{"id":76432,"date":"2022-09-14T11:38:22","date_gmt":"2022-09-14T14:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=76432"},"modified":"2022-09-14T11:39:21","modified_gmt":"2022-09-14T14:39:21","slug":"papa-aos-lideres-religiosos-deus-e-paz-e-sempre-conduz-a-paz-nunca-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/papa-aos-lideres-religiosos-deus-e-paz-e-sempre-conduz-a-paz-nunca-a-guerra\/","title":{"rendered":"Papa aos L\u00edderes Religiosos: &#8220;Deus \u00e9 paz, e sempre conduz \u00e0 paz, nunca \u00e0 guerra&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">&#8220;Precisamos de religi\u00e3o para responder \u00e0 sede de paz do mundo e \u00e0 sede de infinito que habita o cora\u00e7\u00e3o de cada homem\u201d. Palavras do Papa Francisco por ocasi\u00e3o da abertura do VII Congresso de L\u00edderes Mundiais e Religi\u00f5es Tradicionais, que se realizou em Nur-Sultan na manh\u00e3 desta quarta-feira (14)<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"title__separator\">O segundo discurso oficial do Santo Padre na sua Viagem Apost\u00f3lica ao Cazaquist\u00e3o foi o da abertura do VII Congresso de L\u00edderes Mundiais e Religi\u00f5es Tradicionais, que se realizou em Nur-Sultan na manh\u00e3 desta quarta-feira (14) no Pal\u00e1cio da Independ\u00eancia. Na ocasi\u00e3o, Francisco abordou v\u00e1rios temas do encontro que re\u00fane L\u00edderes religiosos e Autoridades governamentais e representantes de Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais. Sobretudo prop\u00f4s alguns desafios a serem considerados:\u201cfrente ao mist\u00e9rio do infinito que nos sobrepuja e atrai, as religi\u00f5es lembram-nos que somos criaturas\u201d, disse o Papa, \u201c<i>n\u00e3o somos omnipotentes, mas mulheres e homens em caminho para a mesma meta celeste. Assim a dimens\u00e3o de criatura que partilhamos estabelece uma comunh\u00e3o, uma real fraternidade<\/i>\u201d.<\/div>\n<div>\n<p><b>\u201cS\u00f3 crescemos com os outros e gra\u00e7as aos outros\u201d.<\/b><\/p>\n<p>Francisco recordou o poeta mais famoso do pa\u00eds, pai da sua literatura moderna, o educador e compositor muitas vezes representado precisamente junto com o instrumento dombra: Abai (1845-1904). Assim \u00e9 conhecido popularmente, e disse o Papa, nos deixou \u201ce<i>scritos impregnados de religiosidade, nos quais transparece a alma melhor deste povo. Abai \u2013 continuou &#8211; &nbsp;provoca-nos com um interrogativo atemporal: \u2018Que beleza pode ter a vida, se n\u00e3o se vai em profundidade?\u2019<\/i>&#8220;.<\/p>\n<p><b>A religi\u00e3o n\u00e3o desestabiliza a sociedade moderna<\/b><\/p>\n<p>Em seguida disse &#8211; dirigindo-se aos L\u00edderes religiosos &#8211; que o mundo espera de n\u00f3s o exemplo de almas despertas e mentes l\u00edmpidas, espera uma religiosidade aut\u00eantica. \u201cChegou a hora &#8211; continuou &#8211; de despertar daquele fundamentalismo que polui e corr\u00f3i toda a cren\u00e7a, chegou a hora de tornar l\u00edmpido e compassivo o cora\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 hora tamb\u00e9m de deixar apenas aos livros de hist\u00f3ria os discursos que por demasiado tempo, aqui e noutras partes, inculcaram suspeitas e desprezo a respeito da religi\u00e3o, como se esta fosse um fator desestabilizador da sociedade moderna\u201d.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cPortanto precisamos de religi\u00e3o para responder \u00e0 sede de paz do mundo e \u00e0 sede de infinito que habita o cora\u00e7\u00e3o de cada homem\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>Liberdade religiosa<\/b><\/p>\n<p>Para que tudo isso aconte\u00e7a, ou seja, a condi\u00e7\u00e3o essencial para um desenvolvimento verdadeiramente humano e integral \u201c\u00e9 a liberdade religiosa. Irm\u00e3os, irm\u00e3s, somos criaturas livres\u201d recordou o Papa aos presentes.&nbsp;E com \u00eanfase Francisco disse: \u201cA liberdade religiosa constitui um direito fundamental, prim\u00e1rio e inalien\u00e1vel, que \u00e9 preciso promover em todos os lugares e que n\u00e3o se pode limitar apenas \u00e0 liberdade de culto. De fato, \u00e9 direito de cada pessoa prestar testemunho p\u00fablico da sua pr\u00f3pria cren\u00e7a: prop\u00f4-lo, sem nunca o impor. Destacando:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 a pr\u00e1tica correta do an\u00fancio, diferente daquele proselitismo e doutrinamento de que todos s\u00e3o chamados manter-se distantes\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>Quatro desafios<\/b><\/p>\n<p>\u201cPor entre&nbsp;<i>vulnerabilidade<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>tratamento<\/i>,&nbsp;<i>a pandemia<\/i>&nbsp;representa&nbsp;<i>o primeiro de quatro desafios globais<\/i>&nbsp;que quero delinear convocando a todos \u2013 mas de modo especial as religi\u00f5es \u2013 para uma maior unidade de intentos. A Covid-19 colocou-nos a todos no mesmo plano. Fez-nos compreender que \u2018n\u00e3o somos demiurgos \u2013 como dizia Abai \u2013, mas mortais\u2019 (Ibid.). Ao falar sobre os efeitos da pandemia sobretudo nos pa\u00edses pobres disse:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cO maior fator de risco do nosso tempo continua a ser a pobreza. Enquanto continuarem a assolar disparidades e injusti\u00e7as, n\u00e3o poder\u00e3o cessar os v\u00edrus piores do que a Covid, ou seja, os do \u00f3dio, da viol\u00eancia, do terrorismo\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>Desafio da paz<\/b><\/p>\n<p>Isto leva-nos ao segundo desafio planet\u00e1rio, que interpela de maneira particular os crentes:&nbsp;<i>o desafio da paz<\/i>. \u201cSe o Criador, a quem dedicamos a exist\u00eancia, deu origem \u00e0 vida humana, como podemos n\u00f3s \u2013 que nos professamos crentes \u2013 consentir que a mesma seja destru\u00edda? E como podemos pensar que os homens do nosso tempo \u2013 muitos dos quais vivem como se Deus n\u00e3o existisse \u2013 estejam motivados para se comprometer num di\u00e1logo respeitoso e respons\u00e1vel, se as grandes religi\u00f5es, que constituem a alma de tantas culturas e tradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se empenham ativamente pela paz?\u201d.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cNunca justifiquemos a viol\u00eancia. N\u00e3o permitamos que o sagrado seja instrumentalizado por aquilo que \u00e9 profano. O sagrado n\u00e3o seja suporte do poder, e o poder n\u00e3o se valha de suportes de sacralidade!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Francisco recordou mais uma vez: &#8220;Deus \u00e9 paz, e sempre conduz \u00e0 paz, nunca \u00e0 guerra. Por isso empenhemo-nos ainda mais a promover e refor\u00e7ar a necessidade de que os conflitos sejam resolvidos n\u00e3o com as raz\u00f5es inconclusivas da for\u00e7a, com as armas e as amea\u00e7as, mas com os \u00fanicos meios aben\u00e7oados pelo C\u00e9u e dignos do homem: o encontro, o di\u00e1logo, as negocia\u00e7\u00f5es pacientes&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p><b>Acolhimento fraterno<\/b><\/p>\n<p>Depois dos desafios da&nbsp;<i>pandemia<\/i>&nbsp;e da&nbsp;<i>paz<\/i>, abracemos um terceiro desafio: o do&nbsp;<i>acolhimento fraterno<\/i>. \u201cNunca antes t\u00ednhamos assistido, como agora, a t\u00e3o grandes deslocamentos de popula\u00e7\u00f5es, causados por guerras, pobreza, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pela busca dum bem-estar que o mundo globalizado permite conhecer, mas se revela frequentemente de dif\u00edcil acesso. Est\u00e1 em curso um grande \u00eaxodo: das \u00e1reas mais desfavorecidas procura-se chegar \u00e0s mais abastadas\u201d. \u201cMas \u2013 adverte o Papa &#8211; \u00e9 nosso dever lembrar que o Criador, que vela sobre os passos cada criatura, nos exorta a ter um olhar semelhante ao d\u2019Ele, um olhar que reconhe\u00e7a o rosto do irm\u00e3o\u201d.&nbsp;Reiterando suas palavras disse ainda:&nbsp;\u201c<i>Redescubramos a arte da hospitalidade, do acolhimento, da compaix\u00e3o. E aprendamos tamb\u00e9m a corar: sim, a sentir aquela saud\u00e1vel vergonha que nasce da piedade pelo homem que sofre, da como\u00e7\u00e3o e estupefa\u00e7\u00e3o pela sua condi\u00e7\u00e3o, pelo seu destino de que nos sentimos parte. \u00c9 o caminho da compaix\u00e3o, que nos torna mais humanos e mais crentes<\/i>\u201d.<\/p>\n<p><b>Cuidado da Casa Comum<\/b><\/p>\n<p>O \u00faltimo desafio global que nos interpela, disse, \u201c\u00e9 o da&nbsp;<i>cust\u00f3dia da casa comum<\/i>. \u00c0 vista das convuls\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e9 preciso proteg\u00ea-la, para que n\u00e3o fique sujeita \u00e0s l\u00f3gicas do lucro, mas seja preservada para as gera\u00e7\u00f5es futuras, em louvor do Criador\u201d. \u201c<i>Com amoroso cuidado, o Alt\u00edssimo providenciou uma casa comum para a vida. E como podemos n\u00f3s, que nos professamos Seus, permitir que aquela seja polu\u00edda, maltratada e destru\u00edda? Unamos esfor\u00e7os tamb\u00e9m neste desafio<\/i>\u201d foi seu convite.<\/p>\n<p><strong>Por fim o Papa concluiu com as seguintes palavras:<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<i>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, avancemos juntos, para que seja cada vez mais amistoso o caminho das religi\u00f5es. Abai dizia que &#8216;o falso amigo \u00e9 como uma sombra: quando o sol brilha sobre ti, n\u00e3o te livrar\u00e1s dele, mas quando as nuvens se acumularem sobre ti, n\u00e3o se far\u00e1 ver em parte alguma&#8217; (Palavra 37). Que isso n\u00e3o aconte\u00e7a conosco!<\/i>\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p><b>Por: Jane Nogara &#8211; Vatican News<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Precisamos de religi\u00e3o para responder \u00e0 sede de paz do mundo e \u00e0 sede de infinito que habita o cora\u00e7\u00e3o de cada homem\u201d. 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