{"id":35016,"date":"2017-08-25T21:38:02","date_gmt":"2017-08-26T00:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=35016"},"modified":"2017-08-25T21:38:02","modified_gmt":"2017-08-26T00:38:02","slug":"abrir-mao-e-abrir-a-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/abrir-mao-e-abrir-a-mao\/","title":{"rendered":"Abrir m\u00e3o e abrir a m\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O alcance simb\u00f3lico destas duas express\u00f5es populares &#8211; \u201cabrir m\u00e3o\u201d e \u201cabrir a m\u00e3o\u201d- evidencia especial desafio para boa parte das pessoas, considerando que o exerc\u00edcio da solidariedade \u00e9 necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Do mesmo modo que \u00e9 grande a resist\u00eancia para se \u201cabrir m\u00e3o\u201d de privil\u00e9gios, ganhos, comodidades, n\u00e3o \u00e9 menor a dificuldade para se \u201cabrir a m\u00e3o\u201d, em um gesto sincero de doa\u00e7\u00e3o. Nesses casos, h\u00e1 um travamento que parece insuper\u00e1vel.\u00a0 \u00a0E quase sempre, quando \u00e9 proposto um gesto que signifique \u201cabrir m\u00e3o\u201d, \u00e9 o forte que imp\u00f5e o sacrif\u00edcio ao fraco, o rico ao pobre, o pol\u00edtico \u00e0s camadas populares, ou seja: a \u201cjusti\u00e7a\u201d \u00e9 praticada em favor dos que dominam e os preju\u00edzos socializados entre os indefesos e inocentes.<\/p>\n<p>A atitude de n\u00e3o querer \u201cabrir m\u00e3o\u201d contribui decisivamente para que v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es afundem, como uma barca em naufr\u00e1gio, sem que seus ocupantes percebam o perigo.\u00a0 Poucos aceitariam mudan\u00e7as na situa\u00e7\u00e3o em que se encontram, para promover o bem coletivo, quando isso significa deixar de receber privil\u00e9gios. Nesses casos, a resposta \u00e9 imediata e negativa. Por isso, \u00e9 preciso verificar e reavaliar o tecido cultural que est\u00e1 subjacente nos processos a que as institui\u00e7\u00f5es foram submetidas ao longo de anos. Na quase totalidade dos casos, a irresponsabilidade e os interesses cartoriais configuram funcionamentos e procedimentos que geram preju\u00edzos, impedindo avan\u00e7os e o enfrentamento das crises.<\/p>\n<p>Percebe-se, assim, que a revis\u00e3o de direitos sociais conquistados pode n\u00e3o ser o caminho indicado para as reformas, tanto as de incid\u00eancia mais abrangente, nas din\u00e2micas sociais, quanto as que devem ser promovidas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, empresariais, de servi\u00e7os e religiosas. Mas, o que se deve buscar \u00e9 o desapego a partir de nova din\u00e2mica cultural capaz de nortear as institui\u00e7\u00f5es e os segmentos da sociedade brasileira, comprometida nas dimens\u00f5es pol\u00edtico, social e moral. Basta observar o que ocorre nas altas esferas dos tr\u00eas poderes, desorientando os rumos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o alarmantes, por exemplo, as cifras destinadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias do Poder na Capital Federal, nos demais estados e munic\u00edpios brasileiros. Um tipo de burocracia que trava o desenvolvimento da sociedade. As dire\u00e7\u00f5es escolhidas s\u00e3o suicidas ou imp\u00f5em processos que produzem a morte lenta e perversa de pessoas, de segmentos sociais e das institui\u00e7\u00f5es que precisam de for\u00e7a para cumprir com suas responsabilidades.\u00a0 Dificuldades que se sustentam em uma triste realidade: poucos aceitam \u201cabrir m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Essa incapacidade de \u201cabrir m\u00e3o\u201d se agrava ainda mais pela mediocridade de posturas, pelos resultados p\u00edfios nos desempenhos, e pela voracidade de ter e querer sempre mais. Desse modo, ocorre verdadeira cristaliza\u00e7\u00e3o das percep\u00e7\u00f5es. Consequentemente, perde-se a indispens\u00e1vel capacidade para se readaptar a uma vida mais simples, sem privil\u00e9gios, pregui\u00e7as ou justificativas, com o engajamento para produzir e fazer mais, em benef\u00edcio de todos.\u00a0 A raiz de todo esse mal tem origem em uma cultura tecida pelo interesse mesquinho e distante do sentido da solidariedade, empurrando a cidadania a ficar de costas para o que realmente poderia salvar institui\u00e7\u00f5es, preservar e ampliar postos de trabalho e, sobretudo, permitir o cumprimento da miss\u00e3o pr\u00f3pria de cada uma delas.<\/p>\n<p>A mesquinhez obscurece a raz\u00e3o humana e, consequentemente, em situa\u00e7\u00f5es de dificuldade, como a que se vive neste tempo, n\u00e3o s\u00e3o encontradas solu\u00e7\u00f5es inteligentes, exequ\u00edveis, para os muitos problemas. Sem novas respostas, as pessoas permanecem ref\u00e9ns de seus prop\u00f3sitos tacanhos e pessoais, do consumismo e da ambi\u00e7\u00e3o desmedida. Um comportamento que revela e comprova a superficialidade dos atuais estilos de vida.<\/p>\n<p>Muitos se escoram nas organiza\u00e7\u00f5es, amparados por culturas que resultam em altos passivos, impedindo as institui\u00e7\u00f5es de sobreviver. N\u00e3o conseguem perceber &#8211; a exemplo do que ocorreu com os habitantes de Sodoma e Gomorra &#8211; que est\u00e3o a caminho do fracasso e da desola\u00e7\u00e3o e que s\u00f3 t\u00eam uma sa\u00edda: disporem-se, altruisticamente, a encontrar raz\u00f5es para \u201cabrir m\u00e3o\u201d. Buscarem vivenciar a generosidade e as readequa\u00e7\u00f5es, sob pena de, paralisados, esperarem cair sobre suas cabe\u00e7as as pesadas pedras produzidas pela pr\u00f3pria mesquinhez.<\/p>\n<p>Irresponsabilidades de diversas pessoas que exercem a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de agentes que deveriam se dedicar \u00e0 justi\u00e7a, seduzidos pelo poder e pela facilidade de usufruir do er\u00e1rio, criam a gigantesca onda de corrup\u00e7\u00e3o. Na raiz desse mal est\u00e1 a incapacidade para o gesto solid\u00e1rio de \u201cabrir a m\u00e3o\u201d. O mais pobre que \u201cabre a m\u00e3o\u201d, mesmo possuindo pouco, deve ser exemplo e refer\u00eancia da solidariedade. Um contraponto aos que muito possuem, mas fecham a m\u00e3o, com medo de perder o que t\u00eam. Quanto mais fecham a m\u00e3o, mais aumentam as grades da jaula em que est\u00e3o. Esbanjam seus bens e usufruem de privil\u00e9gios, mas vivem sem o gosto da liberdade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um longo e exigente caminho de aprendizagem para transformar a sociedade brasileira, constituindo uma cultura exemplar que contemple a solidariedade, o desenvolvimento integral, a conviv\u00eancia fraterna e civilizada. Sem trilh\u00e1-lo, tornar\u00e3o mais graves as estat\u00edsticas da viol\u00eancia e as perdas, inscrevendo o Pa\u00eds nos mesmos par\u00e2metros dos muitos focos destruidores e homicidas das guerras. O \u00fanico caminho poss\u00edvel \u00e9 aprender, em casa, para influenciar globalmente, o valor de se \u201cabrir a m\u00e3o\u201d e a urgente necessidade de saber \u201cabrir m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Autor:Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O alcance simb\u00f3lico destas duas express\u00f5es populares &#8211; \u201cabrir m\u00e3o\u201d e \u201cabrir a m\u00e3o\u201d- evidencia especial desafio para boa parte das pessoas, considerando que o exerc\u00edcio da solidariedade \u00e9 necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. 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