{"id":64856,"date":"2019-06-07T19:19:03","date_gmt":"2019-06-07T22:19:03","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=64856"},"modified":"2019-06-07T19:19:03","modified_gmt":"2019-06-07T22:19:03","slug":"lacos-de-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/lacos-de-humanidade\/","title":{"rendered":"La\u00e7os de humanidade"},"content":{"rendered":"<p>A humanidade padece de graves adoecimentos. Ao mesmo tempo, tem ao seu alcance o caminho que leva \u00e0 cura: cultivar la\u00e7os e fortalecer v\u00ednculos constru\u00eddos a partir do amor, do gosto pela solidariedade. Distanciar-se desse caminho traz s\u00e9rias consequ\u00eancias para as pessoas e preju\u00edzos para a sociedade. A vida se torna menos saud\u00e1vel. Mesmo assim, observa-se gradativa desconsidera\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de se constituir la\u00e7os. Na ilus\u00e3o de que as riquezas garantem o dom\u00ednio sobre tudo o que existe, ganha mais centralidade a busca pelo ac\u00famulo de bens. O resultado \u00e9 o desequil\u00edbrio, que s\u00f3 traz perdas \u2013 inclusive, no campo econ\u00f4mico com o aumento de custos para o funcionamento da sociedade, o comprometimento das produ\u00e7\u00f5es e o crescente desperd\u00edcio. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante a valoriza\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os fraternos.<\/p>\n<p>Reconhecer-se como parte de um grupo maior, cultivar o sentimento de perten\u00e7a \u00e9 o ponto de partida.&nbsp; Desse modo, o olhar dirigido ao outro muda. As diferen\u00e7as n\u00e3o mais s\u00e3o vistas como motivo de brigas e passam a ser consideradas riquezas. As mentiras deixam de ocupar o lugar da verdade. Corrige-se a conduta dos que buscam somente garantir vantagens pessoais ou para pequenos grupos, impondo sacrif\u00edcios a toda sociedade. Assim, cultivar la\u00e7os \u00e9 tamb\u00e9m fator importante no combate aos desequil\u00edbrios que envergonham a sociedade. Nesse horizonte, a mensagem do Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais ilumina o entendimento de todos. O texto sublinha um trecho da Carta de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios: \u201cSomos membros uns dos outros\u201d.<\/p>\n<p>A met\u00e1fora do corpo e dos membros, apreciada por Paulo Ap\u00f3stolo, guarda a li\u00e7\u00e3o fundamental que deve ser verdadeiramente aprendida pela humanidade. As muitas desarmonias que trazem sofrimento ao mundo t\u00eam raiz na perda do sentido de reciprocidade entre as pessoas. Quando se perde o encantamento em rela\u00e7\u00e3o ao semelhante, o cora\u00e7\u00e3o enrijece, adoece gravemente e junto adoece todo o corpo, ou seja, toda a sociedade. Assim, o alicerce para a vida saud\u00e1vel e uma sociedade com mais harmonia \u00e9 o reconhecimento de todos como parte de um \u00fanico corpo. Mas antes \u00e9 preciso se despir da mentira e ter coragem para viver na verdade.<\/p>\n<p>Preservar a verdade \u00e9 exig\u00eancia para rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas, que fortale\u00e7am a comunh\u00e3o &#8211; explica o Papa Francisco -, pois a mentira \u00e9 sinal do ego\u00edsmo, da recusa de se tornar \u201cparte\u201d do \u201ccorpo\u201d, de ser servidor dos outros. Sem o compromisso com a verdade, perde-se o \u00fanico caminho poss\u00edvel para reencontrar o sentido da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Por isso, quando se pensa nas muitas reformas necess\u00e1rias e urgentes para toda a sociedade, deve-se privilegiar a solidariedade, buscar a comunh\u00e3o, respeitar a alteridade. E para desempenhar bem essa tarefa, vale retomar importante refer\u00eancia human\u00edstica destacada pelo Papa Francisco: na medida em que um se reconhece membro do outro, no \u00fanico corpo cuja cabe\u00e7a \u00e9 Cristo, cura-se do risco patol\u00f3gico de ver as outras pessoas como potenciais concorrentes, inimigos. Consegue-se superar o v\u00edcio de enxergar no outro um inimigo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante perceber as graves consequ\u00eancias que surgem a partir da competi\u00e7\u00e3o desenfreada e do acirramento das polariza\u00e7\u00f5es. Em vez de relacionamentos marcados pela fraternidade, sustentados pelo amor que vem de Deus, prevalece a incompet\u00eancia para administrar os pr\u00f3prios sentimentos. Um cen\u00e1rio que alimenta confus\u00e3o, pois muitos acreditam, cegamente, serem donos do pensamento correto. N\u00e3o percebem que est\u00e3o distantes da verdade e do bem.<\/p>\n<p>A humanidade precisa, a partir do exemplo de Cristo, cultivar um olhar de inclus\u00e3o, de empatia, capaz de lidar de modo distinto com a alteridade. Essa \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o indicada pelo amor que vem de Deus, fonte a ser buscada cotidianamente para a vida em comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso cultivar la\u00e7os, recompor as rela\u00e7\u00f5es a partir de qualificada compet\u00eancia humana e espiritual que leve a escolhas assertivas, transformadoras. Dessa maneira, torna-se forte o sentido de pertencimento &#8211; cada um se percebe como parte do \u201ccorpo\u201d que \u00e9 a humanidade. Exercita-se a capacidade de perdoar e de repartir, de ser justo e de ser bom, em todas as circunst\u00e2ncias. A sa\u00edda para este tempo de tantos e graves problemas \u00e9 investir nos la\u00e7os de humanidade.<\/p>\n<p>Foto:Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)<\/p>\n<p>Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A humanidade padece de graves adoecimentos. Ao mesmo tempo, tem ao seu alcance o caminho que leva \u00e0 cura: cultivar la\u00e7os e fortalecer v\u00ednculos constru\u00eddos a partir do amor, do gosto pela solidariedade. Distanciar-se desse caminho traz s\u00e9rias consequ\u00eancias para as pessoas e preju\u00edzos para a sociedade. A vida se torna menos saud\u00e1vel. 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