{"id":59494,"date":"2018-10-05T00:28:29","date_gmt":"2018-10-05T03:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=59494"},"modified":"2018-10-04T21:28:53","modified_gmt":"2018-10-05T00:28:53","slug":"labirinto-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/labirinto-eleitoral\/","title":{"rendered":"Labirinto eleitoral"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, a sociedade brasileira se v\u00ea em um complexo labirinto. O eleitor est\u00e1 desafiado a fazer suas escolhas, e \u00e9 importante ressaltar: s\u00e3o escolhas, no plural, pois al\u00e9m de ser preciso definir o voto para a presid\u00eancia da rep\u00fablica, deve-se escolher, entre os candidatos, quem merece ocupar o governo dos Estados, compor as assembleias legislativas e o Congresso Nacional. Para o eleitor que define seu voto ancorado na ideologia de um partido, a escolha parece ser tarefa menos dif\u00edcil, mas h\u00e1 sempre o risco de se exercer a cidadania de modo limitado. Incontestavelmente, os partidos t\u00eam a maior responsabilidade pelo descr\u00e9dito da pol\u00edtica, em raz\u00e3o dos procedimentos duvidosos e modos cartoriais de atua\u00e7\u00e3o, com preju\u00edzos para o bem comum.&nbsp; A pol\u00edtica n\u00e3o pode ser entendida e praticada como se fosse um servi\u00e7o a partidos e correligion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Muito mais do que envolver-se na disputa de legendas, o exerc\u00edcio da cidadania relaciona-se com algo bem diferente dos discursos e refr\u00e3os eleitoreiros. Uma sociedade pol\u00edtica \u00e9 aquela que promove o bem comum a partir da participa\u00e7\u00e3o de todos. Por\u00e9m, muitos consideram que o contexto pol\u00edtico \u00e9 caminho para alcan\u00e7ar vantagens pessoais. Ambicionam benef\u00edcios apenas para os que est\u00e3o no poder. Ao restante da popula\u00e7\u00e3o, especialmente para quem \u00e9 mais pobre, destina-se pouco, perpetuando situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria. Sinais dessa concep\u00e7\u00e3o equivocada de pol\u00edtica e, consequentemente, do exerc\u00edcio da cidadania, s\u00e3o as propagandas partid\u00e1rias, em que candidatos buscam conquistar o eleitor a partir de ataques aos advers\u00e1rios. Quem se apega \u00e0s legendas, acaba por protagonizar disputas sem qualquer tipo de reflex\u00e3o, com certa semelhan\u00e7a ao que ocorre nas arquibancadas de est\u00e1dios esportivos.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio de equ\u00edvocos no exerc\u00edcio da cidadania, e tamb\u00e9m do poder, revela falta de qualificada vis\u00e3o antropol\u00f3gica a respeito da sociedade. Os descompassos n\u00e3o ocorrem apenas no contexto da pol\u00edtica partid\u00e1ria, mas incidem tamb\u00e9m nos \u00e2mbitos religioso e de outros segmentos contaminados pelas manipula\u00e7\u00f5es, instrumentalizados para atender a interesses de pequenos grupos de \u201camigos\u201d. Consequentemente, a f\u00e9, os bens que s\u00e3o de propriedade do povo e a for\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o submetidos a din\u00e2micas med\u00edocres, justificadas a partir de certas ideologias. &nbsp;N\u00e3o se reconhece que a \u201clente\u201d da ideologia, de qualquer natureza, permite apenas uma vis\u00e3o limitada, sem nitidez. Prevalecem, assim, conclus\u00f5es que desconsideram a complexidade da sociedade e de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A chatice dos debates, restritos \u00e0 troca de acusa\u00e7\u00f5es e autoelogios, sem o aprofundamento de temas importantes, deriva tamb\u00e9m desse apego cego \u00e0s legendas e \u00e0s suas ideologias. Perde-se a oportunidade de se alcan\u00e7ar, a partir da troca de argumentos, um n\u00edvel de intelig\u00eancia que permita abrir novos caminhos, capazes de levar o pa\u00eds a novos patamares, necess\u00e1rios para o seu desenvolvimento. Mesmo diante dessas dificuldades, de um cen\u00e1rio distante do ideal, o cidad\u00e3o deve estar atento. \u00c9 verdade que o eleitor se perde num verdadeiro labirinto no exaustivo exerc\u00edcio de reflex\u00e3o e di\u00e1logo para definir o voto. Mas \u00e9 preciso perseverar, pois piora ainda mais a situa\u00e7\u00e3o a omiss\u00e3o diante da responsabilidade de se votar bem.&nbsp;<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio da liberdade cidad\u00e3 para escolher seus candidatos exige algo que ultrapassa a simpatia por quem se enquadra em determinado contexto ideol\u00f3gico-partid\u00e1rio. Tamb\u00e9m n\u00e3o se deve decidir o voto a partir da troca de favores. Crit\u00e9rios relevantes devem sustentar escolhas acertadas, para que sejam eleitas pessoas capazes de promover os consensos e entendimentos necess\u00e1rios \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina p\u00fablica e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das reformas necess\u00e1rias. Entre esses crit\u00e9rios, fundamental \u00e9 verificar aqueles que t\u00eam compet\u00eancia, ampla vis\u00e3o de mundo e, principalmente, partilham valores relacionados \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da vida e da dignidade do ser humano.<\/p>\n<p>Para os crist\u00e3os, os valores do Evangelho de Jesus Cristo s\u00e3o crit\u00e9rios inegoci\u00e1veis. De cada pessoa, exige-se profundo discernimento, envolvendo sensibilidade social e espiritual, para mais assertividade nas escolhas. Assim, talvez, seja poss\u00edvel encontrar a sa\u00edda desse confuso labirinto eleitoral, para o bem da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Foto:Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n<p>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte(MG)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, a sociedade brasileira se v\u00ea em um complexo labirinto. 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