{"id":63928,"date":"2019-04-02T00:02:01","date_gmt":"2019-04-02T03:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=63928"},"modified":"2019-04-02T19:02:32","modified_gmt":"2019-04-02T22:02:32","slug":"os-papas-e-o-jejum-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/os-papas-e-o-jejum-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Os Papas e o jejum da Quaresma"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O jejum ainda \u00e9 muito respeitado e praticado ou j\u00e1 caiu em desuso entre os preceitos da Igreja? No Magist\u00e9rio dos Papas do passado, encontram-se profundos motivos da sua import\u00e2ncia no contexto do mandamento evang\u00e9lico principal.<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>\u201cJejuar, isto \u00e9, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tenta\u00e7\u00e3o de \u201cdevorar\u201d tudo, satisfazer a nossa voracidade, \u00e0 capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o palavras do Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma deste ano.<\/p>\n<p><strong>Paulo VI: por que o jejum na Quaresma?<\/strong><\/p>\n<p>Por que o jejum justamente quando nas cidades onde existe o bem-estar, exatamente como no Advento, os supermercados e centros comerciais exp\u00f5em provoca\u00e7\u00f5es alimentares de todo o g\u00eanero? Particularmente nesta \u00e9poca nos provocam com ovos de chocolate de todos os tipos, em confec\u00e7\u00f5es atraentes e doces t\u00edpicos das gastronomias locais\u2026onde est\u00e1 o jejum? Onde est\u00e1 a Quaresma? Hoje nos fazemos estas perguntas, inundados pelos excessos, mas j\u00e1 Paulo VI se perguntava em 1978, na audi\u00eancia geral de 8 de fevereiro.<\/p>\n<p>\u201c<i>E sobre a obriga\u00e7\u00e3o do jejum e da abstin\u00eancia quaresmal, o que restou? Tempos atr\u00e1s, comprometia muito, era muito severa, chegando quase a ser\u2026 ritualizada, agora n\u00e3o resta mais nada disso? Com exce\u00e7\u00e3o dos dois dias de jejum, que ainda obrigam os valentes (Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, o \u201cdia longo e amargo\u201d) a obriga\u00e7\u00e3o dos anos passados foi retirada da Igreja, sens\u00edvel \u00e0s novas realidades e exig\u00eancias de costumes, mas para os esp\u00edritos fortes e os fi\u00e9is o que permanece \u00e9 muito mais digno da nossa aten\u00e7\u00e3o, se resume em duas palavras suplementares do antigo jejum: austeridade pessoal, na comida, na divers\u00e3o, no trabalho\u2026 e caridade com o pr\u00f3ximo, com os que sofrem, com os que precisam de ajuda, com quem espera o nosso socorro e o nosso perd\u00e3o. Tudo isso permanece, como permanece tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o da abstin\u00eancia todas as sextas-feiras da quaresma! Mais ainda, este programa variado, espont\u00e2neo e nem sempre f\u00e1cil exige nossa op\u00e7\u00e3o, nosso esfor\u00e7o (sacrif\u00edcio \u00e9 como chamam as crian\u00e7as), nossa austeridade. Somente a austeridade faz forte e aut\u00eantica a vida crist\u00e3<\/i>\u201d.<\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o XXIII: o jejum n\u00e3o \u00e9 apenas o de comida<\/b><\/p>\n<p>Portanto o jejum n\u00e3o \u00e9 apenas o de comida. Abster-se da comida ou do excesso de comida, traz consigo muitas outra coisas\u2026 Recorda Jo\u00e3o XXIII na sua radiomensagem para a Quaresma de 1963:<\/p>\n<p>\u201c<i>Eis aqui como, com a institui\u00e7\u00e3o da quaresma, a Igreja n\u00e3o conduz simplesmente seus filhos ao exerc\u00edcios de pr\u00e1ticas exteriores, mas a um compromisso s\u00e9rio de amor e de generosidade para o bem dos irm\u00e3os, \u00e0 luz do antigo ensinamento dos profetas: Acaso o jejum que eu prefiro n\u00e3o ser\u00e1 isto: soltar as cadeias injustas; &#8211; adverte Isa\u00edas &#8211; &nbsp;desamarrar as cordas do jugo; deixar livres os oprimidos, acabar com toda esp\u00e9cie de imposi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o ser\u00e1 repartir tua comida com quem tem fome? Hospedar na tua casa os pobres sem destino? Vestir uma roupa naquele que encontras nu e jamais tentar te esconder do pobre teu irm\u00e3o?<\/i>\u201d.<\/p>\n<p>O jejum traz consigo o compartilhamento, a esmola. Outra palavra chave da Quaresma. Mas \u00e9 Jo\u00e3o Paulo II que nos d\u00e1 uma memor\u00e1vel li\u00e7\u00e3o sobre o verdadeiro sentido do jejum, na Audi\u00eancia geral de 21 de mar\u00e7o de 1979:<\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o Paulo II e o verdadeiro sentido do jejum<\/b><\/p>\n<p>\u201c<i>Por qu\u00ea o jejum? A esta pergunta \u00e9 preciso dar uma resposta mais extensa e profunda, para que fique clara a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 met\u00e1noia, isto \u00e9, aquela transforma\u00e7\u00e3o espiritual, que aproxima o homem de Deus. Esforcemo-nos portanto por concentrar-nos n\u00e3o s\u00f3 na pr\u00e1tica da absten\u00e7\u00e3o do alimento ou das bebidas \u2014 isto de fato significa \u2018jejum\u2019 no sentido ordin\u00e1rio \u2014 mas no significado mais profundo desta pr\u00e1tica que, ali\u00e1s, pode e deve \u00e0s vezes ser substitu\u00edda por alguma outra. O alimento e as bebidas s\u00e3o indispens\u00e1veis para o homem viver, disso se serve e deve servir-se, mas n\u00e3o lhe \u00e9 l\u00edcito abusar seja da forma que for. A tradicional absten\u00e7\u00e3o do alimento e das bebidas tem como finalidade introduzir na exist\u00eancia do homem n\u00e3o s\u00f3 o equil\u00edbrio necess\u00e1rio, mas tamb\u00e9m o desprendimento daquilo que poderia definir-se atitude consum\u00edstica. Tal atitude tornou-se nos nossos tempos uma das caracter\u00edsticas da civiliza\u00e7\u00e3o e em particular da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. A atitude consum\u00edstica! O homem orientado para os bens materiais, m\u00faltiplos bens materiais, muitas vezes abusa deles. N\u00e3o se trata aqui unicamente do alimento e das bebidas. Quando o homem est\u00e1 orientado exclusivamente para a posse e o uso dos bens materiais, isto \u00e9, das coisas, ent\u00e3o tamb\u00e9m toda a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 medida segundo a quantidade e qualidade das coisas que se encontra capaz de fornecer ao homem e n\u00e3o se mede com a medida adequada ao homem. Esta civiliza\u00e7\u00e3o fornece de fato, os bens materiais n\u00e3o s\u00f3 para que sirvam ao homem a exercer as actividades criativas e \u00fateis, mas cada vez mais &#8230; a satisfazer os sentidos, a excita\u00e7\u00e3o que disso deriva, o prazer moment\u00e2neo e a multiplicidade de sensa\u00e7\u00f5es cada vez maior\u201d.<\/i><\/p>\n<p><i>\u201cOuve-se \u00e0s vezes dizer que o aumento excessivo dos meios audiovisuais nos pa\u00edses ricos nem sempre ajuda o desenvolvimento da intelig\u00eancia, particularmente nas crian\u00e7as; pelo contr\u00e1rio, \u00e0s vezes contribui para lhes deter o desenvolvimento. A crian\u00e7a vive s\u00f3 de sensa\u00e7\u00f5es, procura sensa\u00e7\u00f5es sempre novas &#8230; E torna-se assim, sem se dar conta, escrava desta paix\u00e3o atual. Saciando-se de sensa\u00e7\u00f5es, fica muitas vezes intelectualmente passiva; a intelig\u00eancia n\u00e3o se abre \u00e0 busca da verdade; a vontade fica presa ao h\u00e1bito, a que n\u00e3o sabe opor-se\u201d.<\/i><\/p>\n<p><i>\u201cDisto resulta que o homem contempor\u00e2neo deve jejuar, isto \u00e9, abster-se n\u00e3o s\u00f3 do alimento ou das bebidas, mas de muitos outros meios de consumo, como de estimular e satisfazer os sentidos. Jejuar significa abster-se, renunciar a alguma coisa. Porque renunciar a alguma coisa? Porque privarmo-nos dela? (\u2026) A ren\u00fancia \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es, aos est\u00edmulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou \u00e0s bebidas, n\u00e3o \u00e9 fim de si mesma. Deve apenas, por assim dizer, preparar o caminho para conte\u00fados mais profundos, de que se alimenta o homem interior<\/i>&#8220;.<\/p>\n<p><b>Bento XVI: o homem interior alimenta-se da Palavra de Deus<\/b><\/p>\n<p>E o homem interior alimenta-se prevalentemente da palavra de Deus. Bento XVI recorda disso na Audi\u00eancia geral de 9 de mar\u00e7o de 2011:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o jejua verdadeiramente quem n\u00e3o sabe alimentar-se da Palavra de Deus. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o jejum est\u00e1 ligado estreitamente \u00e0 esmola. S\u00e3o Le\u00e3o Magno ensinava num dos seus discursos sobre a Quaresma: \u2018Aquilo que cada crist\u00e3o deve realizar em todos os tempos, agora deve pratic\u00e1-lo com maiores solicitude e devo\u00e7\u00e3o, para que se cumpra a norma apost\u00f3lica do jejum quaresmal, que consiste na abstin\u00eancia n\u00e3o apenas dos alimentos, mas tamb\u00e9m e sobretudo dos pecados. Al\u00e9m disso, a estes jejuns obrigat\u00f3rios e santos, nenhuma obra pode ser associada mais utilmente que a esmola que, sob o \u00fanico nome de&nbsp;<i>miseric\u00f3rdia<\/i>, inclui muitas obras boas. (\u2026) Santo Agostinho diz que o jejum e a esmola s\u00e3o \u2018as duas asas da ora\u00e7\u00e3o\u2019, que lhe permitem tomar mais facilmente o seu impulso e chegar at\u00e9 Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Foto:Papa Jo\u00e3o XXIII<\/p>\n<p>Fonte: Vatican News<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jejum ainda \u00e9 muito respeitado e praticado ou j\u00e1 caiu em desuso entre os preceitos da Igreja? No Magist\u00e9rio dos Papas do passado, encontram-se profundos motivos da sua import\u00e2ncia no contexto do mandamento evang\u00e9lico principal. \u201cJejuar, isto \u00e9, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tenta\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/os-papas-e-o-jejum-da-quaresma\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-63928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63928"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63930,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63928\/revisions\/63930"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}