{"id":30408,"date":"2017-06-09T06:21:47","date_gmt":"2017-06-09T09:21:47","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=30408"},"modified":"2017-06-09T06:21:47","modified_gmt":"2017-06-09T09:21:47","slug":"sidrack-e-joao-30-anos-servindo-a-igreja-no-rio-pelo-diaconato-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/sidrack-e-joao-30-anos-servindo-a-igreja-no-rio-pelo-diaconato-permanente\/","title":{"rendered":"Sidrack e Jo\u00e3o: 30 anos servindo a Igreja no Rio pelo diaconato permanente"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do diaconato tem sua origem ainda na Igreja primitiva quando, devido ao crescimento da comunidade crist\u00e3, os ap\u00f3stolos decidiram escolher \u201csete homens de boa reputa\u00e7\u00e3o, cheios do Esp\u00edrito Santo e de sabedoria\u201d (At 6, 3), aos quais foi confiado o servi\u00e7o da caridade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II, houve uma restaura\u00e7\u00e3o no diaconato, o que abriu espa\u00e7o para que homens casados e vi\u00favos fossem ordenados para o servi\u00e7o. No Rio de Janeiro, o ano de 1987 se tornaria especial na vida de Sidrack Gragoat\u00e1 Chagas e Jo\u00e3o de Barros Almeida.<\/p>\n<p>Ambos fizeram parte da primeira turma de di\u00e1conos da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ordenados no dia 6 de junho de 1987. Dentre os nove di\u00e1conos ordenados naquele dia, somente os dois continuam vivos e, neste ano de 2017, completam 30 anos de servi\u00e7o a Deus atrav\u00e9s do minist\u00e9rio diaconal.<\/p>\n<p><strong>A Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Um ponto em comum na vida de Sidrack e Jo\u00e3o era o desejo de ser sacerdote. Ambos chegaram a ingressar no semin\u00e1rio, sendo o primeiro no Semin\u00e1rio Arquidiocesano de S\u00e3o Jos\u00e9, e o segundo no Semin\u00e1rio Arquidiocesano da Para\u00edba.<\/p>\n<p>Para Sidrack, a sa\u00edda se deu justamente por perceber que n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o para o sacerd\u00f3cio. J\u00e1 para Jo\u00e3o de Barros, o afastamento do semin\u00e1rio foi mais doloroso. \u201cNaquela \u00e9poca, contra\u00ed tuberculose. Por isso n\u00e3o podia mais permanecer no semin\u00e1rio nem mesmo quando estivesse curado. O bispo disse que eu n\u00e3o poderia mais acompanhar minha turma. Ent\u00e3o, afirmou que preferia que eu fosse um bom pai de fam\u00edlia a um p\u00e9ssimo padre\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Fora do semin\u00e1rio, Jo\u00e3o de Barros seguiu sozinho em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro. Enquanto isso, Sidrack seguia por outro caminho, diferente dos planos de Deus. O \u00e1lcool se tornou um de seus v\u00edcios, o que o impedia de realizar muitas coisas. Por\u00e9m, talvez Deus se utilize da pequenez e mis\u00e9ria de Seus filhos para realizar na vida deles Seus maiores milagres.<\/p>\n<p>Do outro lado, Jo\u00e3o de Barros, antes de sair de Jo\u00e3o Pessoa, ficou noivo de J\u00falia Dias de Almeida. Cinco anos depois, seu pai decidiu vir ao Rio de Janeiro para conversar com o filho. \u201cConversando comigo, meu pai disse: \u2018Se voc\u00ea n\u00e3o quer se casar com a menina, n\u00e3o atrapalhe a vida dela\u2019. Isso foi em novembro, em fevereiro, nos casamos\u201d, recordou.<\/p>\n<p>O casamento de Jo\u00e3o de Barros durou 53 anos, uma vez que J\u00falia partiu para a casa do Pai h\u00e1 tr\u00eas anos. Segundo ele, \u201ctudo o que tenho hoje, agrade\u00e7o a Deus e a esposa que Ele me deu\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Sidrack casou-se com Idalina Jacinto Chaves seis anos depois de sair do semin\u00e1rio. Para ele, ir \u00e0 missa com a fam\u00edlia era um orgulho. \u201cDesde que me casei, meu maior orgulho era ir \u00e0 missa com ela. Havia um banco na igreja, o primeiro, que j\u00e1 era nosso, sempre sent\u00e1vamos ali. Essa tamb\u00e9m era minha maneira de pregar. Nas vezes em que falt\u00e1vamos, aquele banco ficava vazio\u201d, contou.<\/p>\n<p><strong>O Chamado<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, o ent\u00e3o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugenio de Araujo Sales, divergindo do Conselho Presbiteral da \u00e9poca, decidiu instituir o diaconato permanente na arquidiocese. Para isso, delegou nas m\u00e3os de seu bispo auxiliar Dom Jos\u00e9 Palmeira Lessa a tarefa de escolher nove homens que, depois de quatro anos de prepara\u00e7\u00e3o, atuariam no of\u00edcio.<\/p>\n<p>Um deles foi Sidrack, que, anos antes, havia recebido Dom Lessa nos tempos de semin\u00e1rio. Ao saber que o amigo estaria na Par\u00f3quia Cora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstico de Jesus, sua igreja de origem, para realizar uma visita pastoral, Sidrack n\u00e3o hesitou em encontr\u00e1-lo, mesmo ap\u00f3s ter bebido uma garrafa de cacha\u00e7a. \u201cEu era alco\u00f3latra. N\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es para ser di\u00e1cono. Chorava pedindo a Deus para me libertar, mas eu n\u00e3o conseguia largar o v\u00edcio. Naquele dia, Dom Lessa n\u00e3o sentiu o cheiro da bebida e perguntou: \u2018Voc\u00ea n\u00e3o quer ser di\u00e1cono?\u2019 Deus tirou de mim a garrafa de cacha\u00e7a e me deu estola de di\u00e1cono\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m estava na lista era Jo\u00e3o de Barros, o qual j\u00e1 era ministro da Eucaristia e, ap\u00f3s uma visita ao reitor do semin\u00e1rio, o ent\u00e3o c\u00f4nego Edson de Castro Homem foi chamado para o minist\u00e9rio. \u201cAceitei o diaconato porque tinha esperan\u00e7a de um dia ser padre. Quando minha esposa morreu, eu j\u00e1 tinha mais de 80 anos e, por isso, n\u00e3o podia mais ser sacerdote\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Eles foram preparados durante quatro anos para assumir o minist\u00e9rio. Os encontros aconteciam todas as quintas-feiras no Edif\u00edcio Jo\u00e3o Paulo II, cujos formadores eram o bispo auxiliar Dom Narbal da Costa Stencel, al\u00e9m dos padres Edson de Castro Homem e Jos\u00e9 Mazine. Al\u00e9m disso, eles passaram pela Mater Ecclesie, na qual tamb\u00e9m recebiam forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Sidrack, a primeira turma de di\u00e1conos era como uma fam\u00edlia que se amava, apesar das desaven\u00e7as. \u201c\u00c9ramos como uma fam\u00edlia mesmo, entre brigas e reconcilia\u00e7\u00f5es. Um frequentava a casa do outro. Reun\u00edamo-nos uma vez por m\u00eas, mas tamb\u00e9m sempre t\u00ednhamos nossos encontros festivos. Certa vez, num retiro, o Jo\u00e3o quase arrumou uma briga com outro di\u00e1cono porque ele queria rezar o Ter\u00e7o de Nossa Senhora, e o outro di\u00e1cono disse que s\u00f3 pens\u00e1vamos nisso. Na mesma hora, o Jo\u00e3o disse: \u2018S\u00f3 n\u00e3o te dou um tapa na cara porque estamos em retiro. N\u00e3o admito que voc\u00ea diga isso de minha m\u00e3e\u2019. Talvez, ele nem se recorde desse fato\u201d, contou entre risos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a prepara\u00e7\u00e3o, Sidrack Chagas e Jo\u00e3o de Barros foram ordenados di\u00e1conos permanentes no dia 6 de junho de 1987, na Catedral de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os de Dom Eugenio Sales. Jo\u00e3o afirma, at\u00e9 hoje, sentir o calor das m\u00e3os de Dom Eugenio durante a b\u00ean\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Sidrack se recorda da multid\u00e3o que lotou a Catedral, acompanhada da grande m\u00eddia, uma vez que a celebra\u00e7\u00e3o foi destaque nos principais ve\u00edculos de m\u00eddia do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>A Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Depois de ordenados, os di\u00e1conos foram enviados para par\u00f3quias distintas. Sidrack passou pelas par\u00f3quias de Santa Clara, em Guaratiba; Sant\u2019Ana, em Campo Grande; S\u00e3o Louren\u00e7o, em Bangu; Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e S\u00e3o Victor, em Campo Grande, e atualmente na Par\u00f3quia Cora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstico de Jesus, em Sant\u00edssimo, h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p>Di\u00e1cono Sidrack lembrou, com emo\u00e7\u00e3o, o \u00faltimo dia em que esteve ao lado do padre Jos\u00e9 Melchior, com quem trabalhou em Guaratiba. \u201cEle foi o que mais me ensinou com seu trabalho e humildade. Para mim, ele \u00e9 um santo. No dia de sua morte, est\u00e1vamos realizando uma visita pastoral. No almo\u00e7o, tremendo muito, me pediu para assistir a um casamento, por\u00e9m n\u00e3o pude atend\u00ea-lo, pois havia outro casamento na comunidade. Foi justamente neste dia, quando corria para celebrar o casamento ap\u00f3s ter realizado os batizados das crian\u00e7as, que ele sofreu o acidente de carro e morreu\u201d, contou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Jo\u00e3o de Barros passou pelas comunidades Sagrada Fam\u00edlia, na Taquara, Santo Sepulcro e S\u00e3o Br\u00e1s, ambas em Madureira, Capela do Col\u00e9gio Militar, Nossa Senhora do Carmo, em Vicente de Carvalho, e atualmente na Par\u00f3quia S\u00e3o Luiz Gonzaga, onde atua h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>Segundo ele, no in\u00edcio do minist\u00e9rio, a esposa o acompanhava e apoiava nas miss\u00f5es. Depois de alguns anos, houve problemas, mesmo ela sendo cat\u00f3lica praticante, devido ao grande per\u00edodo que o di\u00e1cono passa fora de casa a servi\u00e7o de Deus e as miss\u00f5es que aconteciam em comunidades mais distantes de casa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro anos desde a primeira ordena\u00e7\u00e3o diaconal, ambos foram chamados para serem tutores da segunda turma que formaria cinco di\u00e1conos em junho de 1991. Segundo eles, o principal trabalho era oferecer forma\u00e7\u00f5es mais voltadas para o dia a dia com o povo de Deus e o que se deveria fazer nas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>As dificuldades e alegrias do diaconato<\/strong><\/p>\n<p>Durante os anos dedicados ao diaconato, ambos sempre carregaram a mesma certeza de a principal fun\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio era levar Jesus para fora dos muros da Igreja, o que tem sido cada vez mais evidenciado pelo Papa Francisco.<\/p>\n<p>Para Sidrack, ser di\u00e1cono \u00e9 \u201cservir no Altar, mas n\u00e3o viver somente nele. \u00c9 preciso fazer aquilo que, muitas vezes, o padre, por falta de tempo, n\u00e3o consegue. O di\u00e1cono deve contribuir na evangeliza\u00e7\u00e3o junto aos sacerdotes, levando Cristo para o povo, indo \u00e0s casas, assistindo \u00e0s vi\u00favas e doentes, e n\u00e3o querendo aparecer mais que Jesus\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Aos 85 anos, di\u00e1cono Jo\u00e3o de Barros disse: \u201cAinda quero fazer o que o Papa Francisco nos pede: sair da poltrona para evangelizar\u201d, afirmou. Ele ainda atua na par\u00f3quia, mesmo ap\u00f3s ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>De acordo com Sidrack, o in\u00edcio do diaconato no Rio de Janeiro n\u00e3o foi f\u00e1cil. \u201cNo meu tempo, os di\u00e1conos tinham mais campo, porque eram poucos. Ainda assim, comemos o p\u00e3o que o diabo amassou para limparmos o caminho para que os de hoje pudessem atuar. Enfrent\u00e1vamos muitas persegui\u00e7\u00f5es, porque o povo e alguns padres n\u00e3o aceitavam. A miss\u00e3o do di\u00e1cono se parece com a do padre, o que faz com que as pessoas confundam, e muitos se aproveitam disso para ser mais que o padre\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o de Barros, assistir aos casamentos sempre foi sua grande alegria. \u201cEu ficava feliz da vida quando assistia a um casamento. Achava muito lindo, tinha vontade de chorar. Gostava muito de fazer a entrevista com os noivos, eu os aconselhava, conversa, abra\u00e7ava. Hoje em dia, ainda desejo assistir aos casamentos, por\u00e9m me falta voz. Tamb\u00e9m gostei muito de trabalhar com a Pastoral Familiar. Eu\u00a0 orientava, visitava fam\u00edlias e gostava de dar palestras\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Enquanto para Sidrack uma alegria no diaconato era a oportunidade de celebrar o batismo. \u201cEu me identifico com o Batismo, porque nele encontro muitas pessoas que aparecem na Igreja somente nessa ocasi\u00e3o. Ent\u00e3o aproveito para passar a mensagem de Cristo para eles. Perdi a conta de quantas crian\u00e7as j\u00e1 batizei\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sua maior alegria se traduz na voca\u00e7\u00e3o de seu filho, Marcos Ven\u00edcio Jacintho Chagas. \u201cNaquele tempo, em 1953, n\u00e3o havia pastorais, somente Movimento Mariano, no qual eu participava. Nesse per\u00edodo, meu filho, com 15 anos, j\u00e1 n\u00e3o queria mais participar na Igreja. N\u00e3o havia nada que o fizesse retornar. Por\u00e9m, com o advento do grupo de ora\u00e7\u00e3o, ele foi com minhas filhas, gostou e permaneceu. Esse foi o retorno dele \u00e0 igreja. Tempos depois, ele se candidatou ao diaconato. Agora, a miss\u00e3o diaconal tem sido repassada ao meu neto que, ainda na juventude, j\u00e1 sonha em se tornar di\u00e1cono\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>Durante a entrevista, foi perguntado aos di\u00e1conos se ambos estariam dispostos a fazer tudo outra vez. A resposta foi un\u00edssona: \u201cSim\u201d, at\u00e9 o \u201cpor\u00e9m\u201d proferido pelo di\u00e1cono Jo\u00e3o de Barros: \u201cMenos casar. Ainda que eu n\u00e3o fosse di\u00e1cono, dedicaria minha vida \u00e0 Igreja como leigo ou tentaria mais uma vez me tornar sacerdote\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Por: Priscila Xavier<\/p>\n<p>Fonte:Arquidiocese do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do diaconato tem sua origem ainda na Igreja primitiva quando, devido ao crescimento da comunidade crist\u00e3, os ap\u00f3stolos decidiram escolher \u201csete homens de boa reputa\u00e7\u00e3o, cheios do Esp\u00edrito Santo e de sabedoria\u201d (At 6, 3), aos quais foi confiado o servi\u00e7o da caridade. 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