{"id":25970,"date":"2017-04-23T23:49:30","date_gmt":"2017-04-23T23:49:30","guid":{"rendered":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/?p=25970"},"modified":"2017-04-23T23:50:11","modified_gmt":"2017-04-23T23:50:11","slug":"de-onde-veio-a-palavra-hostia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/portalcatolico.net\/portal\/de-onde-veio-a-palavra-hostia\/","title":{"rendered":"De onde veio a palavra \u201ch\u00f3stia\u201d?"},"content":{"rendered":"<p>Certa vez, pensando sobre o \u201cSacramento da Caridade\u201d, me fiz a seguinte pergunta: por que ser\u00e1 que costumamos associar \u201c<strong>Eucaristia<\/strong>\u201d com \u201c<strong>h\u00f3stia<\/strong>\u201c?<\/p>\n<p>Fala-se em adorar a h\u00f3stia, ajoelhar-se diante da h\u00f3stia, levar a h\u00f3stia em prociss\u00e3o (na festa de Corpus Christi), guardar a h\u00f3stia\u2026 Uma crian\u00e7a chegou certa vez para a catequista e perguntou: \u201cTia, quanto tempo falta para eu tomar a h\u00f3stia?\u201d. Ela se referia \u00e0 primeira comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Tive ent\u00e3o a ideia de ir atr\u00e1s da origem da palavra \u201ch\u00f3stia\u201d. Corri para um dicion\u00e1rio (ali\u00e1s, v\u00e1rios) e descobri que, em latim, \u201ch\u00f3stia\u201d \u00e9 praticamente sin\u00f4nimo de \u201c<strong>v\u00edtima<\/strong>\u201c. Aos animais sacrificados em honra dos deuses, \u00e0s v\u00edtimas oferecidas em sacrif\u00edcio \u00e0 divindade, os romanos chamavam de \u201ch\u00f3stia\u201d. Aos soldados tombados na guerra, v\u00edtimas da agress\u00e3o inimiga, defendendo o imperador e a p\u00e1tria, eles chamavam de \u201ch\u00f3stia\u201d. Ligada \u00e0 palavra \u201ch\u00f3stia\u201d vem a palavra latina \u201c<em>h\u00f3stis<\/em>\u201c, que significa \u201cinimigo\u201d. Da\u00ed v\u00eam palavras como \u201chostil\u201d (agressivo, amea\u00e7ador, inimigo), \u201chostilizar\u201d (agredir, provocar, amea\u00e7ar). A v\u00edtima fatal de uma agress\u00e3o, por conseguinte, \u00e9 uma \u201ch\u00f3stia\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o aconteceu o seguinte: o cristianismo, ao entrar em contato com a cultura latina, agregou no seu linguajar teol\u00f3gico e lit\u00fargico a palavra \u201ch\u00f3stia\u201d exatamente para se referir \u00e0 maior \u201cv\u00edtima\u201d fatal da agress\u00e3o humana: Cristo, morto e ressuscitado.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os adotaram a palavra \u201ch\u00f3stia\u201d para se referir ao Cordeiro imolado (vitimado) e, ao mesmo tempo, ressuscitado, presente na Eucaristia. A palavra \u201ch\u00f3stia\u201d passa, pois, a significar a realidade que Cristo mesmo mostrou naquela ceia derradeira:<\/p>\n<p><em>\u201cIsto \u00e9 o meu corpo entregue\u2026 o meu sangue derramado\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O p\u00e3o consagrado, portanto, \u00e9 uma \u201ch\u00f3stia\u201d, ali\u00e1s, a \u201ch\u00f3stia\u201d verdadeira, isto \u00e9, o pr\u00f3prio Corpo do ressuscitado, uma vez mortalmente agredido pela maldade humana e agora vivo entre n\u00f3s, feito p\u00e3o e vinho, entregue como alimento e bebida: Tomai e comei\u2026 Tomai e bebei\u2026<\/p>\n<p>Infelizmente, com o correr dos tempos, perdeu-se muito deste sentido profundamente teol\u00f3gico e espiritual que assumiu a palavra \u201ch\u00f3stia\u201d na liturgia do cristianismo romano primitivo e se fixou quase que s\u00f3 na materialidade da \u201cpart\u00edcula circular de massa de p\u00e3o \u00e1zimo que \u00e9 consagrada na missa\u201d \u2013 a tal ponto que acabamos por chamar de \u201ch\u00f3stias\u201d at\u00e9 mesmo as part\u00edculas ainda n\u00e3o consagradas!<\/p>\n<p>Hoje, quando falo em \u201ch\u00f3stia\u201d, penso na \u201cv\u00edtima pascal\u201d, penso na morte de Cristo e na sua ressurrei\u00e7\u00e3o, penso no mist\u00e9rio pascal. H\u00f3stia para mim \u00e9 isto: a morte do Senhor e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, sua total entrega por n\u00f3s, presente no p\u00e3o e no vinho consagrados. Por isso que, ap\u00f3s a invoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo sobre o p\u00e3o e o vinho e a narra\u00e7\u00e3o da \u00faltima ceia do Senhor, na missa, toda a assembleia canta: \u201cAnunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurrei\u00e7\u00e3o. Vinde, Senhor Jesus\u201d.<\/p>\n<p>Diante desta \u201ch\u00f3stia\u201d, isto \u00e9, diante deste mist\u00e9rio, a gente se inclina em profunda rever\u00eancia, se ajoelha e mergulha em profunda contempla\u00e7\u00e3o, assumindo o compromisso de ser tamb\u00e9m assim: corpo oferecido \u201ccomo h\u00f3stia viva, santa, agrad\u00e1vel a Deus\u201d (Rm 12,1). Adorar a \u201ch\u00f3stia\u201d significa render-se ao seu mist\u00e9rio para viv\u00ea-lo no dia-a-dia. E comungar a \u201ch\u00f3stia\u201d significa assimilar o seu mist\u00e9rio na totalidade do nosso ser para nos tornarmos o que Cristo \u00e9: h\u00f3stia, entregue em servi\u00e7o aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>E agora entendo melhor quando o Conc\u00edlio Vaticano II, ao exortar para a participa\u00e7\u00e3o consciente, piedosa e ativa no \u201csacrossanto mist\u00e9rio da Eucaristia\u201d, completa: \u201cE aprendam a oferecer-se a si pr\u00f3prios oferecendo a h\u00f3stia imaculada n\u00e3o s\u00f3 pelas m\u00e3os do sacerdote, mas tamb\u00e9m juntamente com ele, e, assim, tendo a Cristo como Mediador, dia a dia se aperfei\u00e7oem na uni\u00e3o com Deus e entre si, para que, finalmente, Deus seja tudo em todos\u201d (SC 48).<\/p>\n<p><em>Autor:Frei Jos\u00e9 Ariovaldo da Silva, OFM<\/em><\/p>\n<p>Fonte:Diocese de Teixeira de Freitas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, pensando sobre o \u201cSacramento da Caridade\u201d, me fiz a seguinte pergunta: por que ser\u00e1 que costumamos associar \u201cEucaristia\u201d com \u201ch\u00f3stia\u201c? 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