{"id":46958,"date":"2018-01-17T19:35:39","date_gmt":"2018-01-17T22:35:39","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=46958"},"modified":"2018-01-17T19:35:39","modified_gmt":"2018-01-17T22:35:39","slug":"papa-na-missa-em-temuco-precisamos-da-riqueza-que-cada-povo-pode-oferecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-na-missa-em-temuco-precisamos-da-riqueza-que-cada-povo-pode-oferecer\/","title":{"rendered":"Papa na missa em Temuco: precisamos da riqueza que cada povo pode oferecer"},"content":{"rendered":"<p>A riqueza duma terra nasce precisamente do fato de cada parte saber partilhar a sua sabedoria com as outras.<\/p>\n<p>O Papa Francisco celebrou a missa pelo progresso dos povos, nesta quarta-feira (17\/01), no Aer\u00f3dromo de Maquehue, em Temuco, no Chile, primeira etapa de sua 22\u00aa viagem apost\u00f3lica internacional.<\/p>\n<p>O Pont\u00edfice iniciou a homilia dando gra\u00e7as a Deus por visitar &#8220;esta parte linda do nosso continente, a Arauc\u00e2nia: terra aben\u00e7oada pelo Criador com a fertilidade de imensos campos verdes, com florestas cheias de imponentes arauc\u00e1rias \u2013 o quinto elogio de Gabriela Mistral a esta terra chilena \u2013, seus majestosos vulc\u00f5es cobertos de neve, seus lagos e rios cheios de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Esta paisagem eleva-nos a Deus, sendo f\u00e1cil ver a sua m\u00e3o em cada criatura. Muitas gera\u00e7\u00f5es de homens e mulheres amaram, e amam, este solo com ciosa gratid\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c E quero deter-me aqui para saudar de forma especial os membros do povo Mapuche, bem como os outros povos ind\u00edgenas que vivem nestas terras do sul: Rapanui (Ilha de P\u00e1scoa), Aymara, Quechua e Atacama, e muitos outros. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cEsta terra, se a virmos com olhos de turista, deixar-nos-\u00e1 extasiados, mas depois continuaremos a nossa estrada como antes; se, pelo contr\u00e1rio, nos aproximarmos do solo, ouvi-lo-emos cantar: \u00abArauco tem uma pena que n\u00e3o posso calar, s\u00e3o injusti\u00e7as de s\u00e9culos que todos veem aplicar\u00bb\u201d, frisou Francisco.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 neste contexto de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as por esta terra e pelo seu povo, mas tamb\u00e9m de tristeza e dor, que celebramos a Eucaristia. E fazemo-lo neste aer\u00f3dromo de Maquehue, onde se verificaram graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c Oferecemos esta celebra\u00e7\u00e3o por todas as pessoas que sofreram e foram mortas e pelas que diariamente carregam nos ombros o peso de tantas injusti\u00e7as. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;O sacrif\u00edcio de Jesus na cruz est\u00e1 repleto de todo o pecado e do sofrimento dos nossos povos, um sofrimento a ser resgatado.<\/p>\n<p>\u201cNo Evangelho que ouvimos, Jesus pede ao Pai que \u00abtodos sejam um s\u00f3\u00bb. Numa hora crucial da sua vida, det\u00e9m-Se a pedir a unidade. O seu cora\u00e7\u00e3o sabe que uma das piores amea\u00e7as que atinge, e atingir\u00e1, o seu povo e toda a humanidade ser\u00e1 a divis\u00e3o e o conflito, a subjuga\u00e7\u00e3o de uns pelos outros. Quantas l\u00e1grimas derramadas!<\/p>\n<p><b>Hoje queremos agarrar-nos a esta ora\u00e7\u00e3o de Jesus, queremos entrar com Ele neste horto de dor, tamb\u00e9m com as nossas dores, para pedir ao Pai com Jesus: que tamb\u00e9m n\u00f3s sejamos um s\u00f3. N\u00e3o permitais que nos ven\u00e7a o conflito nem a divis\u00e3o<\/b>.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Papa, \u201cesta unidade, implorada por Jesus, \u00e9 um dom que devemos pedir insistentemente pelo bem da nossa terra e seus filhos. E \u00e9 necess\u00e1rio estar atento a eventuais tenta\u00e7\u00f5es que possam aparecer e \u00abcontaminar pela raiz\u00bb este dom com que Deus nos quer presentear e com o qual nos convida a ser aut\u00eanticos protagonistas da hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p><b>Os falsos sin\u00f4nimos<\/b><\/p>\n<p>\u201cUma das principais tenta\u00e7\u00f5es a enfrentar \u00e9 confundir unidade com uniformidade. Jesus n\u00e3o pede a seu Pai que todos sejam iguais, id\u00eanticos; pois a unidade n\u00e3o nasce, nem nascer\u00e1, de neutralizar ou silenciar as diferen\u00e7as. A unidade n\u00e3o \u00e9 uma simula\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada nem de marginaliza\u00e7\u00e3o harmonizadora.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c A riqueza duma terra nasce precisamente do fato de cada parte saber partilhar a sua sabedoria com as outras. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9, nem ser\u00e1, uma uniformidade asfixiante que normalmente nasce do predom\u00ednio e da for\u00e7a do mais forte, nem uma separa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reconhe\u00e7a a bondade dos outros.<\/p>\n<p>A unidade pedida e oferecida por Jesus reconhece o que cada povo, cada cultura s\u00e3o convidados a oferecer a esta terra aben\u00e7oada.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c A unidade \u00e9 uma diversidade reconciliada, porque n\u00e3o tolera que, em seu nome, se legitimem injusti\u00e7as pessoais ou comunit\u00e1rias. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Precisamos da riqueza que cada povo pode oferecer, pondo de lado a l\u00f3gica de pensar que h\u00e1 culturas superiores ou inferiores. Um belo chamal [manto] requer tecel\u00f5es que conhe\u00e7am a arte de harmonizar os diferentes materiais e cores; que saibam dar tempo a cada coisa e a cada fase. Poder-se-\u00e1 imitar de modo industrial, mas todos reconheceremos que \u00e9 uma pe\u00e7a de roupa confeccionada sinteticamente.<\/p>\n<p><b>A arte da unidade precisa e requer artes\u00e3os aut\u00eanticos que saibam harmonizar as diferen\u00e7as nos \u00ablaborat\u00f3rios\u00bb das aldeias, das estradas, das pra\u00e7as e das paisagens.<\/b>\u00a0N\u00e3o \u00e9 uma arte de escrivaninha ou feita apenas de documentos; \u00e9 uma arte de escuta e reconhecimento. Nisto se enra\u00edza a sua beleza e tamb\u00e9m a sua resist\u00eancia ao desgaste do tempo e \u00e0s inclem\u00eancias que ter\u00e1 de enfrentar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA unidade, de que necessitam os nossos povos, requer que nos escutemos, mas sobretudo que nos reconhe\u00e7amos, o que n\u00e3o significa apenas \u00abreceber informa\u00e7\u00f5es sobre os outros (\u2026), mas recolher o que o Esp\u00edrito semeou neles como um dom tamb\u00e9m para n\u00f3s\u00bb.<\/p>\n<p>Isto introduz-nos no caminho da solidariedade como forma de tecer a unidade, como forma de construir a hist\u00f3ria; solidariedade, que nos leva a dizer: temos necessidade uns dos outros com as nossas diferen\u00e7as, para que esta terra continue a ser linda.&#8221;<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c \u00c9 a \u00fanica arma que temos contra o \u00abdesflorestamento\u00bb da esperan\u00e7a. Por isso pedimos: Senhor, fazei-nos artes\u00e3os de unidade. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>As armas da unidade<\/b><\/p>\n<p>\u201cA unidade, se quer ser constru\u00edda a partir do reconhecimento e da solidariedade, n\u00e3o pode aceitar um meio qualquer para esse fim. H\u00e1 duas formas de viol\u00eancia que, em vez de fomentar os processos de unidade e reconcilia\u00e7\u00e3o, acabam por os amea\u00e7ar.\u00a0<b>Em primeiro lugar, devemos estar atentos \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de acordos \u00ablindos\u00bb, que nunca se concretizam.<\/b><\/p>\n<p>Palavras bonitas, planos terminados sim \u2013 e necess\u00e1rios \u2013 mas que, por n\u00e3o se tornar concretos, acabam por \u00abborratar com o cotovelo o que se escreveu com a m\u00e3o\u00bb. Isto tamb\u00e9m \u00e9 viol\u00eancia, porque frustra a esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p><b>Em segundo lugar, \u00e9 imprescind\u00edvel defender que uma cultura do reconhecimento m\u00fatuo n\u00e3o se constr\u00f3i com base na viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o, que acaba por ceifar vidas humanas.\u00a0<\/b>N\u00e3o se pode pedir reconhecimento, aniquilando o outro, porque a \u00fanica coisa que isso gera \u00e9 maior viol\u00eancia e divis\u00e3o. ]<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c A viol\u00eancia clama viol\u00eancia, a destrui\u00e7\u00e3o aumenta a fratura e a separa\u00e7\u00e3o. \u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A viol\u00eancia acaba por tornar falsa a causa mais justa. Por isso, digamos \u00abn\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia que destr\u00f3i\u00bb, em qualquer uma dessas duas formas.<\/p>\n<p>Estas atitudes s\u00e3o como lava de vulc\u00e3o que tudo destr\u00f3i, tudo queima, deixando atr\u00e1s de si apenas esterilidade e desola\u00e7\u00e3o. Em vez disso, procuremos o caminho da n\u00e3o-viol\u00eancia ativa, \u00abcomo estilo duma pol\u00edtica de paz\u00bb.\u00a0 Nunca nos cansemos de procurar o di\u00e1logo para a unidade. Por isso, digamos vigorosamente: Senhor, fazei-nos artes\u00e3os de unidade.<\/p>\n<p><b>Todos n\u00f3s que, de certo modo, somos povo formado da terra (cf. Gn 2, 7), estamos chamados ao bom viver (K\u00fcme Mongen), como no-lo recorda a sabedoria ancestral do povo Mapuche.<\/b><\/p>\n<p>Quanto caminho a percorrer, quanto caminho para aprender! K\u00fcme Mongen, um anseio profundo que brota n\u00e3o s\u00f3 dos nossos cora\u00e7\u00f5es, mas ressoa como um grito, como um canto em toda a cria\u00e7\u00e3o. Por isso, irm\u00e3os, pelos filhos desta terra, pelos filhos dos seus filhos, digamos com Jesus ao Pai: que tamb\u00e9m n\u00f3s sejamos um s\u00f3; fazei-nos artes\u00e3os de unidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A riqueza duma terra nasce precisamente do fato de cada parte saber partilhar a sua sabedoria com as outras. O Papa Francisco celebrou a missa pelo progresso dos povos, nesta quarta-feira (17\/01), no Aer\u00f3dromo de Maquehue, em Temuco, no Chile, primeira etapa de sua 22\u00aa viagem apost\u00f3lica internacional. O Pont\u00edfice iniciou a homilia dando gra\u00e7as&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-na-missa-em-temuco-precisamos-da-riqueza-que-cada-povo-pode-oferecer\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":46959,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-46958","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46958"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46960,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46958\/revisions\/46960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}