{"id":39279,"date":"2017-10-15T07:18:26","date_gmt":"2017-10-15T10:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=39279"},"modified":"2017-10-15T07:18:26","modified_gmt":"2017-10-15T10:18:26","slug":"canonizacoes-reavivemos-a-memoria-do-primitivo-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/canonizacoes-reavivemos-a-memoria-do-primitivo-amor\/","title":{"rendered":"Canoniza\u00e7\u00f5es: \u201cReavivemos a mem\u00f3ria do primitivo amor\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOs Santos canonizados hoje indicam-nos esta estrada\u201d<\/p>\n<p>\u201cReavivemos a mem\u00f3ria do primitivo amor: somos os amados, os convidados para as n\u00fapcias, e a nossa vida \u00e9 um dom, sendo-nos dada em cada dia a magn\u00edfica oportunidade de responder ao convite\u201d, disse o Papa Francisco em sua homilia pelas canoniza\u00e7\u00f5es deste 15 de outubro de 2017, em Roma, Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>O Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha; o Arcebispo em\u00e9rito, Dom Heitor de Ara\u00fajo Sales, outros bispos do Brasil e v\u00e1rios sacerdotes da Arquidiocese de Natal tamb\u00e9m participam da celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span lang=\"pt\">A ministra Grace Maria Fernandes Mendon\u00e7a e dez representantes do Brasil e m<\/span>ais de 400 potiguares\u00a0<span lang=\"pt\">est\u00e3o presentes na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro<\/span>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da canoniza\u00e7\u00e3o, no dia 14, \u00e0s 17 horas,\u00a0<span lang=\"pt\">foram\u00a0<\/span>celebradas as V\u00e9speras Solenes na capela do Pontif\u00edcio Col\u00e9gio Pio Brasileiro.<\/p>\n<p>No dia 16, \u00e0s 11 horas, no altar da C\u00e1tedra de S\u00e3o Pedro, na Bas\u00edlica Vaticana, ser\u00e1 celebrada missa em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, presidida pelo Cardeal Dom S\u00e9rgio da Rocha, Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>AB<\/p>\n<p><strong>Homilia do Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p>A par\u00e1bola, que ouvimos, fala-nos do Reino de Deus comparando-o a uma festa de n\u00fapcias (Mt 22, 1-14). Protagonista \u00e9 o filho do rei, o noivo, no qual facilmente se vislumbra Jesus. Na par\u00e1bola, por\u00e9m, nunca se fala da noiva, mas de muitos convidados, desejados e esperados: s\u00e3o eles que trazem o vestido nupcial.<\/p>\n<p>Tais convidados somos n\u00f3s, todos n\u00f3s, porque o Senhor deseja \u00abcelebrar as bodas\u00bb com cada um de n\u00f3s. As n\u00fapcias inauguram uma comunh\u00e3o total de vida: \u00e9 o que Deus deseja ter com cada um de n\u00f3s. Por isso o nosso relacionamento com Ele n\u00e3o se pode limitar ao dos devotados s\u00fabditos com o rei, ao dos servos fi\u00e9is com o patr\u00e3o ou ao dos alunos diligentes com o mestre, mas \u00e9, antes de tudo, o relacionamento da noiva amada com o noivo.<\/p>\n<p>Por outras palavras, o Senhor deseja-nos, procura-nos e convida-nos, e n\u00e3o se contenta com o nosso bom cumprimento dos deveres e a observ\u00e2ncia das suas leis, mas quer uma verdadeira e pr\u00f3pria comunh\u00e3o de vida connosco, uma rela\u00e7\u00e3o feita de di\u00e1logo, confian\u00e7a e perd\u00e3o. Esta \u00e9 a vida crist\u00e3, uma hist\u00f3ria de amor com Deus, na qual quem toma gratuitamente a iniciativa \u00e9 o Senhor e nenhum de n\u00f3s pode gloriar-se de ter a exclusividade do convite: ningu\u00e9m \u00e9 privilegiado relativamente aos outros, mas cada um \u00e9 privilegiado diante de Deus.<\/p>\n<p>Deste amor gratuito, terno e privilegiado, nasce e renasce incessantemente a vida crist\u00e3. Podemos interrogar-nos se, ao menos uma vez por dia, confessamos ao Senhor o amor que Lhe temos; se, entre tantas palavras de cada dia, nos lembramos de Lhe dizer: \u00abAmo-Vos, Senhor. V\u00f3s sois a minha vida\u00bb. Com efeito, se se perde de vista o amor, a vida crist\u00e3 torna-se est\u00e9ril, torna-se um corpo sem alma, uma moral imposs\u00edvel, um conjunto de princ\u00edpios e leis a respeitar sem um porqu\u00ea. Ao contr\u00e1rio, o Deus da vida espera uma resposta de vida, o Senhor do amor espera uma resposta de amor.<\/p>\n<p>No livro do Apocalipse Ele, dirigindo-Se a uma das Igrejas, faz-lhe concretamente esta censura: \u00abAbandonaste o teu primitivo amor\u00bb (2, 4). Aqui est\u00e1 o perigo: uma vida crist\u00e3 rotineira, onde nos contentamos com a \u00abnormalidade\u00bb, sem zelo nem entusiasmo e com a mem\u00f3ria curta.<\/p>\n<p>Em vez disso, reavivemos a mem\u00f3ria do primitivo amor: somos os amados, os convidados para as n\u00fapcias, e a nossa vida \u00e9 um dom, sendo-nos dada em cada dia a magn\u00edfica oportunidade de responder ao convite.<\/p>\n<p>Mas o Evangelho adverte-nos: o convite pode ser recusado. Muitos convidados disseram que n\u00e3o, porque estavam presos aos pr\u00f3prios interesses: \u00abeles, sem se importarem \u2013 diz o texto \u2013, foram um para o seu campo, outro para o seu neg\u00f3cio\u00bb (Mt 22, 5).<\/p>\n<p>Uma palavra reaparece: seu; \u00e9 a chave para entender o motivo da recusa. De facto, os convidados n\u00e3o pensavam que as n\u00fapcias fossem tristes ou chatas, mas simplesmente \u00abn\u00e3o se importaram\u00bb: viviam distra\u00eddos com os seus interesses, preferiam ter qualquer coisa em vez de se comprometer, como o amor exige.<\/p>\n<p>Vemos aqui como se afasta do amor, n\u00e3o por malvadez, mas porque se prefere o seu: as seguran\u00e7as, a autoafirma\u00e7\u00e3o, as comodidades\u2026 Ent\u00e3o reclinamo-nos nas poltronas dos lucros, dos prazeres, de qualquer passatempo que nos fa\u00e7a estar um pouco alegres. Mas deste modo envelhece-se depressa e mal, porque se envelhece dentro: quando o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dilata, fecha-se.<\/p>\n<p>E quando tudo fica dependente do pr\u00f3prio eu \u2013 daquilo com que concordo, daquilo que me serve, daquilo que pretendo \u2013, tornamo-nos r\u00edgidos e maus, reagimos maltratando por nada, como os convidados do Evangelho que chegam ao ponto de insultar e at\u00e9 matar (cf. v. 6) aqueles que levaram o convite, apenas porque os incomodavam. Assim, o Evangelho pergunta-nos de que parte estamos: da parte do pr\u00f3prio eu ou da parte de Deus? Pois Deus \u00e9 o oposto do ego\u00edsmo, da autorreferencialidade.<\/p>\n<p>Como nos diz o Evangelho, perante as cont\u00ednuas recusas, os fechamentos em rela\u00e7\u00e3o aos seus convites, Ele prossegue, n\u00e3o adia a festa. N\u00e3o se resigna, mas continua a convidar. Vendo os \u00abn\u00e3os\u00bb, n\u00e3o fecha a porta, mas inclui ainda mais. \u00c0s injusti\u00e7as sofridas, Deus responde com um amor maior.<\/p>\n<p>N\u00f3s muitas vezes, quando somos feridos por injusti\u00e7as e recusas, incubamos ressentimento e rancor. Ao contr\u00e1rio Deus, ao mesmo tempo que sofre com os nossos \u00abn\u00e3os\u00bb, continua a relan\u00e7ar, prossegue na prepara\u00e7\u00e3o do bem mesmo para quem faz o mal. Porque assim faz o amor; porque s\u00f3 assim se vence o mal (\u2026).<\/p>\n<p>Hoje, este Deus que n\u00e3o perde jamais a esperan\u00e7a, compromete-nos a fazer como Ele, a viver segundo o amor verdadeiro, a superar a resigna\u00e7\u00e3o e os caprichos de nosso \u00abeu\u00bb suscet\u00edvel e pregui\u00e7oso. H\u00e1 um \u00faltimo aspeto que o Evangelho destaca: o vestido dos convidados, que \u00e9 indispens\u00e1vel. Com efeito, n\u00e3o basta responder uma vez ao convite, dizer \u00absim\u00bb e\u2026 chega!<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso vestir o costume pr\u00f3prio, \u00e9 preciso o h\u00e1bito do amor vivido cada dia. Porque n\u00e3o se pode dizer \u00abSenhor, Senhor\u00bb, sem viver e praticar a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21). Precisamos de nos revestir cada dia do seu amor, de renovar cada dia a op\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Os Santos canonizados hoje, sobretudo os numerosos M\u00e1rtires, indicam-nos esta estrada.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o disseram \u00absim\u00bb ao amor com palavras e por um certo tempo, mas com a vida e at\u00e9 ao fim. O seu h\u00e1bito di\u00e1rio foi o amor de Jesus, aquele amor louco que nos amou at\u00e9 ao fim, que deixou o seu perd\u00e3o e as suas vestes a quem O crucificava. Tamb\u00e9m n\u00f3s recebemos no Batismo a veste branca, o vestido nupcial para Deus.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos a Ele, pela intercess\u00e3o destes nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s santos, a gra\u00e7a de optar por trazer cada dia esta veste e de a manter branca. Como consegui-lo? Antes de mais nada, indo sem medo receber o perd\u00e3o do Senhor: \u00e9 o passo decisivo para entrar na sala das n\u00fapcias e celebrar a festa do amor com Ele.(Zenit)<\/p>\n<p><strong><em>\u00a9 Libreria Editrice Vaticana<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs Santos canonizados hoje indicam-nos esta estrada\u201d \u201cReavivemos a mem\u00f3ria do primitivo amor: somos os amados, os convidados para as n\u00fapcias, e a nossa vida \u00e9 um dom, sendo-nos dada em cada dia a magn\u00edfica oportunidade de responder ao convite\u201d, disse o Papa Francisco em sua homilia pelas canoniza\u00e7\u00f5es deste 15 de outubro de 2017,&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/canonizacoes-reavivemos-a-memoria-do-primitivo-amor\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39280,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-39279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39279"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39281,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39279\/revisions\/39281"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}