Arcebispo de Maceió determina afastamento de candidatos e cabos eleitorais de funções pastorais durante eleições

O arcebispo de Maceió (AL), dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, conhecido como dom Beto, publicou na sexta-feira (3) um decreto com orientações sobre a participação dos fiéis leigos nas eleições de 2026. O documento determina que leigos candidatos, dirigentes partidários ou cabos eleitorais se afastem temporariamente das funções de liderança exercidas nas paróquias e demais organismos da arquidiocese.

Segundo o decreto, o afastamento deve ocorrer pelo menos 90 dias antes do pleito eleitoral e inclui funções como “catequista, ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, leitor, cantor litúrgico, acólito, coordenador de pastoral ou comunidade, membro de conselho paroquial e qualquer outra função reconhecida pela Arquidiocese”.

Neste ano, os brasileiros elegerão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Dom Beto diz que as orientações pastorais são fundamentadas na Doutrina Social da Igreja, no Código de Direito Canônico e na tradição magisterial da Igreja e têm como objetivo preservar “a unidade do corpo eclesial, a comunhão fraterna entre os fiéis de diferentes convicções políticas e o testemunho profético da Igreja diante da sociedade alagoana”.

Além do afastamento temporário dos leigos envolvidos diretamente em campanhas eleitorais, dom Beto proíbe o uso de igrejas e demais espaços eclesiais “para reuniões político-partidárias, atos de campanha, comícios ou qualquer evento de apoio ou oposição a candidatos, partidos ou coligações”. Também veta “discursos políticos, pregações partidárias, apresentação de candidatos ou pedidos de voto durante homilias, celebrações litúrgicas, grupos de oração, novenas, procissões e demais atos de culto”.

O decreto também proíbe membros do clero e agentes pastorais da arquidiocese de Maceió de aceitar “comendas, medalhas, títulos honoríficos, homenagens ou distinções de qualquer natureza conferidas pela Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, pela Câmara Municipal de Maceió ou por qualquer outra instância legislativa ou governamental” durante o período eleitoral, de 16 de agosto a 26 de outubro. Segundo o arcebispo, a medida busca evitar que “tais reconhecimentos possam ser instrumentalizados com finalidade eleitoral ou configurarem contrapartida, ainda que indireta, a apoio político”.

Na conclusão do decreto, o arcebispo afirma que “a política, vivida com integridade e orientada para o bem comum, é forma eminente de caridade e serviço” e incentiva “o voto consciente, o exercício responsável da cidadania e o engajamento público dos fiéis leigos”.

“O que não nos é permitido – e nunca será – é que a Igreja, espaço de sinodalidade, seja reduzida a palanque de interesses partidários; que o altar, onde o próprio Cristo se oferece ao Pai, se converta em palco de campanha; ou que a fé do povo simples e fiel seja instrumentalizada por quem quer que seja”, conclui.(ACI Digital)

O arcebispo de Maceió (AL), dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM. | Crédito: Arquidiocese de Maceió.

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