{"id":73867,"date":"2021-10-18T18:36:31","date_gmt":"2021-10-18T21:36:31","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=73867"},"modified":"2021-10-18T18:37:48","modified_gmt":"2021-10-18T21:37:48","slug":"documento-preparatorio-sinodo-2023","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/documento-preparatorio-sinodo-2023\/","title":{"rendered":"Documento preparat\u00f3rio S\u00ednodo 2023"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o<\/div>\n<div class=\"title__separator\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p><b>1.&nbsp;<\/b>A Igreja de Deus \u00e9 convocada em S\u00ednodo. O caminho, intitulado \u00abPara uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u00bb, iniciar\u00e1 solenemente nos dias 9-10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares. Uma etapa fundamental ser\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, em outubro de 2023,[1] a que se seguir\u00e1 a fase de execu\u00e7\u00e3o, que envolver\u00e1 novamente as Igrejas particulares (cf. EC, art. 19-21). Com esta convoca\u00e7\u00e3o, o Papa Francisco convida a Igreja inteira a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua miss\u00e3o: \u00abO caminho da sinodalidade \u00e9 precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro mil\u00e9nio\u00bb.[2] Este itiner\u00e1rio, que se insere no sulco da \u201catualiza\u00e7\u00e3o\u201d da Igreja, proposta pelo Conc\u00edlio Vaticano II, constitui um dom e uma tarefa: caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o camino percorrido, com o que for experimentando, a Igreja poder\u00e1 aprender quais s\u00e3o os procesos que a podem ajudar a viver a comunh\u00e3o, a realizar a participa\u00e7\u00e3o e a abrir-se \u00e0 miss\u00e3o. Com efeito, o nosso \u201ccaminhar juntos\u201d \u00e9 o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e mission\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>2.<\/b>&nbsp;Uma interroga\u00e7\u00e3o fundamental impele-nos e orienta-nos: como se realiza hoje, a diferentes n\u00edveis (do local ao universal) aquele \u201ccaminhar juntos\u201d que permite \u00e0 Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a miss\u00e3o que lhe foi confiada; e que passos o Esp\u00edrito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?<\/p>\n<p>Enfrentar juntos esta interroga\u00e7\u00e3o exige que nos coloquemos \u00e0 escuta do Esp\u00edrito Santo que, como o vento, \u00absopra onde quer; ouves o seu ru\u00eddo, mas n\u00e3o sabes de onde vem, nem para onde vai\u00bb (<i>Jo&nbsp;<\/i>3, 8), permanecendo abertos \u00e0s surpresas para as quais certamente nos predispor\u00e1 ao longo do caminho. Ativa-se deste modo um dinamismo que permite come\u00e7ar a colher alguns frutos de uma convers\u00e3o sinodal, que amadurecer\u00e3o progressivamente. Trata-se de objetivos de grande relev\u00e2ncia para a qualidade da vida eclesial e para o cumprimento da miss\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o, na qual todos n\u00f3s participamos em virtude do Batismo e da Confirma\u00e7\u00e3o. Indicamos aqui os principais, que enunciam a sinodalidade como forma, como estilo e como estrutura da Igreja:<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; fazer mem\u00f3ria do modo como o Esp\u00edrito orientou o caminho da Igreja ao longo da hist\u00f3ria e como hoje nos chama a ser, juntos, testemunhas do amor de Deus;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; viver um processo eclesial participativo e inclusivo, que ofere\u00e7a a cada um \u2013 de maneira particular \u00e0queles que, por v\u00e1rios motivos, se encontram \u00e0 margem \u2013 a oportunidade de se expressar e de ser ouvido, a fim de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o do Povo de Deus;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; reconhecer e apreciar a riqueza e a variedade dos dons e dos carismas que o Esp\u00edrito concede em liberdade, para o bem da comunidade e em benef\u00edcio de toda a fam\u00edlia humana;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; experimentar formas participativas de exercer a responsabilidade no an\u00fancio do Evangelho e no compromisso para construir um mundo mais belo e mais habit\u00e1vel;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; examinar como s\u00e3o vividos na Igreja a responsabilidade e o poder, e as estruturas mediante as quais s\u00e3o geridos, destacando e procurando converter preconceitos e pr\u00e1ticas distorcidas que n\u00e3o est\u00e3o enraizadas no Evangelho;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; credenciar a comunidade crist\u00e3 como sujeito cred\u00edvel e parceiro fi\u00e1vel em percursos de di\u00e1logo social, cura, reconcilia\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, reconstru\u00e7\u00e3o da democracia, promo\u00e7\u00e3o da fraternidade e da amizade social;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; regenerar as rela\u00e7\u00f5es entre os membros das comunidades crist\u00e3s, assim como entre as comunidades e os demais grupos sociais, por exemplo, comunidades de crentes de outras confiss\u00f5es e religi\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, movimentos populares, etc;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; favorecer a valoriza\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o dos frutos das recentes experi\u00eancias sinodais nos planos universal, regional, nacional e local.<\/p>\n<p><b>3.<\/b>&nbsp;O presente Documento Preparat\u00f3rio p\u00f5e-se ao servi\u00e7o do caminho sinodal, de modo especial como instrumento para favorecer a primeira fase de escuta e consulta do Povo de Deus nas Igrejas particulares (outubro de 2021 \u2013 abril de 2022), na esperan\u00e7a de contribuir para colocar em movimento as ideias, as energias e a criatividade de todos aqueles que participarem no itiner\u00e1rio, e facilitar a partilha dos frutos do seu compromisso. Para esta finalidade: 1) come\u00e7a por delinear algumas carater\u00edsticas salientes do contexto contempor\u00e2neo; 2) explica resumidamente as refer\u00eancias teol\u00f3gicas fundamentais para uma correta compreens\u00e3o e pr\u00e1tica da sinodalidade; 3) oferece algumas indica\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que poder\u00e3o alimentar a medita\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o orante ao longo do caminho; 4) descreve certas perspetivas a partir das quais reler as experi\u00eancias de sinodalidade vivida; 5) exp\u00f5e determinadas indica\u00e7\u00f5es para articular este trabalho de releitura na ora\u00e7\u00e3o e na partilha. Para acompanhar concretamente a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos, prop\u00f5e-se um&nbsp;<i>Vade-m\u00e9cum&nbsp;<\/i>metodol\u00f3gico, anexado ao presente Documento Preparat\u00f3rio e dispon\u00edvel no site dedicado.[3] O site oferece alguns recursos para o aprofundamento do tema da sinodalidade, como apoio a este Documento Preparat\u00f3rio; entre eles destacamos dois, em seguida mencionados v\u00e1rias vezes: o&nbsp;<i>Discurso na Comemora\u00e7\u00e3o do cinquenten\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos,&nbsp;<\/i>pronunciado pelo Papa Francisco no dia 17 de outubro de 2015, e o documento&nbsp;<i>A sinodalidade na vida e na miss\u00e3o da Igreja,&nbsp;<\/i>elaborado pela Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional e publicado em 2018.<\/p>\n<p><b>I. Apelo a caminhar juntos<\/b><\/p>\n<p><b>&nbsp;<\/b><b>4.<\/b>&nbsp;O caminho sinodal desenvolve-se num contexto hist\u00f3rico, marcado por mudan\u00e7as epocais na sociedade e por uma passagem crucial na vida da Igreja, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar: \u00e9 nas dobras da complexidade deste contexto, nas suas tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es, que somos chamados \u00aba investigar os sinais dos tempos e a interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho\u00bb (GS, n. 4). Delineiam-se aqui alguns elementos do cen\u00e1rio global mais intimamente ligados ao tema do S\u00ednodo, mas o quadro dever\u00e1 ser enriquecido e completado a n\u00edvel local.<\/p>\n<p><b>5.<\/b>&nbsp;Uma trag\u00e9dia global como a pandemia de Covid-19 \u00abdespertou, por algum tempo, a consci\u00eancia de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ningu\u00e9m se salva sozinho, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel salvar-nos juntos\u00bb (FT, n. 32). Ao mesmo tempo, a pandemia fez eclodir as desigualdades e as disparidades j\u00e1 existentes: a humanidade parece estar cada vez mais abalada por processos de massifica\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o; a tr\u00e1gica condi\u00e7\u00e3o que os migrantes vivem em todas as regi\u00f5es do mundo testemunha qu\u00e3o elevadas e vigorosas ainda s\u00e3o as barreiras que dividem a \u00fanica fam\u00edlia humana. As Enc\u00edclicas&nbsp;<i>Laudato si&#8217;<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>Fratelli tutti&nbsp;<\/i>documentam a profundidade das fraturas que atravessam a humanidade, e podemos referir-nos a tais an\u00e1lises para nos colocarmos \u00e0 escuta do clamor dos pobres e da terra e para reconhecer as sementes de esperan\u00e7a e de futuro que o Esp\u00edrito continua a fazer germinar inclusive no nosso tempo: \u00abO Criador n\u00e3o nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade ainda possui a capacidade de colaborar na constru\u00e7\u00e3o da nossa casa comum\u00bb (LS, n. 13).<\/p>\n<p><b>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/b>Esta situa\u00e7\u00e3o que, n\u00e3o obstante as grandes diferen\u00e7as, irmana toda a fam\u00edlia humana, desafia a capacidade da Igreja de acompanhar as pessoas e as comunidades a reler experi\u00eancias de luto e sofrimento, que desmascararam muitas falsas certezas, e a cultivar a esperan\u00e7a e a f\u00e9 na bondade do Criador e da sua cria\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o podemos negar que a pr\u00f3pria Igreja deve enfrentar a falta de f\u00e9 e a corrup\u00e7\u00e3o, inclusive no seu interior. Em particular, n\u00e3o podemos esquecer o sofrimento vivido por menores e pessoas vulner\u00e1veis \u00abpor causa de abusos sexuais, de poder e de consci\u00eancia cometidos por um n\u00famero not\u00e1vel de cl\u00e9rigos e pessoas consagradas\u00bb.[4] Somos continuamente interpelados, \u00abcomo Povo de Deus, a assumir a dor de nossos irm\u00e3os feridos na sua carne e no seu esp\u00edrito\u00bb.[5] Durante demasiado tempo, o grito das v\u00edtimas foi um clamor que a Igreja n\u00e3o soube ouvir suficientemente. Trata-se de feridas profundas, que dificilmente se cicatrizam, pelas quais nunca se pedir\u00e1 perd\u00e3o suficiente, e que constituem obst\u00e1culos, \u00e0s vezes imponentes, para prosseguir na dire\u00e7\u00e3o do \u201ccaminhar juntos\u201d. A Igreja inteira \u00e9 chamada a confrontar-se com o peso de uma cultura impregnada de clericalismo, que ela herdou da sua hist\u00f3ria, e de formas de exerc\u00edcio da autoridade nas quais se insinuam os v\u00e1rios tipos de abuso (de poder, econ\u00f3mico, de consci\u00eancia, sexual). \u00c9 impens\u00e1vel \u00abuma convers\u00e3o do agir eclesial sem a participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os membros do Povo de Deus\u00bb:[6] juntos, pe\u00e7amos ao Senhor \u00aba gra\u00e7a da convers\u00e3o e da un\u00e7\u00e3o interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compun\u00e7\u00e3o e a nossa decis\u00e3o de lutar com coragem\u00bb.[7]<\/p>\n<p><b>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/b>A despeito das nossas infidelidades, o Esp\u00edrito continua a agir na hist\u00f3ria e a manifestar o seu poder vivificante. \u00c9 precisamente nos sulcos cavados pelos sofrimentos de todos os tipos, suportados pela fam\u00edlia humana e pelo Povo de Deus, que florescem novas linguagens da f\u00e9 e renovados percursos, capazes n\u00e3o apenas de interpretar os acontecimentos de um ponto de vista teologal, mas de encontrar na prova\u00e7\u00e3o as raz\u00f5es para voltar a fundar o caminho da vida crist\u00e3 e eclesial. \u00c9 motivo de grande esperan\u00e7a que n\u00e3o poucas Igrejas j\u00e1 tenham iniciado encontros e processos de consulta do Povo de Deus, mais ou menos estruturados. Onde eles se distinguiram por um estilo sinodal, o sentido de Igreja voltou a florescer e a participa\u00e7\u00e3o de todos deu renovado impulso \u00e0 vida eclesial. Tamb\u00e9m encontram confirma\u00e7\u00e3o o desejo de protagonismo no seio da Igreja por parte dos jovens, e o pedido de uma maior valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres e de espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o da Igreja, j\u00e1 apontados pelas Assembleias sinodais de 2018 e de 2019. Nesta linha v\u00e3o tamb\u00e9m a recente institui\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio laical do catequista e a abertura \u00e0s mulheres do acesso aos minist\u00e9rios do leitorado e do acolitado.<\/p>\n<p><b>8.<\/b>&nbsp;N\u00e3o podemos ignorar a variedade das condi\u00e7\u00f5es em que as comunidades crist\u00e3s vivem nas diferentes regi\u00f5es do mundo. Ao lado dos pa\u00edses em que a Igreja acolhe a maioria da popula\u00e7\u00e3o, representando um ponto de refer\u00eancia cultural para toda a sociedade, existem outros em que os cat\u00f3licos constituem uma minoria; nalguns deles os, cat\u00f3licos, em conjunto com outros crist\u00e3os, experimentam formas de persegui\u00e7\u00e3o at\u00e9 muito violentas, e n\u00e3o raro o mart\u00edrio. Se, por um lado, predomina uma mentalidade secularizada que tende a eliminar a religi\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, por outro lado, existe um fundamentalismo religioso que n\u00e3o respeita as liberdades dos outros, alimentando formas de intoler\u00e2ncia e de viol\u00eancia que se refletem tamb\u00e9m na comunidade crist\u00e3 e nas suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade. N\u00e3o raramente, os crist\u00e3os adotam as mesmas atitudes, fomentando inclusive divis\u00f5es e contraposi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 na Igreja. \u00c9 igualmente necess\u00e1rio ter em considera\u00e7\u00e3o o modo como as fraturas que atravessam a sociedade se repercutem no seio da comunidade crist\u00e3 e nas suas rela\u00e7\u00f5es com a pr\u00f3pria sociedade, por raz\u00f5es \u00e9tnicas, raciais, de casta ou devido a outras formas de estratifica\u00e7\u00e3o social ou de viol\u00eancia cultural e estrutural. Tais situa\u00e7\u00f5es t\u00eam um impacto profundo sobre o significado da express\u00e3o \u201ccaminhar juntos\u201d e sobre as possibilidades concretas de as p\u00f4r em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><b>9.<\/b>&nbsp;Neste contexto, a sinodalidade representa a via mestra para a Igreja, chamada a renovar-se sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e gra\u00e7as \u00e0 escuta da Palavra. A capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja e para as suas institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 altura da miss\u00e3o recebida, depende em grande medida da escolha de encetar processos de escuta, di\u00e1logo e discernimento comunit\u00e1rio, em que todos e cada um possam participar e contribuir. Ao mesmo tempo, a escolha de \u201ccaminhar juntos\u201d constitui um sinal prof\u00e9tico para uma fam\u00edlia humana que tem necessidade de um projeto comum, apto a perseguir o bem de todos. Uma Igreja capaz de comunh\u00e3o e de fraternidade, de participa\u00e7\u00e3o e de subsidiariedade, em fidelidade ao que anuncia, poder\u00e1 colocar-se ao lado dos pobres e dos \u00faltimos, emprestando-lhes a pr\u00f3pria voz. Para \u201ccaminhar juntos\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio que nos deixemos educar pelo Esp\u00edrito para uma mentalidade verdadeiramente sinodal, entrando com coragem e liberdade de cora\u00e7\u00e3o num processo de convers\u00e3o, sem o qual n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel aquela \u00abreforma perene da qual ela [a Igreja], como institui\u00e7\u00e3o humana e terrena, necessita perpetuamente\u00bb (UR, n. 6; cf. EG, n. 26).<\/p>\n<p><b>II. Uma Igreja constitutivamente sinodal<\/b><\/p>\n<p><b>&nbsp;<\/b><b>10.<\/b>&nbsp;\u00abAquilo que o Senhor nos pede, de certo modo est\u00e1 j\u00e1 tudo contido na palavra \u201cS\u00ednodo\u201d\u00bb,[8] que \u00ab\u00e9 palavra antiga e veneranda na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, cujo significado recorda os conte\u00fados mais profundos da Revela\u00e7\u00e3o\u00bb.[9] \u00c9 o \u00abSenhor Jesus que se apresenta a si mesmo como \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d (<i>Jo&nbsp;<\/i>14, 6)\u00bb, e \u00abos crist\u00e3os, na sua sequela, s\u00e3o originariamente chamados \u201cos disc\u00edpulos do caminho\u201d (cf.&nbsp;<i>At&nbsp;<\/i>9, 2; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22)\u00bb.[10] Nesta perspetiva, a sinodalidade \u00e9 muito mais do que a celebra\u00e7\u00e3o de encontros eclesiais e assembleias de Bispos, ou uma quest\u00e3o de simples administra\u00e7\u00e3o interna da Igreja; ela \u00abindica o espec\u00edfico&nbsp;<i>modus vivendi et operandi&nbsp;<\/i>da Igreja, o Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o ser comunh\u00e3o no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros na sua miss\u00e3o evangelizadora\u00bb.[11] Entrela\u00e7am-se assim aqueles que o t\u00edtulo do S\u00ednodo prop\u00f5e como eixos fundamentais de uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o. Neste cap\u00edtulo explicamos sumariamente algumas refer\u00eancias teol\u00f3gicas essenciais em que esta perspetiva se fundamenta.<\/p>\n<p><b>11.<\/b>&nbsp;No primeiro mil\u00e9nio, \u201ccaminhar juntos\u201d, ou seja, praticar a sinodalidade, era a maneira habitual de proceder da Igreja, entendida como \u00abPovo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb.[12] \u00c0queles que dividiam o corpo eclesial, os Padres da Igreja opuseram a comunh\u00e3o das Igrejas espalhadas pelo mundo, que Santo Agostinho descrevia como&nbsp;<i>\u00abconcordissima fidei conspiratio\u00bb<\/i>,[13] isto \u00e9, o acordo na f\u00e9 entre todos os Batizados. \u00c9 aqui que se arraiga o amplo desenvolvimento de uma pr\u00e1tica sinodal a todos os n\u00edveis da vida da Igreja \u2013 local, provincial, universal \u2013 que encontrou a sua mais excelsa manifesta\u00e7\u00e3o no conc\u00edlio ecum\u00e9nico. Foi neste horizonte eclesial, inspirado no princ\u00edpio da participa\u00e7\u00e3o de todos na vida da Igreja, que S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo p\u00f4de dizer: \u00abIgreja e S\u00ednodo s\u00e3o sin\u00f3nimos\u00bb.[14] Este modo de proceder n\u00e3o esmoreceu nem sequer no segundo mil\u00e9nio, quando a Igreja evidenciou em maior medida a fun\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica: se na idade m\u00e9dia e na \u00e9poca moderna \u00e9 bem atestada a celebra\u00e7\u00e3o dos s\u00ednodos diocesanos e provinciais, assim como a dos conc\u00edlios ecum\u00e9nicos, quando se tratava de definir verdades dogm\u00e1ticas, os Papas queriam consultar os Bispos, para conhecer a f\u00e9 de toda a Igreja, recorrendo \u00e0 autoridade do&nbsp;<i>sensus fidei&nbsp;<\/i>de todo o Povo de Deus, que \u00e9 \u00ab<i>infal\u00edvel \u201cin credendo\u201d\u00bb<\/i>&nbsp;(EG, n. 119).<\/p>\n<p><b>12.<\/b>&nbsp;O Conc\u00edlio Vaticano II ancorou-se neste dinamismo da Tradi\u00e7\u00e3o. Ele p\u00f5e em evid\u00eancia que \u00abaprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo que o conhecesse na verdade e o servisse santamente\u00bb (LG, n. 9). Os membros do Povo de Deus s\u00e3o irmanados pelo Batismo e \u00abainda que, por vontade de Cristo, alguns sejam constitu\u00eddos doutores, dispensadores dos mist\u00e9rios e pastores em favor dos demais, reina, por\u00e9m, igualdade entre todos quanto \u00e0 dignidade e quanto \u00e0 atua\u00e7\u00e3o, comum a todos os Fi\u00e9is, a favor da edifica\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo\u00bb (LG, n. 32). Por conseguinte, todos os Batizados, participantes na fun\u00e7\u00e3o sacerdotal, prof\u00e9tica e real de Cristo, \u00abno exerc\u00edcio da multiforme e ordenada riqueza dos seus carismas, das suas voca\u00e7\u00f5es, dos seus minist\u00e9rios\u00bb,[15] s\u00e3o sujeitos ativos de evangeliza\u00e7\u00e3o, quer individualmente quer como totalidade do Povo de Deus.<\/p>\n<p><b>13.&nbsp;<\/b>O Conc\u00edlio ressaltou que, em virtude da un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo recebida no Batismo, a totalidade dos Fi\u00e9is \u00abn\u00e3o pode enganar-se na f\u00e9; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da f\u00e9 do Povo todo quando este, \u201cdesde os Bispos at\u00e9 ao \u00faltimo dos Fi\u00e9is leigos\u201d, manifesta o consenso universal em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de moral\u00bb (LG, n. 12). \u00c9 o Esp\u00edrito que guia os crentes para \u00abtoda a verdade\u00bb (<i>Jo&nbsp;<\/i>16, 13). Pela sua obra, \u00aba Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica progride na Igreja\u00bb, porque todo o Povo santo de Deus cresce na compreens\u00e3o e na experi\u00eancia, \u00abtanto das coisas como das palavras transmitidas, quer gra\u00e7as \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e ao estudo dos crentes, que as meditam no seu cora\u00e7\u00e3o (cf.&nbsp;<i>Lc<\/i>&nbsp;2, 19. 51), quer gra\u00e7as \u00e0 \u00edntima intelig\u00eancia que experimentam das coisas espirituais, quer gra\u00e7as \u00e0 prega\u00e7\u00e3o daqueles que, com a sucess\u00e3o do episcopado, receberam o carisma da verdade\u00bb (DV, n. 8). Com efeito, este Povo, reunido pelos seus Pastores, adere ao dep\u00f3sito sagrado da Palavra de Deus confiado \u00e0 Igreja, persevera constantemente no ensinamento dos Ap\u00f3stolos, na comunh\u00e3o fraterna, na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e na ora\u00e7\u00e3o, \u00abde tal modo que, na conserva\u00e7\u00e3o, atua\u00e7\u00e3o e profiss\u00e3o da f\u00e9 transmitida, haja uma especial concord\u00e2ncia de esp\u00edrito entre os Pastores e os Fi\u00e9is\u00bb&nbsp; (DV, n. 10).<\/p>\n<p><b>14.&nbsp;<\/b>Por isso, os Pastores, constitu\u00eddos por Deus \u00abcomo aut\u00eanticos guardi\u00f5es, int\u00e9rpretes e testemunhas da f\u00e9 de toda a Igreja\u00bb,[16] n\u00e3o tenham medo de se colocar \u00e0 escuta da Grei que lhes for confiada: a consulta do Povo de Deus n\u00e3o exige a assun\u00e7\u00e3o, no seio da Igreja, dos dinamismos da democracia centrados no princ\u00edpio de maioria, uma vez que na base da participa\u00e7\u00e3o em qualquer processo sinodal est\u00e1 a paix\u00e3o partilhada pela miss\u00e3o comum de evangeliza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o de interesses em conflito. Por outras palavras, trata-se de um processo eclesial, que s\u00f3 pode realizar-se \u00abno seio de uma comunidade hierarquicamente estruturada\u00bb.[17] \u00c9 na fecunda liga\u00e7\u00e3o entre o&nbsp;<i>sensus fidei&nbsp;<\/i>do Povo de Deus e a fun\u00e7\u00e3o magisterial dos Pastores que se realiza o consenso un\u00e2nime de toda a Igreja na mesma f\u00e9. Cada processo sinodal, em que os Bispos s\u00e3o chamados a discernir aquilo que o Esp\u00edrito diz \u00e0 Igreja, n\u00e3o sozinhos, mas ouvindo o Povo de Deus, que \u00abparticipa tamb\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo\u00bb (LG, n. 12), constitui uma forma evidente daquele \u00abcaminhar juntos\u00bb que faz crescer a Igreja. S\u00e3o Bento salienta que \u00abmuitas vezes o Senhor revela a melhor decis\u00e3o\u00bb[18] a quem n\u00e3o ocupa posi\u00e7\u00f5es relevantes na comunidade (neste caso, o mais jovem); assim, os Bispos tenham o cuidado de alcan\u00e7ar todos, a fim de que no desenrolar ordenado do caminho sinodal se realize aquilo que o ap\u00f3stolo Paulo recomenda \u00e0s comunidades: \u00abN\u00e3o extingais o Esp\u00edrito. N\u00e3o desprezeis as profecias. Examinai tudo: abra\u00e7ai o que \u00e9 bom\u00bb (<i>1 Ts&nbsp;<\/i>5, 19-21).<\/p>\n<p><b>15.<\/b>&nbsp;O sentido do caminho ao qual todos somos chamados consiste, antes de mais nada, em descobrir o rosto e a forma de uma Igreja sinodal, em que \u00abcada um tem algo a aprender. Povo fiel, Col\u00e9gio episcopal, Bispo de Roma: cada um \u00e0 escuta dos outros; e todos \u00e0 escuta do Esp\u00edrito Santo, o \u201cEsp\u00edrito da verdade\u201d (<i>Jo<\/i>&nbsp;14, 17), para conhecer aquilo que Ele \u201cdiz \u00e0s Igrejas\u201d (<i>Ap<\/i>&nbsp;2, 7)\u00bb.[19] O Bispo de Roma, como princ\u00edpio e fundamento de unidade da Igreja, pede que todos os Bispos e todas as Igrejas particulares, nas quais e a partir das quais existe a Igreja cat\u00f3lica una e \u00fanica (cf. LG, n. 23), entrem com confian\u00e7a e coragem no caminho da sinodalidade. Neste \u201ccaminhar juntos\u201d, pe\u00e7amos ao Esp\u00edrito que nos leve a descobrir como a comunh\u00e3o, que comp\u00f5e na unidade a variedade dos dons, dos carismas e dos minist\u00e9rios, tem em vista a miss\u00e3o: uma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja \u201cem sa\u00edda\u201d, uma Igreja mission\u00e1ria, \u00abcom as portas abertas\u00bb (EG, n. 46). Isto inclui a chamada a aprofundar as rela\u00e7\u00f5es com as outras Igrejas e comunidades crist\u00e3s, com as quais estamos unidos mediante o \u00fanico Batismo. Al\u00e9m disso, a perspetiva de \u201ccaminhar juntos\u201d \u00e9 ainda mais ampla e abrange toda a humanidade, da qual compartilhamos \u00abas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias\u00bb (GS, n. 1). Uma Igreja sinodal \u00e9 um sinal prof\u00e9tico sobretudo para uma comunidade de na\u00e7\u00f5es incapaz de propor um projeto partilhado, atrav\u00e9s do qual perseguir o bem de todos: praticar a sinodalidade \u00e9, hoje para a Igreja, a maneira mais evidente de ser \u00absacramento universal da<a id=\"_GoBack1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow\" name=\"_GoBack1\"><\/a>&nbsp;salva\u00e7\u00e3o\u00bb (LG, n. 48), \u00absinal e instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (LG, n. 1).<\/p>\n<p><b>III. \u00c0 escuta das Escrituras<\/b><\/p>\n<p><b>16.<\/b>&nbsp;O Esp\u00edrito de Deus, que ilumina e vivifica este \u201ccaminhar juntos\u201d das Igrejas, \u00e9 o mesmo que atua na miss\u00e3o de Jesus, prometido aos Ap\u00f3stolos e \u00e0s gera\u00e7\u00f5es de disc\u00edpulos que ouvirem a Palavra de Deus e que a puserem em pr\u00e1tica. Em conformidade com a promessa do Senhor, o Esp\u00edrito n\u00e3o se limita a confirmar a continuidade do Evangelho de Jesus, mas iluminar\u00e1 as profundidades sempre novas da sua Revela\u00e7\u00e3o e inspirar\u00e1 as decis\u00f5es necess\u00e1rias para sustentar o caminho da Igreja (cf.&nbsp;<i>Jo<\/i>&nbsp;14, 25-26; 15, 26-27; 16, 12-15). Por este motivo, \u00e9 oportuno que o nosso caminho de constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja sinodal se deixe inspirar por duas \u201cimagens\u201d da Escritura. Uma sobressai na representa\u00e7\u00e3o da \u201ccena comunit\u00e1ria\u201d que acompanha constantemente o caminho da evangeliza\u00e7\u00e3o; a outra refere-se \u00e0 experi\u00eancia do Esp\u00edrito, em que Pedro e a comunidade primitiva reconhecem o risco de colocar limites injustificados \u00e0 partilha da f\u00e9. A experi\u00eancia sinodal do caminhar juntos, no seguimento do Senhor e em obedi\u00eancia ao Esp\u00edrito, poder\u00e1 receber uma inspira\u00e7\u00e3o decisiva da medita\u00e7\u00e3o a respeito destes dois momentos da Revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Jesus, a multid\u00e3o, os ap\u00f3stolos<\/b><\/p>\n<p><b>17.&nbsp;<\/b>Na sua estrutura fundamental, uma cena original aparece como a constante do modo como Jesus se revela ao longo de todo o Evangelho, anunciando o advento do Reino de Deus. Os atores em jogo s\u00e3o essencialmente tr\u00eas (mais um). Naturalmente, o primeiro \u00e9&nbsp;<i>Jesus,<\/i>&nbsp;o protagonista absoluto que toma a iniciativa, semeando as palavras e os sinais da vinda do Reino, sem \u00abprefer\u00eancia de pessoas\u00bb (cf.&nbsp;<i>At<\/i>&nbsp;10, 34). De v\u00e1rias maneiras, Jesus presta especial aten\u00e7\u00e3o aos \u201cseparados\u201d de Deus e aos \u201cabandonados\u201d pela comunidade (na linguagem evang\u00e9lica, os pecadores e os pobres). Com as suas palavras e as suas a\u00e7\u00f5es, oferece a liberta\u00e7\u00e3o do mal e a convers\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a, em nome de Deus Pai e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o obstante a diversidade das chamadas e das respostas de acolhimento do Senhor, a carater\u00edstica comum \u00e9 que a f\u00e9 emerge sempre como valoriza\u00e7\u00e3o da pessoa: a sua s\u00faplica \u00e9 ouvida, \u00e0 sua dificuldade presta-se ajuda, a sua disponibilidade \u00e9 apreciada, a sua dignidade \u00e9 confirmada pelo olhar de Deus e restitu\u00edda ao reconhecimento da comunidade.<b><\/b><\/p>\n<p><b>18.<\/b><i>&nbsp;<\/i>Com efeito, a a\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o e a mensagem de salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o seriam compreens\u00edveis sem a abertura constante de Jesus ao interlocutor mais vasto poss\u00edvel, que os Evangelhos indicam como&nbsp;<i>a multid\u00e3o,<\/i>&nbsp;ou seja, o conjunto de pessoas que o seguem ao longo do caminho, e \u00e0s vezes at\u00e9 o perseguem, na esperan\u00e7a de um sinal e de uma palavra de salva\u00e7\u00e3o: eis o segundo ator da cena da Revela\u00e7\u00e3o. O an\u00fancio evang\u00e9lico n\u00e3o se dirige unicamente a poucos iluminados ou escolhidos. O interlocutor de Jesus \u00e9 \u201co povo\u201d da vida comum, o \u201cqualquer um\u201d da condi\u00e7\u00e3o humana, que Ele coloca diretamente em contacto com o dom de Deus e a chamada \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. De um modo que surpreende e \u00e0s vezes escandaliza as testemunhas, Jesus aceita como interlocutores todos aqueles que sobressaem da multid\u00e3o: ouve a lamenta\u00e7\u00e3o apaixonada da mulher cananeia (cf.&nbsp;<i>Mt&nbsp;<\/i>15, 21-28), que n\u00e3o pode aceitar ser exclu\u00edda da b\u00ean\u00e7\u00e3o que Ele traz; abandona-se ao di\u00e1logo com a Samaritana (cf.&nbsp;<i>Jo&nbsp;<\/i>4, 1-42), n\u00e3o obstante a sua condi\u00e7\u00e3o de mulher social e religiosamente comprometida; solicita o ato de f\u00e9 livre e reconhecido do cego de nascen\u00e7a (cf. Jo&nbsp;<i>9<\/i>), que a religi\u00e3o oficial tinha descartado como alheio ao per\u00edmetro da gra\u00e7a.<b><\/b><\/p>\n<p><b>19.<\/b>&nbsp;Alguns seguem Jesus mais explicitamente, experimentando a fidelidade do discipulado, ao passo que outros s\u00e3o convidados a regressar \u00e0 sua vida quotidiana: no entanto, todos d\u00e3o testemunho da for\u00e7a da f\u00e9 que os salvou (cf.&nbsp;<i>Mt&nbsp;<\/i>15, 28). Entre aqueles que seguem Jesus, destaca-se nitidamente a figura dos&nbsp;<i>ap\u00f3stolos,<\/i>&nbsp;aos quais Ele pr\u00f3prio chama desde o in\u00edcio, destinando-os \u00e0 media\u00e7\u00e3o autorizada da rela\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o com a Revela\u00e7\u00e3o e com o advento do Reino de Deus. A entrada em cena deste terceiro ator n\u00e3o se verifica gra\u00e7as a uma cura ou convers\u00e3o, mas coincide com o chamamento de Jesus. A elei\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos n\u00e3o \u00e9 o privil\u00e9gio de uma posi\u00e7\u00e3o exclusiva de poder e de separa\u00e7\u00e3o, mas sim a gra\u00e7a de um minist\u00e9rio inclusivo de b\u00ean\u00e7\u00e3o e de comunh\u00e3o. Gra\u00e7as ao dom do Esp\u00edrito do Senhor ressuscitado, eles devem salvaguardar o lugar de Jesus, sem o substituir: n\u00e3o para colocar filtros \u00e0 sua presen\u00e7a, mas para facilitar o seu encontro.<b><\/b><\/p>\n<p><b>20<\/b>. Jesus, a multid\u00e3o na sua variedade, os ap\u00f3stolos: eis a imagem e o mist\u00e9rio a contemplar e aprofundar continuamente, a fim de que a Igreja se torne cada vez mais aquilo que \u00e9. Nenhum dos tr\u00eas atores pode abandonar a cena. Se Jesus n\u00e3o estiver presente e outra pessoa ocupar o seu lugar, a Igreja tornar-se-\u00e1 um contrato entre os ap\u00f3stolos e a multid\u00e3o, cujo di\u00e1logo acabar\u00e1 por seguir o enredo do jogo pol\u00edtico. Sem os ap\u00f3stolos, autorizados por Jesus e instru\u00eddos pelo Esp\u00edrito, a rela\u00e7\u00e3o com a verdade evang\u00e9lica interrompe-se e a multid\u00e3o permanece exposta a um mito ou a uma ideologia a respeito de Jesus, quer o aceite quer o rejeite. Sem a multid\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos com Jesus corrompe-se numa forma sect\u00e1ria e autorreferencial de religi\u00e3o, e a evangeliza\u00e7\u00e3o perde a sua luz, que prov\u00e9m da revela\u00e7\u00e3o de si que Deus dirige a quem quer que seja, diretamente, oferecendo-lhe a sua salva\u00e7\u00e3o.<b><\/b><\/p>\n<p><b>21.<\/b>&nbsp;Al\u00e9m disso, h\u00e1 o ator \u201cextra\u201d, o antagonista, que traz \u00e0 cena a separa\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica dos outros tr\u00eas. Diante da perspetiva inquietadora da cruz, h\u00e1 disc\u00edpulos que v\u00e3o embora e multid\u00f5es que mudam de humor. A amea\u00e7a que divide e, por conseguinte, impede um caminho comum, manifesta-se indiferentemente sob as formas do rigor religioso, da injun\u00e7\u00e3o moral, que se revela mais exigente que a de Jesus, e da sedu\u00e7\u00e3o de uma sabedoria pol\u00edtica mundana, que se julga mais eficaz que um discernimento dos esp\u00edritos. Para evitar os enganos do \u201cquarto ator\u201d, \u00e9 necess\u00e1ria uma convers\u00e3o cont\u00ednua. A este prop\u00f3sito, \u00e9 emblem\u00e1tico o epis\u00f3dio do centuri\u00e3o Corn\u00e9lio (cf.&nbsp;<i>At&nbsp;<\/i>10), precedente ao \u201cconc\u00edlio\u201d de Jerusal\u00e9m (cf.&nbsp;<i>At&nbsp;<\/i>15), que constitui um ponto de refer\u00eancia crucial para uma Igreja sinodal.<\/p>\n<p>Uma dupla din\u00e2mica de convers\u00e3o: Pedro e Corn\u00e9lio (<i>At<\/i>&nbsp;10)<\/p>\n<p><b>22.<\/b>&nbsp;O epis\u00f3dio narra antes de mais nada a convers\u00e3o de Corn\u00e9lio, que chega a receber uma esp\u00e9cie de anuncia\u00e7\u00e3o. Corn\u00e9lio \u00e9 pag\u00e3o, presumivelmente romano, centuri\u00e3o (oficial de baixa patente) do ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o, que exerce uma profiss\u00e3o baseada na viol\u00eancia e no abuso. No entanto, dedica-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 esmola, ou seja, cultiva a rela\u00e7\u00e3o com Deus e cuida do pr\u00f3ximo. De modo surpreendente, o anjo entra precisamente nele, chama-o pelo nome e exorta-o a enviar \u2013 o verbo da miss\u00e3o! \u2013 os seus servos a Jafa para chamar \u2013 o verbo da voca\u00e7\u00e3o! \u2013 Pedro. Ent\u00e3o, a narra\u00e7\u00e3o torna-se a da convers\u00e3o deste \u00faltimo, que naquele mesmo dia recebeu uma vis\u00e3o em que uma voz lhe ordena que mate e coma animais, alguns dos quais impuros. A sua resposta \u00e9 decisiva: \u00abDe modo algum, Senhor!\u00bb (<i>At&nbsp;<\/i>10, 14). Reconhece que \u00e9 o Senhor quem fala com ele, mas op\u00f5e-se-lhe com uma clara rejei\u00e7\u00e3o, dado que aquela ordem destr\u00f3i preceitos da Tor\u00e1 que s\u00e3o irrenunci\u00e1veis para a sua identidade religiosa, e que exprimem um modo de entender a elei\u00e7\u00e3o como diferen\u00e7a que implica separa\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos outros povos.<b><\/b><\/p>\n<p><b>23.<\/b>&nbsp;O ap\u00f3stolo permanece profundamente consternado e, enquanto se interroga sobre o sentido do que tinha acontecido, chegam os homens enviados por Corn\u00e9lio, que o Esp\u00edrito lhe indica como seus enviados. Pedro responde-lhes com palavras que evocam as de Jesus no horto: \u00abEu sou aquele a quem procurais\u00bb (<i>At&nbsp;<\/i>10, 21). Trata-se de uma verdadeira convers\u00e3o, uma passagem dolorosa e imensamente frutuosa para sair das pr\u00f3prias categorias culturais e religiosas: Pedro aceita alimentar-se com pag\u00e3os da comida que sempre tinha considerado proibida, reconhecendo-a como instrumento de vida e de comunh\u00e3o com Deus e com o pr\u00f3ximo. \u00c9 no encontro com as pessoas, acolhendo-as, caminhando com elas e entrando nas suas casas, que ele se d\u00e1 conta do significado da sua vis\u00e3o: nenhum ser humano \u00e9 indigno aos olhos de Deus e a diferen\u00e7a institu\u00edda pela elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prefer\u00eancia exclusiva, mas sim servi\u00e7o e testemunho de alcance universal.<br \/>\n<b><\/b><\/p>\n<p><b>24.<\/b>&nbsp;Tanto Corn\u00e9lio como Pedro envolvem outras pessoas no seu percurso de convers\u00e3o, fazendo delas companheiros de caminho. A a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica cumpre a vontade de Deus, criando comunidade, derrubando barreiras e promovendo o encontro. A palavra desempenha um papel central no encontro entre os dois protagonistas. Corn\u00e9lio come\u00e7a a compartilhar a experi\u00eancia que viveu. Pedro ouve-o e em seguida toma a palavra, comunicando por sua vez o que lhe aconteceu e testemunhando a proximidade do Senhor, que vai ao encontro de cada pessoa para a libertar daquilo que a torna prisioneira do mal e mortifica a sua humanidade (cf.<i>&nbsp;At<\/i>&nbsp;10, 38). Esta maneira de comunicar \u00e9 semelhante \u00e0quela que Pedro adotar\u00e1 quando, em Jerusal\u00e9m, os fi\u00e9is circuncidados o repreender\u00e3o, acusando-o de ter transgredido as normas tradicionais, nas quais toda a aten\u00e7\u00e3o deles parece estar concentrada, menosprezando a efus\u00e3o do Esp\u00edrito: \u00abPor que entraste na casa de incircuncisos e comeste com eles?\u00bb (<i>At<\/i>&nbsp;11, 3). Naquele momento de conflito, Pedro descreve o que lhe aconteceu, assim como as suas rea\u00e7\u00f5es de consterna\u00e7\u00e3o, incompreens\u00e3o e resist\u00eancia. \u00c9 exatamente isto que ajudar\u00e1 os seus interlocutores, inicialmente agressivos e refrat\u00e1rios, a ouvir e a aceitar o que aconteceu. A Escritura contribuir\u00e1 para interpretar o sentido disto, como sucessivamente acontecer\u00e1 no \u201cconc\u00edlio\u201d de Jerusal\u00e9m, num processo de discernimento que \u00e9 uma escuta em comum do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><b>IV. A sinodalidade em a\u00e7\u00e3o:<br \/>\nroteiros para a consulta do Povo de Deus<\/b><\/p>\n<p><b>25.<\/b>&nbsp;Iluminado pela Palavra e fundamentado na Tradi\u00e7\u00e3o, o caminho sinodal enra\u00edza-se na vida concreta do Povo de Deus. Com efeito, apresenta uma peculiaridade que \u00e9 igualmente um recurso extraordin\u00e1rio: o seu objeto \u2013 a sinodalidade \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m o seu m\u00e9todo. Em s\u00edntese, constitui uma esp\u00e9cie de estaleiro de obras ou experi\u00eancia-piloto, que permite come\u00e7ar a colher imediatamente os frutos do dinamismo que a progressiva convers\u00e3o sinodal introduz na comunidade crist\u00e3. Por outro lado, n\u00e3o pode deixar de se referir \u00e0s experi\u00eancias de sinodalidade vivida, a v\u00e1rios n\u00edveis e com diferentes graus de intensidade: os seus pontos fortes e os seus sucessos, assim como os seus limites e as suas dificuldades, oferecem elementos preciosos para o discernimento sobre a dire\u00e7\u00e3o na qual continuar a caminhar. Aqui, certamente, faz-se refer\u00eancia \u00e0s experi\u00eancias ativadas pelo presente caminho sinodal, mas tamb\u00e9m a todas aquelas em que j\u00e1 se experimentam formas de \u201ccaminhar juntos\u201d na vida do dia a dia, mesmo quando o termo sinodalidade nem sequer \u00e9 conhecido ou utilizado.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental<\/p>\n<p><b>26.<\/b>&nbsp;A interroga\u00e7\u00e3o fundamental que orienta esta consulta do Povo de Deus, como j\u00e1 foi recordado no in\u00edcio, \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p><i>Anunciando o Evangelho, uma Igreja sinodal \u201ccaminha em conjunto\u201d: como \u00e9 que este \u201ccaminhar juntos\u201d se realiza hoje na vossa Igreja particular? Que passos o Esp\u00edrito nos convida a dar para crescermos no nosso \u201ccaminhar juntos\u201d?<\/i><\/p>\n<p>Para dar uma resposta, sois convidados a:<\/p>\n<ol>\n<li>perguntar-vos que experi\u00eancias da vossa Igreja particular a interroga\u00e7\u00e3o fundamental vos traz \u00e0 mente?<\/li>\n<li>reler estas experi\u00eancias mais profundamente: que alegrias proporcionaram? Que dificuldades e obst\u00e1culos encontraram? Que feridas fizeram emergir? Que intui\u00e7\u00f5es suscitaram?<\/li>\n<li>colher os frutos para compartilhar: onde, nestas experi\u00eancias, ressoa a voz do Esp\u00edrito? O que ela nos pede? Quais s\u00e3o os pontos a confirmar, as perspetivas de mudan\u00e7a, os passos a dar? Onde alcan\u00e7amos um consenso? Que caminhos se abrem para a nossa Igreja particular?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Diferentes articula\u00e7\u00f5es da sinodalidade<\/p>\n<p><b>27.<\/b>&nbsp;Na ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e partilha suscitadas pela interroga\u00e7\u00e3o fundamental, \u00e9 oportuno ter em considera\u00e7\u00e3o tr\u00eas n\u00edveis em que a sinodalidade se articula como \u00abdimens\u00e3o constitutiva da Igreja\u00bb:[20]<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o plano do estilo em que a Igreja normalmente vive e atua, que exprime a sua natureza de Povo de Deus a caminho em conjunto e que se re\u00fane em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para anunciar o Evangelho. Este estilo realiza-se atrav\u00e9s \u00abda escuta comunit\u00e1ria da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, da fraternidade da comunh\u00e3o e da corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o de todo o povo de Deus, nos seus v\u00e1rios n\u00edveis e na distin\u00e7\u00e3o dos diversos minist\u00e9rios e fun\u00e7\u00f5es, na sua vida e na sua miss\u00e3o\u00bb;[21]<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o plano das estruturas e dos processos eclesiais, determinados inclusive dos pontos de vista teol\u00f3gico e can\u00f3nico, em que a natureza sinodal da Igreja se manifesta de maneira institucional a n\u00edvel local, regional e universal;<\/p>\n<p>\u00b7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o plano dos processos e eventos sinodais em que a Igreja \u00e9 convocada pela autoridade competente, em conformidade com procedimentos espec\u00edficos, determinados pela disciplina eclesi\u00e1stica.<\/p>\n<p>Embora sejam distintos de um ponto de vista l\u00f3gico, estes tr\u00eas planos referem-se uns aos outros e devem manter-se unidos de maneira coerente, caso contr\u00e1rio transmite-se um contratestemunho, minando a credibilidade da Igreja. Com efeito, se n\u00e3o se encarnar em estruturas e processos, o estilo da sinodalidade degrada-se facilmente do n\u00edvel das inten\u00e7\u00f5es e dos desejos para aquele da ret\u00f3rica: enquanto processos e eventos, se n\u00e3o forem animados por um estilo adequado, n\u00e3o passam de formalidades vazias.<\/p>\n<p><b>28.<\/b>&nbsp;Al\u00e9m disso, na releitura das experi\u00eancias, \u00e9 necess\u00e1rio ter em considera\u00e7\u00e3o que \u201ccaminhar juntos\u201d pode ser entendido de acordo com duas perspetivas diferentes, fortemente interligadas. A primeira diz respeito \u00e0 vida interna das Igrejas particulares, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos que as constituem (em primeiro lugar, aquela entre os Fi\u00e9is e os seus Pastores, tamb\u00e9m atrav\u00e9s dos organismos de participa\u00e7\u00e3o previstos pela disciplina can\u00f3nica, incluindo o s\u00ednodo diocesano) e \u00e0s comunidades em que se subdividem (de modo particular as par\u00f3quias). Em seguida, considera as rela\u00e7\u00f5es dos Bispos entre si e com o Bispo de Roma, inclusive atrav\u00e9s dos organismos intermedi\u00e1rios de sinodalidade (S\u00ednodos dos Bispos das Igrejas patriarcais e arquiepiscopais maiores, Conselhos de Hierarcas e Assembleias de Hierarcas das Igrejas&nbsp;<i>sui iuris,&nbsp;<\/i>Confer\u00eancias Episcopais, com as suas express\u00f5es nacionais, internacionais e continentais). Por conseguinte, estende-se \u00e0 maneira como cada uma das Igrejas particulares integra em si mesma a contribui\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias formas de vida mon\u00e1stica, religiosa e consagrada, de associa\u00e7\u00f5es e movimentos laicais, de institui\u00e7\u00f5es eclesiais e eclesi\u00e1sticas de diferentes tipos (escolas, hospitais, universidades, funda\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es de caridade e de assist\u00eancia, etc.). Para finalizar, esta perspetiva abrange tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es e as iniciativas comuns com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s das demais Confiss\u00f5es crist\u00e3s, com os quais partilhamos o dom do mesmo Batismo.<b><\/b><\/p>\n<p><b>29.<\/b>&nbsp;A segunda perspetiva tem em considera\u00e7\u00e3o o modo como o Povo de Deus caminha em conjunto com toda a fam\u00edlia humana. Assim, o olhar contemplar\u00e1 o estado das rela\u00e7\u00f5es, do di\u00e1logo e das eventuais iniciativas comuns com os crentes de outras religi\u00f5es, com as pessoas afastadas da f\u00e9 e igualmente com ambientes e grupos sociais espec\u00edficos, com as respetivas institui\u00e7\u00f5es (mundo da pol\u00edtica, da cultura, da economia, das finan\u00e7as, do trabalho, sindicatos e associa\u00e7\u00f5es empresariais, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e da sociedade civil, movimentos populares, minorias de v\u00e1rios tipos, pobres e exclu\u00eddos, etc.).<\/p>\n<p>Dez n\u00facleos tem\u00e1ticos a aprofundar<\/p>\n<p><b>30.<\/b>&nbsp;Para ajudar a fazer emergir as experi\u00eancias e a contribuir de maneira mais rica para a consulta, em seguida indicamos tamb\u00e9m dez n\u00facleos tem\u00e1ticos que abordam diferentes aspetos da \u201csinodalidade vivida\u201d. Dever\u00e3o adaptar-se aos diferentes contextos locais e, periodicamente, ser integrados, explicados, simplificados e aprofundados, prestando aten\u00e7\u00e3o particular a quantos t\u00eam mais dificuldade em participar e responder: o&nbsp;<i>Vade-m\u00e9cum&nbsp;<\/i>que acompanha este Documento Preparat\u00f3rio oferece instrumentos, percursos e sugest\u00f5es, a fim de que os diferentes n\u00facleos de interroga\u00e7\u00f5es inspirem concretamente momentos de ora\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e interc\u00e2mbio.<\/p>\n<p>I. OS COMPANHEIROS DE VIAGEM<i><\/i><\/p>\n<p><i>Na Igreja e na sociedade, estamos no mesmo caminho, lado a lado.&nbsp;<\/i>Na vossa Igreja local, quem s\u00e3o aqueles que \u201ccaminham juntos\u201d? Quando dizemos \u201ca nossa Igreja\u201d, quem \u00e9 que faz parte dela? Quem nos pede para caminhar juntos? Quem s\u00e3o os companheiros de viagem, inclusive fora do per\u00edmetro eclesial? Que pessoas ou grupos s\u00e3o, expressa ou efetivamente, deixados \u00e0 margem?<\/p>\n<p>II. OUVIR<i><\/i><\/p>\n<p><i>A escuta \u00e9 o primeiro passo, mas requer que a mente e o cora\u00e7\u00e3o estejam abertos, sem preconceitos.&nbsp;<\/i>Com quem est\u00e1 a nossa Igreja particular \u201cem d\u00edvida de escuta\u201d? Como s\u00e3o ouvidos os Leigos, de modo particular os jovens e as mulheres? Como integramos a contribui\u00e7\u00e3o de Consagradas e Consagrados? Que espa\u00e7o ocupa a voz das minorias, dos descartados e dos exclu\u00eddos? Conseguimos identificar preconceitos e estere\u00f3tipos que impedem a nossa escuta? Como ouvimos o contexto social e cultural em que vivemos?<\/p>\n<p>III. TOMAR A PALAVRA<i><\/i><\/p>\n<p><i>Todos est\u00e3o convidados a falar com coragem e parr\u00e9sia, ou seja, integrando liberdade, verdade e caridade.<\/i>&nbsp;Como promovemos, no seio da comunidade e dos seus organismos, um estilo comunicativo livre e aut\u00eantico, sem ambiguidades e oportunismos? E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade de que fazemos parte? Quando e como conseguimos dizer o que \u00e9 deveras importante para n\u00f3s? Como funciona a rela\u00e7\u00e3o com o sistema dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social (n\u00e3o s\u00f3 cat\u00f3licos)? Quem fala em nome da comunidade crist\u00e3 e como \u00e9 escolhido?<\/p>\n<p>IV. CELEBRAR<i><\/i><\/p>\n<p><i>\u201cCaminhar juntos\u201d s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se nos basearmos na escuta comunit\u00e1ria da Palavra e na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/i>&nbsp;De que forma a ora\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica inspiram e orientam efetivamente o nosso \u201ccaminhar juntos\u201d? Como inspiram as decis\u00f5es mais importantes? Como promovemos a participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os Fi\u00e9is na liturgia e o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o de santificar? Que espa\u00e7o \u00e9 reservado ao exerc\u00edcio dos minist\u00e9rios do leitorado e do acolitado?<\/p>\n<p>V. CORRESPONS\u00c1VEIS NA MISS\u00c3O<i><\/i><\/p>\n<p><i>A sinodalidade est\u00e1 ao servi\u00e7o da miss\u00e3o da Igreja, na qual todos os seus membros s\u00e3o chamados a participar.<\/i>&nbsp;Dado que somos todos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, de que maneira cada um dos Batizados \u00e9 convocado para ser protagonista da miss\u00e3o? Como \u00e9 que a comunidade apoia os seus membros comprometidos num servi\u00e7o na sociedade (na responsabilidade social e pol\u00edtica na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e no ensino, na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social, na salvaguarda dos direitos humanos e no cuidado da Casa comum, etc.)? Como os ajuda a viver estes compromissos, numa l\u00f3gica de miss\u00e3o? Como se verifica o discernimento a respeito das escolhas relativas \u00e0 miss\u00e3o e quem participa? Como foram integradas e adaptadas as diferentes tradi\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de estilo sinodal, que constituem a heran\u00e7a de muitas Igrejas, especialmente as orientais, em vista de um testemunho crist\u00e3o eficaz? Como funciona a colabora\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios onde est\u00e3o presentes diferentes Igrejas&nbsp;<i>sui iuris<\/i>?<\/p>\n<p>VI. DIALOGAR NA IGREJA E NA SOCIEDADE<i><\/i><\/p>\n<p><i>O di\u00e1logo \u00e9 um caminho de perseveran\u00e7a, que inclui tamb\u00e9m sil\u00eancios e sofrimentos, mas \u00e9 capaz de recolher a experi\u00eancia das pessoas e dos povos.<\/i>&nbsp;Quais s\u00e3o os lugares e as modalidades de di\u00e1logo no seio da nossa Igreja particular? Como s\u00e3o enfrentadas as diverg\u00eancias de vis\u00e3o, os conflitos, as dificuldades? Como promovemos a colabora\u00e7\u00e3o com as Dioceses vizinhas, com e entre as comunidades religiosas no territ\u00f3rio, com e entre associa\u00e7\u00f5es e movimentos laicais, etc.? Que experi\u00eancias de di\u00e1logo e de compromisso partilhado promovemos com crentes de outras religi\u00f5es e com quem n\u00e3o cr\u00ea? Como \u00e9 que a Igreja dialoga e aprende com outras inst\u00e2ncias da sociedade: o mundo da pol\u00edtica, da economia, da cultura, a sociedade civil, os pobres&#8230;?<\/p>\n<p>VII.&nbsp; COM AS OUTRAS CONFISS\u00d5ES CRIST\u00c3S<i><\/i><\/p>\n<p><i>O di\u00e1logo entre crist\u00e3os de diferentes confiss\u00f5es, unidos por um \u00fanico Batismo, ocupa um lugar particular no caminho sinodal.<\/i>&nbsp;Que relacionamentos mantemos com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s das outras Confiss\u00f5es crist\u00e3s? A que \u00e2mbitos se referem? Que frutos colhemos deste \u201ccaminhar juntos\u201d? Quais s\u00e3o as dificuldades?<\/p>\n<p>VIII. AUTORIDADE E PARTICIPA\u00c7\u00c3O<i><\/i><\/p>\n<p><i>Uma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja participativa e correspons\u00e1vel.<\/i>&nbsp;Como se identificam os objetivos a perseguir, o caminho para os alcan\u00e7ar e os passos a dar? Como se exerce a autoridade no seio da nossa Igreja particular? Quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas de trabalho em grupo e de corresponsabilidade? Como se promovem os minist\u00e9rios laicais e a assun\u00e7\u00e3o de responsabilidade por parte dos Fi\u00e9is? Como funcionam os organismos de sinodalidade a n\u00edvel da Igreja particular? S\u00e3o uma experi\u00eancia fecunda?<\/p>\n<p>IX. DISCERNIR E DECIDIR<i><\/i><\/p>\n<p><i>Num estilo sinodal, decide-se por discernimento, com base num consenso que dimana da obedi\u00eancia comum ao Esp\u00edrito.<\/i>&nbsp;Com que procedimentos e com que m\u00e9todos discernimos em conjunto e tomamos decis\u00f5es? Como podem eles ser melhorados? Como promovemos a participa\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00f5es, no seio de comunidades hierarquicamente estruturadas? Como articulamos a fase consultiva com a deliberativa, o processo do&nbsp;<i>decision-making&nbsp;<\/i>com o momento do&nbsp;<i>decision-taking<\/i>? De que maneira e com que instrumentos promovemos a transpar\u00eancia e a&nbsp;<i>accountability<\/i>?<\/p>\n<p>X. FORMAR-SE NA SINODALIDADE<i><\/i><\/p>\n<p><i>A espiritualidade do caminhar juntos \u00e9 chamada a tornar-se princ\u00edpio educativo para a forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana e do crist\u00e3o, das fam\u00edlias e das comunidades.<\/i>&nbsp;Como formamos as pessoas, de maneira particular aquelas que desempenham fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade no seio da comunidade crist\u00e3, a fim de as tornar mais capazes de \u201ccaminhar juntas\u201d, de se ouvir mutuamente e de dialogar? Que forma\u00e7\u00e3o oferecemos para o discernimento e o exerc\u00edcio da autoridade? Que instrumentos nos ajudam a interpretar as din\u00e2micas da cultura em que estamos inseridos e o seu impacto no nosso estilo de Igreja?<\/p>\n<p>A fim de contribuir para a consulta<\/p>\n<p><b>31.<\/b>&nbsp;A finalidade da primeira fase do caminho sinodal \u00e9 favorecer um amplo processo de consulta, para recolher a riqueza das experi\u00eancias de sinodalidade vivida, nas suas diferentes articula\u00e7\u00f5es e aspetos, envolvendo os Pastores e os Fi\u00e9is das Igrejas particulares em todos os diversificados n\u00edveis, atrav\u00e9s dos meios mais adequados, em conformidade com as realidades locais espec\u00edficas: a consulta, coordenada pelo Bispo,&nbsp; destina-se \u00abaos Presb\u00edteros, Di\u00e1conos e Fi\u00e9is leigos das suas Igrejas, individualmente ou associados, sem transcurar a valiosa contribui\u00e7\u00e3o que pode vir dos Consagrados e das Consagradas\u00bb (EC, n. 7). De maneira particular, solicita-se a contribui\u00e7\u00e3o dos organismos de participa\u00e7\u00e3o das Igrejas particulares, especialmente do Conselho presbiteral e do Conselho pastoral, a partir dos quais verdadeiramente \u00abpode come\u00e7ar a tomar forma uma Igreja sinodal\u00bb.[22] Ser\u00e1 igualmente preciosa a contribui\u00e7\u00e3o das outras realidades eclesiais \u00e0s quais o Documento Preparat\u00f3rio for enviado, assim como daqueles que quiserem enviar diretamente a pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o. Finalmente, ser\u00e1 de import\u00e2ncia fundamental que encontre espa\u00e7o tamb\u00e9m a voz dos pobres e dos exclu\u00eddos, e n\u00e3o somente daqueles que desempenham alguma fun\u00e7\u00e3o ou responsabilidade no seio das Igrejas particulares.<\/p>\n<p><b>32.<\/b>&nbsp;A s\u00edntese que cada Igreja particular elaborar na conclus\u00e3o deste trabalho de escuta e discernimento constituir\u00e1 a sua contribui\u00e7\u00e3o para o percurso da Igreja universal. Para tornar mais f\u00e1ceis e sustent\u00e1veis as fases sucessivas do caminho, \u00e9 importante conseguir condensar os frutos da ora\u00e7\u00e3o e da reflex\u00e3o, no m\u00e1ximo, em dez p\u00e1ginas. Se for necess\u00e1rio, para as contextualizar e explicar melhor, poder\u00e3o ser anexados outros textos como apoio ou integra\u00e7\u00e3o. Recordamos que o objetivo do S\u00ednodo, e por conseguinte desta consulta, n\u00e3o consiste em produzir documentos, mas em \u00abfazer germinar sonhos, suscitar profecias e vis\u00f5es, fazer florescer a esperan\u00e7a, estimular confian\u00e7a, faixar feridas, entran\u00e7ar rela\u00e7\u00f5es, ressuscitar uma aurora de esperan\u00e7a, aprender uns dos outros e criar um imagin\u00e1rio positivo que ilumine as mentes, aque\u00e7a os cora\u00e7\u00f5es, restitua for\u00e7a \u00e0s m\u00e3os\u00bb.[23]<\/p>\n<p><b>\u00cdndice<\/b><\/p>\n<p><b>I. Apelo a caminhar juntos<\/b><\/p>\n<p><b>II. Uma Igreja constitutivamente sinodal<\/b><\/p>\n<p><b>III. \u00c0 escuta das Escrituras<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus, a multid\u00e3o, os ap\u00f3stolos<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma dupla din\u00e2mica de convers\u00e3o: Pedro e Corn\u00e9lio (<i>At&nbsp;<\/i>10)<b><\/b><\/p>\n<p><b>IV. A sinodalidade em a\u00e7\u00e3o: roteiros para a consulta do Povo de Deus<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o fundamental<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentes articula\u00e7\u00f5es da sinodalidade<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dez n\u00facleos tem\u00e1ticos a aprofundar<\/p>\n<p>A fim de contribuir para a consulta<\/p>\n<p>Fonte: Vatican News<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"banner-donazioni\" class=\"article_banner\">&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o &nbsp; 1.&nbsp;A Igreja de Deus \u00e9 convocada em S\u00ednodo. O caminho, intitulado \u00abPara uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u00bb, iniciar\u00e1 solenemente nos dias 9-10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares. Uma etapa fundamental ser\u00e1&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/documento-preparatorio-sinodo-2023\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73868,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-73867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73867"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73867\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73871,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73867\/revisions\/73871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73868"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}