{"id":64209,"date":"2019-04-23T11:22:48","date_gmt":"2019-04-23T14:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=64209"},"modified":"2019-04-23T21:23:07","modified_gmt":"2019-04-24T00:23:07","slug":"o-que-e-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/o-que-e-a-verdade\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a verdade?"},"content":{"rendered":"<p>Esta indaga\u00e7\u00e3o feita por Pilatos a Jesus, a quem julgava, \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 desafiado a uma compreens\u00e3o que ultrapassa as apar\u00eancias e circunst\u00e2ncias. Pilatos sabia que sua fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o poderia jamais dispensar a verdade, mas, ao mesmo tempo, ele representava e estava subordinado aos interesses de um imperador. O governador Pilatos questionou Jesus: ent\u00e3o, tu \u00e9s rei? O Mestre, que falara pouco antes sobre seu reino n\u00e3o ser deste mundo, confundiu o seu interlocutor ao responder: tu dizes, eu sou rei. Nasce o confronto entre duas perspectivas sobre reinado. Jesus ensina que, na l\u00f3gica mundana, um reino se estabelece por meio da imposi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o reino que \u201cn\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d, fundamenta-se na for\u00e7a da verdade. A realeza de Cristo incomodou Pilatos e os poderosos da \u00e9poca. Por isso, o governador questiona sobre o que \u00e9 a verdade. Naquela \u00e9poca e ainda hoje, a sociedade padece por n\u00e3o se orientar pelo que \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>O caminho que leva a avan\u00e7os sociais na dire\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e \u00e0 maturidade na viv\u00eancia do amor \u00e9 forjado nos par\u00e2metros da verdade. Percorrer esse caminho deve ser compromisso permanente, que se efetiva a partir do exerc\u00edcio cotidiano da solidariedade. Sem se deixar tocar pelo amor e a verdade, o ser humano fica fragilizado, n\u00e3o age nos par\u00e2metros da civilidade, deixa-se cair no abismo das polariza\u00e7\u00f5es irracionais e se sucumbe a outros males. Os resultados s\u00e3o terr\u00edveis e humilhantes. Grupos e na\u00e7\u00f5es se fecham na mediocridade, cen\u00e1rios que revelam a absoluta falta de entendimentos l\u00facidos se consolidam. Idolatrias e hegemonias aprisionam pessoas na insensatez, incapacitando-as para reconhecer o que, de fato, importa. &nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim, nesse contexto ca\u00f3tico, emergem tamb\u00e9m alguns sinais que s\u00e3o broto de esperan\u00e7a. As atitudes dos que se dedicam ao bem se aproximam da verdade testemunhada por Cristo, na sua corajosa e oblativa oferta ao morrer na cruz. Essa proximidade com Cristo fecunda a compet\u00eancia humana para reconhecer o que merece ser valorizado. Na outra margem est\u00e1 o h\u00e1bito de substituir a verdade pela mentira, arma dos covardes. Infelizmente muitos, de modo semelhante a Pilatos, abrem m\u00e3o da verdade e permitem, assim, que a sociedade continue a naufragar no fracasso. Agem tomados pela for\u00e7a do medo.<\/p>\n<p>Temem a verdade que liberta, testemunhada por Ele, Cristo, \u00danico Mestre, o Filho de Deus. Pilatos poderia ter compreendido que h\u00e1 uma realeza muito al\u00e9m da que se efetiva na ilus\u00e3o de um poder, dos cargos que se ocupa, de honras e vestes, configurada e sustentada por um dinheiro que \u00e9 fruto de mesquinha l\u00f3gica. A aut\u00eantica realeza, a de Cristo, se firma pela nobreza do servi\u00e7o \u00e0 vida, do respeito reverente a cada pessoa. A verdade ensinada por Jesus, quando aprendida, faz com que o ser humano se incomode com a atual configura\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria, manchada por diferentes e vergonhosas segrega\u00e7\u00f5es, a exemplo do abismo que separa pessoas muito ricas de uma grande maioria que sofre com a extrema pobreza.<\/p>\n<p>A verdade que liberta vai al\u00e9m do mero conceito da sinceridade sobre o que se pensa da realidade. Tamb\u00e9m vai al\u00e9m das relativiza\u00e7\u00f5es que distanciam muitos do que \u00e9 real. Infelizmente, as pessoas buscam mascarar o que est\u00e1 diante de todos, optando pela falsidade. Criam o h\u00e1bito de recorrer, at\u00e9 inconscientemente, \u00e0 mentira. H\u00e1 um ant\u00eddoto para esse mal. Nesta Sexta-feira da Paix\u00e3o, acompanhando os passos de Jesus rumo \u00e0 crucifica\u00e7\u00e3o, cada um dedique-se ao exerc\u00edcio de se revestir dos personagens que participam das diferentes cenas detalhadas no Evangelho. S\u00e3o muitas pessoas, em diferentes situa\u00e7\u00f5es, que revelam as contradi\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, quando se fixa o olhar nele, Jesus, o Messias Salvador, homens e mulheres s\u00e3o impulsionados a deixar brotar de seus l\u00e1bios os ecos de uma interpela\u00e7\u00e3o que vem da consci\u00eancia: o que \u00e9 a verdade? E a resposta surge na presen\u00e7a e \u00e0 luz dos gestos daquele que \u00e9 a verdade e dela d\u00e1 testemunho, o Filho de Deus. A certeza do encontro com Ele \u00e9 o caminho novo e a possibilidade de novas respostas para os graves problemas que amea\u00e7am a humanidade.<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte(MG)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta indaga\u00e7\u00e3o feita por Pilatos a Jesus, a quem julgava, \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 desafiado a uma compreens\u00e3o que ultrapassa as apar\u00eancias e circunst\u00e2ncias. 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