{"id":72972,"date":"2021-07-20T19:58:40","date_gmt":"2021-07-20T22:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=72972"},"modified":"2021-07-20T19:58:40","modified_gmt":"2021-07-20T22:58:40","slug":"padre-americo-e-santo-no-coracao-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/padre-americo-e-santo-no-coracao-do-povo\/","title":{"rendered":"Padre Am\u00e9rico \u00e9 \u201csanto no cora\u00e7\u00e3o do povo\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">O Vener\u00e1vel padre Am\u00e9rico faleceu h\u00e1 65 anos. Henrique Manuel Pereira, professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, tem escrito sobre a vida e obra deste sacerdote que viveu ao servi\u00e7o dos pobres. \u201cUm homem de a\u00e7\u00e3o\u201d que confiava \u201cno poder operativo da palavra\u201d \u2013 refere. O padre Am\u00e9rico foi \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d e na Rua fez a sua Obra. A Obra da Rua.<\/div>\n<div class=\"article__subTitle\">No passado dia 16 de julho assinalaram-se 65 anos da morte do Vener\u00e1vel padre Am\u00e9rico. As \u201cvirtudes heroicas\u201d do fundador da \u201cObra da Rua\u201d foram reconhecidas pelo Papa Francisco a 12 de dezembro de 2019. Um passo central no processo de beatifica\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"title__separator\">\n<p>Nascido em Galegos, no concelho de Penafiel, na diocese do Porto, a 23 de outubro de 1887, Am\u00e9rico Monteiro de Aguiar foi uma figura cimeira da Igreja em Portugal no s\u00e9culo XX. Quis ingressar cedo no Semin\u00e1rio, mas s\u00f3 se ordenou presb\u00edtero com 41 anos em 1929 na imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do bispo de Coimbra, D. Manuel Lu\u00eds Coelho da Silva.<\/p>\n<p><strong>Ao servi\u00e7o dos pobres<\/strong><\/p>\n<p>O padre Am\u00e9rico demonstrou especial gosto em cuidar dos pobres, doentes e reclusos, mas \u00e9 na dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as da rua que a sua vida se tornou testemunho. De 1935 a 1939 promoveu em Coimbra as Col\u00f3nias de Campo do Garoto. A 7 de Janeiro de 1940 fundou a primeira Casa do Gaiato em Miranda do Corvo, para crian\u00e7as abandonadas e sem fam\u00edlia, sob a divisa&nbsp;\u201c<i>Obra de Rapazes, para Rapazes, pelos Rapazes\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Pai Am\u00e9rico. Era assim que lhe chamavam os rapazes da Obra da Rua e tantos outros, homens e mulheres, que com ele viveram a aventura da caridade feita vida, do Evangelho feito entrega. Deu-se pelos outros e para os outros. Procurava-os, porque n\u00e3o gostava da \u201cpaz podre das sacristias\u201d. Foi \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d e na Rua fez a sua Obra. A Obra da Rua.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 mais seis Casas do Gaiato: em Pa\u00e7o de Sousa (1943, sede da Obra da Rua), em Beire (1954, Paredes), em Set\u00fabal (1955), Benguela e Malanje (1963, Angola), e Maputo (1967, Mo\u00e7ambique).<\/p>\n<p><strong>Confian\u00e7a na palavra<\/strong><b><\/b><\/p>\n<p>Henrique Manuel Pereira \u00e9 professor da Escola das Artes da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa no Porto. Com doutoramento em Cultura pela Universidade de Aveiro, sempre se interessou pela figura do padre Am\u00e9rico, tendo publicado livros sobre ele e tamb\u00e9m sobre os padres da Obra da Rua.<\/p>\n<p>Em entrevista, Henrique Manuel Pereira, revela que o padre Am\u00e9rico foi \u201cum homem de a\u00e7\u00e3o\u201d que confiava \u201cno poder operativo da palavra\u201d. Era um \u201cm\u00edstico\u201d e um \u201cgigante da caridade\u201d:<\/p>\n<p>\u201cFoi um gigante da caridade. Ele foi um m\u00edstico e um homem que antecipou ideias e atitudes do II Conc\u00edlio do Vaticano. Para mim ele foi n\u00e3o apenas um homem bom, mas, claramente, um homem de Deus. N\u00e3o \u00e9 por acaso que ele \u00e9 h\u00e1 muito tempo, eu diria desde julho de 1956, \u00e0 data da sua morte, ele \u00e9 santo no cora\u00e7\u00e3o do povo. E n\u00f3s sabemos que esse \u00e9 o lugar mais nobre e mais dif\u00edcil de conquistar. O padre Am\u00e9rico foi um homem de a\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim \u00e9 que foi poss\u00edvel levantar uma obra como a Obra da Rua. Uma obra que ele levantou sozinho, com crian\u00e7as e com a cumplicidade do povo portugu\u00eas. Foi um homem corajoso. S\u00f3 com uma imensa coragem \u00e9 que foi poss\u00edvel fazer o que ele fez na d\u00e9cada de 40 num contexto pol\u00edtico, social e econ\u00f3mico t\u00e3o complexo como aquele que se vivia em Portugal. Era um homem de f\u00e9. Diz-se e \u00e9 verdade que era homem de um s\u00f3 livro. De uma f\u00e9 impressionante e uma confian\u00e7a desmedida no poder operativo da palavra. Ele acreditava no poder da palavra do Evangelho quase como prova cient\u00edfica. E depois era um homem que n\u00e3o se levava muito a s\u00e9rio. Tanto assim que n\u00e3o gostava que lhe falassem da sua obra, mas da nossa obra\u201d \u2013 afirmou.<\/p>\n<p><strong>Inovador e revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O professor universit\u00e1rio sublinha que o padre Am\u00e9rico \u201cinovou e revolucionou a assist\u00eancia \u00e0 crian\u00e7a e o problema da habita\u00e7\u00e3o\u201d em Portugal. Um verdadeiro \u201crevolucion\u00e1rio pac\u00edfico\u201d:<\/p>\n<p>\u201cUm revolucion\u00e1rio pac\u00edfico porque este homem revolucionou Portugal. Sem d\u00favida nenhuma. Inovou e revolucionou a assist\u00eancia \u00e0 crian\u00e7a e o problema da habita\u00e7\u00e3o. Na primeira construindo as Casas do Gaiato, na segunda dando origem \u00e0quilo a que se deu o nome de Patrim\u00f3nio dos Pobres. E o que era o Patrim\u00f3nio dos Pobres? Era uma casa onde pudessem viver com dignidade. E lan\u00e7ou isto como um fogo por todo o Portugal, ilhas, antigas col\u00f3nias e com este lema bel\u00edssimo: cada freguesia cuide dos seus pobres. Patrim\u00f3nio dos Pobres foi tamb\u00e9m uma obra incendi\u00e1ria para al\u00e9m das Casas do Gaiato. E depois a menina dos seus olhos: o Calv\u00e1rio, obra de doentes, para doentes, pelos doentes. Que tipo de doentes? Aqueles que n\u00e3o tinham lugar nos hospitais, nem na fam\u00edlia\u201d \u2013 frisou.<\/p>\n<p><strong>Modelo de Igreja em sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p>Para Henrique Manuel Pereira, o padre Am\u00e9rico \u00e9 \u201cum modelo da Igreja em sa\u00edda\u201d proposta pelo Papa Francisco:<\/p>\n<p>\u201cClaramente o padre Am\u00e9rico \u00e9 um modelo da Igreja em sa\u00edda. Ele foi \u00e0 outra margem, ele foi \u00e0s periferias e onde ningu\u00e9m teve a coragem de ir. E quando ningu\u00e9m, \u00e9 mesmo ningu\u00e9m. Tamb\u00e9m por isso houve na Igreja quem se sentisse incomodado e n\u00e3o o compreendesse. Era demasiado radical. \u00c9, claramente, um modelo que o Papa Francisco gostaria de conhecer\u201d \u2013 sublinhou.<\/p>\n<p>Henrique Manuel \u00e9 tamb\u00e9m jornalista e argumentista tendo colaborado em programas radiof\u00f3nicos da R\u00e1dio Renascen\u00e7a e da Antena 2.<\/p>\n<p>Dos seus livros sobre o Vener\u00e1vel padre Am\u00e9rico destacamos em 2015 \u201cRa\u00edzes do tempo: \u00c0 volta de Padre Am\u00e9rico\u201d e o mais recente \u201cSalazar j\u00e1 c\u00e1 veio? Padre Am\u00e9rico: um rascunho, tr\u00eas cartas, cinco poemas\u201d, publicado em 2020.<\/p>\n<p>O Vener\u00e1vel padre Am\u00e9rico faleceu a 16 de julho de 1956 no Hospital de Santo Ant\u00f3nio no Porto. Um homem que fez respirar o Evangelho na sua vida.<\/p>\n<p><i>Laudetur Iesus Christus<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p><b>Rui Saraiva \u2013 Porto&nbsp; e Vatican News<\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Vener\u00e1vel padre Am\u00e9rico faleceu h\u00e1 65 anos. Henrique Manuel Pereira, professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, tem escrito sobre a vida e obra deste sacerdote que viveu ao servi\u00e7o dos pobres. \u201cUm homem de a\u00e7\u00e3o\u201d que confiava \u201cno poder operativo da palavra\u201d \u2013 refere. O padre Am\u00e9rico foi \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d e na Rua fez&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/padre-americo-e-santo-no-coracao-do-povo\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-72972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72972"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72974,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72972\/revisions\/72974"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72973"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}