{"id":18082,"date":"2017-02-03T23:26:58","date_gmt":"2017-02-03T23:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=18082"},"modified":"2017-02-03T23:28:09","modified_gmt":"2017-02-03T23:28:09","slug":"recuperar-as-instituicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalcatolico.net\/portal\/recuperar-as-instituicoes\/","title":{"rendered":"Recuperar as institui\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 grave o processo de sucateamento das institui\u00e7\u00f5es. Isso porque os funcionamentos institucionais, frequentemente, s\u00e3o obsoletos e n\u00e3o conseguem promover o bem da coletividade.\u00a0 Essa realidade traz resultados nefastos para cada institui\u00e7\u00e3o \u2013 sejam elas governamentais, educacionais, religiosas ou familiares, al\u00e9m de preju\u00edzos para toda a sociedade. Os investimentos para se adequar processos s\u00e3o insuficientes e, consequentemente, os resultados s\u00e3o p\u00edfios na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Um mal terr\u00edvel que envolve variadas institui\u00e7\u00f5es, inclusive as que t\u00eam seu balizamento maior na experi\u00eancia da f\u00e9.<\/p>\n<p>A sociedade pede mais consist\u00eancia por parte das organiza\u00e7\u00f5es, que precisam cumprir bem sua tarefa: assumir a responsabilidade de cooperar para a transforma\u00e7\u00e3o de uma sociedade carente de novos impulsos e inova\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso deixar de insistir em pr\u00e1ticas de tempos que j\u00e1 se foram. Muitas a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o pr\u00f3prias do passado j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para interagir com as demandas do mundo contempor\u00e2neo. Consequentemente, n\u00e3o conseguem interferir positivamente na realidade. Mas ainda assim, permanecem os gastos &#8211; com recursos financeiros e tamb\u00e9m humanos &#8211; direcionados a esses funcionamentos inadequados. As pessoas ficam submersas na mediocridade de escolhas e de encaminhamentos. Conviver com a pequenez naquilo que se faz, por n\u00e3o se engajar nos processos de mudan\u00e7as, torna-se normal. Isso trava criatividades e amorda\u00e7a muitos na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir contribuir. Cria-se facilmente o v\u00edcio de se fazer das configura\u00e7\u00f5es institucionais, nos seus funcionamentos, simplesmente um amparo para quem se satisfaz com a oportunidade de ter um \u201clugar ao sol\u201d. Ora, esse fen\u00f4meno \u00e9 a contram\u00e3o das din\u00e2micas modernas e inevit\u00e1veis das inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inovar \u00e9 uma exig\u00eancia e deveria ser a meta, mas os agentes da inova\u00e7\u00e3o \u2013 as pessoas que integram as institui\u00e7\u00f5es \u2013 se satisfazem com a conquista de uma zona de conforto que mata gestos de altru\u00edsmo, impedindo o ser humano de ser participe na cria\u00e7\u00e3o e recria\u00e7\u00e3o. Compreende-se, assim, porque a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos n\u00e3o \u00e9 garantia para uma atua\u00e7\u00e3o proativa e com for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o. O marasmo no interior das institui\u00e7\u00f5es envolve como uma nuvem a preciosidade de cada pessoa. O resultado nefasto \u00e9 o cumprimento de mandatos ou tempo de servi\u00e7o com opacidade.<\/p>\n<p>Percebe-se que a dimens\u00e3o pessoal sucateia a institui\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m a dimens\u00e3o institucional pode prejudicar as pessoas, enjaulando-as, inclusive as que t\u00eam grande potencial. Sem conseguir mostrar a pr\u00f3pria capacidade, elas permanecem na linha mediana de atua\u00e7\u00e3o.\u00a0 Por isso, cada pessoa precisa assumir o compromisso de lan\u00e7ar um olhar sobre a institui\u00e7\u00e3o na qual se insere, buscando sa\u00eddas para a terr\u00edvel fragiliza\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. Essa fragiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamentada na incompet\u00eancia que afeta modos de agir e nos desvios \u00e9tico-morais que, inclusive, levam agentes a usufru\u00edrem, de modo desonesto, de recursos institucionais, conduzindo velozmente as organiza\u00e7\u00f5es, na qual trabalham, rumo a precip\u00edcios.<\/p>\n<p>O fato mais comum \u00e9, consciente ou inconscientemente, tender a escolhas que levem a colocar responsabilidades e interven\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os de quem n\u00e3o as operar\u00e1 adequadamente. Certamente, trata-se de mecanismo de defesa que perpetua a mediocridade que, infelizmente, incomoda menos. O que incomoda mais \u00e9 o desafio de desinstalar-se da \u201czona de conforto\u201d para responder \u00e0s exig\u00eancias e \u00e0s demandas do dia a dia, \u00e0s necessidades de qualifica\u00e7\u00e3o permanente do tecido institucional. Esse tecido, quando fortalecido, pode alavancar mudan\u00e7as que levem \u00e0s solu\u00e7\u00f5es adequadas para o tempo atual. \u00a0Assim, em gesto de humildade e batendo penitencialmente no peito, cada pessoa precisa cultivar uma consci\u00eancia cidad\u00e3 e n\u00e3o apenas ocupar postos que representem, somente, oportunidade de promo\u00e7\u00e3o pessoal. Todos devem assumir a responsabilidade para ajudar a encontrar novas respostas, com trabalho produtivo. Esse \u00e9 um indispens\u00e1vel caminho no combate \u00e0 mediocridade, no enfrentamento das demagogias e na coragem de avaliar, sinceramente, o que se est\u00e1 fazendo, para encontrar os caminhos da inova\u00e7\u00e3o e recuperar as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Autor:Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/p>\n<p><strong>Por Samir Jared<\/strong><\/p>\n<p>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 grave o processo de sucateamento das institui\u00e7\u00f5es. Isso porque os funcionamentos institucionais, frequentemente, s\u00e3o obsoletos e n\u00e3o conseguem promover o bem da coletividade.\u00a0 Essa realidade traz resultados nefastos para cada institui\u00e7\u00e3o \u2013 sejam elas governamentais, educacionais, religiosas ou familiares, al\u00e9m de preju\u00edzos para toda a sociedade. 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