{"id":57858,"date":"2018-08-28T06:21:42","date_gmt":"2018-08-28T09:21:42","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=57858"},"modified":"2018-08-28T06:21:42","modified_gmt":"2018-08-28T09:21:42","slug":"coletiva-de-imprensa-do-papa-francisco-no-voo-de-retorno-da-irlanda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/coletiva-de-imprensa-do-papa-francisco-no-voo-de-retorno-da-irlanda\/","title":{"rendered":"Coletiva de imprensa do Papa Francisco no voo de retorno da Irlanda"},"content":{"rendered":"<div id=\"main_image_wrapper\" class=\"main_image_wrapper\">\n<div id=\"main_image_container\" class=\"main_image_container\">\n<div>\n<p>No domingo, 26 de agosto, o Papa Francisco concedeu uma coletiva de imprensa no voo de regresso a Roma, depois de visitar a Irlanda para participar do Encontro Mundial das Fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A seguir, o texto completo:<\/p>\n<p><strong>Greg Burke:<\/strong><\/p>\n<p>Boa noite, Santo Padre, obrigado por este tempo que nos dedica depois de dois dias muito intensos. Com certeza houve alguns momentos muito dif\u00edceis como o caso dos abusos, mas tamb\u00e9m momentos muito belos, a Festa das Fam\u00edlias, os testemunhos, o encontro com os casais jovens e tamb\u00e9m a visita aos capuchinhos que ajudam os pobres. Podemos passar a palavra aos jornalistas e come\u00e7ar com os irlandeses.<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Eu agrade\u00e7o porque, se me sinto cansado, penso em voc\u00eas que t\u00eam muito trabalho. Agrade\u00e7o muito o esfor\u00e7o de voc\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Tony Connely, Radio Televis\u00e3o Irlandesa:<\/strong><\/p>\n<p>Sua Santidade, no s\u00e1bado voc\u00ea falou sobre a reuni\u00e3o que teve com a ministra para as crian\u00e7as. Falou que ficou emocionado quando ela mencionou sobre os lares de M\u00e3es e Filhos. O que foi que ela disse exatamente? Surpreendeu-o porque era a primeira vez que ouvia falar dessas casas?<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>A ministra me disse primeiro algo que n\u00e3o era tanto sobre as m\u00e3es e os filhos. Disse brevemente, &#8220;Santo Padre, encontramos fossas comuns de crian\u00e7as, crian\u00e7as enterradas. Estamos investigando. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.acidigital.com\/igreja\/index.html\">Igreja<\/a>&nbsp;est\u00e1 envolvida nisso&#8221;, mas disse educadamente e a verdade com respeito. Agradeci a ministra, pois isto tocou o meu cora\u00e7\u00e3o, e por isso quis repeti-lo no discurso&#8230; e n\u00e3o era no aeroporto, me equivoquei, era do presidente, no aeroporto havia outra senhora ministra e me equivoquei nesse ponto. Mas ela me disse &#8220;depois lhe enviarei um memorando&#8221;. Ela enviou o memorando. Eu n\u00e3o pude l\u00ea-lo. Mas vi que era um memorando. Mas foi muito cuidadosa ao dizer-me que &#8220;h\u00e1 um problema, a investiga\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o terminou&#8221;, mas deu a entender que a Igreja est\u00e1 envolvida nisso. Para mim, este foi um exemplo de colabora\u00e7\u00e3o construtiva, tamb\u00e9m de \u2013 n\u00e3o quero dizer a palavra protesto \u2013, mas de lamenta\u00e7\u00e3o. De lamenta\u00e7\u00e3o pelo que, de repente, h\u00e1 algum tempo, a Igreja ajudou. Esta senhora tinha uma dignidade que tocou o meu cora\u00e7\u00e3o. E agora tenho o memorando e o estudarei quando chegar em casa.<\/p>\n<p><strong>Patrick Agnew, Sunday Independent:<\/strong><\/p>\n<p>Santo Padre, obrigado e boa noite. Ontem, Marie Collins, a v\u00edtima Marie Collins que conhece bem, disse que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 a favor dos novos tribunais de investiga\u00e7\u00e3o vaticana sobre os problemas de abusos sexuais, novas investiga\u00e7\u00f5es sobre o problema dos abusos sexuais, e especialmente sobre um tribunal para que investigue os&nbsp;bispos, a responsabilidade do bispo. Por que considera que isto n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim, Marie Collins est\u00e1 um pouco fixada na ideia de que saiu, eu estimo \u200b\u200bmuito a Marie Collins, por todas as vezes que a chamamos ao Vaticano para dar palestras. Ela est\u00e1 fixada na ideia de que o escrito (motu proprio&nbsp;<em>Madre amorevole<\/em>&nbsp;de 2016) &#8220;M\u00e3e Amorosa&#8221;, o qual afirmava que para julgar os bispos seria bom ou seria feito um tribunal especial. Mais tarde, viram que isso n\u00e3o era vi\u00e1vel e tamb\u00e9m que n\u00e3o era conveniente pelas diversas culturas dos bispos que devem ser julgados. Aceitam a recomenda\u00e7\u00e3o de &#8220;Como uma m\u00e3e amorosa&#8221; e formam um j\u00fari para cada bispo, mas n\u00e3o \u00e9 o mesmo. Este bispo \u00e9 julgado e o Papa faz um j\u00fari que seja muito capaz de assumir esse caso. \u00c9 uma coisa que funciona melhor, e tamb\u00e9m porque nem todos os bispos podem deixar as suas dioceses, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Ent\u00e3o, os tribunais, os j\u00faris mudam. E assim fizemos at\u00e9 agora. V\u00e1rios bispos foram julgados.<\/p>\n<p>O \u00faltimo foi o de Guam. O Arcebispo de Guam que apelou. Eu decidi, porque \u00e9 um caso muito, muito dif\u00edcil, usar um privil\u00e9gio que eu tenho, de poder receber a apela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o envi\u00e1-la ao tribunal de apela\u00e7\u00f5es que realiza o trabalho com todos os sacerdotes. Eu assumi o caso, criei uma comiss\u00e3o de canonistas a fim de que me ajudem e me disseram que, quando eu voltasse, no m\u00e1ximo em um m\u00eas estar\u00e1 pronta a recomenda\u00e7\u00e3o para que eu decida a senten\u00e7a. Por um lado, \u00e9 um caso complicado, mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, porque as evid\u00eancias s\u00e3o clar\u00edssimas. E por falar das evid\u00eancias, elas s\u00e3o claras. Mas eu n\u00e3o posso julgar antecipadamente. Aguardo o relat\u00f3rio e depois tomarei uma decis\u00e3o. Digo que as evid\u00eancias s\u00e3o claras porque s\u00e3o estas evid\u00eancias que foram levadas ao primeiro tribunal para conden\u00e1-lo. Este foi o \u00faltimo caso. Agora, h\u00e1 outro caso em andamento. Vamos ver como terminar\u00e1 isso. Mas que fique claro, disse a Marie, se faz o esp\u00edrito e a recomenda\u00e7\u00e3o de &#8220;Como uma m\u00e3e amorosa&#8221;. Um bispo \u00e9 julgado por um tribunal, mas nem sempre \u00e9 o mesmo tribunal porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Ela n\u00e3o entendeu muito bem isso, mas quando eu encontra-la, porque \u00e0s vezes vem ao Vaticano, n\u00f3s a chamaremos, e explicarei de uma forma mais clara. Eu gosto muito dela.<\/p>\n<p><strong>Stefania Falasca, Avvenire:<\/strong><\/p>\n<p>Hoje voc\u00ea tamb\u00e9m disse que sempre \u00e9 um desafio receber o imigrante e o estrangeiro. Justo ontem foi resolvido o caso doloroso do navio Diciotti. H\u00e1 sua m\u00e3o neste caso, est\u00e1 envolvido nisso?<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Isso de acolher os imigrantes \u00e9 algo t\u00e3o antigo quanto a B\u00edblia. Em Deuteron\u00f4mio, nos mandamentos, Deus pede para acolher os imigrantes e os estrangeiros. Algo antigo, que est\u00e1 no esp\u00edrito da revela\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no esp\u00edrito do Cristianismo. \u00c9 um princ\u00edpio moral. Depois, falei sobre isso, depois tamb\u00e9m vi que deveria explicar um pouco mais porque n\u00e3o \u00e9 acolher a &#8220;bela estrela&#8221;, n\u00e3o! \u00c9 uma acolhida razo\u00e1vel. Mas isso acontece em toda a Europa, e quando percebi como deve ser este comportamento razo\u00e1vel? Quando ocorreu o atentado de Zaventem, quando percebi que os meninos e os guerrilheiros que cometeram o atentado de Zaventem eram belgas, filhos de imigrantes, n\u00e3o integrados, mas em guetos!<\/p>\n<p>Ou seja, foram recebidos pelos pa\u00edses e deixados l\u00e1, e fizeram um gueto, n\u00e3o foram integrados. Por isso sublinhei isso, \u00e9 importante. Depois recordei a minha visita \u00e0 Su\u00e9cia, e a Franca (Giansoldati, Vaticanista de&nbsp;<em>Il Messaggero<\/em>, nota do editor) mencionou isso em um artigo, de como expliquei este pensamento, e quando fui \u00e0 Su\u00e9cia, eu sabia, eu falei sobre a integra\u00e7\u00e3o, como era, porque eu sabia, porque de 1976 a 1983, durante a ditadura na Argentina, muitos, muitos argentinos e tamb\u00e9m uruguaios fugiram para a Su\u00e9cia e o governo os recebia, os obrigada a estudar a sua l\u00edngua, dava-lhes um trabalho e integrava.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria interessante, a senhora ministra que me recebeu no aeroporto de Lund era filha de uma sueca e de um imigrante africano. Mas este migrante africano foi integrado at\u00e9 o ponto que a sua filha se tornou ministra do pa\u00eds. A Su\u00e9cia \u00e9 um modelo&#8230; mas naquele momento a Su\u00e9cia come\u00e7ava a ter dificuldades, n\u00e3o porque n\u00e3o tivesse boa vontade para isso, mas porque n\u00e3o tinha a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o. Esta foi a raz\u00e3o pela qual a Su\u00e9cia parou um pouco. Depois deste passo de integra\u00e7\u00e3o. E depois falei aqui em uma coletiva de imprensa com voc\u00eas sobre a virtude da prud\u00eancia, que \u00e9 a virtude do governante.<\/p>\n<p>Falei sobre a prud\u00eancia dos povos, sobre o n\u00famero ou sobre as possibilidades. Um povo que pode receber, mas n\u00e3o tem a possibilidade de integrar, melhor n\u00e3o receber ningu\u00e9m. Este \u00e9 o problema da prud\u00eancia. E acredito que atualmente este \u00e9 o n\u00facleo do di\u00e1logo na Uni\u00e3o Europeia&#8230; devem continuar o di\u00e1logo, para que possam encontrar as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que aconteceu com o (navio de imigrantes) Diciotti? Eu n\u00e3o coloquei a minha m\u00e3o nisso, quem realizou este trabalho junto com o ministro do Interior foi o Pe. Aldo (Bonaiuti, nota do editor), o grande Pe. Aldo que continua o trabalho de don Benzi, que os italianos conhecem muito bem, que trabalham na liberta\u00e7\u00e3o das prostitutas, aquelas mulheres que s\u00e3o exploradas. Tamb\u00e9m entrou a Confer\u00eancia Episcopal Italiana. O Cardeal Bassetti, que estava aqui, no telefone, orientava todo o processo e um dos seus subsecret\u00e1rios, o Pe. Maffeis negociava com o ministro. E acho que entrou Alb\u00e2nia, tinha um n\u00famero da Alb\u00e2nia, da Irlanda e de Montenegro, acho que n\u00e3o&#8230; n\u00e3o tenho certeza. Os outros foram tomados pela Confer\u00eancia, mas n\u00e3o sei se o guarda-chuva do Vaticano desceu ou n\u00e3o, eu n\u00e3o sei como negociaram, e v\u00e3o a Mondo Migliore a Rocca di Papa, onde ser\u00e3o acolhidos. Acho que s\u00e3o mais de 100 e assim come\u00e7aram a aprender o idioma e realizar o trabalho que foi feito com os imigrantes integrados. Eu tive uma experi\u00eancia muito gratificante quando fui a (universidade) Roma Tre, os estudantes queriam me fazer algumas perguntas, e vi uma estudante que \u201cparece que a conhecia\u201d, e era uma das que veio comigo, com as 13 pessoas de Lesbos. E esta jovem estava na universidade, porque San Eg\u00eddio, no dia seguinte, j\u00e1 come\u00e7aram a estudar na escola. Ela foi integrada na universidade. Este \u00e9 o trabalho com os migrantes. Est\u00e1 a abertura do cora\u00e7\u00e3o para todos, o sofrimento, a integra\u00e7\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o para acolher e tamb\u00e9m a prud\u00eancia dos governantes para fazer isso. Eu vi em um filme clandestino o que acontece com aqueles que s\u00e3o devolvidos, que s\u00e3o encontrados pelos traficantes. \u00c9 doloroso, as coisas que alguns homens fazem com as mulheres e com as crian\u00e7as. Fora! Eles os vendem! Mas os homens s\u00e3o torturados da forma mais horr\u00edvel. H\u00e1 algu\u00e9m que foi capaz, um espi\u00e3o, de fazer esse filme que enviei para os meus subsecret\u00e1rios de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, para envi\u00e1-los de volta, \u00e9 necess\u00e1rio pensar bem, muito bem. E a \u00faltima coisa: h\u00e1 migrantes que v\u00eam, mas tamb\u00e9m h\u00e1 outros que s\u00e3o enganados a Fiumicino. Eles v\u00eam enganados e acabam sendo escravizados. Sob a amea\u00e7a dos traficantes de mulheres. Isso.<\/p>\n<p><strong>Anna Matranga, CBS:<\/strong><\/p>\n<p>Boa tarde, Santo Padre. Voltarei ao tema dos abusos, sobre os quais j\u00e1 falou. Esta manh\u00e3 bem cedo, foi publicado um documento do Arcebispo Carlo Maria Vigan\u00f2 no qual ele afirma que em 2013 teve uma conversa pessoal com voc\u00ea no Vaticano e que, nesta conversa, ele falou com voc\u00ea explicitamente, do comportamento&#8230; dos abusos sexuais do ex-cardeal McCarrick, e queria pergunta se isto \u00e9 verdade. E gostaria tamb\u00e9m de lhe perguntar outra coisa, o Arcebispo tamb\u00e9m disse que o Papa Bento havia sancionado McCarrick, que lhe havia comunicado que n\u00e3o podia viver no semin\u00e1rio, n\u00e3o podia celebrar&nbsp;missa&nbsp;p\u00fablica, n\u00e3o podia viajar, era sancionado pela Igreja. Posso perguntar se essas duas coisas s\u00e3o verdade?\u201d<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Eu respondo, mas preferiria que falemos primeiro sobre a viagem, depois de outras coisas, me distra\u00ed com Estefania, mas agora respondo.<\/p>\n<p>Eu li na manh\u00e3 de hoje o comunicado. Eu o li, e lhes digo sinceramente que devo dizer-lhes o seguinte, a voc\u00ea e a todos voc\u00eas que est\u00e3o interessados: leiam voc\u00eas atentamente o comunicado e tirem suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Eu n\u00e3o vou dizer uma palavra sobre isso. Acredito que o comunicado fala por si mesmo, e voc\u00eas t\u00eam a capacidade jornal\u00edstica suficiente para chegar \u00e0s conclus\u00f5es. \u00c9 um ato de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois de j\u00e1 ter passado algum tempo, e voc\u00eas tenham as conclus\u00f5es, talvez eu fale&#8230; Mas eu desejaria que a vossa maturidade profissional fizesse este trabalho. Falamos depois, pode ser?<\/p>\n<p><strong>Anna Matranga, CBS:<\/strong><\/p>\n<p>Marie Collins disse que falou com Sua Santidade depois do encontro que teve com as v\u00edtimas, e disse que falou com Sua Santidade diretamente sobre o cardeal McCarrick, e que Sua Santidade foi muito duro em sua condena\u00e7\u00e3o ao cardeal. Queria perguntar: quando foi que escutou pela primeira vez sobre os abusos do ex-cardeal?\u201d<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Isto \u00e9 parte do comunicado de McCarrick. Estudem-no, e depois eu direi. Como ontem n\u00e3o o havia lido, me permiti falar abertamente com Marie Collins e o grupo, o que deve ter durado uma hora e meia e eu sofri muito com aquilo, mas acredito que precisava escutar aquelas 8 pessoas.<\/p>\n<p>E desta reuni\u00e3o saiu a proposta, eu a fiz, eles aceitaram e me ajudaram, a pedir o perd\u00e3o hoje na missa por fatos concretos. Como a \u00faltima peti\u00e7\u00e3o, sobre algo que eu jamais ouvi falar. O caso das m\u00e3es e da lavanderia das mulheres. Quando uma mulher ficava gr\u00e1vida&nbsp;fora do matrim\u00f4nio, iam a um hospital ou a uma escola, n\u00e3o sei&#8230; uma institui\u00e7\u00e3o regida por freiras. L\u00e1 as irm\u00e3s a recebiam e depois pegavam o beb\u00ea e davam aquele filho em ado\u00e7\u00e3o. Os filhos depois tentavam procurar as m\u00e3es e lhes diziam que isso era pecado mortal.<\/p>\n<p>Por isso, hoje terminei dizendo que isso n\u00e3o \u00e9 pecado mortal, mas o quarto mandamento. E as coisas que abordei hoje, algumas eu desconhecia. Foi doloroso para mim, mas foi de consolo poder esclarecer estas coisas. Espero vossos coment\u00e1rios sobre o documento, eu gostaria de escut\u00e1-los, obrigado.<\/p>\n<p><strong>C\u00e9cile Chambraud, Le Monde:<\/strong><\/p>\n<p>Boa tarde, Santo Padre. Espero que n\u00e3o fique incomodado que eu fa\u00e7a a minha pergunta em espanhol e pe\u00e7o para que me responda em italiano. Em seu discurso \u00e0s autoridades irlandesas, referiu-se \u00e0 sua recente carta ao povo de Deus, na qual exorta todos os cat\u00f3licos a participarem da luta contra os abusos na Igreja. Poderia detalhar o que os cat\u00f3licos podem fazer para lutar contra os abusos? A respeito deste tema, na Fran\u00e7a, um sacerdote iniciou um pedido a fim de que o Cardeal Barbarin renuncie, pois foi acusado pelas v\u00edtimas. Esta iniciativa lhe parece adequada ou n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Se houver suspeitas, provas ou meias provas n\u00e3o vejo nada de errado em fazer uma investiga\u00e7\u00e3o, desde que seja feita com base no princ\u00edpio jur\u00eddico fundamental,&nbsp;<em>nemo malus ni si probetu<\/em>, ningu\u00e9m \u00e9 ruim se n\u00e3o for comprovado.<\/p>\n<p>Muitas vezes, existe a tenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de fazer a investiga\u00e7\u00e3o, mas de publicar que se fez o inqu\u00e9rito e porque \u00e9 culpado&#8230; e assim alguns meios, n\u00e3o o seu, come\u00e7am a criar um clima de culpabilidade. E queria dizer uma coisa que aconteceu comigo h\u00e1 pouco tempo que poder\u00e1 ajudar a isso, porque para mim \u00e9 importante como proceder e como a m\u00eddia pode ajudar.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, mais ou menos, come\u00e7ou em Granada o problema dos assim chamados sacerdotes ped\u00f3filos, um grupo de sete, oito ou dez sacerdotes, acusados \u200b\u200bde abuso de menores e tamb\u00e9m de fazer festas, orgias, todas estas coisas.<\/p>\n<p>Recebi diretamente esta acusa\u00e7\u00e3o. Uma carta escrita por um jovem de 23 anos que, segundo ele, foi abusado. Dizia o nome e tudo. Era um jovem que trabalhava em um col\u00e9gio religioso muito conhecido em Granada. A carta era perfeita e me perguntava o que tinha que fazer para denunciar isso. Eu disse para que ele procurasse o Arcebispo e ele sabe o que deve fazer. O Arcebispo fez tudo o que deveria fazer, e esta den\u00fancia chegou aos tribunais civis e ocorreram os dois processos.<\/p>\n<p>A m\u00eddia come\u00e7ou a falar e tr\u00eas dias depois escreveram que &#8220;na par\u00f3quia h\u00e1 tr\u00eas sacerdotes ped\u00f3filos&#8221; e coisas deste tipo. Isso criou a consci\u00eancia de que estes sacerdotes eram criminosos: sete foram interrogados e n\u00e3o foi encontrado nada. Os outros tr\u00eas continuaram sendo investigados e dois ficaram na pris\u00e3o por cinco dias; e o outro, Pe. Roma, que era p\u00e1roco, permaneceu durante sete dias.<\/p>\n<p>Durante quase tr\u00eas anos e mais, sofreram o \u00f3dio, o recha\u00e7o de todas as pessoas&#8230; foram chamados de criminosos e n\u00e3o podiam sair, sofreram humilha\u00e7\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o foi realizada a fim de verificar as acusa\u00e7\u00f5es do menino, que n\u00e3o me atrevo a relatar aqui.<\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas anos, a justi\u00e7a declarou que todos os sacerdotes eram inocentes, especialmente estes tr\u00eas. Os outros j\u00e1 estavam fora da causa, e o jovem que fez a den\u00fancia foi declarado culpado, porque viram que este jovem era fantasioso, mas era uma pessoa muito inteligente, que trabalhava em um col\u00e9gio cat\u00f3lico, tinha este prest\u00edgio, que aparentemente estava dizendo a verdade. Ele foi condenado a pagar os custos&#8230; &nbsp;e estes sacerdotes foram declarados inocentes.<\/p>\n<p>Estes homens foram condenados pela m\u00eddia local e n\u00e3o pela justi\u00e7a. Por isso, o trabalho de voc\u00eas \u00e9 muito delicado. Devem acompanhar, devem dizer coisas, mas sempre com isso&#8230; a presun\u00e7\u00e3o legal de inoc\u00eancia e n\u00e3o a presun\u00e7\u00e3o legal da culpabilidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o informante que afirma um fato, mas que n\u00e3o se arrisca a uma condena\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, e o investigador que \u00e9 como Sherlock Holmes, que avan\u00e7a com a presun\u00e7\u00e3o de culpabilidade. Todos n\u00f3s lemos a t\u00e9cnica de Poirot, na qual todos s\u00e3o culpados, mas este \u00e9 o trabalho do investigador, mas todos podem investigar. S\u00e3o duas posi\u00e7\u00f5es diferentes, as pessoas que informam sempre devem partir da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, sem condenar.<\/p>\n<p>Este caso que aconteceu em Granada \u00e9 um exemplo que far\u00e1 bem a todos no vosso servi\u00e7o.<\/p>\n<p><em>Pergunta novamente o que o povo de Deus pode fazer a respeito.<\/em><\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Quando se v\u00ea algo, deve-se comunicar rapidamente. Eu direi algo um pouco feio. Muitas vezes os pr\u00f3prios pais encobrem o abuso cometido por um sacerdote. Muitas vezes. Isso se v\u00ea nas condena\u00e7\u00f5es, n\u00e3o acreditam&#8230; Eles se convencem de que isso n\u00e3o \u00e9 verdade e o menino ou a menina ficam assim.<\/p>\n<p>Eu tenho um m\u00e9todo de receber ou procuro receber um ou dois por semana. Eu recebi uma pessoa, uma senhora que h\u00e1 40 anos sofria esta dor do sil\u00eancio, porque os pais n\u00e3o acreditaram nela. Ela foi abusada aos oito anos. Falem, isso \u00e9 importante. \u00c9 verdade que para uma m\u00e3e isso \u00e9 algo dif\u00edcil, mas falem com as pessoas indicadas e falem com aqueles que podem come\u00e7ar um julgamento, pelo menos uma investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fale com o juiz, fale com o bispo, e se o p\u00e1roco \u00e9 uma boa pessoa, fale com ele. Esta \u00e9 a primeira coisa que o povo de Deus pode fazer. Isso n\u00e3o deve ser encoberto. Um psiquiatra me disse h\u00e1 algum tempo \u2013 mas espero que isso n\u00e3o seja uma ofensa \u00e0s mulheres \u2013 que devido \u00e0 maternidade, as mulheres s\u00e3o mais propensas a encobrir as coisas do filho e dos homens, mas eu n\u00e3o sei se \u00e9 verdade&#8230; falar .<\/p>\n<p><strong>Javier Romero, Rome Reports:<\/strong><\/p>\n<p>Santidade, gostaria de fazer duas perguntas. A primeira \u00e9 que o primeiro ministro da Irlanda, que foi muito direto em seu discurso, estava orgulhoso de um novo modelo de fam\u00edlia diferente do que \u00e9 proposto tradicionalmente pela Igreja. Refiro-me ao casamento homossexual. E talvez, este seja um dos modelos que causam mais confrontos e lutas. Pensava no caso de uma fam\u00edlia cat\u00f3lica, quando h\u00e1 uma pessoa desta fam\u00edlia que se declara homossexual. Santidade, o que voc\u00ea diria a um pai com um filho homossexual que lhe diga que quer conviver com o seu&#8230;? A segunda pergunta \u00e9 sobre o discurso do primeiro ministro quando falou sobre o&nbsp;aborto&nbsp;na Irlanda. Vimos como a Irlanda mudou muito nos \u00faltimos anos e vimos como o aborto tem sido debatido em muitos pa\u00edses, como na Argentina, seu pa\u00eds. Como voc\u00ea se sente, considerando que voc\u00ea fala sobre este tema&#8230;?<\/p>\n<p><strong>Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o pelas perguntas, porque s\u00e3o dois temas ligados \u00e0s quest\u00f5es que estamos falando. A respeito do aborto, voc\u00eas sabem o que se pensa. O aborto n\u00e3o \u00e9 um problema religioso. N\u00f3s n\u00e3o somos contra o aborto por causa da religi\u00e3o, n\u00e3o. \u00c9 um problema humano que \u00e9 estudado pela antropologia.<\/p>\n<p>Estudar o aborto come\u00e7ando pelo fato religioso \u00e9 passar por cima do pensamento. O problema do aborto \u00e9 estudado pela antropologia. Sempre o problema antropol\u00f3gico sobre a \u00e9tica de tirar um ser vivo para resolver um problema, mas isso entra na discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, sobretudo, quero destacar isso: eu nunca permito que ningu\u00e9m comece a discutir, seja onde for, o problema do aborto, que comece pelo fato religioso. N\u00e3o. \u00c9 um problema antropol\u00f3gico, \u00e9 um problema humano. Esse \u00e9 o meu pensamento.<\/p>\n<p>Segundo, sempre houve homossexuais e pessoas com tend\u00eancias homossexuais, sempre. Os soci\u00f3logos dizem, n\u00e3o sei se \u00e9 verdade, que nos tempos de mudan\u00e7a de \u00e9poca crescem alguns fen\u00f4menos sociais e \u00e9ticos, um deles seria este, mas essa \u00e9 a opini\u00e3o de alguns soci\u00f3logos.<\/p>\n<p>A tua pergunta \u00e9 clara, o que eu diria a um pai que v\u00ea que o seu filho ou filha tem essa tend\u00eancia. Primeiro diria para rezar, reza. N\u00e3o condenar. Dialogar. Entender, abrir espa\u00e7o ao filho e \u00e0 filha, abrir espa\u00e7o para que se expresse. Depois, com quantos anos se manifesta esta inquietude do filho, isto \u00e9 importante. Uma coisa \u00e9 quando se manifesta quando crian\u00e7a, quando h\u00e1 tantas coisas que podem ser feitas, para ver como est\u00e3o as coisas. Outra coisa \u00e9 quando se manifesta 20 anos depois ou algo assim&#8230;<\/p>\n<p>Eu nunca direi que o sil\u00eancio \u00e9 um rem\u00e9dio. Ignorar o filho ou a filha com uma tend\u00eancia homossexual \u00e9 uma falta de paternidade e maternidade. Voc\u00ea \u00e9 o meu filho, voc\u00ea \u00e9 a minha filha, como voc\u00ea \u00e9, eu sou seu pai, sua m\u00e3e, conversemos. Se voc\u00eas, pai ou m\u00e3e, n\u00e3o se sentirem capazes, pe\u00e7am ajuda, mas sempre atrav\u00e9s do di\u00e1logo, porque esse filho ou essa filha tem direito a uma fam\u00edlia e a fam\u00edlia&#8230; N\u00e3o o retire da fam\u00edlia. Este \u00e9 um desafio s\u00e9rio da paternidade e da maternidade, agrade\u00e7o pela pergunta. Obrigado.<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio final do Papa Francisco:<\/strong><\/p>\n<p>Eu gostaria de dizer algo para os irlandeses que est\u00e3o aqui. Encontrei muita f\u00e9 na Irlanda, muita f\u00e9. Vejo que o povo irland\u00eas sofreu muito por causa dos esc\u00e2ndalos, mas h\u00e1 f\u00e9 na Irlanda. \u00c9 forte. E o povo irland\u00eas tamb\u00e9m sabe distinguir, e cito o que ouvi hoje de um prelado: \u201cO povo irland\u00eas sabe distinguir entre as verdades e as meias-verdades. Uma coisa aqui dentro\u201d.<\/p>\n<p>Vejo que est\u00e1 em processo de elabora\u00e7\u00e3o, de cura deste esc\u00e2ndalo. \u00c9 verdade que se abre a algumas posi\u00e7\u00f5es que parecem afastar-se da f\u00e9, mas o povo irland\u00eas tem uma forte f\u00e9 enraizada.<\/p>\n<p>Quero dizer isso porque foi o que vi, ouvi e o que me informaram durante estes dois dias. Obrigado pelo vosso trabalho, muito obrigado e, por favor, rezem por mim.(ACI Digital)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"main_caption\">Papa Francisco e Greg Burke &#8211; Foto: Hannah Brockhaus (ACI Prensa)<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"vertical_sharebar\" class=\"addthis_toolbox vertical_sharebar hidden-xs affix-top\">\n<div class=\"custom_images\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No domingo, 26 de agosto, o Papa Francisco concedeu uma coletiva de imprensa no voo de regresso a Roma, depois de visitar a Irlanda para participar do Encontro Mundial das Fam\u00edlias. A seguir, o texto completo: Greg Burke: Boa noite, Santo Padre, obrigado por este tempo que nos dedica depois de dois dias muito intensos.&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-style\" href=\"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/coletiva-de-imprensa-do-papa-francisco-no-voo-de-retorno-da-irlanda\/\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-57858","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-igreja_no_mundo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57858"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57858\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57860,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57858\/revisions\/57860"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57859"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}