{"id":78134,"date":"2023-05-30T19:21:22","date_gmt":"2023-05-30T22:21:22","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=78134"},"modified":"2023-05-30T19:21:22","modified_gmt":"2023-05-30T22:21:22","slug":"filosofando-com-humor-a-arte-de-interpretar-um-cao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/filosofando-com-humor-a-arte-de-interpretar-um-cao\/","title":{"rendered":"Filosofando com humor: a arte de interpretar um c\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ao passar pelas ruas, \u00e9 comum nos depararmos com diferentes cenas do cotidiano que nos fazem refletir sobre a vida. Mas hoje, caros leitores, vou compartilhar com voc\u00eas minhas elucubra\u00e7\u00f5es interpretativas sobre um c\u00e3o. Sim, voc\u00ea leu certo: um c\u00e3o. Mas n\u00e3o se enganem, essa hist\u00f3ria tem muito a nos ensinar.<\/p>\n<p>A cena come\u00e7a em uma rotat\u00f3ria, onde o movimento dos carros \u00e9 intenso e a vida parece se desenrolar de forma repetitiva. Nesse cen\u00e1rio, um c\u00e3o dorme tranquilamente na cal\u00e7ada, ignorando a correria ao seu redor. Enquanto os transeuntes passam, cada um tem sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a do c\u00e3o ali.<\/p>\n<p>Mas como bem disse o fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche, &#8220;cuidado com aquele que busca constantemente respostas, pois ele pode deixar de ver as perguntas&#8221;. Cada pessoa que passa pelo c\u00e3o tem em mente uma resposta pr\u00e9-concebida sobre sua presen\u00e7a ali, sem se dar conta de que a verdade pode ser muito mais complexa do que sua interpreta\u00e7\u00e3o simplista.<\/p>\n<p>E \u00e9 nesse ponto que entra em cena a famosa frase do fil\u00f3sofo Ren\u00e9 Descartes: &#8220;Penso, logo existo&#8221;. Mas, e o c\u00e3o? Ser\u00e1 que ele s\u00f3 existe enquanto \u00e9 observado pelas pessoas que passam por ali? Ou ser\u00e1 que sua exist\u00eancia independe da interpreta\u00e7\u00e3o dos seres humanos?<\/p>\n<p>Talvez o fil\u00f3sofo Jean-Paul Sartre pudesse nos ajudar a entender melhor essa quest\u00e3o com sua frase &#8220;o homem est\u00e1 condenado a ser livre&#8221;. E o c\u00e3o estaria condenado a ser livre de interpreta\u00e7\u00f5es humanas? Ou ele simplesmente existe sem preocupa\u00e7\u00f5es com as interpreta\u00e7\u00f5es alheias?<\/p>\n<p>Enfim, amigos leitores, a verdade \u00e9 que as elucubra\u00e7\u00f5es interpretativas sobre o c\u00e3o s\u00e3o infinitas. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode ter sua interpreta\u00e7\u00e3o! Cada pessoa que passa por ali pode ter sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a do animal, mas o fato \u00e9 que ele continua l\u00e1, dormindo tranquilamente em sua sombra. Ops! Estaria ele, dormindo? E como bem disse o poeta Fernando Pessoa, &#8220;tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de despertar&#8221;.<\/p>\n<p>Despertemos ao poetizar com as \u201cElucubra\u00e7\u00f5es interpretativas sobre um c\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro minutos meus olhos dormem numa fria volta de rua, onde a esquina d\u00e1 contorno \u00e0 rotat\u00f3ria. No esbo\u00e7o do recriar, as fal\u00e1cias em repetidas rodas entregavam mais uma vida desalentada pelo seu viver.<\/p>\n<p>Antes da esquina, dormindo na cal\u00e7ada, jazia soletrado das variadas formas de interpreta\u00e7\u00e3o, carregadas de zelo sem torpor e misturado com as verdades interpretativas, um cachorro que se esticava ao m\u00e1ximo seu corpo num lugar de sombra e repouso com m\u00e1xima tranquilidade.<\/p>\n<p>Os carros de verve import\u00e2ncia passavam de um lado para o outro. Sempre mais aumentados na sua quantidade, quanto diminu\u00eddos na velocidade transeuntes.<\/p>\n<p>De longe avistava-se um homem que passava pela cal\u00e7ada, e de soslaio olhou para o c\u00e3o e seguiu sua caminhada.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o de cada um dos viajantes eram meras elucubra\u00e7\u00f5es de cora\u00e7\u00e3o fadado ao engano da verdade do c\u00e3o. O cachorro continuava l\u00e1, dormindo?\u201d.<\/p>\n<p>Quero, por fim, acordar para a cr\u00edtica sat\u00edrica do poetizar as coisas da vida! Que essa hist\u00f3ria do c\u00e3o nos ajude a despertar para as diferentes interpreta\u00e7\u00f5es da vida e a respeitar a exist\u00eancia de cada ser, sem pr\u00e9-julgamentos. Afinal, como disse o fil\u00f3sofo Immanuel Kant, &#8220;o homem \u00e9 a \u00fanica criatura que deve ser considerada como um fim em si mesma&#8221;. E o c\u00e3o? Talvez ele seja o melhor exemplo de como a vida pode ser vivida sem preocupa\u00e7\u00f5es com interpreta\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Padre Joacir d\u2019Abadia, Fil\u00f3sofo, autor de 16 livros, Especialista em Doc\u00eancia do Ensino Superior, Bacharel em Filosofia e Teologia, Licenciando em Filosofia, Professor de Filosofia Pr\u00e1tica. Acad\u00eamico: ALANEG, ALBPLGO, AlLAP, FEBACLA e da &#8220;Casa do Poeta Brasileiro &#8211; Se\u00e7\u00e3o Formosa-GO&#8221;_ Contato: (61) 9 9931-5433 | Segue l\u00e1 no Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\/\"><strong>https:\/\/www.instagram.com\/padrejoacirdabadia\/<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao passar pelas ruas, \u00e9 comum nos depararmos com diferentes cenas do cotidiano que nos fazem refletir sobre a vida. Mas hoje, caros leitores, vou compartilhar com voc\u00eas minhas elucubra\u00e7\u00f5es interpretativas sobre um c\u00e3o. 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