Cardeal Jaime Splenger exorta os romeiros de Trindade a caminhar com coragem
“São tantas as realidades e situações que anseiam por peregrinos de esperança”, disse o cardeal Dom Jaime Splenger, na missa solene da Festa do Divino Pai Eterno, em Trindade. O arcebispo de Porto Alegre e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desenvolveu sua reflexão, a partir da liturgia deste 14a. Domingo do Tempo Comum, e do tema: “Pai Eterno, enviai-nos como Peregrinos de Esperança”.
“Nós estamos no mundo, vivemos no mundo, mas somos convidados a não nos tornarmos mundanos!”, disse dom Jaime. Lembrou que devemos viver nesse mundo com a esperança do Reino do Pai Eterno. Reino que é constituído “por um pequeno rebanho, como um punhado de fermento escondido na massa”.
Confira a transcrição da homilia de Dom Jaime:
Peregrinos de Esperança! Enviados! Enviadas e enviados a testemunhar e a anunciar, por obras e palavras o amor do Pai Eterno. Enviadas e enviados como peregrinos, como caminhantes! Por peregrinos, caminhantes, porque vivos! Os mortos não caminham. Os mortos não peregrinam. Nós caminhamos! Só sabemos do amor do Pai Eterno porque o Filho Amado caminhou entre nós. Enquanto caminhantes pelas estradas do mundo, como Filho Amado do Pai Eterno, nos mostramos, nos deixamos conhecer pelo outro, nos fazemos e nos tornamos conhecidos. Somente quem se dispõe a caminhar cresce. Somente quem se dispõe a caminhar, se constrói e, no encontro com o outro, e com o Grande Outro, vamos sendo construídos. Peregrinar! Caminhar é a condição para nos deixar conhecer ,para nos construir. Só sabemos do Pai Eterno por que Ele concedeu a graça ao Filho Amado de caminhar entre nós. Jesus, o Filho Amado do Pai Eterno, anuncia a chegada no Reino do Eterno-Pai, reino eterno e universal, reino da verdade da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz.
Peregrinos de Esperança, participantes, todos nós, da vida do Reino! Jesus chama doze para serem apóstolos. Chama também outros, não diferente dos doze. Mas todos os doze e todos os outros anunciam e testemunham o Reino. Estes outros, como ouvimos no Evangelho ao longo do tempo, se tornaram uma multidão. Somos nós, hoje! Hoje são todos os batizados, todos que nas diversas realidades, buscam corresponder ao que aprenderam e aprendem de Jesus; são testemunhas, vivem e buscam viver a fé, empenhados em colaborar para que o Reino anunciado por Jesus possa sempre mais se tornar visível, palpável, realidade entre nós. Reino da verdade, da vida, da santidade e da Graça, da justiça e do amor, da Paz.
Peregrinos de Esperança! Ser peregrino de Esperança significa compartilhar a própria existência de fé vivida em comunidade com os demais. Ser peregrino, peregrina de esperança na Igreja não é fanatismo ou proselitismo, não! Também não significa trabalhar para conquistar adeptos, não! Ser peregrino de fé e esperança é expressão, é brilho, eu diria, de uma experiência pessoal de encontro com a pessoa de Jesus. É oferecer a quem nós encontramos uma verdade: o Pai Eterno é misericórdia; é amor!; Ele nos quer, nos ama, nos ama, todos, todos, todos, como filhos e filhas por Ele enviados, como peregrinos de esperança, pelos caminhos da vida.
Por isso, uma forma toda especial, hoje, entre nós, as palavras do Evangelho. Em qualquer casa que entrar, dizer primeiro: “A paz esteja nesta casa!”. Em qualquer casa! A casa é lugar de convívio, de intimidade, de proximidade, eu diria, de cumplicidade, de solidariedade. Para entrar na casa de outro, e de outra família, se pede licença Para entrar na casa do outro, precisamos deixar a nossa casa, os nossos costumes, hábitos, manias. Talvez o nosso modo de pensar. E quem acolhe, acolhe a pessoa, não por aquilo que tem, mas por aquilo que é. E é irmão, é irmã, é filho, é filha do Pai amado. Os peregrinos de esperança vão pelo mundo com alegria, com brilho nos olhos, simplicidade, abertura de mente e coração para compartilhar a misericórdia, e o amor do Pai. Ele renova as nossas forças! Ele nos conhece! Ele nos chama pelo nome! Ele não se cansa, mas ainda, Ele dá forças. Mesmo cansados, ele recupera o vigor ao enfraquecido.
Peregrinos de Esperança! Jesus, o Filho amado do Pai, nos fez nascer para uma esperança viva. Ele nos faz participantes de uma herança dos céus. Somos peregrinos do céu, isso é, para nós todos, fonte de alegria. Porque a nossa fé está alicerçada no testemunho daqueles que, com o Filho Amado viveram e conviveram, que participaram dos seus feitos; de pessoas que, ao longo da história, buscaram fazer próprios os sentimentos de Jesus, o Filho Amado. A nossa fidelidade, sustentada e animada pelo testemunho de tantos que nos precederam, é motivo de alegria. É isto aí que nos anima, sustentam e nos torna e nos faz Peregrinos de Esperança!
O Pai eterno nos ama! Ele ama esse mundo, obra de suas mãos. Nós estamos no mundo, vivemos no mundo, mas somos convidados a não nos tornarmos mundanos. Somos Peregrinos de Esperança! E de uma esperança que não é sinônimo de otimismo ou uma espécie de autoajuda, não! A esperança da qual somos peregrinos e testemunhamos aponta para o alto, para o Pai, para o Reino. E e o Reino é constituído de um pequeno rebanho. É como um punhado de fermento escondido na massa. É sal que dá sabor, é luz que ilumina as nações da Terra. O Senhor não pede para que transformemos o mundo num saleiro, não! Ele nos envia, de algum modo, no mundo, para ser sal, luz e fermento.
Por isso, os peregrinos, as peregrinos de Esperança, não se retraem se por acaso o testemunho for rejeitado. A rejeição não afasta a mão de quem se dispõe a ir ao encontro e ajudar. Se vai adiante, isso o Evangelho, se for necessário, se acorde, arreia o sapato, a sandália… E se vai adiante, anunciando, ajudando quem se deixa ajudar, ir visitar. E fazemos isso, não por fanatismo, ou proselitismo, não! Mas para que outros possam conhecer o coração, o amor, a misericórdia do Pai Eterno.
Por isso, caríssimos amigos e amigas, são tantas realidades, tantas situações que anseiam por nós, peregrinos de esperança. Nós temos famílias, comunidades divididas por questões ideológicas. Temos situações tristes, duras, de sofrimento causadas pelo narcotráfico, pela falta de segurança, temos situações de medo causada pela falta de oportunidades temos medo de envelhecer e cair doentes… Tem muito pai e muita mãe que não conseguiram oferecer o necessário para suas famílias, aos filhos, a escola com qualidade, a universidade, o trabalho.
Os peregrinos de Esperança, peregrinas de Esperança, ancorados e ancoradas no amor do Pai Eterno caminham, avançam no tempo. Não se cansam, orientados pelo Evangelho de Nosso Senhor e mestre Jesus. E poderíamos dizer também, pela Doutrina Social da Igreja.
Hoje viemos aqui, de tantos lugares, de tantas cidades, de vários estados do nosso Brasil. E aqui, rezando, reconhecemos e agradecemos o dom da vida. Ao mesmo tempo, pedimos a graça necessária para ser no mundo sal, luz e fermento. Uma disposição ao desejo de colaborar para deixar o nosso mundo, nossas cidades, os nossos estados, nosso Brasil um pouco melhor para as futuras gerações, os filhos, os netos.
Por isso, caminhamos, caminhamos com coragem! Sejamos Peregrinos de Esperança, de vida, de respeito e cuidado pela vida, e cuidado pela casa comum. Que o Pai Eterno, no seu amor e na sua misericórdia, nos fortaleça, nos abençoe hoje e sempre, e que jamais falte a intercessão daquela que na Salve-Rainha nós dizemos: “esperança nossa!”, Maria!(Site do Pai Eterno)
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