O Vaticano voltou a demonstrar preocupação com a possibilidade de um novo confronto envolvendo a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista católico fundado por Dom Marcel Lefebvre. A tensão ocorre após a informação de que a fraternidade pretende ordenar novos bispos sem autorização da Santa Sé, situação que, segundo autoridades da Igreja, pode configurar um ato cismático.
De acordo com informações divulgadas pela Santa Sé, a possível cerimônia representaria uma ruptura formal de comunhão com o papa Leão XIV e com a própria Igreja Católica. O alerta foi reforçado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, que classificou a eventual ordenação como uma “grave ofensa contra Deus”.
A Fraternidade São Pio X é conhecida por sua posição crítica a algumas reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, especialmente nas áreas litúrgica e ecumênica. O grupo defende a preservação da missa tradicional em latim e possui presença em diversos países, contando com cerca de 700 sacerdotes e milhares de seguidores ao redor do mundo.
Atualmente, a fraternidade possui apenas dois bispos. A possível ordenação de novos prelados seria vista pelos integrantes do grupo como necessária para garantir a continuidade das ordenações sacerdotais e da estrutura interna da comunidade nos próximos anos.
O episódio também reacende lembranças da crise ocorrida em 1988, quando Dom Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização papal. Na ocasião, o fundador da fraternidade foi excomungado pelo Vaticano, juntamente com os bispos ordenados, após o ato considerado cismático pela Igreja.
Especialistas em assuntos religiosos avaliam que o caso representa um dos principais desafios do pontificado de Leão XIV até o momento, sobretudo diante da necessidade de preservar a unidade da Igreja e, ao mesmo tempo, manter o diálogo com grupos tradicionalistas.
Foto:Vaticano
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