{"id":31404,"date":"2017-07-07T05:57:47","date_gmt":"2017-07-07T08:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=31404"},"modified":"2017-07-07T05:57:47","modified_gmt":"2017-07-07T08:57:47","slug":"porta-voz-da-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/porta-voz-da-moral\/","title":{"rendered":"Porta-voz da moral"},"content":{"rendered":"<p>Ser porta-voz da moral \u00e9 mais que tarefa. \u00c9 miss\u00e3o que permite a conquista do indispens\u00e1vel balizamento, capaz de evitar que as rela\u00e7\u00f5es sociais se convertam em descompassos, inviabilizando a cidadania. Promover a moral \u00e9 responsabilidade intransfer\u00edvel que cabe a cada fam\u00edlia, \u00e0s igrejas, aos governos, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, aos projetos e programas culturais. Enfim, uma exig\u00eancia para cada cidad\u00e3o, que deve orientar as pr\u00f3prias condutas a partir de valores inegoci\u00e1veis. Mas essa responsabilidade contracena, no contexto atual, com uma for\u00e7a antag\u00f4nica: o relativismo &#8211; abrigo de rea\u00e7\u00f5es negativas a princ\u00edpios \u00e9tico-morais.<\/p>\n<p>Muitas vezes os ordenamentos necess\u00e1rios para a vida cidad\u00e3 s\u00e3o questionados, pois o conceito de liberdade frequentemente est\u00e1 relacionado com subjetivismos, contemplando m\u00faltiplos significados que justificam diferentes posturas e condutas. Obviamente, liberdade \u00e9 componente essencial na vida de cada pessoa, mas o agir, justamente por ser livre, deve alicer\u00e7ar-se na moral. As a\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o podem ocorrer na contram\u00e3o de valores e princ\u00edpios, pois liberdade n\u00e3o significa autocracia ou autonomia hegem\u00f4nica que confere a indiv\u00edduos o direito de ser e fazer, segundo, apenas, os pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>A liberdade genu\u00edna \u00e9 a que se alicer\u00e7a na moral, sem aprisionamentos no subjetivismo. Possibilita \u00e0s pessoas agirem a partir de um sentido mais abrangente de liberdade, vivenciando-a em suas escolhas di\u00e1rias. Esse modo de se orientar, por ser de ordem moral, se assenta sobre os pilares de princ\u00edpios e valores, com for\u00e7a para confeccionar um tecido cultural emoldurado por perspectivas civilizat\u00f3rias indispens\u00e1veis. Conquistam-se, assim, diariamente, condutas cidad\u00e3s que permitam o usufruto da pr\u00f3pria liberdade e o respeito \u00e0 liberdade alheia. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando n\u00e3o se negociam valores e princ\u00edpios indispens\u00e1veis que, para serem preservados, demandam exigente empenho existencial.<\/p>\n<p>Percebe-se que liberdade n\u00e3o \u00e9 apenas escolha desta ou daquela a\u00e7\u00e3o particular que, muitas vezes, erradamente, \u00e9 justificada por relativismos que conduzem a absurdos. Liberdade n\u00e3o pode ser pretexto para justificar qualquer coisa que se oponha \u00e0 moral &#8211; uma lei que n\u00e3o se imp\u00f5e, mas que deve ser obedecida por todos, refer\u00eancia a uma voz que ressoa no fundo do cora\u00e7\u00e3o, chamando cada pessoa a amar o bem e a distanciar-se do mal.<\/p>\n<p>Por isso a miss\u00e3o de ser porta-voz da moral \u00e9 importante. N\u00e3o se pode correr o risco de amedrontar-se diante das comuns reinvindica\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias que partem do princ\u00edpio de que o valor maior \u00e9 a escolha individual &#8211; mesmo que essa op\u00e7\u00e3o seja contr\u00e1ria a valores e princ\u00edpios inegoci\u00e1veis.\u00a0 Esses valores e princ\u00edpios precisam ser aprendidos e assimilados para garantir uma conviv\u00eancia de paz e harmonia entre todos. Eis um indispens\u00e1vel investimento para conseguir debelar as sangrias da corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, promover corre\u00e7\u00f5es urgentes, aprender que o outro, o semelhante, tem ineg\u00e1vel import\u00e2ncia, superando viol\u00eancias e indiferen\u00e7as que t\u00eam desfigurado a vida na sociedade, tornando-a insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode adiar o cumprimento da miss\u00e3o de ser porta-voz da moral, para fazer ecoar valores e princ\u00edpios que antecedem interpreta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas e culturais e integram a ordem natural da verdade e do bem. Essa miss\u00e3o \u00e9 di\u00e1ria, de todos, e deve ser cumprida com incondicional respeito ao pr\u00f3ximo, \u00e0s suas escolhas. Assim, deve ser debelado o impulso para impor relativismos \u00e9ticos e calar vozes, sob pena de preju\u00edzos como os que est\u00e3o na pauta do dia, trazendo perdas irrevers\u00edveis. Sem medo, com o objetivo de fazer o bem, diante das urg\u00eancias inquestion\u00e1veis de se constituir nova ordem social, \u00e9 hora de investir, corajosamente, no cumprimento da miss\u00e3o que \u00e9 de cada um: ser porta-voz da moral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Autor:Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser porta-voz da moral \u00e9 mais que tarefa. \u00c9 miss\u00e3o que permite a conquista do indispens\u00e1vel balizamento, capaz de evitar que as rela\u00e7\u00f5es sociais se convertam em descompassos, inviabilizando a cidadania. 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