{"id":82091,"date":"2025-02-11T19:38:30","date_gmt":"2025-02-11T22:38:30","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=82091"},"modified":"2025-02-11T19:38:30","modified_gmt":"2025-02-11T22:38:30","slug":"papa-envia-carta-a-bispos-dos-eua-deportar-migrantes-fere-a-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-envia-carta-a-bispos-dos-eua-deportar-migrantes-fere-a-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"Papa envia carta a bispos dos EUA: deportar migrantes fere a dignidade humana"},"content":{"rendered":"<p>Francisco escreve \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal dos EUA que est\u00e1 enfrentando uma \u201ccrise\u201d com o programa de deporta\u00e7\u00e3o em massa de imigrantes ilegais e refugiados: \u201cum aut\u00eantico Estado de direito ocorre no tratamento digno que todas as pessoas merecem, sobretudo as mais pobres e marginalizadas\u201d. O Papa pede \u201cuma pol\u00edtica que regule a migra\u00e7\u00e3o ordenada e legal\u201d e exorta os cat\u00f3licos a n\u00e3o ceder \u00e0s \u201cnarrativas\u201d que discriminam e causam sofrimento.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, foi o cardeal Blaise Cupich, de Chicago, a declarar, mesmo antes do juramento do novo presidente Donald Trump, a oposi\u00e7\u00e3o a qualquer programa de deporta\u00e7\u00e3o em massa de imigrantes; depois o bispo de El Paso, Mark Joseph Seitz, a reiterar a n\u00e3o toler\u00e2ncia com qualquer forma de injusti\u00e7a; e, finalmente, toda a Confer\u00eancia Episcopal dos Estados Unidos a expressar consterna\u00e7\u00e3o com as medidas anunciadas pelo l\u00edder republicano sobre a repatria\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de imigrantes clandestinos e a militariza\u00e7\u00e3o da fronteira entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 o pr\u00f3prio Papa que interv\u00e9m sobre a \u201cimportante crise que est\u00e1 ocorrendo nos Estados Unidos devido ao in\u00edcio de um programa de deporta\u00e7\u00e3o em massa\u201d iniciado pela nova administra\u00e7\u00e3o dos EUA ap\u00f3s a posse do presidente. Francisco, que garante estar acompanhando a situa\u00e7\u00e3o \u201cde perto\u201d, envia uma carta aos bispos dos Estados Unidos para expressar proximidade e apoio nestes \u201cmomentos delicados\u201d e, ao mesmo tempo, para denunciar certas disposi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o contra a pr\u00f3pria dignidade humana. \u201cO que se constr\u00f3i sobre a for\u00e7a, e n\u00e3o sobre a verdade da igual dignidade de todo ser humano, come\u00e7a mal e terminar\u00e1 mal\u201d, adverte o Papa.<\/p>\n<p><strong>Ferida pela dignidade humana<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO ato de deportar pessoas que, em muitos casos, deixaram a pr\u00f3pria terra por raz\u00f5es de extrema pobreza, inseguran\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o ou grave deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente, fere a dignidade de tantos homens e mulheres, de fam\u00edlias inteiras, e os coloca em um estado de particular vulnerabilidade\u201d, afirma o Papa Francisco em uma passagem da missiva, dividida em dez pontos, divulgada nesta ter\u00e7a-feira (11\/02) em ingl\u00eas e espanhol, pouco mais de duas semanas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o na conta da Casa Branca na rede social X de fotografias de uma d\u00fazia de migrantes que caminham em fila, algemados e acorrentados, em dire\u00e7\u00e3o a um avi\u00e3o militar para serem levados de volta para casa.<\/p>\n<p><strong>O direito de defender as pr\u00f3prias comunidades<\/strong><\/p>\n<p>No texto, o Pont\u00edfice enfatiza que \u201ca consci\u00eancia corretamente formada n\u00e3o pode deixar de expressar um julgamento cr\u00edtico e discordar de qualquer medida que identifique, t\u00e1cita ou explicitamente, a condi\u00e7\u00e3o ilegal de alguns migrantes com a criminalidade\u201d. Certamente, o Papa reitera a necessidade de reconhecer \u201co direito de uma na\u00e7\u00e3o de se defender e de manter as pr\u00f3prias comunidades a salvo daqueles que cometeram crimes violentos ou graves enquanto estavam no pa\u00eds ou antes de chegar nele\u201d. Mas o ato de deporta\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma ferida na dignidade humana, aquela \u201cinfinita e transcendente\u201d dada por um \u201cDeus sempre pr\u00f3ximo, encarnado, migrante e refugiado\u201d. A esse respeito, o Papa cita as palavras com as quais o Papa Pio XII iniciou sua&nbsp;constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica&nbsp;sobre a assist\u00eancia aos migrantes, \u201cconsiderada a Carta Magna do pensamento da Igreja sobre a migra\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p><i>\u201cA fam\u00edlia de Nazar\u00e9 no ex\u00edlio, Jesus, Maria e Jos\u00e9, que emigraram para o Egito e l\u00e1 se refugiaram para escapar da ira de um rei \u00edmpio, s\u00e3o o modelo, o exemplo e a consola\u00e7\u00e3o dos emigrantes e dos peregrinos de todas as \u00e9pocas e de todos os pa\u00edses, de todos os refugiados de qualquer condi\u00e7\u00e3o que, assaltados pela persegui\u00e7\u00e3o ou pela necessidade, s\u00e3o obrigados a deixar a p\u00e1tria, a sua querida fam\u00edlia e os seus queridos amigos para ir para uma terra estrangeira.\u201d&nbsp;<\/i><\/p>\n<p><strong>Tratamento digno para todos<\/strong><\/p>\n<p>Para o Papa, essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria: \u201cum aut\u00eantico Estado de direito ocorre precisamente no tratamento digno que todas as pessoas merecem, sobretudo aquelas mais pobres e marginalizadas\u201d, escreve ele. \u201cO verdadeiro bem comum se promove quando a sociedade e o governo, com criatividade e rigoroso respeito aos direitos de todos &#8211; como j\u00e1 afirmei em in\u00fameras ocasi\u00f5es &#8211; acolhem, protegem, promovem e integram os mais fr\u00e1geis, indefesos e vulner\u00e1veis&#8221;. Isso n\u00e3o impede de favorecer o amadurecimento de \u201cuma pol\u00edtica que regule a migra\u00e7\u00e3o ordenada e legal\u201d, desde que ela n\u00e3o seja constitu\u00edda \u201cpor meio do privil\u00e9gio de alguns e do sacrif\u00edcio de outros\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Analisar as normas \u00e0 luz dos direitos humanos<\/strong><\/p>\n<p>Jorge Mario Bergoglio lembra aos bispos que Jesus Cristo ensina o \u201creconhecimento permanente\u201d da dignidade de todo ser humano: \u201cNingu\u00e9m exclu\u00eddo\u201d. Por isso, ele conclama \u201ctodos os fi\u00e9is crist\u00e3os e homens de boa vontade\u201d a \u201colhar para a legitimidade das normas e pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e0 luz da dignidade da pessoa e de seus direitos fundamentais, e n\u00e3o vice-versa\u201d. \u201cA pessoa humana n\u00e3o \u00e9 um simples indiv\u00edduo relativamente expansivo, com alguns sentimentos filantr\u00f3picos! A pessoa humana \u00e9 um sujeito digno que, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o constitutiva com todos, sobretudo com os mais pobres, pode amadurecer gradualmente em sua pr\u00f3pria identidade e voca\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta o Papa.<\/p>\n<p><strong><i>Ordo amoris<\/i><\/strong><\/p>\n<p>A carta tamb\u00e9m se refere ao princ\u00edpio do&nbsp;<i>ordo amoris<\/i>, elaborado na teologia de Santo Agostinho para afirmar que todos e tudo devem ser amados em modo apropriado. O conceito foi recentemente mencionado pelo vice-presidente JD Vance para justificar medidas anti-imigra\u00e7\u00e3o ilegal nos EUA. \u201cO verdadeiro&nbsp;<i>ordo amoris<\/i>&nbsp;a ser promovido \u00e9 aquele que descobrimos meditando constantemente na par\u00e1bola do &#8216;Bom Samaritano&#8217;, ou seja, meditando no amor que constr\u00f3i uma fraternidade aberta a todos, sem excluir ningu\u00e9m\u201d, explica o Papa Francisco na carta. E conclui: \u201cpreocupar-se com a identidade pessoal, comunit\u00e1ria ou nacional, independentemente dessas considera\u00e7\u00f5es, introduz facilmente um crit\u00e9rio ideol\u00f3gico que distorce a vida social e imp\u00f5e a vontade do mais forte como crit\u00e9rio de verdade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o a narrativas que discriminam e causam sofrimento<\/strong><\/p>\n<p>O bispo de Roma, portanto, est\u00e1 ao lado dos seus irm\u00e3os estrangeiros, reconhecendo seus \u201cesfor\u00e7os preciosos\u201d no trabalho \u201cem contato pr\u00f3ximo\u201d com migrantes e refugiados e na defesa dos direitos humanos. \u201cDeus recompensar\u00e1 abundantemente tudo o que voc\u00eas fizerem para a prote\u00e7\u00e3o e defesa daqueles que s\u00e3o considerados menos preciosos, menos importantes ou menos humanos!\u201d, assegura. Em suas linhas finais, ele se dirige aos fi\u00e9is cat\u00f3licos e aos homens e mulheres de boa vontade, apelando para que \u201cn\u00e3o cedam \u00e0s narrativas que discriminam e fazem sofrer desnecessariamente os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes e refugiados\u201d. \u201cCom caridade e clareza, somos todos chamados a viver na solidariedade e na fraternidade, a construir pontes que nos aproximem cada vez mais, a evitar os muros da ignom\u00ednia e a aprender a dar a nossa vida como Jesus Cristo a ofereceu, para a salva\u00e7\u00e3o de todos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Uma ora\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem de Guadalupe<\/strong><\/p>\n<p>Enfim, uma ora\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Virgem Maria de Guadalupe, padroeira do M\u00e9xico, para que possa \u201cproteger as pessoas e as fam\u00edlias que vivem no medo ou na dor devido \u00e0 migra\u00e7\u00e3o e\/ou \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o\u201d. Que a \u201cMorenita\u201d, reza o Papa, ajude a todos a dar \u201cum passo adiante na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais fraterna, inclusiva e que respeite a dignidade de todos\u201d.<\/p>\n<p><b>Salvatore Cernuzio &#8211; Vatican News<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco escreve \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal dos EUA que est\u00e1 enfrentando uma \u201ccrise\u201d com o programa de deporta\u00e7\u00e3o em massa de imigrantes ilegais e refugiados: \u201cum aut\u00eantico Estado de direito ocorre no tratamento digno que todas as pessoas merecem, sobretudo as mais pobres e marginalizadas\u201d. 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