\u00edtulo da Laudato si\u2019 \u00e9 significativa: trata-se de uma express\u00e3o extraordin\u00e1ria e bel\u00edssima. Por outro lado, a no\u00e7\u00e3o-chave da enc\u00edclica de uma \u201cecologia integral\u201d n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia e poderia n\u00e3o ser de imediato esclarecedora e, menos ainda, estimular \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos conhecem mais ou menos o significado da palavra \u201cecologia\u201d. O adjetivo \u201cintegral\u201d d\u00e1-lhe um toque provocador, at\u00e9 mesmo desconcertante. \u201cIntegral\u201d refere-se habitualmente a uma \u201ctotalidade\u201d e \u00e0 unidade daquele \u201ctodo\u201d. Indica que todos os elementos essenciais est\u00e3o inclu\u00eddos e presentes \u2013 n\u00e3o lhe falta nenhum \u2013 e que estes elementos essenciais est\u00e3o ligados ou juntos. Ao mesmo tempo, \u201cintegral\u201d nega a exclus\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o ou o isolamento. Este adjetivo \u00e9 habitualmente entendido em sentido positivo ou merit\u00f3rio. D\u00e1 \u00e0 ideia de ecologia um alcance e um peso maiores.<\/p>\n<p>Na Laudato si\u2019, o Papa Francesco sustenta a tese de que o mundo est\u00e1 confrontado com uma crise de sobreviv\u00eancia: \u201cMas, hoje, n\u00e3o podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justi\u00e7a nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres\u201d (LS 49). O clamor da terra e o clamor dos pobres constituem um \u00fanico clamor e a Igreja deve escut\u00e1-lo e clamar com eles[4].<\/p>\n<p>Alguns atributos espec\u00edficos da ecologia integral s\u00e3o:<\/p>\n<p>Uma \u201cecologia integral, que inclua claramente as dimens\u00f5es humanas e sociais\u201d (LS 137), bem como as dimens\u00f5es naturais e econ\u00f3micas (cf. LS 138).<\/p>\n<p>\u201cA ecologia integral \u00e9 insepar\u00e1vel da no\u00e7\u00e3o de bem comum, princ\u00edpio este que desempenha um papel central e unificador na \u00e9tica social\u201d (LS 156); esta \u201cperspectiva ampla\u201d inclui as gera\u00e7\u00f5es futuras (cf. LS 159).<\/p>\n<p>\u201cUma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a cria\u00e7\u00e3o, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre n\u00f3s e naquilo que nos rodeia e cuja presen\u00e7a \u00abn\u00e3o precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada\u00bb\u201d (LS 225; EG 71). Isso implica \u201csimples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l\u00f3gica da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o, do ego\u00edsmo\u201d (LS 230, invocando Santa Teresa de Lisieux).<\/p>\n<p>A ecologia integral representa uma nova s\u00edntese na doutrina social da Igreja. Para compreender esta afirma\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00fatil pensar na Rerum Novarum (1891), a enc\u00edclica de Le\u00e3o XIII que \u00e9 considerada como o ponto de partida do pensamento social cat\u00f3lico moderno. Tendo em conta os excessos da primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial, aquele Papa sentia a preocupa\u00e7\u00e3o que os trabalhadores fossem considerados como coisas, como meras unidades produtivas. Para combater esta distor\u00e7\u00e3o, insistia que os trabalhadores fossem tratados como pessoas com direitos e essencialmente conectados na sua dignidade com a fam\u00edlia, a comunidade e a espiritualidade.<\/p>\n<p>Sugerimos este paralelo: o Papa Francisco observa os excessos da explora\u00e7\u00e3o industrial, a mesquinhez do pensamento tecnocr\u00e1tico, a avareza financeira e consumista e a indiferen\u00e7a social; estes elementos conduzem a uma tremenda desigualdade e a uma marginaliza\u00e7\u00e3o cruel, que sucedem em paralelo com um r\u00e1pido aquecimento global e a pilhagem da natureza. Em resposta, ele apela a uma nova atitude para com a natureza e o ambiente social. O objetivo do pensamento e da a\u00e7\u00e3o da ecologia integral \u2013 a nova s\u00edntese \u2013 seria um cuidado pela nossa casa comum nos seus aspetos materiais (naturais) e sociais necess\u00e1rios. O Instrumentum Laboris do S\u00ednodo caracteriza a ecologia integral como um \u201cparadigma relacional\u201d que proporciona a \u201carticula\u00e7\u00e3o fundamental dos v\u00ednculos que tornam poss\u00edvel um verdadeiro desenvolvimento humano\u201d (IL 48).<\/p>\n<p>Esta nova s\u00edntese \u00e9 um grito de alerta dirigido ao mundo inteiro, a toda a humanidade. Mas sugere tamb\u00e9m uma nova orienta\u00e7\u00e3o sociopastoral e uma nova din\u00e2mica para a Igreja, que deve compreender os desafios enfrentados pelos indiv\u00edduos, fam\u00edlias e grupos no \u00e2mbito destas v\u00e1rias dimens\u00f5es: n\u00e3o podemos proporcionar aconselhamento espiritual e cuidado pastoral se as pessoas forem consideradas em separado (ou seja, de forma n\u00e3o integrada) do modo como vivem e agem, tendo em conta as condi\u00e7\u00f5es naturais, econ\u00f3micas e sociais com que se deparam.<\/p>\n<p>Apliquemos agora estas ideias \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A Laudato si\u2019 foi publicada em junho de 2015. Nos anos que se seguiram, foram desencadeadas numerosas iniciativas em favor da ecologia integral, muitas inspiradas pela Igreja. Entretanto, de acordo com todos os indicadores, a crise piorou significativamente. O S\u00ednodo sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma tentativa consciente da Igreja de implementar a Laudato si\u2019 neste ambiente humano e natural fundamental.<\/p>\n<p>As circunst\u00e2ncias espec\u00edficas da Amaz\u00f4nia requerem \u201cuma op\u00e7\u00e3o sincera em prol da defesa da vida, defesa da terra e defesa das culturas\u201d[5], de modo a que a ecologia integral inclua a integra\u00e7\u00e3o da vida, do territ\u00f3rio e da cultura (cf. IL 49). \u201cA Igreja n\u00e3o pode deixar de se preocupar pela salva\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana, o que comporta favorecer a cultura dos povos ind\u00edgenas, falar de suas exig\u00eancias vitais, acompanhar os movimentos e reunir as for\u00e7as para lutar pelos seus direitos\u201d (IL 143).<\/p>\n<p>O S\u00ednodo diz respeito a todas as partes envolvidas: quem se encontra agora na Amaz\u00f4nia; quem est\u00e1 pr\u00f3ximo; quem pretende dirigir-se para l\u00e1; e o resto do mundo. E, no \u00e2mbito dessa perspectiva global, a Igreja est\u00e1 a procurar proporcionar uma lideran\u00e7a que escuta, respeita e quer aprender: \u201cA cultura da Amaz\u00f4nia, que integra os seres humanos com a natureza, se constitui como referente para construir um novo paradigma da ecologia integral\u201d (IL 56).<\/p>\n<p><strong>Novos caminhos para a Igreja<\/strong><\/p>\n<p>Desde o Conc\u00edlio Vaticano II, a miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo deu muitos frutos, mas nalgumas circunst\u00e2ncias tamb\u00e9m fracassou. Foi ainda objeto de um constante debate: um debate em cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o. Reagindo a esta situa\u00e7\u00e3o, o Papa Francisco reconhece que \u201ca Igreja pode ser tentada a permanecer fechada em si mesma, renunciando \u00e0 sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho e de tornar presente o Reino de Deus. Pelo contr\u00e1rio, uma Igreja em sa\u00edda \u00e9 uma Igreja que se confronta com o pecado [n\u00e3o apenas pessoal, mas tamb\u00e9m social e estrutural] deste mundo, ao qual ela mesma n\u00e3o \u00e9 alheia (cf. EG, 20-24)\u201d (IL 100).<\/p>\n<p>Esta Igreja em sa\u00edda deve oferecer respostas significativas e apropriadas a situa\u00e7\u00f5es concretas. Em 2013, o Pont\u00edfice convidou os bispos do Brasil a reconhecerem a Amaz\u00f4nia como um aut\u00eantico \u201cteste decisivo, banco de prova\u201d para a Igreja e a sociedade. A Igreja \u2013 disse \u2013 \u00e9 \u201cdeterminante no futuro daquela \u00e1rea\u201d[6].<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os \u201cnovos caminhos, ao longo dos quais a Igreja na Amaz\u00f4nia anunciar\u00e1 o Evangelho de Jesus Cristo durante os pr\u00f3ximos anos\u201d (IL 5)?<\/p>\n<p>Os novos caminhos guiam a Igreja para ser n\u00e3o para si mesma, mas para as pessoas, envolvendo-as ativamente enquanto Povo de Deus. Nos \u00faltimos anos, a diminui\u00e7\u00e3o dos religiosos mission\u00e1rios \u2013 homens e mulheres \u2013 est\u00e1 a colocar em perigo a presen\u00e7a da Igreja cat\u00f3lica entre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia. A Confer\u00eancia de Aparecida teve a coragem de admitir \u201cpor um lado, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as pr\u00e1ticas religiosas; e, por outro lado, que significativo n\u00famero de cat\u00f3licos est\u00e3o abandonando a Igreja para entrar em outros grupos religiosos\u201d[7].<\/p>\n<p>O pontificado de Francisco colocou em evid\u00eancia o desafio da Amaz\u00f4nia para a Igreja, o que est\u00e1 tendo como resultado uma r\u00e1pida resposta por parte de diversas congrega\u00e7\u00f5es religiosas, que est\u00e3o regressando, se reorganizando e reorientando a sua miss\u00e3o no territ\u00f3rio. O S\u00ednodo deseja responder ao desafio de Aparecida do relan\u00e7amento da miss\u00e3o da Igreja na Amaz\u00f4nia com \u201cfidelidade a aud\u00e1cia\u201d[8]. Devemos aceitar a import\u00e2ncia da nossa presen\u00e7a neste territ\u00f3rio muito especial e, ao mesmo tempo, compreender o modo particular pelo qual deve ser evangelizado.<\/p>\n<p>A Igreja adquire um rosto amaz\u00f4nico por meio da participa\u00e7\u00e3o da grande diversidade de povos que habitam neste territ\u00f3rio. N\u00e3o apenas os rostos daqueles que t\u00eam a\u00ed habitado desde as origens e cuidado dele durante milhares de anos, mas tamb\u00e9m quantos chegaram depois e l\u00e1 permaneceram. Estes \u00faltimos, muitos dos quais cat\u00f3licos, s\u00e3o especialmente chamados a sentir-se parte da Amaz\u00f4nia, a respeit\u00e1-la e a identificar-se com ela.<\/p>\n<p>O Papa Francisco disse-nos em Puerto Maldonado: \u201cAmai esta terra, senti-a vossa. Odorai-a, ouvi-a, maravilhai-vos com ela. Enamorai-vos desta terra [\u2026], comprometei-vos a salvaguard\u00e1-la, a defend\u00ea-la. N\u00e3o a useis como mero objeto que se pode descartar\u201d[9]. O S\u00ednodo ajudar\u00e1 a que todos \u2013 ind\u00edgenas, moradores dos rios, descendentes de africanos, mesti\u00e7os, migrantes andinos e habitantes das cidades \u2013 assumam a sua identidade amaz\u00f4nica e a encontrar uma estrutura eclesial e estatutos apropriados para os seus espec\u00edficos requisitos pastorais.<\/p>\n<p>\u201cNovos caminhos para a Igreja\u201d significa tamb\u00e9m aprofundar o \u201cprocesso de incultura\u00e7\u00e3o\u201d (EG 126) e a interculturalidade (cf. LS 63; 143; 146). Por isso, \u00e9 importante que os povos origin\u00e1rios tornem a Igreja \u201csua\u201d. Devem ser sujeitos ativos \u2013 n\u00e3o apenas o seu objeto \u2013 da evangeliza\u00e7\u00e3o, pelo que devem ser eles a levar por diante esse processo de incultura\u00e7\u00e3o. Estando ali apenas temporariamente, os mission\u00e1rios devem aceitar um papel secund\u00e1rio e dar prioridade ao protagonismo da comunidade ind\u00edgena evangelizada.<\/p>\n<p>\u00c9 um grande e cont\u00ednuo desafio para a Igreja Cat\u00f3lica levar a que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia se sintam parte dela e contribuam para ela com a luz de Cristo e a riqueza espiritual que brilha nas suas culturas. Esta atitude decidida da Igreja n\u00e3o impede o di\u00e1logo inter-religioso com quem n\u00e3o aceita Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O Instrumentum Laboris articula a complexidade do trabalho da Igreja na Amaz\u00f4nia. As grandes dist\u00e2ncias, a diversidade cultural e a escassez de sacerdotes obrigam a Igreja a dar respostas audazes e eficazes. Os Padres Sinodais e os outros participantes ter\u00e3o de responder ao desafio de passar de uma \u201cpastoral de visita\u201d para uma \u201cpastoral de presen\u00e7a\u201d (IL 128).<\/p>\n<p>Para dar este passo importante, \u00e9 necess\u00e1ria uma concentra\u00e7\u00e3o nos minist\u00e9rios e servi\u00e7os nas comunidades. Por um lado, ser\u00e1 uma oportunidade para continuar a implementar o Conc\u00edlio Vaticano II e explorar as possibilidades que se abrem para os pastores responderem efetivamente \u00e0s necessidades das suas Igrejas locais. Por outro lado, permanece em aberto ver que inova\u00e7\u00f5es pastorais surgir\u00e3o para assegurar a presen\u00e7a dos sacramentos em cada comunidade. Neste sentido, o minist\u00e9rio da Eucaristia assume particular import\u00e2ncia, uma vez que \u201ca Igreja vive da Eucaristia\u201d e \u201ca Eucaristia edifica a Igreja\u201d[10].<\/p>\n<p>Tudo isto requer propostas \u201caudazes\u201d da Igreja na Amaz\u00f4nia, as quais por sua vez pressup\u00f5em coragem e paix\u00e3o, como o Papa Francisco nos pede (cf. IL 106). O Pont\u00edfice ofereceu uma s\u00e9rie de sugest\u00f5es para um compromisso corajoso com as condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas \u2013 de uma maneira espec\u00edfica na Laudato si\u2019, de modo mais amplo na Evangelii Gaudium e na Gaudete et exsultate, e com especial sensibilidade para os desejos humanos na Amoris laetitia. Estes documentos ajudam a esclarecer o que seja pastoral para os l\u00edderes eclesiais, os fi\u00e9is e outras pessoas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A grandeza e estabilidade reconfortante do magist\u00e9rio n\u00e3o devem distrair a Igreja de responder a necessidades \u00fanicas de uma maneira apropriada. A mesma medida n\u00e3o serve a todos e, nesta regi\u00e3o, neste momento, o desafio \u00e9 o de ser uma Igreja com um rosto amaz\u00f4nico e ind\u00edgena (cf. IL 107-111; 115-116).<\/p>\n<p>Este \u00e9, pois, o objetivo do pr\u00f3ximo S\u00ednodo: buscar \u201cnovos caminhos para uma Igreja prof\u00e9tica na Amaz\u00f4nia\u201d (IL 147) e para a ecologia integral.<\/p>\n<p><b>Um S\u00ednodo de novos caminhos<\/b><\/p>\n<p>Cat\u00f3licos e outros podem ficar surpreendidos com o uso atual do termo \u201cs\u00ednodo\u201d por parte da Igreja. At\u00e9 h\u00e1 pouco, a no\u00e7\u00e3o de s\u00ednodo era mais familiar para os crist\u00e3os de rito oriental; e \u00e9 o nome de uma estrutura em algumas igrejas crist\u00e3s n\u00e3o cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>A raiz grega da palavra significa \u201ccaminhar juntos\u201d. Desde o in\u00edcio, os disc\u00edpulos de Jesus percorreram o seu caminho na hist\u00f3ria, guiados pelo Esp\u00edrito Santo e conduzidos pelos seus pastores com o primado de Pedro. Em 1965, reconhecendo os benef\u00edcios da estreita colabora\u00e7\u00e3o entre o Santo Padre e os bispos durante o Conc\u00edlio Vaticano II, o Papa S. Paulo VI decidiu instituir um \u201cespecial conselho permanente de sacros Pastores\u201d, para que a sua \u201cgrande abund\u00e2ncia de benef\u00edcios\u201d pudesse prosseguir[11].<\/p>\n<p>Os Pont\u00edfices seguintes fizeram amplo uso dos S\u00ednodos, que se dividem em tr\u00eas categorias: \u201cAssembleia geral ordin\u00e1ria\u201d, para quest\u00f5es relativas \u00e0 Igreja universal; \u201cAssembleia geral extraordin\u00e1ria\u201d, para quest\u00f5es particularmente urgentes relativas \u00e0 Igreja universal; e \u201cAssembleia especial\u201d, para quest\u00f5es relativas a um continente ou regi\u00e3o espec\u00edfica. O pr\u00f3ximo S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia \u00e9 o d\u00e9cimo primeiro S\u00ednodo da categoria \u201cespecial\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pr\u00e1tica em evolu\u00e7\u00e3o. A instru\u00e7\u00e3o mais recente \u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Episcopalis Communio, promulgada pelo Papa Francisco a 15 de setembro de 2018. Sem alterar o seu estatuto formal de um grupo representativo de bispos que proporcionam assist\u00eancia consultiva ou deliberativa ao Supremo Pont\u00edfice, o Papa Francisco conduziu os S\u00ednodos para virem a ser algo de mais rico do que simplesmente \u201cbispos que caminham juntos\u201d. Cada vez mais, os s\u00ednodos est\u00e3o a tornar-se encontros de todo o Povo de Deus na Igreja.<\/p>\n<p>Uma forma de encorajar os S\u00ednodos a serem mais inclusivos foi a institui\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos na fase preparat\u00f3ria, que recolhem quest\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is leigos e dos religiosos, e n\u00e3o apenas dos bispos. Tais inqu\u00e9ritos foram conduzidos antes dos S\u00ednodos sobre a Fam\u00edlia, os Jovens e a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Uma outra forma foi o aumento do n\u00famero e da variedade de participantes para representar diversos aspetos da quest\u00e3o. Esta foi uma caracter\u00edstica relevante do S\u00ednodo sobre os Jovens, em que a partilha da vida quotidiana com os jovens auditores iluminou e influenciou os delegados votantes.<\/p>\n<p>O documento final deste \u00faltimo S\u00ednodo reconhece na experi\u00eancia sinodal \u201cum fruto do Esp\u00edrito que n\u00e3o cessa de renovar a Igreja e a chama a praticar a sinodalidade como forma de ser e agir, promovendo a participa\u00e7\u00e3o de todos os batizados e pessoas de boa vontade, cada qual segundo a pr\u00f3pria idade, estado de vida e voca\u00e7\u00e3o. Neste S\u00ednodo, experimentamos como a colegialidade, que une os bispos cum Petro et sub Petro na solicitude pelo Povo de Deus, \u00e9 chamada a articular-se e enriquecer-se atrav\u00e9s da pr\u00e1tica da sinodalidade a todos os n\u00edveis\u201d[12].<\/p>\n<p>Todos se tornaram \u201ccientes da import\u00e2ncia que uma forma sinodal da Igreja tem para o an\u00fancio e a transmiss\u00e3o da f\u00e9. A participa\u00e7\u00e3o dos jovens contribuiu para \u00abdespertar\u00bb a sinodalidade, que \u00e9 uma \u00abdimens\u00e3o constitutiva da Igreja. (\u2026) Como diz S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, \u02ddIgreja e S\u00ednodo s\u00e3o sin\u00f3nimos\u02dd, pois a Igreja nada mais \u00e9 do que este \u02ddcaminhar juntos\u02dd do Rebanho de Deus pelas sendas da hist\u00f3ria ao encontro de Cristo Senhor\u00bb (Francisco, Discurso na comemora\u00e7\u00e3o do cinquenten\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos, 17\/X\/2015). A sinodalidade tanto carateriza a vida como a miss\u00e3o da Igreja, que \u00e9 o Povo de Deus \u2013 formado por jovens e idosos, homens e mulheres de toda a cultura e latitude \u2013 e o Corpo de Cristo, no qual somos membros uns dos outros, a come\u00e7ar pelas pessoas marginalizadas e oprimidas\u201d[13].<\/p>\n<p>\u201cTendo em vista tamb\u00e9m a miss\u00e3o, a Igreja \u00e9 chamada a assumir uma fisionomia relacional, que coloque no centro a escuta, a hospitalidade, o di\u00e1logo e o discernimento comum, num percurso que transforme a vida de quem nele participa. \u00abUma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja da escuta, ciente de que escutar \u02dd\u00e9 mais do que ouvir\u02dd. \u00c9 uma escuta rec\u00edproca, onde cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Col\u00e9gio episcopal, Bispo de Roma: cada um \u00e0 escuta dos outros; e todos \u00e0 escuta do Esp\u00edrito Santo, o \u02ddEsp\u00edrito da verdade\u02dd (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele \u02dddiz \u00e0s Igrejas\u02dd (Ap 2, 7)\u00bb\u201d[14].<\/p>\n<p>De facto, a escuta rec\u00edproca, o acolhimento, o di\u00e1logo, o discernimento comum, o consenso para identificar os caminhos que Deus nos tra\u00e7a como Igreja, o povo de Deus, s\u00e3o elementos fundamentais para \u201cuma Igreja chamada a ser cada vez mais sinodal\u201d (IL 5). S\u00e3o tamb\u00e9m fundamentais para o dif\u00edcil caminho de afastamento do clericalismo e de uma \u00eanfase excessiva dada \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o na Igreja, rumo a uma aut\u00eantica subsidiariedade. Uma Igreja que seja cada vez mais sinodal percorrer\u00e1 caminhos diversos em diferentes regi\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es, e estar\u00e1 mais \u00e0 vontade com a variedade, manifestando diferentes caracter\u00edsticas com povos diversos, em vez de prescrever um \u201ctamanho \u00fanico\u201d.<\/p>\n<p>O IL termina manifestando a esperan\u00e7a de que \u201ceste S\u00ednodo seja uma express\u00e3o concreta da sinodalidade de uma Igreja em sa\u00edda, para que a vida plena que Jesus veio trazer ao mundo (cf. Jo 10, 10) chegue a todos, especialmente aos pobres\u201d (IL 147).<\/p>\n<p>Esse S\u00ednodo, esse \u201ccaminhar juntos\u201d, n\u00e3o termina com a Missa conclusiva, nem com a apresenta\u00e7\u00e3o do Documento final ao Papa, nem mesmo com a subsequente Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, que ser\u00e1 publicada provavelmente na primeira metade de 2020. Ele apontar\u00e1 para uma poss\u00edvel implementa\u00e7\u00e3o, por parte do Povo de Deus e de outros, de a\u00e7\u00f5es para proteger uma parte espec\u00edfica da grande casa comum em que todos vivemos, bem como de novos caminhos pastorais para a Igreja.<\/p>\n<p>O S\u00ednodo ser\u00e1 constitu\u00eddo pelos bispos da Amaz\u00f4nia caminhando juntos uns com os outros, com os habitantes daquelas terras, com os jovens e com o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, durante o S\u00ednodo de outubro, todo o mundo deveria caminhar com as pessoas da Amaz\u00f4nia \u2013 sem pretender alargar ou desviar a sua agenda, mas para ajudar o S\u00ednodo a ter impacto.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e9 enorme e os seus desafios s\u00e3o imensos. As consequ\u00eancias da sua destrui\u00e7\u00e3o seriam sentidas em todo o planeta.<\/p>\n<p>Para os povos daquele territ\u00f3rio, a Amaz\u00f4nia \u00e9 a sua casa no sentido mais pleno do termo; por isso, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio um trabalho que ajude a ver a Amaz\u00f4nia como uma casa de todos, que merece o cuidado de todos\u201d (IL 129).<\/p>\n<p>Para a terra e a humanidade no seu conjunto, a Amaz\u00f4nia \u00e9 parte vital da nossa casa comum. Se a Amaz\u00f4nia for ainda mais depredada, a atmosfera poder\u00e1 tornar-se demasiado contaminada e quente para sustentar a vida.<\/p>\n<p>Os jovens e os ainda n\u00e3o nascidos correm o maior risco nesta crise. Como \u00e9 que os jovens da Amaz\u00f4nia se poder\u00e3o unir aos jovens de todo o mundo para se assegurarem de que, enquanto crescem, todos ser\u00e3o capazes de respirar, de viver em plenitude e de transmitir aos seus filhos as condi\u00e7\u00f5es essenciais para a sua vida?<\/p>\n<p>E como \u00e9 que a Igreja pode ajudar a encontrar os novos caminhos necess\u00e1rios? \u201cO mundo amaz\u00f4nico pede \u00e0 Igreja que seja sua aliada\u201d (IL 144).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Notas<\/b>[1] Os autores agradecem a Hern\u00e1n Quezada S.I. (M\u00e9xico) e Robert Czerny (Canad\u00e1) pela ajuda na reda\u00e7\u00e3o e na revis\u00e3o do artigo.<\/p>\n<p>[2] Cerca de 87.000 pessoas participaram do processo de consultas. Mais ou menos 22.000 tomaram parte nas Assembleias, F\u00f3runs e Grupos de Debate e pelo menos umas 65.000 outras participaram dos processos preparat\u00f3rios nos nove pa\u00edses da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Foram implicados 90% dos bispos da Amaz\u00f4nia ou os seus vig\u00e1rios. Al\u00e9m disso, algumas Confer\u00eancias Episcopais realizaram as suas pr\u00f3prias consultas.<\/p>\n<p>[3] FRANCISCO, Encontro com os povos da Amaz\u00f4nia, Puerto Maldonado, 19 de janeiro de 2018.<\/p>\n<p>[4] Cfr T. Garc\u00eda, \u201cHoy la Amazon\u00eda se puede sentar en la mesa del Planeta Tierra y alzar su voz\u201d, entrevista a Dom David Mart\u00ednez de Aguirre, in Religion Digital (https:\/\/www.religiondigital.org\/non_solum_sed_etiam-_el_blog_de_txenti\/Monsenor-Secretario-Especial-Amazonia-Planeta_7_2127757209.html), 3 de junho de 2019.<\/p>\n<p>[5] FRANCISCO, Encontro com os povos da Amaz\u00f4nia, cit.<\/p>\n<p>[6] Id., Encontro com o Episcopado brasileiro, 27 de julho de 2013.<\/p>\n<p>[7] Documento da V Confer\u00eancia Geral do CELAM, Aparecida (Brasil), 2007.<\/p>\n<p>[8] Ivi.<\/p>\n<p>[9] FRANCISCO, Encontro com a Popula\u00e7\u00e3o no Instituto Jorge Basadre (Puerto Maldonado), 19 de janeiro de 2018.<\/p>\n<p>[10] JO\u00c3O PAULO II s., Ecclesia de Eucharistia (2003), n. 1 e cap. II.<\/p>\n<p>[11] PAULO VI s., Apostolica Sollicitudo, Istituzione del Sinodo dei Vescovi per la Chiesa Universale, 15 de setembro de 1965 [traduzido da vers\u00e3o italiana].<\/p>\n<p>[12] S\u00cdNODO DOS BISPOS SOBRE OS JOVENS, Documento Final, 27 de outubro de 2018, 119.<\/p>\n<p>[13] Cfr ivi, 121.<\/p>\n<p>[14] Ivi, 122.<\/p>\n<p>(<i>Fonte<\/i>:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.laciviltacattolica.it\/articolo\/por-que-a-amazonia-merece-um-sinodo\/\" rel=\"external nofollow\">https:\/\/www.laciviltacattolica.it\/articolo\/por-que-a-amazonia-merece-um-sinodo\/<\/a>)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__meta article__meta--noicon\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os secret\u00e1rios especiais do pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos, padre Michael Czerny, jesu\u00edta, futuro cardeal e frei David Mart\u00ednez de Aguirre Guinea, dominicano, escreveram um longo e aprofundado artigo intitulado \u201cPor que a Amaz\u00f4nia merece um S\u00ednodo?\u201d. O artigo foi publicado por La Civilt\u00e0 Cattolica a revista dos jesu\u00edtas &nbsp; Michael Czerny &#8211; David Mart\u00ednez de&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/por-que-a-amazonia-merece-um-sinodo\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66328,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-66327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66327"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66329,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66327\/revisions\/66329"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}