{"id":46514,"date":"2018-01-05T06:01:24","date_gmt":"2018-01-05T09:01:24","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=46514"},"modified":"2018-01-05T06:04:50","modified_gmt":"2018-01-05T09:04:50","slug":"o-que-mais-alimenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/o-que-mais-alimenta\/","title":{"rendered":"O que mais alimenta"},"content":{"rendered":"<p>As festas de final de ano, se vividas de forma crist\u00e3, s\u00e3o uma ocasi\u00e3o para que os fi\u00e9is possam dar um maravilhoso testemunho do amor de Deus junto aos demais.<\/p>\n<p>O per\u00edodo das celebra\u00e7\u00f5es podemos delimit\u00e1-lo entre duas solenidades: 08 de dezembro e 06 de janeiro, a Imaculada e a Epifania. Em todo o orbe cat\u00f3lico, mas especialmente na Espanha, essas duas datas t\u00eam um sabor especial. Al\u00e9m disso, \u00e9 claro que est\u00e1, o Natal e o Ano Novo. Em todo caso, este tempo se enraizou muito na mentalidade cat\u00f3lica e ainda tem um impacto na sociedade.<\/p>\n<p>Somos um composto de esp\u00edrito e mat\u00e9ria. Atender a dimens\u00e3o sobrenatural \u00e9 o que deve prevalecer nas festas de fim de ano: a Ora\u00e7\u00e3o, a Eucaristia, as obras de miseric\u00f3rdia, uma boa confiss\u00e3o&#8230; Que melhor maneira de celebrar?<\/p>\n<p>Mas acontece que o alimento tamb\u00e9m tem um papel importante nas celebra\u00e7\u00f5es. Porque o fato de comer n\u00e3o se faz apenas para combater a fome ou encher o est\u00f4mago, mas para compartilhar com os outros, na alegria de estar juntos. Quase que o alimento \u00e9 uma desculpa para reencontrar e conversar com familiares e amigos. Entre par\u00eanteses, esta concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusiva da nossa cultura; \u00e9 tamb\u00e9m patrim\u00f4nio de muitas outras.<\/p>\n<p>Em ocasi\u00f5es em que se celebram coisas importantes, logicamente se procura comer melhor. E quanto maior o motivo da festa, o ideal \u00e9 que o alimento seja mais excelente, tanto em seu gosto quanto na apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora permane\u00e7am no mundo restos de bom senso, bom gosto e, sobretudo, de F\u00e9 teol\u00f3gica, ainda se poder\u00e1 perceber nos pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que estamos no Natal ou em Reis e que se ama Nossa Senhora.<\/p>\n<p>N\u00f3s dizemos &#8220;enquanto subsistam&#8221;, porque uma avalanche de paganismo vai pervertendo a vida social, expulsando todo sinal da verdadeira religi\u00e3o. E quando n\u00e3o \u00e9 o paganismo declarado, \u00e9 o reino da trivialidade&#8230; Que tristeza!<\/p>\n<p>Mas \u00e9 verdade que em meio dessa deser\u00e7\u00e3o generalizada, h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es e algumas muito honrosas. Em muitos lugares se pode desfrutar de belas cerim\u00f4nias lit\u00fargicas e de ambientes dignos e elevados que s\u00e3o um presente para a alma e para o corpo; n\u00e3o se trata de mera &#8220;subsist\u00eancia&#8221;, h\u00e1 vitalidade!<\/p>\n<p>Sintom\u00e1ticos dessas manifesta\u00e7\u00f5es de vigor, s\u00e3o as opini\u00f5es expressas por um tal Pepe Rodr\u00edguez, personagem c\u00e9lebre para alguns e desconhecido para outros.<\/p>\n<p>De quem se trata? Este senhor \u00e9 um chef de cozinha espanhol que tem uma estrela Michelin em seu restaurante em Illescas, n\u00e3o muito longe de Toledo. \u00c9 jurado do Masterchef, vencedor do Primeiro Pr\u00eamio de Gastronomia, de pr\u00eamios de Melhor Cozinheiro do Ano, o Melhor Chefe e o Melhor Empres\u00e1rio&#8230; Como se v\u00ea, \u00e9 &#8220;algu\u00e9m&#8221; no mundo do bom comer.<\/p>\n<p><em>&#8220;Pergunta: E quem \u00e9 Deus para Pepe? Resposta: \u00c9 a for\u00e7a, o motor de tudo. O que te faz estar no bom, no ruim e no regular. N\u00e3o sei se \u00e0s vezes eu fico muito atr\u00e1s e n\u00e3o explico que sou crist\u00e3o, mas n\u00e3o me vejo dando explica\u00e7\u00f5es, mas demonstrando isso no que fa\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p>O jornal on-line Aleteia publicou uma entrevista com Pepe Rodr\u00edguez que foi originalmente estampada na revista cat\u00f3lica Misi\u00f3n da Espanha de agosto a novembro de 2017. Eis aqui alguns trechos que nos interessam particularmente:<\/p>\n<p><em>Pergunta: Se surpreendem ao v\u00ea-lo na Missa? Resposta: Em Illescas n\u00e3o. S\u00f3 quando eu saio. Levo a vida toda assistindo missa e me reconhe\u00e7o dentro da Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>Pergunta: Acostumado a comer bem, quando comunga, como se alimenta? Resposta: Como nenhuma outra coisa. Comungar \u00e9 o que mais me alimenta. \u00c0s vezes, h\u00e1 pessoas que, depois de comer, me dizem: &#8216;Me emocionei, quase levitei&#8217;. E eu penso: &#8216;Isto \u00e9 est\u00fapido&#8217;. Eu amo comer e fa\u00e7o isso nos melhores restaurantes, mas nunca me emocionei ao comer. Ao comungar, sim. O alimento espiritual n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Que testemunho valioso! &#8220;Comungar \u00e9 o que mais me alimenta&#8221;; &#8220;Eu nunca estive emocionado comendo. Ao comungar, sim&#8221;.<\/p>\n<p>Estupendas s\u00e3o as opini\u00f5es deste amigo de Deus e da arte culin\u00e1ria, que bem poder\u00e3o ser uma motiva\u00e7\u00e3o para os que abdicam da espiritualidade nas celebra\u00e7\u00f5es de final do ano, ou desesperam por optar pela excel\u00eancia de uma mesa bem servida, em casa ou no restaurante. A sobreviv\u00eancia das tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o pertence ao \u00e2mbito dos sonhos melanc\u00f3licos, mas ao da comunica\u00e7\u00e3o; porque a tradi\u00e7\u00e3o significa costume que se transmite de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao ler as declara\u00e7\u00f5es do chef toledano, pode-se supor que celebrar\u00e1 as festas natalinas \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias, quer dizer, adorando ao Senhor na Eucaristia e festejando com uma refei\u00e7\u00e3o de qualidade. Porque bem o disse e sem tabus: &#8220;Eu amo comer&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Quem professa com essa clareza e sem respeito humano que &#8220;Deus \u00e9 o motor de tudo&#8221;, que &#8220;leva toda a vida assistindo a Missa&#8221;, e que &#8220;comungar \u00e9 o que mais alimenta&#8221;, provavelmente n\u00e3o \u00e9 um diplomado em teologia nem um sacrist\u00e3o paroquial. \u00c9 um homem do mundo&#8230; que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que um &#8220;mundano&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio encorajar-se a romper esquemas remando contra a corrente, e celebrar coerentemente as efem\u00e9rides da nossa F\u00e9 professando a harmonia existente entre a F\u00e9, a cultura e a vida.(Gaudiumpress)<\/p>\n<p><em>Por Padre Rafael Ibarguren, EP<\/em><\/p>\n<p><em>(Publicado originalmente em https:\/\/www.opera-eucharistica.org\/)<\/em><\/p>\n<p><em>Traduzido por Em\u00edlio Portugal Coutinho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As festas de final de ano, se vividas de forma crist\u00e3, s\u00e3o uma ocasi\u00e3o para que os fi\u00e9is possam dar um maravilhoso testemunho do amor de Deus junto aos demais. 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