{"id":71354,"date":"2021-02-16T22:40:03","date_gmt":"2021-02-17T01:40:03","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=71354"},"modified":"2021-02-16T22:40:03","modified_gmt":"2021-02-17T01:40:03","slug":"carta-a-agna-sobre-a-imperfeicao-do-amor-humano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/carta-a-agna-sobre-a-imperfeicao-do-amor-humano\/","title":{"rendered":"CARTA \u00c0 AGNA: sobre a imperfei\u00e7\u00e3o do amor humano"},"content":{"rendered":"<p>No ano de 2009, eu fui questionado por uma aluna a respeito do amor humano, a qual dizia n\u00e3o acreditar no amor porque ele era imperfeito. Na ocasi\u00e3o eu fiz uma busca nas minhas anota\u00e7\u00f5es de sala de aula e cheguei a escrever uma carta para entregar \u00e0 aluna, por\u00e9m como eu n\u00e3o tinha o contato e nem o endere\u00e7o dela, eu publiquei a carta em jornal e em site esperando conseguir chegar a ela e sanar sua d\u00favida. Ap\u00f3s 12 anos eu encontrei a referida jovem num anivers\u00e1rio que fui convidado a participar num restaurante. Est\u00e1vamos sentados na mesma mesa que cabiam umas 20 pessoas, nos cumprimentamos, mas eu n\u00e3o tinha certeza se se tratava da mesma pessoa. Naquele momento eu recordei da pergunta e da minha pesquisa.<\/p>\n<p>Quando se fala de uma \u201cimperfei\u00e7\u00e3o do amor humano\u201d, n\u00e3o diz que o amor humano n\u00e3o existe. Ali\u00e1s, ele \u00e9 afirmado mesmo sendo imperfeito. Veremos aqui a \u201cimperfei\u00e7\u00e3o do amor humano\u201d segundo as aulas do Te\u00f3logo Andr\u00e9 Moffatt (Padre), o qual foi, por mais de trinta anos, professor no Semin\u00e1rio Arquidiocesano de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Uma primeira verdade que nos chega \u00e9 que nenhum amor humano serve como referencial para a gra\u00e7a entendida como rela\u00e7\u00e3o de amor, porque o amor humano \u00e9 imperfeito.<\/p>\n<p>Daqui, Agna, eu inicio minha reflex\u00e3o esperando ajudar a amenizar um pouco sua inquieta\u00e7\u00e3o a respeito da rela\u00e7\u00e3o amorosa humana. Antes de tudo, devemos dizer que a gra\u00e7a (vida divina em n\u00f3s; uma a\u00e7\u00e3o eficaz de Cristo em n\u00f3s) pode ser vista como uma rela\u00e7\u00e3o de amor entre Deus e o homem. Pois o amor procede de Deus \u2013 o amor \u00c1gape (\u201ccomo express\u00e3o do amor fundado sobre a f\u00e9 e por ela plasmado\u201d (Deus Caritas Est, 7)). Temos amor, n\u00e3o que merecemos, mas porque n\u00f3s o recebemos de Deus: \u201cCar\u00edssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor \u00e9 de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus\u201d (1 Jo 4, 7).<\/p>\n<p>Deus \u00e9 amor, \u00e9 caridade, porque Ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho, n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1rio, pois o amor precisa de dois termos. O amor de Deus n\u00e3o \u00e9 dualidade \u00e9 Trindade: \u201cPai, Filho e Esp\u00edrito Santo\u201d. A dualidade \u00e9 imperfeita e pode ser cominho para o ego\u00edsmo. Por isso, que o matrim\u00f4nio deve estar sempre aberto aos terceiros, aos filhos. As rela\u00e7\u00f5es \u201cduais\u201d tendem ao ego\u00edsmo com grande facilidade.<\/p>\n<p>Em Deus s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que constituem a pessoa, da\u00ed que temos na Trindade um exemplo perfeito de rela\u00e7\u00e3o amorosa. A rela\u00e7\u00e3o de amor essencial \u00e9 a vida trinit\u00e1ria, esta Deus quis comunicar ao homem, tornando-o part\u00edcipe da mesma por meio de Cristo, cuja humanidade foi posta numa rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o com Deus gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o hipost\u00e1tica (as duas naturezas de Jesus Cristo: a humana e a divina).<\/p>\n<p>A pessoa \u00e9 incomunic\u00e1vel, pode-se no m\u00e1ximo comunicar alguma coisa de si por palavras e por atos, pois o nosso ser profundo \u00e9 incomunic\u00e1vel. Quanto ao homem, n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que o faz pessoa, mas a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, isto, claro, do ponto de vista teol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para compreendermos a gra\u00e7a como rela\u00e7\u00e3o de amor faz-se necess\u00e1rio olhar o amor em si, o amor trinit\u00e1rio (a gra\u00e7a incriada). Isso porque, \u00c1gape na Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o Deus \u00e9 amor em si mesmo: \u201cAquele que n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus; porque Deus \u00e9 amor\u201d (1 Jo 4, 8); e em seu \u201cFilho no Esp\u00edrito\u201d Deus nos comunica o seu amor: \u201cNisto est\u00e1 o amor, n\u00e3o em que n\u00f3s tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a n\u00f3s, e enviou seu Filho para propicia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados\u201d (1 Jo 4, 10).<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de Deus como amor corresponde ao ser mesmo de Deus. O fato de Deus ser amor faz com que Ele n\u00e3o seja solit\u00e1rio, Deus \u00e9 amor porque Ele \u00e9 Trindade. Deus \u00e9 amor porque Nele h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es de pessoas, o Pai implica o Filho, o Filho implica o Pai. Negar o Pai \u00e9 negar o Filho, porque os dois s\u00e3o correlativos.<\/p>\n<p>N\u00f3s conhecemos o amor de Deus por n\u00f3s porque Ele nos revelou o seu amor por meio do Seu Filho no Esp\u00edrito. Cristo manifesta o amor de Deus por n\u00f3s: \u201cPois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho \u00fanico, para que todo o que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo 3, 16). Deus manifesta o seu amor por n\u00f3s comunicando-nos o seu Filho e o seu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Quando Deus nos manifesta o seu amor nos manifesta do modo que Ele \u00e9, o amor em si mesmo. Deus nos comunica o seu amor pela un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo: \u201cAquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e nisto reconhecemos que ele permanece em n\u00f3s, pelo Esp\u00edrito que nos deu\u201d. (I Jo 3, 24). Deus se comunica e se comunica do jeito que Ele \u00e9: Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Uma vez que Deus nos revelou o seu amor, n\u00f3s cremos que Ele \u00e9 amor porque Ele nos revelou isto. N\u00e3o \u00e9 evidente que Deus \u00e9 amor, n\u00f3s cremos que Ele \u00e9 amor, e isto Ele nos deu a conhecer no seu Filho. \u00c9 Cristo que nos revela a face amorosa de Deus. Portanto, a verdade de que Deus \u00e9 amor nos vem pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Se eu participo da vida trinit\u00e1ria eu tenho que atuar como Deus atua. A nossa rela\u00e7\u00e3o de amor com Deus confirma a verdade fundamental \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1 Jo 4, 8. 16).<\/p>\n<p>Assim, como Deus nos comunicou o seu amor, enviando o seu Filho e o Esp\u00edrito Santo, devemos amar os nossos irm\u00e3os: \u201cAmados, se Deus assim nos amou, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos amar uns aos outros\u201d (1 Jo 4, 11). Ou seja, &#8220;amamos, porque Deus nos amou primeiro\u201d (1 Jo 4, 19), desse modo, mesmo que amamos de forma imperfeita precisamos amar. Pois bem! N\u00f3s s\u00f3 podemos amar as pessoas porque o amor de Deus \u00e9 Trindade (\u00e9 rala\u00e7\u00e3o de amor entre as Pessoas Divinas: Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo). Nessa rela\u00e7\u00e3o de amor somos chamados a ser filho no Filho, participando com Ele da din\u00e2mica Trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p>E, a jovem? E, a carta? E, a sua pergunta? Como tamb\u00e9m nosso relacionamento com as pessoas \u00e9 imperfeito, eu sa\u00ed do anivers\u00e1rio sem saber se aquela criatura era verdadeiramente quem havia me perguntado a respeito do amor.<\/p>\n<p>Contudo, depois de um m\u00eas, a partir do encontro, eu tive a confirma\u00e7\u00e3o de minha d\u00favida: se tratava da mesma jovem. Restava, por fim, entregar a carta ou saber se ela j\u00e1 havia lido no jornal, uma vez que a aniversariante me deu esperan\u00e7a de que nos colocar\u00edamos em contato.<\/p>\n<p>Esperava que este encontro n\u00e3o me fizesse esperar por mais 12 anos! Mas, como as a\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o imperfeitas, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que poderia esperar por mais tempo! No entanto, eu estava enganado: o tempo chegara.<\/p>\n<p>Recebi, logo pela manh\u00e3, uma mensagem por meio do WhatsApp, dizendo: \u201cOl\u00e1 Pe. Joacir d\u2019Abadia, sua b\u00ean\u00e7\u00e3o! Sou a Agna, prima de Aline, a mo\u00e7a da carta [risos]. Eu li sua carta no jornal, lembro que fiquei encantada; muito bem escrita! E o senhor tinha raz\u00e3o, n\u00e3o posso negar mais: o Amor realmente existe! Eu tinha [a carta] aqui em meus registros de lembran\u00e7as at\u00e9 certo tempo, mas algumas coisas aqui&nbsp; em casa molharam e mofou muitas coisas\u201d. Fiquei, por um instante, sem palavras ao receber a mensagem. Meu cora\u00e7\u00e3o pulsou descompassado, minha respira\u00e7\u00e3o ficou ofegante e, com a boca seca, fiquei imaginando como \u00e9 s\u00e1pido o resultado de uma longa espera! A carta, todavia, foi lida, acolhida a partir do jornal; molhou, mofou e desapareceu, respondeu uma d\u00favida, mas, por sorte, conseguiu imprimir na vida da jovem Agna, uma certeza: \u201co Amor realmente existe!\u201d.<\/p>\n<p>Padre Joacir Soares d\u2019Abadia, fil\u00f3sofo autor de 12 livros e no m\u00eas de mar\u00e7o vai lan\u00e7ar mais 3 novos livros: \u201cO Humano do Padre\u201d, \u201cAos cuidados da sabedoria\u201d e \u201cViv\u00e1s-Vasti: o contemplador\u201d. Me segue l\u00e1 no Instagram e no Facebook<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano de 2009, eu fui questionado por uma aluna a respeito do amor humano, a qual dizia n\u00e3o acreditar no amor porque ele era imperfeito. Na ocasi\u00e3o eu fiz uma busca nas minhas anota\u00e7\u00f5es de sala de aula e cheguei a escrever uma carta para entregar \u00e0 aluna, por\u00e9m como eu n\u00e3o tinha o&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/carta-a-agna-sobre-a-imperfeicao-do-amor-humano\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[69],"tags":[],"class_list":["post-71354","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71354"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71355,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71354\/revisions\/71355"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71284"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}