{"id":79883,"date":"2024-02-01T20:02:54","date_gmt":"2024-02-01T23:02:54","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=79883"},"modified":"2024-02-01T20:02:54","modified_gmt":"2024-02-01T23:02:54","slug":"papa-quaresma-a-humanidade-tateia-ainda-na-escuridao-das-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-quaresma-a-humanidade-tateia-ainda-na-escuridao-das-desigualdades\/","title":{"rendered":"Papa: Quaresma, a humanidade tateia ainda na escurid\u00e3o das desigualdades"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Em sua mensagem para a Quaresma 2024, Francisco reconhece que a humanidade de hoje atingiu \u201cn\u00edveis de desenvolvimento cient\u00edfico, t\u00e9cnico, cultural e jur\u00eddico capazes de garantir dignidade a todos\u201d, mas o risco \u00e9 que, sem rever os estilos de vida, se caia na \u201cescravid\u00e3o\u201d de pr\u00e1ticas que arru\u00ednam o planeta e alimentam as desigualdades.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"title__separator\">Foi divulgada, nesta quinta-feira (1\u00b0\/02), a mensagem do Papa Francisco para a&nbsp;Quaresma 2024&nbsp;sobre o tema &#8220;Atrav\u00e9s do deserto, Deus guia-nos para a liberdade&#8221;.<\/div>\n<div>\n<p>Francisco inicia o texto com um vers\u00edculo do Livro do \u00caxodo: \u00abEu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa da servid\u00e3o\u00bb. &#8220;Assim inicia o Dec\u00e1logo dado a Mois\u00e9s no Monte Sinai&#8221;, escreve o Papa, acrescentando que &#8220;quando o nosso Deus se revela, comunica liberdade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Deserto, lugar do primeiro amor<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O povo sabe bem de que \u00eaxodo Deus est\u00e1 falando: traz ainda gravada na sua carne a experi\u00eancia da escravid\u00e3o. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito, tamb\u00e9m hoje o povo de Deus traz dentro de si v\u00ednculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperan\u00e7a e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos&#8221;, sublinha o Papa.<\/p>\n<p>A seguir, Francisco recorda que &#8220;a Quaresma \u00e9 o tempo de gra\u00e7a em que o deserto volta a ser \u2013 como anuncia o profeta Oseias \u2013 o lugar do primeiro amor.&nbsp;<i>Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravid\u00f5es<\/i>&nbsp;e experimente a passagem da morte para a vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a si e sussurra ao nosso cora\u00e7\u00e3o palavras de amor&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ver a realidade<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;<b>O \u00eaxodo da escravid\u00e3o para a liberdade n\u00e3o \u00e9 um caminho abstrato. A fim de ser concreta tamb\u00e9m a nossa Quaresma, o primeiro passo \u00e9 querer&nbsp;<i>ver a realidade<\/i>. Tamb\u00e9m hoje o grito de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s oprimidos chega ao c\u00e9u<\/b>&#8220;, escreve o Pont\u00edfice. A seguir, Francisco pergunta: o grito desses nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s &#8220;chega tamb\u00e9m a n\u00f3s? Mexe conosco? Comove-nos? H\u00e1 muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une&#8221;.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, o Papa recorda sua viagem a Lampedusa, em 8 de julho de 2013, ressaltando que \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a ele contrap\u00f4s duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb e \u00abOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u00bb. Segundo Francisco, &#8220;o caminho quaresmal ser\u00e1 concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o dom\u00ednio do Fara\u00f3. \u00c9 um dom\u00ednio que nos deixa exaustos e insens\u00edveis. \u00c9 um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a \u00e1gua est\u00e3o polu\u00eddos por ele, mas as pr\u00f3prias almas acabam contaminadas por tal dom\u00ednio. De fato, embora a nossa liberta\u00e7\u00e3o tenha come\u00e7ado com o Batismo, permanece em n\u00f3s uma inexplic\u00e1vel nostalgia da escravid\u00e3o. \u00c9 como uma atra\u00e7\u00e3o para a seguran\u00e7a das coisas j\u00e1 vistas, em detrimento da liberdade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A Quaresma \u00e9&nbsp;tempo de convers\u00e3o, tempo de liberdade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Pont\u00edfice, &#8220;o \u00eaxodo pode ser interrompido: n\u00e3o se explicaria de outro modo&nbsp;<b>porque \u00e9 que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a n\u00edveis de progresso cient\u00edfico, t\u00e9cnico, cultural e jur\u00eddico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escurid\u00e3o das desigualdades e dos conflitos<\/b>&#8220;.<\/p>\n<p>&#8220;Deus n\u00e3o se cansou de n\u00f3s. A Quaresma \u00e9&nbsp;<i>tempo de convers\u00e3o, tempo de liberdade<\/i>. O pr\u00f3prio Jesus foi impelido pelo Esp\u00edrito para o deserto a fim de ser posto \u00e0 prova na sua liberdade. O deserto \u00e9 o espa\u00e7o onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decis\u00e3o pessoal de n\u00e3o voltar a cair na escravid\u00e3o. Na Quaresma, encontramos novos crit\u00e9rios de ju\u00edzo e uma comunidade com a qual avan\u00e7ar por um caminho nunca percorrido&#8221;, escreve ainda Francisco, ressaltando que &#8220;isto comporta&nbsp;<i>uma luta<\/i>: assim nos dizem claramente o livro do \u00caxodo e as tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Mais tem\u00edveis que o Fara\u00f3 s\u00e3o os \u00eddolos<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Francisco, &#8220;mais tem\u00edveis que o Fara\u00f3 s\u00e3o os \u00eddolos: poder\u00edamos consider\u00e1-los como a voz do inimigo dentro de n\u00f3s. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedu\u00e7\u00e3o desta mentira. \u00c9 uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, \u00e0 nossa posi\u00e7\u00e3o, a uma tradi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos p\u00f4r em movimento, nos paralisam. Em vez de nos fazer encontrar, nos dividem&#8221;.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, &#8220;existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que n\u00e3o cedeu ao fasc\u00ednio da mentira. Enquanto os \u00eddolos tornam mudos, cegos, surdos, im\u00f3veis aqueles que os servem, os pobres em esp\u00edrito est\u00e3o imediatamente dispon\u00edveis e prontos: uma for\u00e7a silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Agir \u00e9 tamb\u00e9m parar<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 tempo de agir e, na Quaresma,&nbsp;<i>agir \u00e9 tamb\u00e9m parar<\/i>: parar&nbsp;<i>em ora\u00e7\u00e3o<\/i>, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano&nbsp;<i>na presen\u00e7a do irm\u00e3o ferido<\/i>&#8220;, sublinha o Papa. Segundo ele, &#8220;a ora\u00e7\u00e3o, esmola e jejum n\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas exerc\u00edcios independentes, mas um \u00fanico movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os \u00eddolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o atrofiado e isolado despertar\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Quaresma, tempo de decis\u00f5es comunit\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Papa, &#8220;a forma sinodal da Igreja, que estamos redescobrindo e cultivando nestes anos, sugere que a Quaresma seja tamb\u00e9m&nbsp;<i>tempo de decis\u00f5es comunit\u00e1rias<\/i>, de pequenas e grandes op\u00e7\u00f5es contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os h\u00e1bitos nas compras, o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o de quem n\u00e3o \u00e9 visto ou \u00e9 desprezado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na medida em que esta Quaresma for de convers\u00e3o, a humanidade extraviada sentir\u00e1 um abalo de criatividade: o lampejar de uma&nbsp;<i>nova esperan\u00e7a<\/i>&#8220;, escreve ainda o Papa, recordando as suas palavras dirigidas aos jovens da JMJ de Lisboa, no ver\u00e3o passado: \u00abProcurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento hist\u00f3rico, os desafios s\u00e3o enormes, os gemidos dolorosos: estamos vivendo uma terceira guerra mundial feita aos peda\u00e7os. Mas abracemos o risco de pensar que n\u00e3o estamos numa agonia, mas num parto; n\u00e3o no fim, mas no in\u00edcio de um grande espet\u00e1culo. E \u00e9 preciso coragem para pensar assim\u00bb.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a coragem da convers\u00e3o, da sa\u00edda da escravid\u00e3o. A f\u00e9 e a caridade guiam pela m\u00e3o esta esperan\u00e7a menina. Elas a ensinam a caminhar e, ao mesmo tempo, ela as puxa para a frente&#8221;, conclui a mensagem do Papa.<\/p>\n<div class=\"title__separator\">Obrigado por ter lido este artigo. 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