Salve Maria Imaculada.
O 2 de Julho, data magna da Independência da Bahia, é muito mais que um marco político, é a celebração da alma de um povo que, armado de coragem e fé, resistiu ao domínio estrangeiro e escreveu sua história com sangue e devoção. E essa história, desde suas raízes, é profundamente católica.
Os baianos que lutaram em 1823 não carregavam apenas espadas e arcabuzes, tinham terços nas mãos, ladainhas nos lábios e Nossa Senhora no coração. A vitória não veio apenas da estratégia militar, mas da fé que unia o povo, dando-lhe identidade e resistência. Por isso, ao lembrarmos o 2 de Julho, reafirmamos, a liberdade baiana foi conquistada com sangue, mas sustentada pela Cruz.
Desde os tempos coloniais, a Bahia foi o coração da evangelização no Brasil. Salvador abrigou a primeira diocese do país, em 1551, e viu florescer conventos, irmandades e escolas que moldaram não apenas a religiosidade, mas a própria cultura do povo.
Não se trata de romantizar o passado, mas de reconhecer que, em meio às lutas e injustiças da formação do Brasil, a fé católica foi alicerce. O povo simples, muitas vezes esquecido pelos livros de história, tinha a Cruz como sustento, rezava o Terço, honrava os santos, buscava consolo na Igreja. E foi essa mesma fé que fortaleceu os combatentes da Independência.
Relatos históricos mostram que, nos acampamentos, rezava-se antes das batalhas. As bandeiras traziam símbolos cristãos, e a certeza de que “a verdadeira liberdade vem de Deus”, como diz o Evangelho de João, ecoava entre os soldados. A luta pela independência política era, também, uma afirmação da identidade católica de um povo que não se deixou vencer.
Figuras como Maria Quitéria, Maria Felipa e a freira Joana Angélica simbolizam mais que bravura militar, encarnam a resistência da fé. Joana Angélica, mártir do Convento da Lapa, não morreu por uma causa abstrata, mas em defesa da inocência, da caridade e da Igreja.
Sua história é um sinal profético, a presença da Igreja não se limita aos altares, mas se faz solidária ao povo sofrido. Ao seu lado, estavam negros, pobres, mulheres e soldados, todos unidos pela mesma fé. A Cruz, para eles, não era símbolo vazio, mas força que dava sentido à luta.
Mas onde está hoje a Bahia católica que outrora triunfou? Vivemos uma “apostasia silenciosa”, como alertou Bento XVI, uma sociedade que age como se Deus não existisse.
As consequências são dolorosas, famílias fragmentadas, jovens sem rumo, uma cultura que troca a fé por consumismo e ideologias. O mesmo povo que um dia lutou com o Rosário nas mãos hoje precisa ser reevangelizado.
Se queremos reerguer a Terra de Santa Cruz, o caminho passa pela família. Como ensina o Papa Francisco na Amoris Laetitia, “a família é o lugar onde a fé se torna vida, e a vida se torna fé”.
A Pastoral Familiar tem missão urgente, formar casais santos, defender o matrimônio, acolher os lares feridos e reconduzir as famílias a Cristo. Em tempos de relativismo, ela deve ser farol da verdade, mostrando que o lar é o primeiro santuário onde a fé se transmite.
Celebrar o 2 de Julho não é só recordar o passado, é assumir o desafio do presente. A grandeza da Bahia não está apenas em suas lutas históricas, mas na fé que a sustentou.
Se muitos hoje se perderam, cabe à Igreja reacender essa chama. Não por saudosismo, mas por missão, reconduzir o povo à Cruz que um dia o libertou.
Que Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, cubra esta terra com seu manto. Que o Espírito Santo renove as famílias. E que o povo baiano, como outrora, marche novamente com o terço na mão e Cristo no coração.
Viva a Bahia católica, viva a família cristã, viva Cristo Rei.
Por:Júlio Neto
Teólogo pela Faculdade Dehoniana
Extensão em Família e Matrimônio pela Faculdade Católica de Santa Catarina
Discente em Direito Matrimonial Canônico pela Faculdade Católica do Mato Grosso
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