Os padres precisam estar atentos às novas tecnologias, diz o arcebispo de Brasília

“Nós precisamos estar atentos às novas tecnologias, porque elas fazem parte da vida das pessoas e se tornaram espaços onde o anúncio do Evangelho precisa chegar”, disse o arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa durante a formação geral do clero de Brasília. “O presbítero não pode ficar distante dessa realidade”.

Segundo o cardeal, os padres precisam “conhecer, discernir e utilizar esses meios com responsabilidade, para que a mensagem de Cristo possa alcançar o coração das pessoas também no mundo digital”.

A formação geral do clero de Brasília realizada entre os dias 17 e 20 de agosto, abordou os desafios atuais da missão sacerdotal e o uso das novas tecnologias como ferramentas para a evangelização. Orientada pelo cardeal Paulo Cezar Costa, a programação contou com a participação do jornalista brasileiro da Rádio Vaticano, Silvonei José Protz, que falou sobre “O presbítero no mundo da comunicação digital”.

Além disso, o encontro refletiu sobre como o ambiente digital deve contribuir para a missão da Igreja, sem substituir o encontro pessoal, a vida comunitária e a experiência sacramental; e como as novas tecnologias devem ser compreendidas como instrumentos a serviço da evangelização, capazes de aproximar pessoas, anunciar a Palavra de Deus e favorecer o encontro com Cristo.

Segundo Silvonei José, “a comunicação digital, cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, exige dos agentes de evangelização atenção às novas linguagens e aos espaços onde homens e mulheres vivem, dialogam e buscam informações”. Ele destacou que, “nesse contexto, o presbítero é chamado não apenas a utilizar as ferramentas disponíveis, mas a compreender como empregá-las de maneira responsável, autêntica e coerente com o Evangelho”.

As novas tecnologias e o uso da inteligência artificial na comunicação têm sido temas recorrentes do papa Leão XIV. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”, Leão XIV disse que “a nossa primeira tarefa consiste em não demonizar nem idolatrar os instrumentos, mas em orientá-los a partir dum ponto de referência: a verdade é um bem comum e não propriedade daqueles que detêm poder ou visibilidade”. 

O papa também destacou em seu documento que “é importante recordar que a comunicação “não é apenas a transmissão de informações, mas a criação de uma cultura”” e que “os conteúdos que circulam nos ambientes digitais influenciam o modo como as pessoas percebem o mundo, introduzindo na consciência coletiva imagens e narrativas que orientam os desejos e influenciam as escolhas quotidianas”.

Ele também ressaltou que “as comunidades cristãs devem empenhar-se numa comunicação transparente e na busca fiel da verdade dos fatos”. O Papa reconheceu, porém, que “nem sempre foi assim” e destacou o papel de jornalistas que contribuíram para revelar “injustiças e abusos” cometidos no âmbito da Igreja. Para Leão XIV, “a vigilância e a transparência são, em primeiro lugar, uma grave responsabilidade da própria Igreja e não devemos aguardar que outros nos obriguem a enfrentar verdades incómodas sobre nós próprios”.

No dia 21 de agosto, o papa Leão XIV recebeu os participantes do 17° encontro anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos e alertou eles para os desafios do avanço da inteligência artificial e também os advertiu sobre o risco de a inteligência artificial criar novas formas de dependência e enfraquecer a dignidade humana.

“Nunca se deve permitir que a inteligência artificial corroa essa célula primária da sociedade, seja reduzindo as pessoas e as relações a dados e simulações, seja inundando as mentes jovens com conteúdos que distorcem o desejo, nem mesmo com modelos econômicos que tornam a vida familiar economicamente precária”, disse o papa.

Ele também destacou que “o mundo não precisa de uma inteligência artificial que diminua a humanidade; pelo contrário, precisa de inteligência humana iluminada pela sabedoria, de autoridade política guiada pela consciência e inovação tecnológica impelida pela caridade”, porque “só assim a inteligência artificial deixará de ser uma rival da humanidade e para se tornar uma servidora do bem comum”.

Papa Leão XIV e as novas tecnologias

Missa da formação geral do clero de Brasília. | Arquidiocese de Brasília(DF)

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