A Paróquia Catedral de São José, em Itabuna, no sul da Bahia, foi palco neste sábado, 2 de agosto, do Jubileu dos Coroinhas e Cerimoniários da Diocese de Itabuna. O evento teve início às 14h e reuniu cerca de 400 adolescentes, jovens, seminaristas e vocacionados vindos de diferentes paróquias do território diocesano.
Com uma programação voltada à espiritualidade, formação e vivência vocacional, o encontro contou com palestras, momentos de oração, música, terço vocacional cantado, testemunhos e muita animação. Entre os momentos mais marcantes, estiveram as partilhas dos seminaristas Yury Cardoso, que emocionaram os participantes com seus testemunhos de vida e vocação.
Desde os sete anos, Yuri Cardoso dizia que queria ser padre. Aos 15 anos, iniciou os encontros vocacionais da diocese e perseverou por três anos até ser aprovado para ingressar no seminário. No entanto, antes de iniciar a formação, enfrentou um período difícil. Em dezembro, durante a maior tragédia climática da história de Itabuna, sua casa foi destruída por uma enchente. “Perdi tudo. Fiquei com minha irmã, por três dias, na laje de um apartamento. Mas mesmo ali, diante do sofrimento, uma pessoa me perguntou o que eu tinha a dizer. E eu disse: ‘Confia nas mãos do Senhor'”, relatou.
Com a missão de entrar no seminário marcada para fevereiro, Yuri Cardoso pensou em desistir. “Virei para minha mãe e disse que não ia mais. Queria ajudar a reconstruir nossa casa. Ela, que não é católica praticante, me olhou e respondeu: ‘Meu filho, Deus só dá o fardo quando a gente consegue suportar. Vá corresponder ao chamado de Deus que eu fiz’. Ela fez o papel de Nossa Senhora naquele momento”, declarou. A frase marcou sua decisão definitiva: ir ao encontro do Amado por meio da entrega total e da vida sacerdotal.
Yuri Cardoso finalizou citando o Papa Leão XIV: “Não tenham medo. Aceitem o convite da Igreja e de Cristo Senhor. Vale a pena dar a vida por Jesus”. E concluiu com palavras inspiradas no bispo Tom Henrique Soares da Costa: “Senhor, que eu empregue a minha vida numa causa que vale a pena”.
Também participou do encontro o centralista Henrique Cardoso, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Ferradas, que falou sobre a vocação sacerdotal como resposta de amor. Em sua reflexão, Henrique destacou que a vocação nasce do coração sacerdotal de Jesus, instituído na Última Ceia. “É um chamado que ecoa dentro de nossa Igreja. Jesus continua a nos chamar, e espera de nós uma resposta”, afirmou.
Ele explicou que a vocação não se limita aos apóstolos e que o chamado de Deus continua vivo nos corações. “O amado nos chama para amar. O Senhor nos chama para nos entregar a Ele. É preciso escutar a voz do Senhor”, disse. Usando o exemplo do profeta Samuel, Henrique reforçou a importância de estar atento ao chamado de Deus, mesmo quando ainda não O reconhecemos. “Fala, Senhor, que o teu servo escuta. Assim devemos ser, cada um de nós. O Senhor deseja falar contigo, jovem. E você, o que está esperando para responder?”.
A celebração eucarística encerrou o encontro às 16h45 e foi presidida pelo padre Ubiratã Tibúrcio, assessor eclesiástico da Pastoral dos Coroinhas e pároco da Paróquia Senhor do Bonfim, em Jussari. Concelebraram os padres Murilo Reis, da Paróquia Bom Jesus de Itapé, Diego Americano, da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, no bairro Maria Pinheiro, e Gilvan Oliveira, pároco da Catedral de São José. No início da missa, os fiéis fizeram o sinal da cruz e o padre demonstrou alegria com a presença expressiva dos coroinhas, destacando que a celebração marcava também o início do Mês Vocacional.
O Portal Católico acompanhou toda a programação e entrevistou o padre Ubiratã Tibúrcio, que reforçou o sentido do encontro. “Organizamos esse jubileu para os coroinhas, cerimoniários, vocacionados e seminaristas da nossa diocese, justamente para nos reunir como comunidade de fé. Vieram caravanas de várias paróquias e contamos com a presença de parte do nosso clero. É um momento bonito de renovação da nossa fé e de demonstração de que a nossa Igreja continua viva em seu serviço.”
O sacerdote também falou sobre a importância do evento para os jovens. “Desde cedo podemos e devemos nos entregar ao serviço de Deus. É muitas vezes a partir do serviço como coroinhas e cerimoniários que nasce o chamado vocacional para a vida religiosa”, concluiu.
Foto: Redes sociais/Diocese de itabuna(BA)
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