Festa da Sagrada Família marca encerramento do Ano Jubilar da Esperança e criação do primeiro santuário da Diocese de Itabuna.

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A Igreja Católica celebrou neste domingo, 28 de dezembro, a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, data escolhida pelas dioceses e arquidioceses do Brasil para o encerramento do Ano Jubilar da Esperança. O tempo jubilar foi vivido como um período especial de graça, oração, peregrinação e renovação da fé, em comunhão com toda a Igreja no mundo.
 
O Ano Santo de 2025 foi proclamado pelo papa Francisco com o tema Peregrinos da Esperança e teve início oficialmente no Vaticano em 24 de dezembro de 2024, com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro. Nas dioceses, o Jubileu começou em 29 de dezembro de 2024, conforme estabelecido na bula Spes non confundit. O encerramento oficial acontecerá no dia 6 de janeiro de 2026, na solenidade da Epifania do Senhor, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro pelo papa Leão XIV.
 
Na Diocese de Itabuna, o encerramento do Ano Jubilar foi marcado por uma solene celebração eucarística na Catedral Diocesana de São José, às 17h, presidida pelo bispo diocesano, dom Jailton de Oliveira Lino. A Missa reuniu padres, diáconos, religiosos e fiéis leigos das 35 paróquias distribuídas nos 19 municípios que compõem a Diocese, expressando a gratidão da Igreja Particular de Itabuna por um ano marcado por intensas vivências espirituais.
Durante o Ano Jubilar, milhares de fiéis participaram das atividades propostas, especialmente das peregrinações às duas igrejas jubilares da Diocese, a Catedral de São José, em Itabuna, e a Igreja de São Boaventura, em Canavieiras.
Após a celebração, os fiéis seguiram em procissão pelas ruas e avenidas do centro da cidade em direção ao novo Santuário Santo Antônio, localizado na Avenida do Cinquentenário, no centro da cidade. A antiga igreja, construída em 1906, antes mesmo da emancipação de Itabuna, foi elevada à condição de santuário, tornando-se o primeiro santuário da Diocese e dedicado a Santo Antônio.
 
A leitura do decreto de criação canônica do Santuário e da posse canônica foi realizada pelo padre Nerivaldo Azevedo, chanceler da cúria diocesana. Na mesma ocasião, foi empossado como primeiro reitor o padre Ítalo Santana.
 
Durante a homilia, dom Jailton destacou que o Evangelho da Sagrada Família apresenta José como homem justo que não hesita em obedecer à vontade de Deus, levantar-se, proteger, cuidar e conduzir a família. O bispo afirmou que esse dinamismo de escuta, prontidão e fidelidade inspira também a missão da Igreja hoje.
Segundo ele, o santuário nasce justamente dessa dinâmica espiritual, sendo chamado a ser casa que acolhe, refúgio para os cansados, lugar onde a fé é protegida e cultivada e onde as famílias encontram consolo, orientação e esperança.
Dom Jailton refletiu ainda sobre os desafios e os valores fundamentais da família na sociedade atual. Ele recordou que, ao longo do tempo, as relações familiares passaram de um modelo fortemente marcado pela autoridade para relações mais horizontais, baseadas no diálogo, na corresponsabilidade, no companheirismo e na amizade entre marido e esposa e entre pais e filhos.
O bispo alertou para as muitas influências negativas que atingem a família hoje, provocando processos de desagregação. Ele observou que, em muitos casos, a educação dos filhos tem sido delegada ao uso excessivo do telefone celular, que acaba ocupando o lugar dos pais e até da escola como principal referência formativa das crianças e adolescentes.
Dom Jailton destacou que existem valores básicos e permanentes na família que não podem ser relativizados pelo tempo. Entre eles, apontou a comunhão interpessoal de amor e de vida, o amor fiel entre pai e mãe e entre pais e filhos, entendido não como posse, mas como dom que educa para a liberdade responsável. Citando São João Paulo II, afirmou que a família é a fonte da vida e o berço da fé.
 
O bispo acrescentou que a família deve ser uma comunidade aberta aos valores do mundo, como a solidariedade, a fraternidade, a responsabilidade e o compromisso com os direitos humanos. Recordou também as palavras do Papa João XXIII ao definir a família como uma verdadeira igreja doméstica, chamada a testemunhar a fé, a esperança e a caridade e a contribuir para a santificação do mundo a partir de dentro.
Dom Jailton afirmou que sem Deus como valor supremo, a família se fragiliza e a educação dos filhos fica comprometida. Por isso, convidou os fiéis a continuarem vivendo como homens e mulheres da esperança, colocando esses valores no centro da vida familiar, mesmo entre dificuldades e sofrimentos.
 
O bispo explicou ainda o significado espiritual dos santuários na história da fé, recordando que, desde os povos antigos, os templos sempre foram lugares onde as pessoas se dirigiam para rezar, oferecer suas primícias e buscar a presença de Deus. Ele citou sua experiência pessoal no Vale dos Templos, na cidade de Agrigento, no sul da Itália.
Dom Jailton expressou o desejo de que o Santuário Santo Antônio seja amplamente visitado pelos fiéis e que as comunidades reservem momentos para entrar no santuário, rezar, receber a bênção de Deus e encontrar refrigério espiritual. Incentivou as paróquias a realizarem peregrinações ao santuário e que a festa de Santo Antônio seja marcada pelas romarias das comunidades.
O bispo confiou o novo santuário ao seu primeiro reitor, padre Ítalo Santana, ressaltando sua missão de acolher os fiéis, administrar os sacramentos, ouvir confissões e ser sinal da presença da Igreja naquele espaço. Dom Jailton afirmou também seu desejo de estar presente com frequência no santuário, celebrando e acompanhando a vida pastoral do local.
 
Dom Jailton destacou ainda que o santuário possui uma missão própria na Diocese, mas permanece em profunda comunhão com a vida pastoral da Paróquia São Judas Tadeu, em cujo território está inserido, desejando caminhar em unidade, diálogo e colaboração.
 
Em seguida, o padre Ítalo Santana dirigiu-se aos fiéis manifestando sua gratidão a Deus e à Igreja pela missão que lhe foi confiada. Ele afirmou que assume o serviço como primeiro reitor do Santuário Santo Antônio com temor e alegria, colocando-se a serviço para que o santuário seja, antes de tudo, casa de Deus e casa do povo, um espaço permanente de oração, escuta da Palavra, celebração dos sacramentos e profunda experiência da misericórdia.
O padre Ítalo destacou que o santuário nasce para ser casa que acolhe, refúgio para os cansados e lugar onde as famílias encontram consolo, orientação e esperança. Ele anunciou o compromisso pastoral de ampliar os horários das celebrações eucarísticas e das confissões, para melhor acolher os peregrinos, trabalhadores e famílias que chegam movidos pela fé e pela devoção a Santo Antônio.
 
O reitor agradeceu ao bispo diocesano pela confiança, manifestou comunhão com todo o presbitério e expressou gratidão ao padre Acácio pelo zelo e dedicação à frente da Paróquia São Judas Tadeu, de onde brota o santuário. Dirigiu-se também ao padre Nerivaldo, que assumirá a paróquia no próximo dia 22 de janeiro, manifestando sua disposição para caminhar em unidade nesta nova etapa pastoral.
 
O padre Ítalo recordou que a criação do santuário não é apenas uma mudança de título, mas o reconhecimento de uma história de fé, devoção e perseverança. Ele lembrou que a comunidade caminha rumo aos 120 anos de existência e que essa maturidade espiritual se transforma agora em missão para toda a Diocese.
 
Ele anunciou ainda a concessão, pela Basílica de Santo Antônio de Pádua, na Itália, da doação de uma relíquia de primeiro grau de Santo Antônio para o santuário, que deverá chegar em 2026, em data ainda a ser definida, quando será realizada uma celebração solene de acolhida.
 
Segundo o reitor, a relíquia será um sinal vivo de comunhão, fé e esperança, fortalecendo a identidade espiritual do santuário como lugar privilegiado de encontro com Deus.
Ao concluir, o padre Ítalo confiou o santuário à intercessão de Santo Antônio e da Sagrada Família de Nazaré, pedindo que o novo espaço seja um verdadeiro lar espiritual para todos e um sinal vivo da esperança que não decepciona.
Fotos e texto: Portal Católico

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