Posse canônica do padre Vinícius Pinheiro Mascarenhas reúne fiéis em noite de fé e comunhão em Itabuna.

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Na noite deste sábado, 31 de janeiro de 2026, a Diocese de Itabuna, no sul da Bahia, viveu um momento de profunda alegria e comunhão com a solene celebração de posse canônica do padre Vinícius Pinheiro Mascarenhas como novo pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no município de Itabuna. A celebração teve início às 19h e contou com expressiva participação dos fiéis, que lotaram a igreja matriz. Devido à grande presença do público, foi disponibilizado um telão na área externa da paróquia, permitindo que todos acompanhassem a Santa Missa.
 
A Eucaristia foi presidida pelo bispo diocesano de Itabuna, dom Jailton de Oliveira Lino, PSDP, e concelebrada por diversos sacerdotes, com a presença de diáconos, seminaristas, autoridades civis e militares, familiares e amigos do presbítero empossado, além de fiéis das comunidades paroquiais e de outras paróquias da Diocese, entre elas a Paróquia São Boaventura, do município de Canavieiras, onde o padre Vinícius exerceu seu ministério pastoral por oito anos.
 
Após os ritos iniciais da celebração eucarística, o chanceler da Cúria Diocesana, padre Nerivaldo Santos de Azevedo, realizou a leitura da provisão de nomeação do novo pároco, datada de 26 de janeiro de 2026. Em seguida, conforme determina o Direito Canônico, o padre Vinícius Pinheiro Mascarenhas professou publicamente a fé e prestou o juramento de fidelidade diante do bispo e da assembleia.
O rito de posse canônica foi marcado por gestos simbólicos que expressam a missão pastoral confiada ao novo pároco, como a entrega da chave do sacrário, dos óleos dos catecúmenos e da estola roxa, sinais do cuidado com a Eucaristia, a iniciação cristã e o ministério da reconciliação.
Além de assumir a condução pastoral da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, que compreende a igreja matriz e todas as suas comunidades, o padre Vinícius Pinheiro Mascarenhas exerce a função de vigário judicial da Diocese de Itabuna e integra o Conselho Presbiteral, assumindo também a responsabilidade jurídica e administrativa da paróquia e diocese.
 
Durante a homilia, dom Jailton de Oliveira Lino refletiu amplamente sobre o verdadeiro sentido da felicidade à luz da Palavra de Deus, destacando que a prosperidade material não pode ser automaticamente considerada sinal da bênção divina. O bispo recordou que, ao longo da história bíblica, essa compreensão foi sendo purificada e afirmou que a riqueza “não poderia ser considerada bênção de Deus”. Segundo ele, ainda nos dias atuais essa ideia reaparece na chamada teologia da prosperidade, que associa felicidade e bem-aventurança apenas à posse de bens, visão que não corresponde ao ensinamento do Evangelho.
 
Ao comentar a primeira leitura, retirada do livro do profeta Sofonias, dom Jailton ressaltou que, embora seja um livro breve, possui grande profundidade teológica. Destacou que Sofonias apresenta uma compreensão inédita no Antigo Testamento ao afirmar que felizes são os pobres e os humildes, aqueles que colocam no Senhor a sua esperança. Segundo o bispo, é a primeira vez que a pobreza aparece na Escritura como sinal de bênção, entendida não como miséria material, mas como atitude interior de confiança em Deus.
Na sequência, o bispo fez referência à segunda leitura, recordando o ensinamento de São Paulo de que Deus escolhe os pequenos e os pobres, elevando aqueles que o mundo despreza. Citou também o cântico do Magnificat, no qual Maria proclama que Deus olhou para a sua humildade, exaltou os pequenos e rebaixou os soberbos, revelando um Deus que age de modo contrário à lógica puramente humana.
 
Dom Jailton aprofundou ainda o Evangelho proclamado, destacando o início do capítulo quinto do Evangelho segundo Mateus, conhecido como o Sermão da Montanha. Recordou que, assim como Moisés recebeu a antiga Lei no monte Sinai, Jesus proclama, no monte, a nova Lei do Reino de Deus. Explicou que os capítulos cinco, seis e sete de Mateus constituem a síntese do Evangelho e apresentam a proposta central de Jesus para seus discípulos.
O bispo esclareceu que Mateus organiza seu Evangelho em cinco grandes discursos, dirigidos especialmente aos judeus convertidos ao cristianismo, com o objetivo de mostrar que Jesus veio trazer uma nova Lei, destinada a cumprir e superar a Lei antiga dada por meio de Moisés. Nesse contexto, as bem-aventuranças ocupam lugar central, pois revelam o modo de ser e de agir de Jesus e o caminho proposto àqueles que desejam segui-lo.
 
Ao refletir sobre a primeira bem-aventurança, dom Jailton explicou que, para Mateus, “pobres em espírito” são aqueles que colocam toda a sua confiança em Deus. A pobreza, segundo ele, não se limita a uma condição social, mas é uma disposição interior que orienta o modo de pensar, de agir e de viver. Ressaltou ainda que a dignidade humana deve ser preservada e que a verdadeira pobreza evangélica consiste no abandono confiante nas mãos de Deus.
O bispo concluiu afirmando que as bem-aventuranças são o caminho seguro para a verdadeira felicidade cristã. Segundo ele, viver as bem-aventuranças significa reconhecer Cristo no rosto do outro, especialmente dos mais frágeis, e transformar a vida cotidiana em espaço de acolhida, serviço e amor, à semelhança do ensinamento de Jesus e do testemunho dos santos, como São Bento, que marcou profundamente a vida espiritual, social e cultural da Igreja.
A celebração foi marcada por um clima de oração, acolhida e profunda comunhão eclesial. A posse canônica do padre Vinícius Pinheiro Mascarenhas inaugura uma nova etapa na caminhada pastoral da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, fortalecendo a missão evangelizadora da Igreja particular de Itabuna.

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